É, também,
por coisas destas que gosto do meu bairro. Convenhamos que ir a pé
para o trabalho e pelo caminho deparar com uma cena bucólica de
ovelhas a pastar num recanto da cidade é algo pouco comum. Pena o
vizinho chato, mais as suas piadas secas. “Olha, olha”,
dizia o gajo, “o Passos Coelho já começou a despedir
funcionários públicos”. Não percebi. “E os primeiros
foram os jardineiros”. Ah, estou a começar a ver o sentido da
coisa...”substituiu-os por ovelhas!”. Pois. Tá bem, tá.
Tens piada,tu.
terça-feira, 4 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Os piratas do Capitão Obvious
O líder do Partido Socialista disse, finalmente, o óbvio. Mas é importante que o tenha dito. Considerou – e muitíssimo bem – que um dos maiores problemas das empresas e da economia são os mais de 3,2 mil milhões de euros de pagamentos em atraso – as dividas por pagar a mais de noventa dias – que o Estado deve às empresas. Coisa com que muito pouca gente, se exceptuarmos os que estão a “arder”, se tem preocupado. Mesmo assim, salvo um ou outro caso, são poucos os que têm a coragem de afrontar as instituições públicas devedoras e exigir aos seus responsáveis o pagamento atempado do que lhes é devido. Nem uma manifestação, uma grandolada ou, sei lá, ondas de indignação no facebook, contra uma situação capaz de provocar em qualquer empresa sérios problemas de tesouraria e, até, o seu encerramento e consequente desemprego dos seus trabalhadores. Enfim, prioridadezinhas.
O pior, para António José Seguro e principalmente para os portugueses, é que até mesmo entre os seus correlegionários há quem não ligue peva a isso de pagar a tempo e horas. Presumo que tenham como lema de vida “o dever acima de tudo”. Coisa que, a julgar pelo que se vai vendo, o eleitorado parece apreciar.
O pior, para António José Seguro e principalmente para os portugueses, é que até mesmo entre os seus correlegionários há quem não ligue peva a isso de pagar a tempo e horas. Presumo que tenham como lema de vida “o dever acima de tudo”. Coisa que, a julgar pelo que se vai vendo, o eleitorado parece apreciar.
sábado, 1 de junho de 2013
São uns "amourosos" é o que é...
A
enternecedora história daquela comunidade islâmica que ofereceu chá
e bolos aos manifestantes que demonstravam o seu desagrado pela morte
de um soldado britânico, às mãos de um criminoso seguidor da dita
religião, está a comover os corações mais sensíveis. E, como era
de esperar, a servir de exemplo aos militantes do multi-culturalismo
para nos fazerem crer que aquela malta barbuda e que reza de cú para
o ar são uns fofinhos.
A
mim não me convencem. Não gosto deles. Pelo menos até que, os que
estão cá, adoptem os nossos hábitos e acatem as nossas leis ou,
nos países islâmicos, permitam que os ocidentais mantenham os seus
usos e costumes. Se as gajas deles podem andar, no ocidente, todas
enroladas em panos pretos e só com os olhos de fora, porque raio não
hão-de poder as ocidentais andar de mini-saia na terra da mourama?!
Este
episódio do chazinho e dos bolinhos é,
por mais que queiram demonstrar o contrário, mais uma evidência da
intolerância religiosa daquela malta. Se queriam ser amiguinhos, e
mostrar a sua vontade de se integrarem na sociedade que os acolheu, o
que deviam ter feito era convidar os manifestantes para beber umas
bejecas no bar mais próximo. Acompanhadas
de uns coiratos, de preferência.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Da frase “não há dinheiro” qual a parte que não percebe?
Esta pergunta, consta, terá sido feita várias vezes, diz que até em reuniões do conselho de ministros, por Victor Gaspar a um ou outro colega de governo quando estes resistiam aos cortes de verbas que o titular da pasta das finanças tentava impor aos seus ministérios. Esta expressão, a par da sua confissão de benfiquista deprimido, foram, assim que me lembre, as únicas ocasiões em que senti uma pequena dose de simpatia pela criatura. Mas, garanto, passou-me depressa. Mesmo sabendo que governar esta pocilga e ser adepto do Glorioso são duas condições muito penosas nos dias que passam.
O orçamento rectificativo divulgado hoje contribui, ainda mais, para me fazer desconfiar dessa coisa da falta de dinheiro. Ou melhor. Para, também eu, evidenciar uma notória falta de clarividência para descortinar o significado dessa sequência de três palavras tão do agrado do benfiquista Gaspar. É que se a minha compreensão para trabalhar mais uma hora por dia, mesmo ganhando menos, ou para mais um aumento de impostos, apenas para assegurar o nível de benefícios de saúde que já existem, não era muito elevada, agora bateu todos os recordes negativos.
