quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Tratado de Tordesilhas com as osgas

Tenho um pacto com as osgas. Se elas não me chatearem, eu não as chateio. É um pacto não escrito – até porque elas, coitadas, são demasiado pitosgas e não o iam decifrar – que consiste na demarcação de território e que envolvem a garantia, da minha parte, que não as ataco se elas se mantiverem dentro de um perímetro previamente estabelecido. Aquilo a que agora se chamam linhas vermelhas. Gozam de total liberdade para circular nos muros, estão proibidas de se movimentar nas paredes exteriores da casa e serão abatidas se tiverem a ousadia de se introduzirem no interior.

O tamanho do bicho que ontem se passeava alarvemente em zona restrita, revela que até agora tem cumprido estas regras. E, diga-se, nem é das mais avantajadas. Algumas parecem primas afastadas dos jacarés. Esta insistiu em prevaricar e como primeiro aviso – toda a gente, até uma osga, merece uma segunda oportunidade – foi demovida de prosseguir a caçada à base de mangueirada. Uma espécie de incentivo a procurar insectos noutro lado.

A quantidade destes bichos nestas paragens é assustadora. Serão muito úteis como insecticida natural, mas, como tudo o resto, o que é demais não presta. Embora quase não veja aranhas e as melgas sejam raríssimas, se não abatesse todos os anos dezenas delas não haveria parede que chegasse para tanta osga.

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