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domingo, 8 de junho de 2025

Em Gaza, por exemplo, não têm estes problemas...

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Há quem ainda não tenha digerido os resultados das últimas eleições. Três semanas depois já era tempo da azia ter passado. A mim, das muitas vezes que ganha o PS, abala-me mais depressa. Mesmo que continue a achar que quem optou por esse partido fez uma opção que não foi a melhor para o país e que a mesma é prejudicial para os interesses dos portugueses em geral. Mas, sejam quais forem os resultados eleitorais, há que respeitar a vontade do povo e quem não a respeita também não merece ser respeitado. Os eleitores escolhem quem querem e votam em que muito bem lhes apetece. Chama-se democracia, ou lá o que é.

Ocorre-me este arrazoado por causa de uma conversa – na verdade foi mais um monologo, porque a criatura pôs a “espingarda à cara" e ninguém a calava – que tive na semana passada na sala de espera de uma clínica. A boa da senhora – boa é uma força de expressão, obviamente – ainda estava possessa por o Chega ter vencido as eleições aqui no concelho. Perante uma audiência de mais de uma dúzia de pessoas chamou de tudo aos eleitores cá da terra. E nem quando eu – feito parvo, devia era estar calado como os demais – lhe tentei, alarvemente reconheço, lembrar que o sol continuaria a nascer no mesmo lugar e nós a receber o ordenado no mesmo dia a coisa melhorou. Acho até que piorou. A sorte, pelo menos a minha, é que entretanto fui chamado pela enfermeira.

Ou seja, o povo apenas está certo e as pessoas são inteligentes e merecedoras de respeito quando pensam da mesma maneira que nós. Caso contrário são umas bestas. Não tem mal nenhum que uns quantos pensem assim. Nem que o verbalizem. Afinal, há vozes que por mais alto que vociferem não chegam ao céu. Ou, como diria a minha avó a propósito daqueles que exibiam uma alegada superioridade moral em relação aos demais, “gaba-te cesto, que estás todo roto”.

sábado, 31 de maio de 2025

É a democracia, estúpidos!

Eleições, em democracia, nunca são um problema. Os resultados, por mais que nos desagradem, também não. Tudo é transitório e, na pior das hipóteses, os governos apenas duram quatro anos. Depois, se o povo não estiver satisfeito com a experiência, escolhe outros.


Cinquenta anos depois já devíamos estar habituados. Mas não. Há quem ainda não perceba que a democracia também funciona quando os outros ganham e não apenas quando os eleitores votam “como deve ser”. Ou seja, de acordo com as nossas escolhas. Não vale a pena chamar fascistas a vinte e não sei quantos por cento dos portugueses, guinchar “não passarão” ou proclamar que vem aí o fim dos tempos. Não adianta. O mundo vai continuar a girar, o sol a nascer no mesmo lugar, passará quem tiver de passar e a minoria ruidosa continuará cheia de azia se – muito legitimamente, como é óbvio – continuar indignada.


Recordo-me de há relativamente pouco tempo, no tempo da famigerada Geringonça, existir gente visivelmente entusiasmada com o rumo que o país estava a levar e garantiam a quem não concordava que o melhor era habituarmos à ideia da coisa ser para perdurar no tempo. Eram, apesar de terem perdido as eleições, a maioria parlamentar. Hoje constituem uma minoria sem qualquer relevância, mas, mesmo assim, mantêm a arrogância de sempre. Para eles são outros que estão errados. São os donos da razão. Os supra sumos da inteligência e os demais uns pobres diabos. Até gente com evidentes problemas cognitivos, fruto da consanguinidade resultante do casamento entre primos, faz proclamações inflamadas acerca dos perigosos avanços da direita. Coitados.


Por mim prefiro os que dizem, seja em que circunstância for, “Há governo?! Sou contra!”. Pelo menos são mais coerentes.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Uma chatice, essa coisa do povo votar...