E isto porque, mais uma vez e como sempre, a falta de dinheiro não é para todos. Para uns, nomeadamente em ano de eleições, vai-se sempre arranjando qualquer coisinha. Não tenho nada contra os autarcas - ou candidatos a isso - do PSD. Desejo apenas que tenham, nestas e apenas nestas autárquicas, um resultado abaixo de miserável. Ao nível deste governo, portanto.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Isto não pode parar?! Pois não, deve é cumprir o limite de velocidade.
"Gaia não pode
parar". É o que escreve no facebook, de forma entusiástica, o
candidato do PSD aquela autarquia. O mesmo que exortou os magrebinos,
termo depreciativo que a bimbalhada usa para se referir aos
portugueses que vivem a sul do Mondego, a curvarem-se perante a
vitória do clube de futebol do Porto no campeonato nacional do
pontapé na bola. Obtida sem saber ler nem escrever e,
inequivocamente, oferecida pelo adversário directo quando já
ninguém esperava. Nem eles. Mas isso agora não interessa nada. Nem
vem ao caso.
Este
tipo de discurso não
é novo. Pelo contrário. É coisa
recorrente. Mesmo em
tempo de crise, quando estamos todos fartos de saber –
ainda que alguns se esforcem por ignorar -
que não há dinheiro para pagar
tanto movimento e que estamos a pagar pelo excesso de velocidade. São muitos os que acham que “isto não pode parar”.
Como acontece com o
cavalheiro candidato. Mas só quando está em campanha lá pelo
norte. Os ares do Magrebe fazem-no mudar radicalmente de opinião e
defender exactamente o contrário. Deve ser porque é só no conforto
do palácio magrebino que tem tempo de ler o relatório e contas da
Câmara a que se candidata e concluir que dois anos inteiros de
receita mal chegam para pagar os quase duzentos e dezoito milhões de euros de divida da autarquia a que se propõe presidir.
domingo, 26 de maio de 2013
O Benfica é como o ordenado...
Com esta mania
do politicamente correcto quase não se pode, hoje em dia, contar uma
anedota, dizer uma piada ou mandar umas larachas sem correr o risco
de ofender meio mundo. Nem, pior, de no retorno ser valentemente
ofendido, ameaçado ou – o mal menor - alvo da promessa de
apresentação de queixa na justiça. A menos que a anedota, a
piadola ou o dichote tenha como protagonista um alentejano. Aí a
coisa passa a ser encarada como obra do mais fino recorte e o seu
autor considerado possuidor de um refinado sentido de humor.
Livre-se alguém
de se meter com paneleiros ou fufas. É, de imediato, considerado
homofóbico. Seja lá o que for que isso signifique. Com pretos ou
ciganos nem pensar. Será logo apelidado de racista. Piadas sobre
religião, excepto se for para implicar com padres e freiras, é
melhor pensar duas vezes e olhar outras tantas para o lado não vá
alguém rebentar com o candidato a piadista. Ou, se sobreviver, não
se escapa da acusação de fomentar o ódio religioso. Restam as
piadolas sobre futebol. Mas, também nesse campo, é melhor não ir
por aí. Despertam uma ira cega e irracional no adepto adversário,
pouco compatível com o comportamento de uma pessoa civilizada.
Toda esta gente
é incapaz de ter a mesma reacção dos alentejanos perante as
anedotas que a toda a hora têm de aturar. Somos, como poucos,
capazes de nos rirmos de nós próprios. Isto quando as piadas
envolvem apenas a nossa condição de nascidos no Alentejo, porque no
resto somos iguais aos outros. É lamentável que seja sobre
politica, religião, futebol ou outra coisa qualquer não consigamos
todos reagir com o mesmo distanciamento e sentido de humor.
Termino com uma
piada do Pinto da Costa. Um individuo que eu, enquanto benfiquista
ferrenho, não suporto. Contudo, por mais que as suas indirectas me
custem a engolir, a verdade é que o homem às vezes tem piada. A
última do gajo é genial. Diz ele que “o Benfica é como o
ordenado. Vai-se tudo nos descontos.” Brilhante. Mesmo vindo de
onde vem. Mas que, aposto, já deve ter indignado muitos milhões de
benfiquistas.
PS - O Benfica perdeu mais um troféu. Mas hoje o problema não foram os descontos. Foi a sobretaxa.
