Devo ser o único português que não percebe nada de incêndios. A minha inabilidade, em matérias de fogaréus, é de tal ordem que acender o grelhador para fazer um churrasco constitui, para mim, uma tarefa ciclópica. A minha Maria que o diga. Por diversas ocasiões esteve quase a ter de fazer uma açorda porque as febras não saltavam para as brasas a tempo de um jantar a horas decentes.
Isto para dizer que os especialistas especialmente especializados em fogos sabem tudo acerca do assunto. Desde a prevenção até aos castigos a aplicar aos pirómanos, passando pelo combate às chamas, à maneira como coordenar aquilo e à forma como o governo devia lidar com o problema. E, já agora, também sabem o que não se deve fazer. Que é apagar brasas incandescentes em mangas de camisa, especialmente se forem tipos chamados André Ventura. Esses devem ficar quietos. Caso se chamem Montenegro devem ir para lá a correr, mas se o nome for Marcelo o melhor é não se aproximarem. Só atrapalham, com aquela mania das selfies.
Por mim que – reitero – de incêndios nada sei, parece-me que esta época de fogos foi deprimente. Mais uma vez. Quase tanto como promete ser a época futebolística do meu clube. Dirigentes que não se cansam de atirar dinheiro para cima dos problemas, treinadores incapazes de lidar com os egos do balneário e jogadores que marcam os adversários com os olhos em lugar de se atirarem à bola jamais constituirão uma equipa vencedora. Ainda bem que aquela malta do Benfica não anda nisso dos fogos, senão o país ardia todo.