Não há nenhum animal que tropece duas vezes na mesma pedra. Ou melhor, há um. O homem. Ou a mulher, tanto faz. Este principio pode muito bem ser aplicado aos activistas disfarçados de humoristas e demais paineleiros televisivos, radiofónicos e dos restantes meios de difusão da opinião. Aquela gente não aprende. Andam há anos a fazer propaganda descarada, inclusivamente na comunicação social gerida pelo Estado, visando por todos os meios evitar que os eleitores votem no Chega. Ainda não perceberam que apenas conseguem produzir – como os resultados eleitorais têm demonstrado eleição após eleição – exactamente o efeito contrário. Até eu, casmurro que nem uma porta e que posso ser tudo menos influenciável, tive de deixar de ver o programa do RAP e mudar de canal quando alguns comentadores vomitavam as suas opiniões. É que, se continuasse a ouvir aquelas avantesmas, ainda corria o risco de me convencerem a votar no partido do Ventura.


Também entre os partidos é total a falta de noção acerca do sentimento generalizado entre a população. Usar a causa palestiniana ou pretender baixar o preço das casas, num país onde a esmagadora maioria das pessoas se está a marimbar para o que se passa em Gaza e mais de setenta por cento é proprietária de imóveis, só podia dar o resultado que deu ao BE. Ou, no caso do PCP, promover mais uma greve nos transportes mesmo em véspera de eleições afigura-se uma atitude pouco inteligente. Quanto ao PS o caso é ainda pior. Ou arrepiam o caminho em direcção à bloquização e voltam a ser o partido de “Mário Soares” ou o futuro não lhes reserva nada de bom. Mas isso é lá com eles. Por mim podem continuar assim.


Por último, outra metáfora a envolver a bicharada. Poucos gostamos de lobos. Menos ainda de tê-los por perto. No entanto todos compreendemos que são fundamentais ao equilíbrio do eco-sistema. Nomeadamente no controlo das espécies que, pela sua multiplicação descontrolada, representam uma ameaça. Como, por exemplo, os javalis. 

sábado, 17 de maio de 2025

Apedeutas alarves

A ofensa da moda – nas redes sociais, pois ao vivo e a cores a coisa fia mais fino - é chamar acéfalo a qualquer um a propósito de tudo e, principalmente, de nada. Basta um scroll apressado e lá estão eles, empunhando o teclado como espada, prontos a defender a honra da sua opinião — quase sempre copiada de um meme mal traduzido — com a subtileza de um rinoceronte numa loja de cristais.


Estes novos paladinos da razão têm um insulto favorito: “acéfalo”. É a sua palavra mágica. A Excalibur do ignorante militante. Usam-na com uma frequência tal que, por momentos, somos levados a pensar que o termo perdeu todo o seu significado original. Coisa que, se calhar, desconhecem. Aliás, é de crer que muitos deles julgam que "acéfalo" é uma espécie de detergente ou suplemento alimentar.


Com uma ortografia claudicante e uma sintaxe que faria corar um tradutor automático, lá estão eles, a despejar sentenças com a solenidade de um juiz, mas com a profundidade analítica de um piropo atirado de cima de um andaime por um qualquer trolha em dia de pouca inspiração. Não discutem, sentenciam. Não dialogam, decretam. E se alguém ousa discordar, o veredicto é fulminante: “acéfalo”.


São as maravilhas da era digital. Gente que mal domina o próprio idioma, mas se sente intelectualmente autorizada a distribuir certificados de inteligência. Pessoas que mal conseguem conjugar um verbo, mas que se sentem investidas da autoridade moral de chamar ignorante ao mundo inteiro. São  semianalfabetos com delírios de Sócrates. O filósofo, não o outro, embora as semelhanças sejam irónicas.


Esses cruzados da opinião alheia não querem diálogo, querem catequese. Quem não comunga da sua fé política, desportiva ou do que mais calhar está automaticamente excomungado da inteligência, por decreto de alguém que escreve “noço” e confunde “haver” com “a ver”. E assim seguimos, navegando num mar de sapiência de rodapé, onde cada analfabeto funcional é também um pequeno inquisidor das ideias. Porque, no fim de contas, pensar dá trabalho e repetir insultos dá muito mais likes.

sábado, 10 de maio de 2025

Acham pouco? Aguardem até ver a vossa...

Velhota indignada: - Tenho uma reforma de trezentos e oitenta euros…


Luís Montenegro: - É o reflexo da sua carreira contributiva!