PS - O Benfica perdeu mais um troféu. Mas hoje o problema não foram os descontos. Foi a sobretaxa.
sábado, 25 de maio de 2013
Inevitabilidades
A propósito do
post anterior, questiona-me o único visitante que o comentou – o “Jony” - se eu “ia”. Concluindo de imediato que “ia mas
era o tanas”. Referindo-se, presumo, à minha apetência para
aceitar um desses trabalhos que não há quem queira fazer. Isto se
estivesse no lugar dos desempregados que não aceitam trabalhar na
agricultura.
Ainda que ache
preferível ganhar pouco e trabalhar muito a não ganhar nada e nada
fazer, digo-lhe que, assim de repente, nem desconfio se “ia” ou
ficava. Isto apesar de viver numa região onde até há pouco tempo –
para aí uns quarenta anos, o que praticamente foi ontem – as
pessoas se deslocavam, sazonalmente, para trabalhar fora da sua zona
de residência quando por cá não havia trabalho. Recordo-me de
famílias inteiras – meus vizinhos, à época – que iam durante
semanas para o Ribatejo fazer a apanha do tomate. Ou em sentido
inverso, mas disso lembrar-se-à o meu pai, os beirões que vinham
para o Alentejo na altura de ceifar as searas.
Isto para dizer
que esta realidade que pensávamos ultrapassada não constitui, pelo
menos para muitos de nós, uma grande novidade. Convivemos com ela e,
quase de certeza, vamos voltar a encontrá-la por aí um destes dias.
Se fico satisfeito com esse reencontro? Obviamente que não. E quem
me lê com regularidade fará a justiça de o reconhecer. Agora que é
uma inevitabilidade para que nos devemos preparar, disso nem vale a
pena ter dúvidas.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Não há trabalhadores?! Experimentem pedir colaboradores, pode ser que resulte.
Nos tempos que
correm a noticia da falta de mão de obra para trabalhar só pode
constituir uma espécie de piada. De mau gosto, no caso. Nem
interessa saber onde é o trabalho ou no que consiste. Quando o
desemprego atinge os níveis dramáticos que se conhecem, parece
pouco razoável que um empregador tenha de recorrer a estrangeiros
para ver satisfeitas as suas necessidades laborais.
Trabalhar no
campo não é fácil. Ganha-se mal – miseravelmente, reconheço –
mas, ainda assim, será seguramente menos mau do que não ter emprego
nem dinheiro para sobreviver. Que, também reconheço facilmente, é
o máximo que se pode fazer com os ordenados que se praticam na
agricultura e noutro sectores pouco exigentes em matéria de
qualificações. Embora isso, vendo o que oferecem aos licenciados,
seja muito relativo.
Estamos,
nalguma parte do sistema, a cometer um erro qualquer. Identificá-lo
está, naturalmente, fora da minha órbita de conhecimento. Acabar com
todo o tipo de apoios sociais, para obrigar quem deles beneficia a
aceitar qualquer tipo de trabalho, não será a solução. Fazê-lo
seria criminoso. Mas, quando existem desempregados a “dar com um
pau” a mendigar empregos aos presidentes das câmaras e, mesmo ao
lado, um empregador não consegue arranjar quem queira trabalhar,
também não me parece um coisa muito séria. Por muito que isso
custe a uma elite bem pensante e que, como dizia o Jerónimo, sabe
“lá o que é vida”.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
1000 maneiras de esturrar o nosso dinheiro
Os disparates,
as loucuras ou a simples parvoíce em forma de promessa eleitoral
estão surgir por todo o lado, em ritmo cada vez mais acelerado, à
medida que as eleições autárquicas se aproximam. Complementando,
porque isto não pode parar, o muito que neste âmbito tem vindo a
ser feito por este país fora. Até 22 Setembro, a acreditar no
sempre bem informado professor Marcelo, iremos ficar a conhecer mil
novas maneiras – ou até mesmo mais - de esturrar o nosso
dinheiro.
Uma delas -
talvez a número um, mas isto nunca se sabe o que esta malta é capaz
de prometer – fez um dia destes noticia num jornal diário. Luís
Filipe Menezes, o homem que colocou Gaia num dos lugares do topo dos
municípios mais endividados e que agora se prepara para promover
igual proeza no Porto, teve uma ideia mirabolante. Campo em que,
faça-se justiça, o homem é um génio. Desta vez, o candidato à
invicta idealizou a construção de um túnel a ligar as duas margens
do Douro. Algo, assim por alto, para uns cinquenta e quatro milhões.
Uma bagatela, portanto. Para a qual, pasme-se, até já terá
realizado uns quantos estudos e elaborado uns esboços.
