São uns pândegos estes jornalistas/activistas. Descobrem cada coisa que isto só visto. Parece, até, que andam ao despique uns com os outros para ver quem inventa a alarvidade mais esquisita. E, tenho de confessar, alguns merecem a minha admiração pela capacidade inventiva que evidenciam na criação de novos preconceitos. Agora inventaram que sentimos – nós, os portugueses – xenofobia culinária pela comida africana. Não sei ao certo o porquê, nem isso me interessa muito, desta conclusão. Não gosto de vários pratos tipicamente espanhóis e não tenciono, pelo menos enquanto tiver dinheiro para pagar a luz e o gás, comer sushi. O que fará de mim, do ponto de vista destes malucos e aplicando o mesmo principio, um xenófobo do piorio no âmbito gastronómico.
Aguardo, sem nenhuma ansiedade e manifesta indiferença, que estes – ou outros, tanto faz – jornaleiros/activistas/avençados/malucos declarem que o governo padece de xenofobia imobiliária. A intenção do executivo direitolas, hoje anunciada, de aumentar o IMT a pagar por estrangeiros não residentes que comprem imóveis em Portugal é claramente xenófoba, por discriminar cidadãos em função do território onde nasceram. Vou buscar uma cadeira para ficar mais confortável, que a espera vai ser longa. E se ficar com fome até pode vir uma moqueca. Peixe não puxa carroça, mas a fome é negra.
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Malucos das xenofobias
segunda-feira, 7 de outubro de 2024
Buzinão xenofobo
O turismo constitui um dos principais pilares da economia nacional, mas isso pouco deve importar a um conjunto de criaturas que apelam à realização de um protesto contra aquilo que chamam o excesso de turistas em Lisboa. Deve ser coisa, presumo, de gente racista e xenófoba. Da extrema-direita, muito provavelmente, que esses é que não gostam de estrangeiros. Sim, porque malta de esquerda não será, certamente. Esses ainda um dia destes fizeram uma manifestação contra quem acha que andam por cá forasteiros em demasia. De resto essa gente boa, solidária, progressista, empática para com o outro, sequiosa de abraçar novas culturas e amante da diversidade até exige que venham mais. Muitos mais. A esquerda não terá, reitero o meu convencimento, nada a ver com o assunto. Eles, como sabemos, gostam muito de turistas. Gostam tanto, mas tanto, que ficaram chateados por o Moedas ter impedido uns quantos de praticar campismo num jardim lisboeta. É por estas e mais umas quantas que agora não me ocorrem, que ninguém me tira da cabeça que esta ideia de buzinar contra quem vem de fora é coisa do Ventura e dos nazis seus apaniguados. Esses fachos, que querem Lisboa só para eles. Não passarão!
terça-feira, 27 de junho de 2023
"Volta para a tua terra é ofensivo"? Depende...
Uns quantos nómadas digitais queixaram-se das condições de vida no país, nomeadamente em Lisboa. Tudo demasiado caro, come-se mal e a população não nutre por eles especial simpatia são, entre outras, as principais queixas. A reacção não se fez esperar e foi a óbvia. Vão para a vossa terra, responderam nas redes sociais inúmeros portugueses. A óbvia, digo eu, porque para mim quem não está bem muda-se. No entanto a ausência de reacção das mais variadas “associações”, “observatórios”, “comissões” e intelectualidade variada, que habitualmente se abespinham sempre que essa coisa de regressar à terra de origem é sugerida a alguém, deixa-me perplexo. Será que estamos perante uma forma de intolerância valorizável? Quiçá uma xenofobia do bem, até. Ou a recomendação de voltar para a respectiva terra apenas é considerada ofensa – um crime, quase – em função da cor da pele ou da distância a que fica o país de origem? Se calhar, sim. O que é intolerável, convenhamos.
sábado, 17 de junho de 2023
Xenofobia do bem
Acho piada ao embevecimento demonstrado pela imprensa do regime relativamente ao surto migratório oriundo da Ásia que estará, ao que dizem, a repovoar o Alentejo e torná-lo mais multicultural do que nunca. Circunstâncias que, antevêem, proporcionarão um futuro idílico à região.