Esquerda em geral, comentadores e outros idiotas: - Que falta de empatia, de vergonha e de respeito!


A sério?! Mas o que queriam que o homem dissesse à senhora? Bem ou mal, a pensão que cada um recebe corresponde a uma parte daquilo que era o vencimento sobre o qual descontou. E, no futuro, essa parcela tenderá a ser cada vez menor. Por mim estou mais do que ciente que, quando me aposentar, a minha pensão irá padecer do mesmo mal. Ficará bastante longe do vencimento que tenho hoje e sobre o qual o Estado me confisca uma parte bastante significativa. Mas, disso, ainda não ouvi a esquerda em geral, comentadores e outros idiotas falar de falta de empatia, de vergonha e de respeito. Nem uma indignaçãozinha, ainda que ligeira, isso lhes suscita. Dizem até, que eu bem os ouço, que a culpa é da demografia e só vou ter reforma porque os imigrantes vieram tratar de ma pagar. É mesmo isso, que eu sei. Conheço uma que passa os dias sentada à porta de casa, a apanhar sol aos cascos, que já deve estar cansada de tanto contribuir.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Eles não se enganam...a realidade é que não acerta.

Os mesmos comentadores que antes garantiam a ausência de maiorias absolutas e perspetivavam uma luta renhida entre o PS e o PSD, têm agora a certeza absoluta quanto aos motivos que levaram os portugueses a dar a maioria a António Costa. Foi, afiançam cheios de convicção, o medo da extrema-direita. De facto, na rua não ouço falar de outra coisa. Anda tudo aterrorizado com isso. Ninguém quer saber dos problemas na saúde, dos salários baixos ou dos impostos altos. Cenas que, obviamente, para os eleitores não passam de minudências, de tão apavorados que estão com a direita mais extrema.


Excepto o país que vive dentro das redações dos órgãos de comunicação social toda a gente, com maior ou menor dificuldade, percebe que o PS ganhou porque quatro milhões de eleitores vivem à conta do Estado e, naturalmente, estão contentes por lhes aumentarem as reformas, os vencimentos ou os apoios sociais. Também não se afigura difícil de perceber que BE e PCP são partidos de protesto – mais o primeiro que o segundo, é certo – e viram parte significativa dos seus votos ir parar ao Chega. A incapacidade de ambos em cativar o eleitorado mais jovem fez o resto. Aquele discurso da defesa das pensões instituídas e dos impostos, era quase um apelo ao voto dos mais novos na IL.


Estes comentadores também ainda não conseguiram aceitar que o resultado das eleições se traduziu numa viragem à direita. A maioria absoluta permite ao PS livrar-se da extrema-esquerda e, finalmente, poder governar de acordo com a sua matriz ideológica. Não será propriamente bom. Mas, seguramente, será menos mau do que até aqui.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Guardem as galinhas, que vem aí a "diraita"...

“Porque temos salários baixos?” É a pergunta, a soar a falsete, de uma revista que se publica semanalmente. Dá, entre outros exemplos, o de um jovem que auferirá setecentos e quinze euros mensais. Pouco, muito pouco efectivamente. Não sei se a questão colocada na capa da citada publicação será a mais correcta. Para mim seria mais adequado questionar porque motivo estamos a pagar - e pior, de forma tão desigual - impostos tão altos. Atente-se no caso do desgraçado atrás referido. Do magro pecúlio que o patrão lhe paga o Estado, para o IRS, apropria-se de 12,87€, deixando-o com um vencimento de 702,13 ao qual ainda vai descontar a TSU. O que significa que leva para casa menos do que o colega a quem o patrão paga os 705,00€ do SMN. Mas este “jove” nem é dos piores exemplos. Até tem sorte em não ganhar mais dez ou quinze euros. E, coitado, se fôr casado para o fisco já será um pequeno burguês.


Infelizmente nada disto importa na campanha. Quem, de uma ou outra forma, levanta o problema é apoucado pela esquerda, enrolado em explicações manhosas pelo centrão e ignorado pela generalidade da comunicação social. O importante, para eles e estranhamente para uma imensa parcela do eleitorado, é a “diraita”, a “extrema-diraita” e outros fantasmas. Eles que vão mas é bardamerda. A “diraito”, que é para não se perderem no caminho.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Como é que estão as odds para o debate de hoje?