Tenho
aguardado, desde que a noticia foi publicada, por reacções mais ou
menos enfurecidas contra esta ideia. Nomeadamente manifestações de
protesto, buzinões ou, no mínimo, gente a cantar a “Grândola”
onde quer que LFM se desloque. Em vão. Ninguém pia. Devem estar a
guardar a indignação para quando chegar a hora de alguém ter de
pagar a conta de mais este investimento público.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Os javardolas do poleiro podiam, de vez em quando, ser sérios.
Em nome da
alegada sustentabilidade do sistema, anuncia-se mais um ataque ao
vencimento dos funcionários públicos e às pensões dos reformados
da função pública. Um novo aumento do desconto de trabalhadores e
aposentados para a ADSE. Só, e apenas, porque o governo sabe que
com esta medida arrecada mais uns cobres enquanto, demagogicamente,
vai mantendo vivo, entre a população, o sentimento de aversão a
quem trabalha para o Estado. Isso e o espírito de vingança que está
presente nas mentes tacanhas daquela gente, ainda com o acórdão do
Constitucional por digerir.
Obviamente que
não está em causa a viabilidade da ADSE. Como está amplamente
demonstrado, este é um sub-sistema que permite ao Estado
gastar muitíssimo menos com a saúde dos seus beneficiários do que
gastaria se estes optassem pelo SNS. Mas, mesmo admitindo que aquele
organismo tenha problemas de viabilidade financeira sem este aumento
da contribuição de quem dele beneficia, então o governo que deite
mão de outros recursos. Nomeadamente cobrar aquilo que os municípios
devem a esta entidade. A titulo de exemplo, só para se ter a noção da dimensão do regabofe que por aí vai, uma Câmara alentejana deverá
à ADSE – a acreditar na informação publicada no respectivo site
- cerca de um milhão e quatrocentos mil euros. Que o governo,
diga-se, não recupera porque não quer. Prefere ir aos bolsos dos do
costume. Mas é disto que o povo gosta!
terça-feira, 21 de maio de 2013
Cuidado com o que (com)prometes!
Desconheço se
algum candidato, ou candidato a candidato, a um dos muitos lugares de
autarca que vão estar em disputa nos trezentos e oito municípios e
mais de três mil freguesias é leitor do Kruzes. Se o for ainda bem.
Vou, em jeito de serviço público, lembrar um pequeno detalhe –
uma insignificância, quase – que dá pelo nome de Lei dos
Compromissos e Pagamentos em Atraso e que todos eles deverão ter em
conta na altura, que deve estar quase a chegar, de preparar o
programa eleitoral.
Diz a dita lei
– a 8/2012, de 21 de Fevereiro – que as entidades públicas “não
podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis”. Ou
seja, de forma resumida, que não possam pagar nos noventa dias
seguintes. Titulares de cargos políticos ou dirigentes responsáveis
pela contabilidade das organizações que o façam incorrem em
“responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira,
sancionatória e ou reintegratória”. Estarão, portanto, a cometer
um crime pelo qual, mais tarde ou mais cedo, serão chamados a
prestar contas. Para os mais cépticos quanto à necessidade de dar
cumprimento a estas normas recordo que o Isaltino continua preso e
que o Tribunal de Contas vai, de vez em quando, aplicando umas
multazitas.
Nestas
circunstâncias mandará a prudência uma certa contenção acerca
daquilo que se vai prometer. O mesmo se deve também dizer quanto ao
que podemos e devemos – nós, os eleitores – exigir aos que se
vão apresentar como candidatos a governar em nosso nome. Daí que
era capaz de não ser má ideia revelar um pouco mais de contenção
na hora de reclamar o subsidio, o passeio, as festarolas, o emprego
para o filho ou a obra faraónica igual à do concelho vizinho. Para
o bem de todos. Porque os compromissos deles somos nós que os
pagamos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
FDP (Fidalgo, desleixado e poluidor)
Andava
há meses para fotografar este chaço. Calhou hoje. Lamentável
apenas o ângulo
não ser o melhor e existir outro veículo pelo meio. Questiono-me
acerca da possibilidade de uma viatura nestas circunstâncias passar
na inspecção.
Ou, se não tiver passado, dos motivos porque não foi ainda
interceptado pelas autoridades com competências em matéria de
trânsito e ambiente. Até porque, recorde-se, a GNR tem uma brigada
especialmente dedicada – e, a julgar por outros casos,
particularmente atenta – às questões ambientais.
