quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A solidariedade é um saco sem fundo

Tem havido muito paleio a propósito de mais um estudo sobre a sustentabilidade da segurança social. Nada que se aproveite muito, diga-se. Afinal os estudos, seja qual for a matéria estudada, concluem sempre aquilo que for do interesse de quem paga ao estudioso. Por seu lado os números, aqueles ou outros que resultem destas coisas, dizem o que nós quisermos que eles digam.

Faz-me espécie, nesta cenas das reformas, é que ainda um dia destes estava tudo garantido. Para os actuais reformados, para mim que me hei-de reformar um dia destes e para quem viesse a seguir. Até para aí à quinta geração, ou isso. Cuidava eu, por aquilo que me andavam a dizer, que se o milhão de imigrantes já garantiam a sustentabilidade, quando entrassem no país mais três ou quatro milhões deles a idade da reforma baixaria para os cinquenta anos. Ou menos.

Há, depois, quem fale em solidariedade intergeracional como forma de manter o sistema a funcionar. Também quando a isso parece que andei a ser enganado. Os quarenta e seis anos que já trabalhei para pagar reformas aos mais velhos e subsídios aos mais novos que não querem trabalhar, não chegam. Tenho sido muito solidário – que o diga o meu recibo de vencimento - mas segundo os especialistas especializados na especialidade não é, ainda assim, solidariedade que chegue. No fim de contas, quando o sistema finalmente der o pifo, ainda me vão explicar que a culpa foi minha por ter tido o descaramento de continuar vivo.

4 comentários:

  1. Anónimo9:51 a.m.

    "Mentem com todos os dentes e à descarada" Primeiro os imigrantes eram os salvadores da S. Social, agora já dizem que o sistema está falido, então no que ficamos? Não havia aumento da criminalidade (só percepções) agora é só crimes, cada vez mais violentos, todos os dias. O nosso país está cheio de vigaristas, os que já cá estavam mais, muito mais com os que nos invadem todos os dias.

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    1. É necessário fazer escolhas. O país não é tal pobre que precise de gastar aquilo que gasta em protecção social. E é apenas um exemplo. O maior, no caso...

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  2. Ora aqui está um tema que tem pano para mangas. Não fosse a seriedade que a instituição (Segurança Social) merece, estaríamos na presença de mais uma 'palhaçada'.
    De manhã, a Segurança Social estava falida, à tarde era mentira e à noite haviam dúvidas.
    Com os especialistas que pululam nas tv's tuga em desacordo.
    Como convém, o povão fica na dúvida. A verdade verdadeira fica para mais tarde que hoje joga o Benfica.
    Cumprimentos, caro KK.

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    1. Com a actual piramide demográfica qualquer sistema de pensões não tem futuro. Terão de ser sempre os impostos a pagá-las. Como o dinheiro não chega para tudo, terão de ser feitas escolhas. O pior é que em democracia não há quem as queira fazer. Preferem dar tudo a todos. Depois nãose queixem.

      Cumprimentos, caro António.

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