Isto dos debates televisivos entre candidatos está como o futebol. Na bola, meia-dúzia de fulanos passam horas, antes e depois, a debitar alarvidades acerca de um jogo que, durante os noventa minutos regulamentares, apenas raramente tem alguma semelhança com aquele que acabámos de televisionar. Na política estamos na mesma. Aquilo que os excelsos jornalistas, politólogos e afins comentam não é, na maior parte dos casos, o mesmo debate a que qualquer cidadão na posse das suas capacidades auditivas acabou de assistir.


Não me parece que tenha grande relevância quem ganha ou perde um determinado frente a frente. Até porque nem estou a ver que métrica pode ser usada para definir a vitória ou derrota de qualquer um dos intervenientes. Nenhum deles está ali para convencer o opositor nem, muito provavelmente, nenhum telespectador minimamente informado mudará o seu sentido de voto face à prestação dos candidatos. Aquilo não passa de wrestling, ou lá o que é aquela coisa onde umas criaturas fingem brigar. De um debate entre Catarina Martins e André Ventura, por exemplo, estamos à espera do quê? Que critério é que se pode usar para declarar um vencedor? Quando muito, estes e os outros, demonstram as suas ideias e vincam as diferenças que os separam. O resto é entretenimento.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Não queriam o Ventura?! Tivessem ido votar...noutro!

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Anda por aí muita gente em alvoroço por causa do “Chega” ter entrado no parlamento. Como se aquilo fosse, até agora, um lugar bem frequentado. Ou, de ora em diante, não existisse por lá outra mistela igualmente repulsiva. É que ninguém, minimamente ajuizado e que pretenda ser intelectualmente sério, pode colocar os deputados do PAN, BE, PCP ou aquela lady gaga do Livre num patamar diferente do André Ventura. Para não falar de outros que por lá se pavoneiam.


Depois há também os que se horrorizam com os resultados obtidos pelo “Chega” aqui no Alentejo. Em Estremoz, por exemplo, teve 3,32%. Mas se olharmos para a única freguesia urbana do concelho e onde estão mais de 60% dos eleitores, o resultado vai aos 4,01%. E o que tem a cidade que as freguesias rurais não têm? Ciganos, claro. Tal como acontece em Alvito, Moura, Elvas e Monforte. Ciganos que, na sua esmagadora maioria, não votam. Mas o melhor é nem falar nesses abstencionistas. Criticá-los por não cumprirem esse dever ainda é capaz de ser considerado racismo, xenofobia ou isso.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Andam a endrominar os trabalhadores e o povo, camaradas!

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No dizer de um porta-voz do PCP, nada falhou na campanha comunista que justifique a miserável votação obtida. Do alto da sua imensa clarividência revolucionária, proclamou o camarada que a mensagem que pretenderam transmitir era mesmo aquela e que a votação apenas foi a que foi porque os trabalhadores e povo são burros. Têm o cérebro atrofiado, os patetas. E têm-no, os trabalhadores e o povo que não votaram na CDU, por causa da televisão. Essa coisa, que anda para aí a endrominar os trabalhadores e o povo.


Está coberto de razão, o camarada. De facto os trabalhadores e o povo votavam muito mais no PCP quando os camaradas andavam pelos povoados a fazer sessões de esclarecimento e nem os trabalhadores nem o povo tinham televisão. Ou – saudosos tempos, camarada – ainda que alguns trabalhadores e algum povo tivessem, só existia um canal que, liberto das garras da censura fascista, era controlado pela camaradagem. As saudades que eu tenho dos desenhos animados checo-eslovacos apresentados pelo Vasco Granja. Isso é que era programação de qualidade. Daquela capaz de educar os trabalhadores e o povo logo desde pequeninos.


