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domingo, 3 de agosto de 2025

Agricultura da crise


 


A agricultura da crise de agora não é o que já foi. Depois de perdidos os anteriores cenários para a especulação imobiliária, como lhes chamariam criaturas de moral duvidosa, está actualmente limitada ao quintal cá de casa. São condições menos propicias, com pouco espaço e bastante mais dispendiosas, que isto de regar com água da rede não constitui uma opção sustentável. Digamos, face a estas circunstâncias, que estamos perante outro conceito. O da mobilidade – ou da portabilidade, talvez – agrícola. Dado que a exposição ao sol do espaço vai variando conforme as estações do ano, com esta solução as plantas podem ser deslocadas de maneira a que estejam expostas à luz solar o maior tempo possível. Um Sechium edule e um Vaccinium myrtillus são os primeiros experimentos neste campo. Que é como quem diz, nesta amostra de quintal. Para já evidenciam sinais de alguma vitalidade. Espera-se que a produção dê, pelo menos, para engasgar…

terça-feira, 3 de junho de 2025

O paposseco gourmet

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Chamem-lhe carcaça, casqueiro ou pãozinho na versão moderna e amaricada para mim será sempre um paposseco. Mas se o nome pelo qual é conhecido varia em função da região, o tamanho vai diminuindo à medida que o preço cresce. Este, comprado numa padaria tradicional, tem as dimensões que se podem apreciar tendo por comparação um cartão de fidelização de um supermercado. É o pão perfeito para dietas radicais. Daquelas que se fazem, por esta altura do ano, na tentativa desesperada de voltar a ver os dedos dos pés quando se caminha à beira-mar. Um nano-panito, quase. Deve ser um produto inovador da moderna industria da panificação concebido a pensar naquelas pessoas que não têm tempo para mastigar. Dá-se uma dentada e já acabou. Nem dá para saborear. O que, convenhamos, também não constitui nenhum drama dado que o sabor, a existir, apenas pode ser apurado em laboratório. Embora, com o marketing adequado, possa ser vendido como um produto gourmet ou lá o que chamam aquelas cenas de aspecto duvidoso que servem aos parolos como “experiência”.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Agricultura da crise

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Não é, como já escrevi noutras ocasiões, a melhor altura do ano para a agricultura da crise. Aqui pelo quintal da maison continuo sem provar o fruto – não sei que nome tem a coisa - da physalis que plantei no quintal. Apesar de lhe ter colocado um tutor aquilo não se aguenta. Os ramos são tão frágeis que partem com o peso das bagas e ficam irremediavelmente perdidos. Ainda nem um provei. Quando tiveram um aspecto apresentável – forem minimamente fotogénicos, digamos – irão aparecer por aqui.


Entretanto lá pela outra “agrária” estão a nascer as primeiras favas e ervilhas. Os alhos, que supostamente deviam ter pelo Natal o tamanho do bico de um pardal, já estão deste bonito tamanho. Na quadra natalícia, a continuar assim, deverão estar mais próximo do bico de uma cegonha. E é isto que a chuva, o frio, o inverno, as poucas horas de luz solar e outros assuntos relacionados com cenas que não vêm ao caso têm permitido fazer na agricultura da crise.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Divagações ao Sol

Um dos muitos famosos – ou vagamente conhecidos, vá - que por aqui têm segunda, terceira ou quarta habitação perorava um destes dias acerca do estio que se faz sentir por estas bandas. Entre outros considerandos o homem manifestava o seu lamento pela pouca abundância de árvores no espaço urbano. Coisa que, até porque se mete pelos olhos dentro, salta à vista de qualquer um. A menos que se seja vítima de cegueira ou se pertença ao conjunto de políticos que, no último meio século, tem governado o concelho.


