O mundo está a ficar um lugar cada vez mais esquisito. Ou, então, sou eu que estou cada vez com menos paciência para as alarvidades dos maluquinhos da aldeia que migraram para as cidades. Como se não bastasse o futuro ser suficientemente incerto, constata-se agora que também o passado se revela cada vez mais imprevisível.
Um bom exemplo da imprevisibilidade dos tempos idos são os acontecimentos que tiveram lugar em 25 Novembro de 1975. Segundo a narrativa mais recente, nomeadamente o Expresso e outros pasquins do regime, “o pcp ganhou no 25 de Novembro”. Naquele 25N que eu vivi não foi assim. Nesse a capacidade de influenciar a política nacional do partido comunista foi reduzida à sua expressão eleitoral e teve inicio um novo ciclo de verdadeira democratização do país. Tudo, nunca é demais recordar, graças ao Partido Socialista e à sua liderança de então. O que mais queiram inventar é conversa da treta. Excepto naquela parte em que o PS de hoje teria estado do outro lado da barricada, mas isso no futuro interessará muito pouco. Dos fracos não rezará a história.
Apesar das novas certezas do presente, parece-me que a reinvenção do passado estará a necessitar de ajustamentos. Nomeadamente quanto à justificação do motivo que leva o pcp e outros comunistas a odiar o 25 de Novembro. Não gostaram de "ganhar", foi?












