
No dizer de um porta-voz do PCP, nada falhou na campanha comunista que justifique a miserável votação obtida. Do alto da sua imensa clarividência revolucionária, proclamou o camarada que a mensagem que pretenderam transmitir era mesmo aquela e que a votação apenas foi a que foi porque os trabalhadores e povo são burros. Têm o cérebro atrofiado, os patetas. E têm-no, os trabalhadores e o povo que não votaram na CDU, por causa da televisão. Essa coisa, que anda para aí a endrominar os trabalhadores e o povo.
Está coberto de razão, o camarada. De facto os trabalhadores e o povo votavam muito mais no PCP quando os camaradas andavam pelos povoados a fazer sessões de esclarecimento e nem os trabalhadores nem o povo tinham televisão. Ou – saudosos tempos, camarada – ainda que alguns trabalhadores e algum povo tivessem, só existia um canal que, liberto das garras da censura fascista, era controlado pela camaradagem. As saudades que eu tenho dos desenhos animados checo-eslovacos apresentados pelo Vasco Granja. Isso é que era programação de qualidade. Daquela capaz de educar os trabalhadores e o povo logo desde pequeninos.
Estas declarações fizeram-me recordar um episódio ocorrido quase há quarenta anos numa tasca cá da terra, onde um conhecido comunista local olhava descorçoado para a televisão que dava a noticia de mais uma valente coça eleitoral do “partido”. Daquelas que, ao serão, o camarada secretário-geral transformaria em vitória. Disse-lhe, então, um amigo também conhecido militante social democrata: “ A culpa é daquilo”, enquanto apontava para a televisão. “Nunca mais vais conseguir enganar ninguém”.
Considera assim que o conceito de camaradagem está a perder o significado que outrora teve? Se bem que eles já estão a atuar. Pela estratégia que o PCP está a adotar, o objetivo parece-me ser o de recuperar alguns dos seus eleitores perdidos. No entanto, cabe-lhes também a eles que os próximos 4 anos não sejam muito conturbados.
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