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quinta-feira, 15 de julho de 2021

A inclusão é uma cena muito fixe...

E está na moda. Hoje tudo tem de parecer inclusivo e todos se esforçam muito por incluir nesse conceito alarve o quer que seja mais um par de botas. Ou não. É que isto da inclusão é o raio de uma modernice idiota que nada significa e faz parecer quem a pratica ou promove, quase sempre, um verdadeiro imbecil. Veja-se este dialogo, deveras edificante se fosse verdadeiro, que circula pelas redes sociais:


Fui a um restaurante com uma amiga. A empregada chega para nos atender e cumprimenta-nos com um sorriso:


- "Olá Amigues!"


- "Amigues?", interrogo, também com um sorriso.


- "Isso mesmo, somos um restaurante inclusivo!", respondeu ela, com orgulho.


- "Olha que bom! Isso é ótimo porque daqui pouco tempo chegará um amigo que é cego. Você tem a carta em Braille?"


- "Não, não temos isso.”


- "Ok, mas também espero uma amiga, que virá com a afilhada, que é autista. Menu com pictogramas, otimizado para pessoas autistas, vocês têm?”


- "Não, desculpe...", ela disse visivelmente nervosa.


- "Não tem problema, isso geralmente acontece. Imagino que a linguagem de sinais para clientes surdos você deve saber certo?"


- "A verdade é que você está me encurralando", responde sorrindo de nervoso.


Ela não estava mais confortável, tímida de vergonha, um pouco de culpa e um pouco de desconforto também.


Então eu disse:


"- Não se preocupe, isso geralmente acontece. Mas então lamento dizer que vocês não são um lugar inclusivo, vocês querem estar na moda. Aqui, essas pessoas não conseguiriam comunicar ou pedir para comer ou beber.


Se quer ser inclusivo, inclua todos.


Todos aqueles a quem o sistema não dá oportunidade. É difícil sim, e muito, mas não devemos achar que um E, um X, ou @ no final faz de você inclusivo.”


Em conclusão. Vão ser inclusivos para a puta que vos pariu. Se todos tratar-mos os outros com o devido respeito, essa coisa da inclusão está resolvida sem necessidade de assassinar a língua portuguesa.

segunda-feira, 15 de março de 2021

E um palavrão inclusivo, arranja-se?

Vai por aí uma poluição de planos, manuais e parvoíces diversas acerca de inclusão, cidadania e outras idiotices que até aborrece. Quase todas, como não podia deixar de ocorrer, oriundas do sector público. O que, naturalmente, não admira. No privado trabalha-se.


Gosto daqueles planos municipais acerca destes assuntos onde, ao longo de largas dezenas de páginas, se consegue dizer nada. É uma arte, reconheço. Mas, na verdade, o que me diverte são os manuais de linguagem inclusiva que muitos organismos públicos – lá está, têm de se entreter com alguma coisa – adoptaram para uso nos respectivos serviços. A malta que escreveu aquelas baboseiras merece o meu respeito. E admiração, também. Inventar que os gestores são “pessoas em cargos de gestão”, ainda vá. Disso até eu era capaz. Já substituir o tradicional obrigado por “agradeço” é que é uma cena muito à frente. Coisa, até, para deixar os estrangeiros que nos visitam um bocado baralhados. Mas arrojada mesmo é propor a substituição de trabalhadores por “população que trabalha”. Duvido que o PCP concorde.


Há, ainda assim, uma falha nesses manuais modernaços. Apesar de ter procurado afincadamente, não localizei em nenhum deles a maneira inclusiva de mandar essa malta para o car%&#o.