Estas declarações fizeram-me recordar um episódio ocorrido quase quarenta anos numa tasca cá da terra, onde um conhecido comunista local olhava descorçoado para a televisão que dava a noticia de mais uma valente coça eleitoral do “partido”. Daquelas que, ao serão, o camarada secretário-geral transformaria em vitória. Disse-lhe, então, um amigo também conhecido militante social democrata: “ A culpa é daquilo”, enquanto apontava para a televisão. “Nunca mais vais conseguir enganar ninguém”.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

As eleições do "poucochinho"

Todos os resultados eleitorais se prestam às mais variadas interpretações. Como toda a gente também faço a minha mas, nem outra coisa seria de esperar, discordo da maioria das análises que, até agora, tenho lido ou ouvido.


Logo, a começar, pela vitória do PS. Foi por poucochinho. Teve, inclusivamente, uma votação menor – quer em termos percentuais quer em número de votos expressos - do que a da “PAF” em 2015. O que, convenhamos não abona muito a favor de um governo que, garantem, traz contente tanta gente.


O PSD, apesar das previsões catastróficas e de ter tido uma das piores votações da sua história, não teve a hecatombe que se anunciava. De recordar, por exemplo, que o PS teve 20,77% em 1985 e 22,24% em 1987. Ridicula foi a prestação do lider. Ontem, por momentos, pareceu-me estar a ouvir um qualquer dirigente do PCP quando ao Rio só faltou dizer que tinha ganho.


Mesmo a ser levado ao colo pela comunicação social o Bloco de Esquerda perdeu quase sessenta mil votos, caiu percentualmente e não ganhou um único deputado. Assim de repente não vislumbro motivo nenhum para ser considerado um dos vencedores nem, ainda menos, vejo razão para os guinchos das esganiçadas e companhia.


O PCP, esse, prossegue a sua gloriosa marcha em direcção à extinção. Um dia destes é ultrapassado pelo PAN. A menos que, quando menos se espere, os cientistas descubram uma maneira de prolongar a esperança média de vida em muito para lá dos cem anos.


O mesmo acontecerá ao CDS. Só que mais cedo.


Quanto ao PAN nem vale a pena massacrar o teclado. Aquilo é gente perigosa que nem respeito merece. A serem verdadeiras as suspeitas que pairam sobre aquela organização – um candidato de “Os Verdes” mencionou umas quantas – aquilo não é um partido. Será, antes, um caso de policia.


Quanto aos novos partidos são curiosas as reacções que a sua entrada no parlamento está a provocar. Nomeadamente as preocupações com o “Chega”. Até porque parece estar toda a gente muito feliz com a entrada da outra senhora que, sem gaguejar, confessou o seu radicalismo relativamente a diversas causas e manifestou a intenção de defender os interesses de minorias. Pensava eu, mas ninguém me manda ser alarve, que os deputados tinham como missão defender os interesses de todos os portugueses. Sem excepção.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Bloco à esquerda...de quem sai!

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Cá pela terrinha a campanha vai morna. Quase não se dá por ela. Por razões que agora não vêm ao caso, mas sobre as quais um dia destes sou capaz de começar a dissertar, a representação partidária a nível local foi praticamente varrida para debaixo do tapete. Ou para outros sítios ainda menos dignos. Daí que não haja quem agite a coisa. Digamos que, nisto das eleições, a remoção deste cartaz e a sua colocação onde agora se encontra constitui a alegoria quase perfeita. Merecida, também. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

À politica o que é da politica...e à gastronomia o que é da gastrononia!

Comer é um acto político”, proclamou o líder do PAN. Nunca tinha, confesso a minha ignorância e lastimável falta de perspicácia, visto a coisa nessa perspectiva. Cuidava eu que era mais um acto de sobrevivência e, dependendo das circunstâncias, com uma vertente social.


Mas sim, vendo bem o gajo tem razão. Morfes e política são unha com carne. Ou são como o tacho e a panela. Embora, quanto a estes utensílios de cozinha, a apreciação do ponto de vista político possa ser ainda mais abrangente.


Mas, voltando à vaca fria, o acto de comer é do mais político que há. Se não veja-se, por exemplo, a campanha eleitoral. Sucedem-se os jantares comício. Ou, a pretexto de tudo e de nada, os almoços e jantares de homenagem a este e àquele, as comezainas para comemorar isto ou aquilo, os comes e bebes sempre que se inaugura seja o que for ou as refeições que desbragadamente, por esse país fora, os autarcas pagam aos eleitores mais idosos.