Sendo a desertificação humana e o envelhecimento da população o principal problema do Alentejo, a vinda de estrangeiros será sempre positiva. No entanto a mesma imprensa de Lisboa e outros “fazedores” de opinião que por aí pululam, sempre tão empenhados em promover a diversidade, o multiculturalismo e mais uns quantos conceitos manhosos que gostam de inventar não demonstram o mesmo entusiasmo quando os estrangeiros provêem de outras origens mais tradicionais, chamemos-lhe assim. Espanhóis que compram as terras improdutivas, chineses, franceses, britânicos, russos ou brasileiros endinheirados que estão a comprar casas e a mudar-se ou passar parte significativa do ano por estas bandas são, frequentemente, apontados por aquela malta da capital como potenciais descaracterizadores da região alentejana. Gente para quem o turbante é muito mais valorizável do que o sombrero. Complexos de inferioridade mal resolvidos, é o que é.
quinta-feira, 4 de maio de 2023
Catástrofes
Tivemos um Presidente que deglutia bolo-rei em público. Agora temos um que devora gelados à frente de toda a gente. Nada de mais, a bem-dizer, até porque a alimentação é um acto perfeitamente natural e há muito que o pecado da gula – tal como os outros, de resto – já caíram no esquecimento. Só me lembrei disto por causa daquela coisa do “com gelados e bolos se enganam os tolos”. Não é bem assim, mas é verdade na mesma.
Sobre a guerra na Ucrânia, um comunista vagamente conhecido escreveu no seu perfil no Facebook que “com a integração de alguns milhões de ucranianos na Europa as consequências económicas e sociais na UE, já em deriva, agravam-se drasticamente e vão determinar a revolta em massa das populações europeias e responsabilizar os políticos que venderam a Europa a outros interesses”. Felizmente o homem enganou-se, mas é preocupante saber que, para além da extrema direita racista e xenófoba, há gente que na legislatura anterior apoiava o governo da geringonça e que voltará a apoiar se a experiência se repetir, a achar que a vinda de refugiados é coisa para causar uma catástrofe.
terça-feira, 11 de abril de 2023
Xenofobia do bem
1 – Acerca da problemática da habitação lamenta-se um conhecido jornal on-line, de orientação assumidamente de esquerda, que “a direita entende que deve bloquear qualquer medida que reduza a procura estrangeira”. Há, pelo vistos, entre socialistas, comunistas e outro esquerdume quem pretenda restringir a vinda de estrangeiros. Vindo de onde vem, xenofobia não será certamente. Ou, se for, é xenofobia do bem.
2 – Não será de todo errado o diagnostico que são os estrangeiros ricos a inflacionar o preço das casas colocadas à venda. Nem igualmente fugiremos muito à verdade se considerarmos que são os estrangeiros remediados ou pobres a fazer disparar os valores do arrendamento. Há quem se preocupe apenas com a primeira parte do problema. Eu, inclusivamente. Ainda um destes dias encontrei uma casinha mesmo jeitosa, à venda por um milhão de euros – uma pechincha, quase - e um estrangeiro endinheirado ficou com ela. Lá estarei na próxima manifestação a defender o meu inalienável direito a morar no centro da cidade.
3 – O país está a cair aos pedaços, não há sector que não esteja em frangalhos e o comportamento político da maioria que sustenta o governo já vai em muitos pontos abaixo de zero. Continuar a insistir que o problema é o Chega só pode ser um problema que apenas a psiquiatria consegue explicar.
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
E se a omissão também for xenofobia?
Se há coisa que aprecio no jornalismo e nos jornalistas é a objetividade. A opinião deles, seja qual for o assunto, dispenso-a. Não me importa para nada. Agora o relato que fazem de uma ocorrência, a clareza com que expõem um tema do momento ou a independência com que tratam determinada matéria constitui, pelo menos do meu ponto de vista, algo de essencial do ponto vista do desempenho do seu trabalho.
Ontem foi agredido um cidadão – um turista, no caso – em Évora. No dizer de quem noticiou a ocorrência a agressão terá sido cometida por um “grupo de pessoas”. Ora porra. Tanta objectividade até aborrece. Para ficar a saber o que realmente aconteceu, nomeadamente quem foram os agressores, foi necessário recorrer às redes sociais. As tais que, no dizer de gente de elevado intelecto, estão a destruir a democracia. Estranho conceito de democracia, o desta malta. Se calhar o azarado turista ficou muito mais ferido do que teria ficado a democracia se o jornalista tivesse tido o profissionalismo de informar que os alegados agressores serão ciganos. Ou, pelo menos, uns moinantes.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Esquerda xenófoba e racista
Está mais ou menos enraizada na opinião pública nacional a ideia que, por cá, não existem partidos ou movimentos populistas e xenófobos. Ai não que não há. Existem e, alguns, até estão no poder. Ou, pelo menos, fazem parte da base de sustentação do governo. A menos que essa coisa terrível, dramática e altamente condenável do populismo e da xenofobia se esteja a transformar num conceito muito elástico. Dependendo da origem e da condição social, por exemplo. Só isso justifica a intenção de acabar com os benefícios fiscais a não residentes, dificultando ou mesmo impedindo a sua vinda e, simultaneamente, escancarar a porta à entrada de migrantes pobres que vivam à conta do Estado.