Parece, desde que me lembro, que existe por aqui uma estranha aversão às árvores. De todos. A população, auscultada sobre o assunto, opta por um arranjo do Rossio – um dos maiores largos do país - que não contempla, para além de uma pila de dinossauro espetada no meio, uma única árvore num espaço equivalente a dois campos de futebol. Pior, chegou-se mesmo ao ponto de abater árvores em zonas habitacionais só porque os pássaros que nelas se acolhiam cagavam os carros aos moradores e as folhas sujavam os respectivos jardins. Não há inocentes nisto. Nem os políticos, que preferem fazer festas, festarolas e festinhas ou espalhar betão por todo o lado, nem nós os cidadãos que os elegemos e, qual os temerosos das trovoadas, apenas nos lembramos das árvores quando o calor aperta. Estamos bem uns para os outros, portanto.


Quanto ao resto do artigo, não acompanho os demais considerandos que o autor – no caso o senhor José António Saraiva - tece ao longo da sua escrita. Estremoz não era, à época que refere, uma cidade mais pobre do que qualquer outra, nem os seus habitantes trajavam uma indumentária diferente do que eram, na época, os ditames da moda. Nem desconfio de onde é que o cavalheiro em causa tirou esta ideia, mas, se calhar, foi só para encher mais uma linhas. Se receber ao “caracter” qualquer parvoíce dá jeito.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Alqueva

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Ainda me lembro da maior parte dos argumentos daqueles que se opunham à construção da barragem de Alqueva. Eram muitos. Os opositores e os argumentos. Felizmente não foram ouvidos e quem tinha de decidir resolveu fazê-lo sem atender às opiniões dos que – e são muitíssimos – não fazem nem deixam fazer. Ou como dizia o meu tio-avô preferido, “não f**** nem saem de cima”.


Estes anos todos depois está mais do que à vista que valeu a pena. Só um tolinho ou um daqueles espécimes que está sempre do contra – o que, no fundo, é a mesma coisa – defenderá o contrário. Não me interessa se a terra está nas mãos de empresários espanhóis, americanos ou chineses. Pouco me importam essas e outras minudências com que certos figurões estão sempre a embirrar. O que verdadeiramente importa é que agora existe algum progresso – infelizmente ainda não o bastante – há emprego e, sobretudo, água onde antes só havia pastos e calhaus. O resto é conversa fiada. Ah, e também praias fantásticas, de águas mornas logo ali quase ao virar da curva.

domingo, 24 de julho de 2022

Vou mas é a pé...

As férias constituem quase sempre um tempo em que as leituras são postas em dia. Foi o que fiz nestes últimos dias. Dado que pouco ou nada sabia acerca do tema, aproveitei para ler umas cenas sobre automóveis eléctricos. Prática que sempre sigo quando me quero informar sobre assuntos em que o meu nível de conhecimento anda perto do zero.


Aquilo é coisa que gera paixões assolapadas e ódios de estimação, especialmente entre os especialistas especializados na especialidade. Os argumentos a favor são, maioritariamente, a defesa do ambiente e a alegada poupança com a sua utilização. Contra, o preço, a autonomia e a pouca durabilidade das baterias. Diz que ao fim de oito anos estão capazes de ir para o lixo e substitui-las, parece, custa tanto como um carro novo.


Mas nem precisava de tanta leitura. Bastou ouvir o tipo que há trinta anos e tal anos me vende automóveis. Garante-me o cavalheiro que com um “eléctrico” acessível à minha carteira – aquele em que deixo no stand o automóvel antigo e as notas no montante da diferença – uma carga da bateria dará para ir a Badajoz e voltar. Se, acrescentou, não vier por aí a conduzir à maluca. O que, obviamente, é motivo mais do que suficiente para obstaculizar aquela opção. Não estou para isso. Já não tenho idade para andar constantemente a meter e a tirar a ficha na tomada.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Os tomates da crise

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Ter tomates não será indispensável. O que há mais é gente que não os tem e não é por isso que não continua a andar por aí a comer a sua saladita. Mas tê-los dá jeito. No sitio, de preferência. Ainda mais quando o sitio é ali quase ao virar da esquina e os ditos são produto da agricultura da crise.

terça-feira, 5 de julho de 2022

A promoção dada não se olha o desconto

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O que eu gosto de uma boa promoção...até daquelas onde a poupança ronda, assim mais coisa menos coisa, os zero euros. Gosto tanto que quase me apetece, apesar de ser ali ao passar da curva, usufruir deste fantástico desconto na ordem dos zero por cento. Bom, se calhar e vendo o anúncio por outro prisma, ao menos o preço não aumentou, o que nestes tempos de regresso da inflação já não será mau de todo.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Agricultura de 25 de Abril, só hoje!

