
Vai-me faltando a paciência para aturar malucos. Até porque, já garantia a minha sábia avó, um bêbado e um maluco nunca se contrariam. Nem, acrescento eu, um drogado. Isto a propósito das interpretações manhosas que muitos andam por aí a fazer dos acontecimentos que tiveram lugar faz agora cinquenta anos. Que sob o efeito de substancias de diversas estirpes, licitas ou não, devido a problemas que a psiquiatria pode, eventualmente, explicar ou por dificuldades provocadas pela cegueira ideológica há criaturas empenhadas em reescrever a história. Podem fazê-lo à vontadinha. Espaço público e tempo de antena têm-no de sobra. Infelizmente para eles o 25 de Novembro foi o que foi. Por mais contorcionismo narrativo que façam, nada altera o que aconteceu naqueles dias. Os derrotados foram o PCP e todos os outros que se situavam à sua esquerda. Foi assim. Os tipos que faziam manchetes com a da imagem, se ainda forem vivos e mantiverem a lucidez, concordarão comigo.
Obviamente que pretender equiparar a importância desta data com o 25 de Abril é simplesmente parvo. São incomparáveis e quem o pretende fazer também não percebe nada do que se passou naquela época. Mas, como escrevi, não tenho paciência para discutir com badalhocos. Limito-me a sorrir com condescendência perante aqueles que, apesar de apenas terem nascido décadas depois, me querem convencer que verdadeira é a história que eles contam e não aquela que eu vi acontecer à minha porta.