Pelos vistos se eu me manifestar com a vinda de migrantes africanos, atraídos pela possibilidade de viverem à pala dos contribuintes, sou racista, xenófobo e populista. Quiçá, até, um perigoso meliante de extrema-direita. Se protestar contra a presença de chineses, brasileiros ou reformados do norte da Europa que demandam o país em busca de um regime fiscal mais favorável já sou um gajo com uma opinião altamente valorizável. Um tipo às direitas. Salvo seja. Às esquerdas, se calhar. Que isso agora é que está dar.
sábado, 30 de junho de 2018
Insultar está a ficar difícil...

Sabe-se que quem disputa não mede bem as palavras. Daí que qualquer desinquieta entre duas pessoas – ou mais, mas fiquemos pela parelha para simplificar – envolva a troca de insultos. Mas isso, pelo caminho que isto está a levar, terá os dias contados. A menos que os envolvidos queiram arriscar pesadas condenações. Não pelas eventuais maleitas físicas que possam provocar ao outro – que um olho furado ou uns miolos à mostra não têm importância nenhuma - mas, antes, por causa das palavras proferidas durante a refega. Estas sim, são perigosas. Podem consubstanciar uns quantos crimes de ódio. Daqueles gravíssimos. E que, certamente, consubstanciam.
O mais avisado é evitar zaragatas. Mas, não sendo de todo possível, o ideal é o oponente ser um homem, branco, heterossexual, sem qualquer defeito físico ou mental e, preferencialmente, que não seja pobre. Mas, ainda assim, são de evitar durante a peleja referências à mãe da criatura ou às suas orientações políticas. A menos que as últimas incluam a admiração por Trump ou a simpatia por tendências fascistas, o que constituiria um insulto bastante valorizável. Todas as restantes ofensas podem ser consideradas como uma atitude discriminatória ou, pior, uma fobia. Conhecida ou, ainda, por inventar.
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Os políticos vão pronunciar-se sempre que houver uma rixa? Ou depende da raça do agredido?
A classe política está manifestamente preocupada com aquilo da agressão a uma jovem colombiana a quem um segurança terá chegado a roupa ao pêlo. Da direita à esquerda, de ministros a parlamentares mal-vestidos, sucedem-se as declarações acerca do assunto e repete-se a intolerância relativamente a atitudes de caracter racista, xenófobo e discriminatórias em geral. No fundo aquilo que se espera dos políticos. Mesmo daqueles maltrapilhos e com ar de vagabundo que andam lá pelo parlamento. Ou principalmente desses. Pena que quando das agressões a um jovem em Coimbra, no ano passado, não tenha existido igual unanimidade nem, sequer, tanta manifestação de repúdio. Presumo que não tenha sido por, neste último incidente, o agressor ser cigano. Devem ter tido, na altura, mais que fazer ou isso.
Por falar em ciganos. Calculo que, de acordo com aquela lei do atendimento prioritário, estejam entre os clientes que devem ser atendidos primeiro. A par de grávidas, idosos, coxos, marrecos e gente com crianças de colo. Ainda hoje, num certo local, três casais daquela etnia com um pirralho todo ranhoso a tiracolo, tiveram o privilégio de passar à frente da restante clientela. Estavam com pressa para ir trabalhar, certamente. O gaiato era sempre o mesmo... mas isso é apenas um pormenor acerca do qual não vou especular.
domingo, 17 de setembro de 2017
Somos todos turistas
“Tourists go home – Refugees welcome” é, ao que documentam uma infinidade de imagens, a palavra de ordem que cada vez mais se pode ler nas paredes de muitas cidades europeias. Claro que basta um parvo em cada cidade para a encher de bacoradas desta natureza e, como relativamente a outros assuntos alguns gostam de enfatizar, a mensagem não representa o sentimento da esmagadora maioria dos habitantes do burgo onde elas aparecem pintadas.
