quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Um chafariz vitima da falta de superstição

 


Estou cansado de perguntar a mim mesmo – sempre achei isto uma expressão parva, mas agora não me apetece apagar – por que raio ninguém deita moedas para este chafariz. Será que nenhum dos muitos turistas, estrangeiros e nacionais, que por aqui deambulam possui um desejo secreto que anseie ver realizado? Noutras terras mal veem um lago, repuxo ou, até, um charco há logo a gente a atirar moedas lá para dentro. Tantas que, às vezes, parece a caixa forte do Tio Patinhas em versão aquática. Aqui não. Há anos que reclamo desta desfeita que os muitos visitantes desta fantástica cidade – ou não fosse a minha - nos fazem. Tanto, que até já senti vontade de me desfazer de cinco cêntimos só para tentar iniciar uma espécie de corrente que levasse mais criaturas a atirar dinheiro para a água. Nenhum desejo, obviamente, se realizaria. A não ser, quiçá, os de quem se fosse abotoando com o graveto, mas ao menos tínhamos um chafariz dos desejos.

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