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O meu jeito para romancear é praticamente nulo. Daí que, embora nutra um especial apreço pelos acontecimentos que hoje se comemoram, nunca me deu para dizer que o vinte cinco de Abril é isto ou aquilo e representa seja lá o que for. Até porque seria mentira. Aquilo foi um dia como outro qualquer. Diferente apenas por um grupo de militares, com a complacência de todos os restantes, o ter escolhido para acabar com um regime que já chateava toda a gente. As odes que entoam à data não significam nada e servem só para entreter o pagode. O que resultou daquele dia – ainda que nos meses seguintes tenham tentado acabar com ela – foi a democracia. Algo absolutamente normal na parte do mundo em que vivemos.


Ao contrário dos oprimidos e explorados, do proletariado e da classe operária, dos trabalhadores e do povo, não fui celebrar a coisa. Em vez de cravos manuseei outras plantas. Entre colheitas e sementeiras, foi também dia de plantação de tomate e cebola, lá na agricultura da crise. Algo mais útil, convenhamos. Ou não fosse a terra de quem a trabalha e a sopa de tomate - bem como a bela da salada - que daqui possam resultar, uma conquista de Abril.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Agricultura da crise

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Estamos assim pela agricultura da crise. Mais uma colheita de cenas diversas de origem vegetal. Algumas de que nem sou especial apreciador, mas isto, já dizia a minha avó, tem de ser à vontade de todos os intervenientes no processo produtivo. A terra a quem a trabalha, as favas são para quem as come – que não eu – e o quintal não é do povo nem, por enquanto, de Moscovo. A labuta continua!

sábado, 8 de janeiro de 2022

Que tradição mai'linda...

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Cada terra tem as suas tradições. Por este país fora há muitas e belas tradições que os autóctones se empenham em preservar. Desde deitar fogo a um gato, tourear bois até à morte a pôr pirralhos de seis anos a fumar, há de tudo um pouco. Cada uma muito genuína e ancestral, garantirão as gentes desses locais.


Por cá também temos essa coisa das tradições. Mas ao contrário dos gajos que chamuscam felinos, matam touros ou enfiam cigarros na boca dos gaiatos, que reservam um único dia do ano para essas parvoíces, nós gostamos tanto das nossas tradições que as praticamos todos os dias. Não vão cair em desuso ou o zelo dos serviços de limpeza da autarquia leve a melhor.


Numa zona da cidade existe a antiquíssima tradição de atirar o lixo do alto da muralha em direcção ao terreno circundante. É um costume respeitável – deve remontar aos tempos das invasões castelhanas ou francesas - que as sucessivas gerações de moradores se têm esmerado em transmitir aos seus descendentes. É, como se pode apreciar, uma coisa linda. Lamentavelmente a autarquia limita-se a ciclicamente retirar os despojos do local. O que é, há que dizê-lo com toda a frontalidade, manifestamente pouco. Esta tradição encerra em si todo um potencial que merecia outro aproveitamento. Explorar aquilo do ponto de vista turístico, nomeadamente. Criar, por exemplo, um concurso para premiar o atirador que conseguisse lançar o lixo a uma distância maior. Ou, quiçá, para quem lançasse o objecto mais pesado ou mais original. Em colaboração com os habitantes podia até criar uma actividade em que os turistas lançavam, também eles, o lixo por ali abaixo. Era uma experiência, como agora se diz. Fica a dica.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Anedotas de alentejanos

Nunca tive jeito para contar anedotas. Nem sou, sequer, especial apreciador desse tipo de humor. Muito menos quando ridicularizavam os alentejanos. Aí, então, sentia vontade de partir os cornos aos cabrões que as contavam. Vá lá que esta coisa do politicamente correcto, apesar de todos os defeitos, acabou com esse suplicio e, de maneira geral, com os contadores de anedotas. Sim, porque isto a bem dizer não se podem fazer piadas. Há sempre alguém que fica ofendido.


