Tem havido muito paleio a propósito de mais um estudo sobre a sustentabilidade da segurança social. Nada que se aproveite muito, diga-se. Afinal os estudos, seja qual for a matéria estudada, concluem sempre aquilo que for do interesse de quem paga ao estudioso. Por seu lado os números, aqueles ou outros que resultem destas coisas, dizem o que nós quisermos que eles digam.
Faz-me espécie, nesta cenas das reformas, é que ainda um dia destes estava tudo garantido. Para os actuais reformados, para mim que me hei-de reformar um dia destes e para quem viesse a seguir. Até para aí à quinta geração, ou isso. Cuidava eu, por aquilo que me andavam a dizer, que se o milhão de imigrantes já garantiam a sustentabilidade, quando entrassem no país mais três ou quatro milhões deles a idade da reforma baixaria para os cinquenta anos. Ou menos.
Há, depois, quem fale em solidariedade intergeracional como forma de manter o sistema a funcionar. Também quando a isso parece que andei a ser enganado. Os quarenta e seis anos que já trabalhei para pagar reformas aos mais velhos e subsídios aos mais novos que não querem trabalhar, não chegam. Tenho sido muito solidário – que o diga o meu recibo de vencimento - mas segundo os especialistas especializados na especialidade não é, ainda assim, solidariedade que chegue. No fim de contas, quando o sistema finalmente der o pifo, ainda nos vão explicar que a culpa foi nossa por termos cometido o descaramento de continuar vivos.
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