Ninguém é obrigado a ser coerente. Todos mudamos de ideias e, ao longo da vida, vamos alterando o modo como olhamos para determinados assuntos. Faz parte, sempre assim foi e sempre será enquanto andarmos por cá.
O que me irrita é a indignação selectiva. A de hoje tem a ver com o caso daquela turista que estava a comprar pasteis de nata - na seguríssima capital de um dos mais seguros países do mundo - e levou com um balázio. O autor do disparo, depois de presente a juiz, ficou em liberdade. Afinal, o desgraçado tem de ganhar a vida e maneira como, alegadamente, a ganhará não é compatível com a clausura. De resto, ao que referem algumas fontes, pertencerá até a um selecto e exclusivo grupo de excelsos cidadãos que estarão dispensados de seguir escrupulosamente os ditames da lei.
Houve quem se indignasse com a decisão judicial. Entre eles o presidente da Câmara de Lisboa. Outros indignaram-se com a indignação do Moedas. Os mesmos indignados que condenaram, no momento e ainda antes de conhecerem os contornos da ocorrência, aquele policia que abateu um cavalheiro com antecedentes criminais, que desobedeceu às ordens das autoridades e que resistiu à ordem de detenção. Não é que esta “indignaçãozinha do bem” me surpreenda. Eles estão sempre, mas sempre, do lado do criminoso. É um padrão típico entre uma certa corrente absolutamente minoritária na sociedade, mas amplamente dominante nos média e nas ruas. Ide indignar-vos para o c*****inho, mazé...
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