No anedotário nacional o alentejano foi o mandrião e o idiota que era permanentemente enganado pelo lisboeta sabido e espertalhão. E a malta ria-se. Muito engraçado, isso. Até os alentejanos adoram, só tu é que te ofendes, cansei-me de ouvir. Saber rir de si próprio é sinal de inteligência diziam-me, que era uma maneira de me chamarem parvo.


Mas hoje sou eu que conto a anedota. De alentejanos, obviamente. De um que tinha uma vinha com uma adega lá no meio. Como o Alentejo não tem gente, o homem não arranjava quem lhe fizesse a vindima e pisasse as uvas. Daí que o risco daquilo se estragar, causando-lhe um avultado prejuízo, fosse grande. Até que, assim do nada, surgiu-lhe uma ideia brilhante. Tão brilhante que mesmo ele ficou visivelmente impressionado com o seu brilhantismo. Criou um programa turístico. Uma experiência, resolveu chamar-lhe, a ver se os maganos iam na conversa. E não é que foram? Agora os turistas visitam a adega, passeiam pela vinha, colhem uns cachos, pisam as uvas, no fim bebem um trago de um vinho manhoso e pagam (!!!) cem euros cada um ao alentejano. O que eu me tenho rido. Afinal as anedotas de alentejanos até têm a sua piada...

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A bicha ridicula

Nenhuma das superfícies comerciais cá da terra adoptou o sistema de fila única. Mas, por alguma razão que me escapa, numa delas tenho reparado que alguns clientes insistem em formar uma fila nos arredores das caixas de pagamento em lugar de se dirigirem a qualquer uma que esteja em funcionamento. Este comportamento é ainda mais bizarro por não existir no local nenhuma indicação de que esse é o procedimento a adoptar, nem fitas balizadoras a delimitar o espaço ou, ainda menos, monitores com a informação da caixa a que os clientes se devem dirigir na sua vez.


Ver gente aparentemente normal fazer esta triste figura é coisa que me deixa para lá de perplexo e me suscita uma série de inquietantes questões. Nomeadamente – talvez a mais pertinente – a estranheza por pessoas que não conseguem seguir regras simples e devidamente estabelecidas, como respeitar o distanciamento em relação aos outros ou ceder a vez a clientes verdadeiramente prioritários, cumprirem bovinamente outras inventadas na hora por um maluco qualquer. Pior. Que apenas complicam o atendimento, causam atritos desnecessários com quem não segue a manada e que, no caso, são absolutamente ridículas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A calculadora, a metralhadora e o azulejo

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Quando ouço falar em cultura puxo imediatamente da calculadora. Virtual, quando estou de folga. Ou seja, desato a fazer contas de cabeça. Por norma, poucos segundos depois, apetece-me puxar da metralhadora. Imaginária, está bem de ver.


Apesar de relutante, dado o pouco interesse que tenho por estas cenas, visitei um destes dias o novel museu cá da terra. O do Berardo, ou sabe-se lá de quem. O entusiasmo dos licenciados em revestimento de paredes e dos doutorados em azulejaria, manifestado exuberantemente nas redes sociais, foi determinante para me convencer. Em boa hora o fiz. Ando a pensar em fazer umas obras cá em casa e aquilo deu-me umas ideias. Quanto ao mais, digo como a maioria dos visitantes. Tá bonito, lá isso está...




domingo, 16 de agosto de 2020

Os tomates da crise

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Ter tomates, em tempos de crise, pode ajudar. Este ano, na agricultura da crise e numa inédita parceria, também há disso. Dá para tudo e ao gosto de toda a gente. Uma sopa de tomate para os que gostam de “enfardar”, uma salada para os vegetarianos ou um doce para os gulosos.  Ou, no meu caso que sou um brutamontes em matéria de “morfes”, todos eles. Com crise ou sem ela.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Wc vertical