Nestas poucas palavras estão refletidas duas das piores características do ser humano. A ingratidão e a estupidez. O pior é que, principalmente entre os políticos esquerdelhos, já vai havendo quem simpatize com esta ideia. Sem que, com isso, ninguém os acuse de racistas, xenófobos, populistas e outros epítetos vagamente adequados à circunstância. O que não deixa de ser estranho, pois se a mensagem fosse “Refugees go home – Tourists welcome” nem quero imaginar a guincharia que teríamos de aturar...
sábado, 19 de agosto de 2017
Deve ser uma espécie de xenofobia...
(Foto Alerta digital)
Durante semanas os meios de comunicação social do ocidente fizeram questão de exibir a imagem do catraio sírio que faleceu afogado no Mediterrâneo. O objectivo – levar-nos a ter dó dos refugiados – exigia que a imagem, apesar da sua dureza, fosse mostrada até à exaustão. Já quanto às vitimas dos ataques daqueles gajos da religião da paz, o recato é muito maior. Aí existe um especial cuidado em não mostrar as imagens mais chocantes. Percebe-se a ideia. Não convém que fiquemos chocados em demasia. Seria uma chatice. A que eles, para nosso bem, nos querem poupar. Até porque era uma maçada se os invasores deixassem de ser bem-vindos.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Mais coisinhas boas promovidas pela geringonça...
O facto de eu ter um Dácia na garagem e um morador das Quintinhas um Audi, não faz de mim um pobre nem transforma o habitante do resort mais famoso de Estremoz e arredores num rico. Tão pouco comparar o dinheiro que eu possa ter depositado no banco ou que o outro sujeito tenha, suponhamos, enterrado na sub-cave da barreca pode servir para aferir das necessidades de cada qual. Mesmo a eventualidade de sair o euromilhões a um de nós – a mim ou ao cigano das Quintinhas – não fará de nenhum dos dois um milionário. Na ocorrência de tal bambúrrio, se ambos retirarmos o dinheiro do banco – o que constituiria uma medida ajuizada, saliente-se – ambos podemos ser considerados uns pobres de Jó e, logo, candidatos a receber o RSI. Sim, que nestas coisas – como em todas as outras, aliás – a malta de esquerda é que sabe. E se a malta da esquerda disser que o sortudo apostador pode receber umas valentes maçarocas da Segurança Social, então é porque assim é que está bem e encerra-se já aqui o assunto.
De referir, por fim, que quem não estiver de acordo com o exposto é racista, xenófobo, populista, cultiva um discurso de ódio e devia era estar preocupado com o Berardo, o Oliveira, o Cavaco, o Dias Loureiro e as grandes fortunas que não pagam impostos. Mencionar o Sócrates, o Vara ou três bancarrotas com governos do Partido Socialista não vale.
sábado, 6 de maio de 2017
Há "outros" e "outros"...
Políticos, politólogos e comentadores diversos esfalfam-se a tentar explicar as razões que têm estado na origem da ascensão dos partidos de extrema-direita – populistas, como eles lhes chamam – em quase toda a Europa. A austeridade, o desemprego, o fluxo migratório, a xenofobia ou outro motivo qualquer que, num momento de rara sagacidade, uma daquelas ilustres inteligências se lembre de mencionar constituem as explicações predilectas. Tudo isso enquanto manifestam um profundo desprezo por quem opta pelo voto nos tais populistas. Muitos milhões, no caso.
O que não deixa de ser curioso é que, por norma, vão intercalando uns dichotes acerca da necessidade de respeitar as ideias e as opções do “outro”, pois, asseguram, são essas coisas que constituem a matriz europeia. Neste raciocínio, confesso, escapa-me qualquer coisinha. Não sei qual é o “outro” a que se referem. Ou será que há “outros” que devemos respeitar e “outros” que devemos repudiar?! O melhor que têm a fazer é decidirem-se. E depressa. Que isto, como dizia Vasco Gonçalves num celebre comício, não há cá neutros. Ou se estava, no caso daquele maluco, com a revolução ou contra a revolução.
Convinha que esta gentinha percebesse que em causa não estão politicas austeritárias, refugiados de guerra ou ódio a pessoas de outras nacionalidades. O problema é a islamização da Europa e a consequente substituição dos valores europeus por outros próprios da idade média. Tanto assim é que o problema da extrema-direita e dos populismos não se coloca em Portugal. Tivemos e continuamos a ter austeridade, não temos é muçulmanos tresloucados. Por enquanto, que eles não gostam de cá estar.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Jornaleiros da treta!
