Portugal é um país onde a esmagadora maioria da população, praticante ou não, professa uma qualquer religião. Ora, cuidava eu, que o objectivo de todos os crente seria alcançar o paraíso e que só a ideia de passar a eternidade no inferno era coisa para lhes provocar pesadelos. Mas, afinal, não. O pessoal odeia os que conseguem chegar ao paraíso e não se importa nada de viver no inferno. Se é assim em termos fiscais, se calhar também é no resto.
A divulgação, dias atrás, de um relatório a apontar para o crescimento das transferências para os chamados paraísos fiscais trouxe ao de cima, nomeadamente nas redes sociais e nalguns comentários na comunicação social, aquilo que de pior existe em cada um. A inveja, a maldade, a ignorância e a parvoíce. Entre outros. A generalidade ignora que esse dinheiro não é do Estado, que se trata de uma prática legal e que grande parte desse dinheiro foi transferido para países – a Suíça, por exemplo – cujo sistema bancário tem fama de ser bem mais fiável do que o nosso.
Acho inacreditável como é tolerada a apropriação pelo Estado da riqueza gerada pelas pessoas. O rendimento de qualquer investimento financeiro – sejam depósitos, certificados ou outros - é taxado em vinte e oito por cento. Isto, apesar de quase toda a gente ter depósitos a prazo que hão-de gerar um retorno qualquer, não indigna ninguém. As poupanças são, afinal, de quem? Com que legitimidade se apropria o Estado de uma parte significativa do proveito gerado por capital que já foi escandalosamente tributado quando ganho como rendimento do trabalho? Mas, claro, isto sou eu que não passo de um herege e não gosto de viver em permanente penitência.
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