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Não sei como se chama este móvel. Equipamento, utensílio ou lá o que se queira chamar-lhe. Não duvido da utilidade que já teve noutros tempos. Num tempo em que a maioria das habitações não dispunha de casa de banho nem, muito menos, água canalizada ou rede de saneamento. Uma cena destas, então, devia ser coisa de gente fina. E hoje, provavelmente, também. Mesmo que lhe seja dada outra finalidade qualquer. Muito menos nobre, quase de certeza. Mas isso será com o comprador, que lhe dará o destino que muito bem entender. Estava à venda, no sábado passado na feira das velharias de Estremoz, pelo simpático preço de trezentos euros. Uma pechincha.


 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Profundamente parvos

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Desde que Cavaco Silva – o melhor primeiro ministro que este país conheceu nos últimos cem anos – passou um fim de semana no “Pulo do Lobo” que, a propósito de tudo e principalmente de nada, a rapaziada dos jornais e comunicação social em geral não resiste a usar sempre que pode, a expressão “Alentejo profundo”. Mesmo que pouco ou nada – tirando a parte do Alentejo - tenha a ver com a realidade do local. Coisas da ignorância normalmente associada a quem a usa.


Neste caso o sitio em questão ficará, em linha recta, a uns quinze quilómetros da minha casa. Fico, assim, a saber que moro no Alentejo profundo. Nem vale a pena estar para aqui a dissertar quanto a isso da profundidade. Limito-me apenas a ser tão parvo como os que, sem conhecerem a realidade local, repetem que nem papagaios aquela idiotice só porque sim. Profundas serão as partes pudibundas das respectivas mãezinhas. Que, coitadas, se calhar nem têm culpa das parvoíces ditas/escritas pelas bestas que pariram.

domingo, 21 de junho de 2020

De volta à Figueira

Domingo, dia de sol e algum calor pareceram-me motivos mais do que suficientes para justificar uma ida à Figueira. Logo pela manhã – madrugada, quase – que a Figueira não é já ali. Se bem que, confesso, as expectativas não fossem as mais elevadas. Como, após chegado ao local, acabei por confirmar. Diria, até, que a viagem foi debalde. A passarada chegou primeiro e para eles não há cá essa cena do distanciamento social. Aquilo é tudo ao molho. Daí que o balde tenha voltado meio vazio. Ou meio cheio, dependendo do ponto de vista.


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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Agricultura da crise

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Estamos em plena época de morangos. Estes não têm as dimensões gigantescas dos que se vendem nos supermercados e afins. Cá, na agricultura da crise, não se usam daqueles produtos esquisitos que fazem as coisas aumentar de volume. Nem de outras, a bem dizer. É que nem estrume, ou qualquer outra espécie de fertilizante, os desgraçados dos morangueiros apanham. Culpa do malvado compostor – oferta da empresa de gestão de resíduos da região – que parece ter uma fome absolutamente insaciável. Ando há seis meses a “alimentá-lo” e, para além de nunca mais ficar cheio, produzir um composto capaz de fertilizar o quintal afigura-se como uma realidade ainda distante. Por isso, para plantas que sobrevivem num solo de barro quase compacto, até estão muito bons.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Férias...

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Este não será um ano como os demais. Pelo menos relativamente aos idos, pois quanto aos vindouros é coisa a ver lá mais para diante. Pela primeira vez em muitos anos, férias, na verdadeira acepção da palavra e não apenas mera pausa laboral, nem vê-las. Mas nem tudo é mau. Já dizia a minha avó que o tempo é o que fazemos dele e tempo, no actual cenário, não será o que mais escasseia. Por mim aproveito o tempo para vivenciar novas experiências e as férias para me dedicar às artes. À pintura, nomeadamente. Ontem foi a sala.