Não
me interessa se o individuo em questão tem ou não dinheiro para ter
outro carro. Se não tiver que ande a pé. Ou a cavalo, como faz de
vez em quando. Sempre polui menos. Agora andar impunemente a
envenenar os transeuntes é que me parece muitíssimo mal. E NÃO HÁ
NINGUÉM QUE TRATE DISTO, PORRA?!
domingo, 19 de maio de 2013
Cagadela monumental
Este vistoso monte
de merda, de proporções épicas de que a foto não transmite a real dimensão, podia ser contemplado hoje pela
manhã na Urbanização do Monte da Razão, em Estremoz. O autor
desta proeza será, presumo, este mastim preto propriedade de um morador na vizinha Quinta das Oliveiras, vulgarmente conhecida
como Urbanização dos Currais. Trata-se de um cão de enorme porte,
gordo como um texugo e com alguma dificuldade de locomoção, pelo
que só é visto nas imediações quando se trata de arrear o calhau.
Coisa que faz diariamente nas artérias circundantes mas sempre a uma
razoável distância da casa da família. É esperto o bicho. Diria
até que o que sobra em inteligência ao animal falta em civismo aos
donos.
Há fronteiras e fronteiras
Há fronteiras,
ficámos um dia destes a saber, que Paulo Portas não transpõe. Para
um ministro dos negócios estrangeiros a analogia não seria a mais
feliz não se desse o caso das fronteiras que se recusa a transpor
não fossem poucas. Apenas uma. A que imporia – ou imporá,
sabe-se lá – um corte nas reformas da segurança social. Porque
outras fronteiras, as que vão diminuir vencimentos ou baixar pensões
aos aposentados da função pública, essas, ele salta com a maior
das descontracções.
Sabe-se que o líder
centrista gosta de reformados. Tendência que nem me atrevo a
criticar. Até porque, enfim, isso é lá com ele. Lamento é que
faça discriminações entre reformados de um ou de outro regime. Ou,
igualmente deplorável, que não goste de quem trabalha para o
Estado. Podia, digo eu, discriminar em função do tamanho. Do
ordenado. Mas não. Para ele o tamanho não importa. Tudo lhe serve.
Para cortar.
sábado, 18 de maio de 2013
Não havia nada mais importante para tratar lá pelo parlamento...
Sabe-se desde há
muito – se calhar desde sempre – que a resolução dos problemas
do país – de todos os países, talvez – raramente ocupa os
primeiros lugares da agenda politica. À cabeça das prioridades,
seja de quem está no poleiro seja dos que aspiram a ir para lá,
está sempre o eleitor. E isso até nem seria necessariamente mau se
cada eleitor se sentisse e fosse tratado como um contribuinte e cada
cidadão tivesse, também ele, a consciência que é o seu dinheiro
que financia as ambições pessoais e as brincadeiras dos políticos.
Mas não. Não é isso que acontece. Nem era preciso as últimas
sondagens darem como certo o regresso do Partido Socialista ao poder
para sabermos isso. Basta a vivência do dia a dia.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Poupar, um verbo de difícil conjugação.
Poupança não é
uma palavra que rime com autarca. Principalmente em ano de eleições.
Ainda assim, porque as excepções confirmam a regra, numa ou noutra
localidade é possível encontrar sinais de que a autarquia lá do
sitio estará a fazer um esforço no sentido de gastar um pouco
menos. E, nalguns aspectos, nem é necessário possuir uma elevada
dose de genialidade para implementar soluções que permitem poupar
muito dinheiro. O caso da iluminação pública é um dos mais
evidentes. Manter acesos pontos de luz, todos seguidos, em locais
onde durante a noite ninguém passa não é, seguramente, das ideias
mais brilhantes.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Xicos-espertos
Se não está tudo louco deve andar lá perto. Ou, então, ainda são mais incompetentes do que aquilo que se pode supor. E o que se supõe, já de si, não é pouco. Isto a propósito do que a Unidade Técnica de Apoio Orçamental diz acerca das últimas medidas tomadas pelo governo no âmbito da suposta consolidação das contas públicas. É que, segundo a UTAO, “os valores de algumas das medidas não se encontram líquidos dos respectivos impactos de redução de receita fiscal e contributiva, nem consideram as despesas acrescidas com os custos das indemnizações por rescisão”.
Nada, a bem-dizer, de muito surpreendente. Afinal quando do corte dos subsídios de férias e Natal fizeram exactamente a mesma coisa. À loucura e incompetência referidas acima junto uma terceira e, admito, mais provável hipótese. Que, bem visto, até entronca nas outras duas. A ideia será enganar a troika. Fazê-los acreditar que cumprimos o que nos impõem sem, na verdade, o fazer. Ou, dito de outra forma, tentando adiar o mais possível a inevitabilidade de passar a tal fronteira. Xico-espertismo tuga ao mais alto nível, é o que é.