A maneira como foram relatados os resultados do referendo na Hungria retrata na perfeição o compromisso que os média nacionais mantém com determinada linha política e a notória falta de isenção com que a informação é transmitida. Noticiar a ocorrência como uma derrota para o governo húngaro é, no mínimo, parvo. Mas, face à conhecida postura dos jornaleiros tugas, deve ser mais manipulação da informação. Perante um resultado, ainda que não vinculativo, em que noventa e oito por cento dos votos expressos apoiam a posição defendida pelos governantes, é precisa muita lata para dizer e escrever o que foi dito e escrito. Sabe-se que a malta da comunicação social não é muito dada a números, mas não perceber isto já parece parvoíce a mais.
E se cá nos fosse colocada a mesma questão? Não tendo nós o mesmo problema a resposta do eleitorado seria, provavelmente, bastante diferente. Ou então, não. Com o radicalismo de certas posições – cada vez em maior número – que se vão lendo e ouvindo acerca da quantidade de turistas que nos visitam, já não digo nada. Ah, espera, como são os intelectuais esquerdelhos a defender que o turismo coloca em causa a nossa identidade isso já não conta para aquilo da xenofobia, ou lá o que é. Deve ser por os turistas – a maioria, pelo menos – serem gajos endinheirados. Nós gostamos é de pobrezinhos, para lhe podermos oferecer bué de solidariedade. Que é como se chama a caridade à moda de esquerda.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Achar que há turistas em excesso conta como xenofobia?!
Os turistas e o turismo parecem estar a tornar-se no novo alvo de alguma intelectualidade bem pensante. Daquela, nomeadamente, que tem influência junto dos órgãos de decisão. Aborrece-os que as cidades, particularmente Lisboa que é onde o fenómeno é mais visível e moram a maior parte destes seres, estejam cheias de gente vinda de fora. Mais ainda quando esses visitantes têm os bolsos cheios de dinheiro e invadem todos os espaços onde o podem gastar, os malandrins.
Compreendo, em parte, a sua irritação. A multidão que aos sábados de manhã – lisboetas, espanhóis e pagode oriundo de todas as vilas e aldeias das redondezas – invade a minha terra para apreciar o mercado semanal também me causa um elevado nível de irritabilidade. Perturbam-me o sossego. Impedem-me de beberricar tranquilamente o meu cafezinho matinal. Lutar por uma mesa num tasco ou numa esplanada com um casal de velhotes que quer degustar o seu brinhol, com um bando de castelhanos aos berros desejosos de comer o maior número possível de pasteis de nata ou com uns tios de Lisboa eufóricos com o penico que acabaram de comprar por cinquenta euros na feira das velharias são coisas que me deixam para lá de stressado. Quase me apetece, como a tal intelectualidade, mandá-los gastar o dinheiro deles para outro lado. Mas isso sou eu. Um reacionário-fascista-xenófobo que, ao contrário da intelectualidade bem pensante, não tem particular apreço pela malta de outras paragens…
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Velhofobia
Depois do Reino Unido, onde se culpam os eleitores mais idosos pelo resultado do referendo ter sido favorável ao Brexit, também em Espanha se assiste a uma onda de velhofobia por o Partido Popular ter voltado a vencer as eleições e a esquerda ter tido um resultado miserável. Tudo graças, afiançam os esquerdelhos mais jovens, ao voto dos velhos na direita. Há mesmo, num e noutro país, quem defenda a interdição de voto aos mais idosos por, alegam, estarem a decidir sobre um futuro que não lhes pertence.
Deixo de lado a notória indigência mental destas afirmações e os altos valores democráticos que esta gente demonstra possuir. Não me surpreendem. Dos velhos apenas querem a mesada que lhes permite fazer vida de rico e, quanto à democracia, julgam que é mais ou menos como nas suas casas onde os papás sempre lhes fizeram todas as vontades. Chegados à idade adulta não admira que constitua para eles uma novidade o facto de haver gente que, democraticamente, os contrarie. Uma chatice a que não estão habituados.
O que me espanta é não ter vindo ainda ninguém, nomeadamente da área do politicamente correcto, condenar estas afirmações velhofobicas. Se algum infeliz ousasse escarnecer de uma fufa, de um larila, de um negro, de um muçulmano, de um refugiado, de um anão ou, principalmente, de um cão teríamos os intelectuais do Facebook em pé de guerra com o mundo. Concluo, portanto, que não faz mal nenhum ser velhofóbico.