Cada um terá a política gastronómica que muito bem entender. Mas, como sempre dizia a minha avó, quem não é para comer não é para trabalhar. Ora que trabalho se pode esperar de um fulano que só come verduras e merdas esquisitas?

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O medo de ganhar...por muitos!

Constou-se-me – ou então foi eu que inventei, já não sei ao certo – que um tal de António Costa, um fulaninho que desta vez é capaz de ser o mais votado, terá alertado os portugueses para a possibilidade de o PSD, caso ganhe as eleições, voltar a cortar nos vencimentos e reformas, bem como aumentar os impostos.


Não sei se sou só eu que acho estas declarações um bocado parvas ou, pelo contrário, elas são absolutamente idiotas. E nem sequer estou a pensar no histórico de cortes de rendimentos e de aumentos de impostos. Que isso, aos que não têm memória curta, podia recordar aquele governo chefiado pelo Mário Soares que, aquando da anterior falência igualmente provocada pelo PS, cortou o subsídio de Natal e desvalorizou fortemente o escudo. Nada disso. Só acho essa possibilidade – o PSD ganhar as eleições - tão irrealizável que apenas um lunático a consegue, sequer, imaginar. E mesmo que num golpe de asa como nunca visto os eleitores lhe deem a vitória, desconfio que havia gente suficiente entre os derrotados para fazer uma geringonça. Como daquela vez, nos idos de 2015, em que levaram uma banhada eleitoral.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Meninos rabinos…

Parece que um motorista se deparou, face a facínora, com um grupo de meliantes a assaltar-lhe a viatura. Não terá, a fazer fé no que se sabe acerca do acontecimento, sido particularmente simpático para com os patifes e, pasme-se, até os terá impedido de continuar a exercer a sua actividade. O que, naturalmente, os deixou indignados levando a que tenham recorrido à GNR para que a normalidade fosse reposta. Esta, chegada ao local da altercação, tomou conta da ocorrência e tratou de deter o motorista. Bem feita, que isto de prejudicar quem trabalha bem bastou no tempo do governo da direita.


Identificados pela PSP também foram uns quantos militantes, simpatizantes ou lá que eram, do PNR que pintaram uma parede onde antes um grupo de BE tinha rabiscado uns gatafunhos. Uma ilegalidade, isso de limpar o que outros sujam. Diz que em tempo de eleições pode-se sujar à vontade e quem se atrever a reparar os estragos arrisca-se a ir de cana. O mesmo princípio, presumo, aplica-se a todas as paredes. Sejam elas de edifícios públicos ou de prédios do Robles. Embora desconfie – mas isso é o meu mau feitio – que nem o Bloco ia fazer javardices para os prédios daquele gajo nem, se o fizesse, o PNR lá ia pintar por cima.


O que têm estas duas historietas em comum? Pouca coisa, se calhar. Eu é que ando com a impressão - vá lá saber-se porquê - que os legisladores tugas são grandes apreciadores da obra do Ary dos Santos. Aqueles versos, cantados pelo Fernando Tordo, onde se proclama a páginas tantas “detesto os bonzinhos, adoro os malvados” fazem cada vez mais sentido.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

A Madeira ainda é um jardim

Andam por aí umas alminhas com a secreta esperança de que os resultados das próximas eleições serão bastante diferentes daqueles que as sondagens apontam. Tanto gente de direita como de esquerda. Os primeiros porque se tentam convencer a si próprios que o PSD e o CDS podem escapar à hecatombe anunciada e os segundos porque têm quase tanto medo de uma maioria absoluta do PS como de um novo governo daqueles partidos. Desenganem-se. As sondagens são o que são, mas não andarão longe de acertar. Se não em cheio, pelo menos na aproximação.


Atente-se no caso da Madeira. Mesmo após quarenta e três anos – irra! - no poder o PSD lá ganhou outra vez. O PS apesar das expectativas dos tais que não gostam de sondagens, teve uma votação como nunca mas perdeu como sempre. O BE foi corrido do parlamento. Que os madeirenses não estiveram para aturar palhaços - nem palhaças - e quase nenhum eleitor e nenhuma eleitora estiveram para dar o voto aqueles trambolhos. Ou trambolhas. A CDU, à rasquinha, lá meteu um deputadozinho. Entre os trabalhadores e o povo – que é feito do povo trabalhador, se mal pergunto? - ainda arranjou votos suficientes para manter um dos dois eleitos que tinha antes.