Nada, a bem-dizer, de muito surpreendente. Afinal quando do corte dos subsídios de férias e Natal fizeram exactamente a mesma coisa. À loucura e incompetência referidas acima junto uma terceira e, admito, mais provável hipótese. Que, bem visto, até entronca nas outras duas. A ideia será enganar a troika. Fazê-los acreditar que cumprimos o que nos impõem sem, na verdade, o fazer. Ou, dito de outra forma, tentando adiar o mais possível a inevitabilidade de passar a tal fronteira. Xico-espertismo tuga ao mais alto nível, é o que é.
terça-feira, 14 de maio de 2013
As ervilhas da crise
Ao contrário do que inicialmente se
perspectivava, a sementeira de ervilhas revelou-se um sucesso. A
ameaça da passarada, primeiro, a muita erva que, depois, tomou conta
do espaço e a impossibilidade de tratar o mesmo por causa das
agruras do clima, não auguravam nada de bom. Isto para não
mencionar a inexperiência e a falta de “queda” para a
agricultura. Dois atributos, em mim, mais que evidentes.
A imagem documenta o resultado da
segunda colheita. A primeira foi ligeiramente mais modesta e a
próxima, que será simultaneamente a última, também não deverá
atingir este nível. Ainda assim o número de bolinhas verdes
armazenado cá em casa deve ser suficiente para servir de ingrediente
a umas quantas refeições. Tudo sem qualquer produto químico, claro
está.
sábado, 11 de maio de 2013
Convergências
Convergência. Tem sido,
ultimamente, uma palavra muito utilizada sempre que o governo
pretende justificar mais um corte nos funcionários públicos.
Aposentados ou não. Que os regimes de trabalho, no privado ou no
Estado, tendam a convergir – naquilo onde tal é possível, atentas
as especificidades de cada um – não me parece criticável. Que as
pensões, pagas pela Segurança social ou pela Caixa de Aposentações,
tenham um regime idêntico parece, também, algo que se afigura como
sendo do mais elementar senso comum.
O pior é que as coisas não são
tão lineares quanto os javardolas que governam a espelunca nos
querem fazer crer. Relativamente aos valores das reformas, mais
altas no público do que no privado, convém não esquecer que os
funcionários públicos aposentados – e os actuais, também -
descontaram onze por cento do seu vencimento para garantir a
aposentação. O mesmo não se pode dizer dos privados. É que,
convém não esquecer, a actual TSU resultou da fusão dos descontos
para a Caixa de Previdência e Fundo de Desemprego. Ou seja, os onze
por cento que também descontam ao vencimento não são na totalidade
para a reforma, dado que incorporam uma parte que se destina a
subsidiar o seu eventual desemprego. Pretender, agora, tratar de
forma igual percursos contributivos tão diferentes parece-me algo
que converge muito pouco com a legalidade.
O mesmo se pode afirmar quanto aos
ordenados. Há muito que se anuncia uma nova tabela salarial que
tenda a, alegadamente, aproximar os vencimentos entre os sectores
público e privado. Esta intenção tem, como é óbvio, merecido os
mais amplos elogios daqueles que vêem em cada funcionário público
um privilegiado a quem devem ser retirados todos os direitos.
Inclusive o de existir. Por mim, tenho dúvidas quanto a mais esta
convergência. Por um lado lamento que não se tenham lembrado dela
quando, ainda não há assim tanto tempo, um pedreiro ganhava
cinquenta ou sessenta euros por dia no privado, enquanto idêntico
profissional no Estado não auferia mais de quinhentos euros por mês.
Por outro, mantenho alguma expectativa relativamente ao que vai
suceder a arquitectos, engenheiros e outros licenciados, a quem o
sector privado oferece, conforme se pode ver nas mais variadas
ofertas de emprego, o salário mínimo nacional e o Estado paga mais
de dois mil euros por mês...
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Grilo guloso
Não sou especialista em insectos.
Nem, tão pouco, na nobre arte da doçaria. A bem dizer não sou
especialista em coisa nenhuma. A sê-lo – e à velocidade a que o
governo contrata especialistas em qualquer coisa – já estaria a
exercer funções na área da especialidade de lixar os portugueses.
Mas isso agora não interessa nada. Até porque não vem ao caso. O
caso é que, não sendo eu um entomologista, não tenho a certeza
quanto à espécie de insecto que se delicia com os bolos de
magnifico aspecto com que me deparei um dia destes. Assim de repente
parece um grilo. Um grilo guloso, portanto.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
As favas da crise
Desconheço se, ao contrário do que
acontece relativamente a outros itens, no que a favas diz respeito o
tamanho é igualmente importante. A sê-lo, estes exemplares,
acabados de colher no quintal cá de casa, parecem-me capazes de
satisfazer o mais exigente dos apreciadores. Digo eu, que não gosto
de favas.
terça-feira, 7 de maio de 2013
O dedo que não é para aqui chamado
Não se trata de uma lesão
incapacitante. Nem, excepto nos momentos seguintes à sua ocorrência,
especialmente dolorosa. Apenas ligeiramente arreliadora. A bem dizer
nem se trata de uma lesão. Quando muito uma pequena e insignificante
queimadura que não está a causar arrelias de maior. Foi no que deu
colocar o dedo em contacto com uma zona quente. Muito quente. O
motor da motosserra. A árvore, coitada, ficou muito pior.
