

Feijão verde e abóboras. São, por assim dizer, os restos da época de Verão da agricultura da crise. Desta vez com algumas atribulações. Nomeadamente visitas inoportunas dos amigos do alheio, sequência prolongada de dias com calor extremo e ausência de cuidados por períodos demasiado longos terão ditado uma produção abaixo do esperado quando comparado com o ano anterior. Excepção feita às abóboras. Não foram semeadas – as sementes foram incluídas no estrume produzido no compostor doméstico cá de casa – mas, talvez por isso, o resultado foi o melhor de sempre. Resistiram a tudo e, agora que foi necessário arrancar as plantas, ainda havia toda esta quantidade.
Não sei se ainda existem as famosas “hortas urbanas” tão em moda nos anos da troika. Uma necessidade a que os portugueses, coitadinhos, se tiveram de dedicar nos anos de governação de Passos Coelho. Aquele malvado cujo único propósito era levar as pessoas à miséria. Provavelmente agora, que graças ao Costa somos todos ricos outra vez, ninguém precisará dessas coisas. Ou, se calhar, nem haverá tempo para agriculturas. A julgar pelas imagens das festas e romarias a crise não anda por estas bandas, o dinheiro abunda nos bolsos do pagode e a inflação, quando chega a hora de festejar, não é coisa que incomode. Ou, então, é a consequência da mudança dos tempos e das vontades. Antes dava-se terra para cultivar bens comestiveis, agora dão-se “apoios sociais”. Opções.





