Será mais ou menos o mesmo nas legislativas. Em termos de sondagens, claro. Que, quanto a números a comparação com a Madeira ficar-se-á apenas pela indómita vontade dos socialistas se apegarem ao pote. Se não conseguirem sozinhos qualquer um lhes servirá para não o deixarem escapar. Até o Chega, se preciso fôr.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Ganhar por poucochinho é que é bom...

Parece que todas as sondagens dão a vitória ao PS nas próximas eleições legislativas. Com maioria absoluta umas e à beira da dita outras. Nada de surpreendente, seja qual for o cenário. Nem, em matéria de resultado eleitoral, algo que desperte em mim um interesse por aí além.


Nisto dos votos – ou das intenções, vai dar ao mesmo – o que me chamou a atenção foi, ao que diz um inquérito qualquer, que os eleitores que afirmam ir votar no Partido Socialista não desejam que o partido em que votam ganhe por maioria absoluta. Confesso que fiquei baralhado. Com um nó ao nível do cérebro, quase. Não consigo perceber. Esta ideia é tão parva quanto eu, benfiquista de todos os costados, desejar que o Glorioso ganhe apenas por um – ou dois, vá – ao Porto e ao Sporting em vez de lhes enfiar uma goleada.


Presumo que para esse pagode a escolha do partido em quem votar seja um drama. Podem ser acometidos daquela coisa que costuma dar aos comunistas na noite eleitoral onde, apesar dos resultados sempre miseráveis, reclamam invariavelmente uma estrondosa vitória. Neste caso seria o contrário. Sentir-se-iam derrotados apesar do partido em que votaram ter obtido uma retumbante vitória.


Se calhar o melhor é organizarem-se. Fazerem uma escala, ou assim. De manhã votam todos no PS e da parte da tarde - ali pelo meio-dia, não vá o Diabo tecê-las – votam no PCP, BE e no PAN.

sábado, 14 de setembro de 2019

Desprezível, esta gente...

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Há muita falta de memoria na política e nos políticos. E nos eleitores, principalmente. Se houvesse memória, proclamações como a do camarada Jerónimo a gabar-se do seu partido ser um acérrimo defensor do ambiente, destruído pelo capitalismo está bem de ver, teriam o merecido tratamento. É que eu ainda sou do tempo em que os comunistas portugueses consideravam as noticias acerca do acidente nuclear em Chernobyl como propaganda anti-comunista. Coerente, esta malta.

sábado, 7 de setembro de 2019

Infantilização ou idiotização do eleitorado?

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Poucos assuntos me podiam interessar menos do que as eleições legislativas. Assim de repente, a bem dizer, nem estou a ver nenhum outro tema que me interesse tão pouco. Até, confesso, as noticias acerca do Sporting me interessam mais. Isto porque, para além do resultado ser mais do que previsível, o meu voto e o de quase todos os eleitores de dois terços do país não importam para nada. É como se não existíssemos. No distrito de Évora, por exemplo, apenas são eleitos três deputados. Ou seja, cada voto noutro partido que não o PS, PSD ou PCP vale tanto como não ir votar. E no caso de Portalegre, com apenas dois, ainda é pior.


A contribuir para o desinteresse que estas eleições me causam estão, também, os eleitores. Mais ainda do que os candidatos. Quando, ao que tudo indica, quase vinte por cento admite votar em partidos estalinistas adeptos confessos de regime ditatoriais diversos e perto de quarenta por cento num partido que renega as suas origens democráticas para se aliar aos primeiros, está tudo dito acerca da inteligência do eleitorado que escolherá quem nos vai governar. Se a isto juntarmos os seis ou sete por cento de malucos que admitem votar no PAN podemos, sem grande esforço, concluir que depois de seis de Outubro, para quem possa, o melhor será começar a equacionar a hipótese de emigrar. Para onde não sei. Mas, procurando bem, talvez ainda exista num recanto qualquer um país com menos idiotas.