Bicicleta almofadada
Não é novidade para ninguém que a
bicicleta constitui uma excelente alternativa para deslocações
curtas. Dentro ou fora da cidade. Era assim que, antes de todos
termos ficado com a mania que éramos ricos, quase toda a gente se
deslocava para o trabalho. Hoje, embora por outras razões, volta a
estar na moda. Mesmo para aqueles que se queixam dos incómodos
causados pelo assento pouco confortável que equipa qualquer
velocípede mais rasca. Mas, como aqui se demonstra, há sempre a
possibilidade de recorrer a uma almofada para proteger um rabiosque
mais sensível!
domingo, 5 de maio de 2013
Anda por aí uma gatunagem...(II)
Após longos anos a meter dó o
coreto cá da cidade foi, no ano passado, devidamente restaurado. Ao
contrário do que, quase de certeza, aconteceria noutro local mais
“evoluído” continua limpinho, limpinho. Não ostenta os
horríveis grafites nem pichagens de outra natureza que,
infelizmente, é comum encontrar noutras paragens e que alguns parvos
apelidam de arte urbana.
A intensa procura por materiais
metálicos está, no entanto, a ameaçar este equipamento. Parte dos
parafusos que fixam o portão já foram retirados e a breve prazo o
mais certo é ir o resto. Sem que, convenhamos, se possa fazer grande
coisa para o impedir. Travar este tipo de crime é tarefa quase
impossível e a única forma de o mitigar será a substituição dos
elementos furtados por outros que não despertem a cobiça da
gatunagem. O que nem sempre será fácil, barato ou, sequer, viável.
Não faltará quem relacione esta
actividade – ou outras – com a actual crise. Até pode ser.
Tenho, contudo, certa dificuldade em aceitar que o gamanço destas
coisas sirva no essencial para alimentar alguém ou que, quem rouba,
não tivesse alternativa para arranjar comida. O problema talvez
resida antes no facto de termos duas gerações de pobres – a dos
pais e a dos filhos – habituadas a dinheiro fácil que agora, de
repente, lhes dizem que não há. Mas, independentemente das causas
ou das motivações, o que surpreende é não ver por aí surgirem
empresas metalúrgicas a produzir enxadas, pás e forquilhas.
Talvez seja por, digo eu, arranjar a matéria prima ser muito mais
apetecível do que utilizar o produto acabado.
sábado, 4 de maio de 2013
Corta, corta!
A montanha pariu um rato. Pouco mais
do que isso me ocorre depois de ouvir o discurso de Parvus Coelho e o
anúncio de um conjunto de medidas que, mais uma vez como o tempo se
encarregará de demonstrar, de muito pouco servirão para endireitar
as contas do país. Não diminui o número de deputados, não se
reduz o número de cargos políticos, não se estabelecem limites à
contratação de assessores nem, sequer, se estabelece a proibição
de contratação externa ao nível de empresas de trabalho
temporário, consultadoria e outras aquisições de serviços. Juntos, todos estes itens oneram muitíssimo mais os cofres públicos do que
os vencimentos dos funcionários públicos que pretendem pôr no olho
da rua.
Nem tudo, no entanto, me parece mal
de todo. As mexidas no horário de trabalho e no regime de férias da
função pública, por exemplo, só pecam por tardias. Devia ter sido
exactamente por aqui que se devia ter começado. Igualmente a
intenção de mexer nos suplementos remuneratórios se afigura como
da mais elementar justiça. Há, de facto, de acabar com privilégios
absurdos. Nomeadamente o suplemento de trinta por cento que, a titulo
de despesas de representação, acresce ao vencimentos dos titulares
de cargos políticos e dirigentes da administração pública. A não ser assim mais vale que lhes cortemos o pescoço.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Prazo médio de pagamento dos municipios
Embora não constitua, pela maneira
como é calculado, um indicador com um elevado grau de exactidão, o prazo médio de pagamento divulgado pela DGAL não deixa de
constituir um elemento de referência quando se pretende analisar a
relação de um município com os seus credores e a partir do qual se
podem tirar ilações quanto à forma como as autarquias são
governadas.
