Há quem esteja agora a descobrir, com algum espanto e relativo horror, que as pensões de reforma estão a ficar cada vez mais baixas em relação ao ultimo ordenado auferido. Habituem-se, que a tendência é para piorar. De acordo com dados citados hoje pela imprensa, setenta e sete por cento das pensões atribuídas no ano passado ficaram abaixo do salário mínimo nacional. No ano em curso este número será ainda maior e num futuro próximo deverá constituir, praticamente, a regra quase geral. Ou seja, o empobrecimento geral do país e dos portugueses prossegue em ritmo acelerado. São, para além de outras, as consequências dos extravagantes aumentos do SMN, do não acompanhamento deste crescimento por parte dos restantes vencimentos e dos sucessivos cortes nas pensões que os fantásticos governos, da não menos fantástica esquerda, garantiu não fazer. Por este andar o indicador de pobreza usado para determinar que temos no país quase dois milhões de pobres tratará de produzir muitos mais. Depois não se queixem.
segunda-feira, 21 de outubro de 2024
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Devem ter feito voto de pobreza...
Portugal é um país onde a esmagadora maioria da população, praticante ou não, professa uma qualquer religião. Ora, cuidava eu, que o objectivo de todos os crente seria alcançar o paraíso e que só a ideia de passar a eternidade no inferno era coisa para lhes provocar pesadelos. Mas, afinal, não. O pessoal odeia os que conseguem chegar ao paraíso e não se importa nada de viver no inferno. Se é assim em termos fiscais, se calhar também é no resto.
A divulgação, dias atrás, de um relatório a apontar para o crescimento das transferências para os chamados paraísos fiscais trouxe ao de cima, nomeadamente nas redes sociais e nalguns comentários na comunicação social, aquilo que de pior existe em cada um. A inveja, a maldade, a ignorância e a parvoíce. Entre outros. A generalidade ignora que esse dinheiro não é do Estado, que se trata de uma prática legal e que grande parte desse dinheiro foi transferido para países – a Suíça, por exemplo – cujo sistema bancário tem fama de ser bem mais fiável do que o nosso.
Acho inacreditável como é tolerada a apropriação pelo Estado da riqueza gerada pelas pessoas. O rendimento de qualquer investimento financeiro – sejam depósitos, certificados ou outros - é taxado em vinte e oito por cento. Isto, apesar de quase toda a gente ter depósitos a prazo que hão-de gerar um retorno qualquer, não indigna ninguém. As poupanças são, afinal, de quem? Com que legitimidade se apropria o Estado de uma parte significativa do proveito gerado por capital que já foi escandalosamente tributado quando ganho como rendimento do trabalho? Mas, claro, isto sou eu que não passo de um herege e não gosto de viver em permanente penitência.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Não são "eles" que ganham muito, nós é que ganhamos pouco...
Acabo ler um artigo, secundado por um enorme rol de opiniões a enaltecer a bondade da opinião expressa, a defender a redução do leque salarial dentro das organizações. Ou seja, que o salário mais alto dentro de uma empresa deve ser limitado a n vezes o salário mais baixo. Coisa que deixou a esmagadora maioria dos opinantes à beira do êxtase com a genialidade da ideia.
Por mim, pese a simpatia que a sugestão possa suscitar, acho uma parvoíce. Bem reveladora do sentimento de inveja que por cá vigora, também. Podiam, se calhar seria ligeiramente menos parvo, propor exactamente o contrário. Ou seja, o vencimento mais baixo – e todos os outros, de resto – estaria indexado ao vencimento mais alto. O do CEO, ou lá o que chamam agora aos manda-chuvas. Parece a mesma coisa, mas não é. Imagine-se, quando essa malta se resolvesse auto-aumentar, o que não acontecia aos restantes ordenados… “Eles”, tal como agora, continuavam a ganhar o que quisessem, mas o resto teria de ir tudo atrás.
A indexação dos salários base aos de topo, por qualquer destas vias, teria sempre outro problema. A progressividade do IRS. Coisa que quem subscreve esta tese também defende como justa. Embora, na minha irrelevante opinião, a sua aplicabilidade não seja possível sem a implementação de uma taxa plana. Caso contrário a justiça social associada à ideia não passaria de uma treta que, no final do dia, nos tornaria todos igualmente pobres.