Cinco, entre os trezentos e oito
municípios portugueses, segundo os dados divulgados demoram mais de
mil e duzentos dias a pagar aos fornecedores. É obra. E muito tempo,
também. Entre as câmaras do distrito, Évora lidera - com o décimo
segundo lugar a nível nacional - o ranking das más pagadoras com um
PMP de quinhentos e quarenta e um dias. Seguem-se, no que diz
respeito ao distrito, os municípios de Borba e Alandroal num nada
honroso vigésimo quinto e vigésimo sexto lugar na tabela dos pouco
cumpridores a nível nacional. O atraso no cumprimento da obrigação
de pagar é de, respectivamente, trezentos e oitenta e trezentos e
setenta e sete dias.
No lado oposto da lista, aqueles que
cumprem a tempo e horas, estão setenta e três municípios que pagam
aos seu fornecedores a menos de trinta dias. Entre eles contam-se
cinco autarquias do distrito de Évora. São elas Arraiolos, Mora,
Portel, Redondo e Viana do Alentejo.
Normalmente quando se fala, seja
governo ou oposição, em politicas de crescimento, apoio às
empresas e combate ao desemprego, a solução envolve sempre esturrar
mais dinheiro. Provavelmente, digo eu que não percebo nada disto,
não era preciso. Bastava obrigar toda a gente a proceder como estes
autarcas e a cumprir as obrigações que assume no prazo acordado.
Talvez não houvesse tanta empresa a fechar, nem tantos portugueses
sem trabalho. Mas isso, se calhar, não dá votos.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Nem o que tu queres...
Compreendo o anarca anti-fascista borrador de paredes – javardola, por assim dizer – que passou por aqui.
Também não nutro especial apreço por divindades, o sentimento
patriótico não me atinge com particular intensidade e não gosto
por aí além de patrões.
Apesar da manifesta compreensão
relativamente à mensagem, recuso-me a admitir a mais pequena
afinidade com o mensageiro. Logo porque essa coisa da anarquia soa-me
assim um bocado a atirar para o parvo. Depois porque desconfio dos
que sentem necessidade de andar a proclamar que são anti-fascistas.
Nomeadamente porque sei o que fizeram – e o mais que pretendiam
fazer – quando o fascismo acabou.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Esclarecimento importante (ou nem por isso)
A propósito dos comentários que
foram feitos em relação a este post entendo por conveniente
esclarecer o seguinte:
- O responsável pelo estado
lastimável do terreno sou eu. Enquanto proprietário cabe-me, de
facto, a responsabilidade por permitir a existência de toda aquela
erva. E, já agora, de muita mais que não coube na fotografia;
- Como será fácil calcular,
conforme saliento naquele e noutros escritos acerca do tema, o
rigoroso e prolongado Inverno foi o culpado pela proliferação de
ervas daninhas. Pior ainda. As chuvas contínuas impediram que,
sequer, pudesse tratar do que lá cultivei dado que o acesso ao
terreno ficou impraticável;
- De salientar que a fazenda fica
num ermo a uma dúzia de quilómetros do local onde moro não sendo,
por isso, um sitio onde me possa deslocar todos os dias;
- Naturalmente que tudo aquilo será
cortado. Em seu devido tempo, como é evidente. A cortar agora
voltariam a crescer. O que, isso sim, representaria um potencial
perigo de incêndio quando, no Verão, secassem;
- Finalmente, recordo que nada arde por combustão espontânea. Por mais inflamável que seja o pasto em
que esta erva se vai tornar apenas arderá se alguém lhe deitar
fogo. Coisa que, diga-se, acredito perfeitamente um ou outro
“vizinho”, que de vez em quando por ali se deslocam
propositadamente à procura de algum item, possa fazer.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Moda Verão 2013
Por alguma
razão, de certeza muito válida mas que escapa ao meu entendimento, a rapaziada gosta de
usar as calças ao fundo do rabo com uma parte dos boxers à vista de todos.
Será, segundo algumas teorias, uma moda relacionada com tiques de paneleiragem.
Seja como for, isso é lá com eles. As calças são deles, os boxers também,
portanto usem-nos lá como lhes dê maior satisfação.
Há, no
entanto, sempre quem esteja disposto a ir mais além. A inovar, digamos. E o
campo da moda é propicio a inovações e a ir sempre mais longe. Presumo que seja
isso que o jove mais à direita na
fotografia está a fazer. Quiçá a ditar as novas tendências da moda verão 2013.
Exibir a roupa interior já era. A moda vai ser mostrar a peida. O que não terá
nada de mais. O cú é deles. Assim sendo que façam com o dito o que mais lhes
agradar.
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