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domingo, 24 de agosto de 2025

Fogos e fogachos

Devo ser o único português que não percebe nada de incêndios. A minha inabilidade, em matérias de fogaréus, é de tal ordem que acender o grelhador para fazer um churrasco constitui, para mim, uma tarefa ciclópica. A minha Maria que o diga. Por diversas ocasiões esteve quase a ter de fazer uma açorda porque as febras não saltavam para as brasas a tempo de um jantar a horas decentes.


Isto para dizer que os especialistas especialmente especializados em fogos sabem tudo acerca do assunto. Desde a prevenção até aos castigos a aplicar aos pirómanos, passando pelo combate às chamas, à maneira como coordenar aquilo e à forma como o governo devia lidar com o problema. E, já agora, também sabem o que não se deve fazer. Que é apagar brasas incandescentes em mangas de camisa, especialmente se forem tipos chamados André Ventura. Esses devem ficar quietos. Caso se chamem Montenegro devem ir para lá a correr, mas se o nome for Marcelo o melhor é não se aproximarem. Só atrapalham, com aquela mania das selfies.


Por mim que – reitero – de incêndios nada sei, parece-me que esta época de fogos foi deprimente. Mais uma vez. Quase tanto como promete ser a época futebolística do meu clube. Dirigentes que não se cansam de atirar dinheiro para cima dos problemas, treinadores incapazes de lidar com os egos do balneário e jogadores que marcam os adversários com os olhos em lugar de se atirarem à bola jamais constituirão uma equipa vencedora. Ainda bem que aquela malta do Benfica não anda nisso dos fogos, senão o país ardia todo.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Os portugueses preferem o cachorro quente aos coiratos e ao frango de churrasco

Há muito que os portugueses ensandeceram. Está tudo doido varrido. Num dia em que o país está a arder, poucos lamentam a desgraça que os incêndios estão a causar nem a tragédia que provocam aos seus concidadãos vitimas destas ocorrências. A ira, a indignação e a revolta são inteiramente direcionadas para a morte de um cão. Aquele que, num gesto heróico, um militar da GNR retirou ainda com vida de dentro de uma habitação em chamas. Nas redes sociais multiplicam-se os comentários a desejar aos donos do bicho tudo o que de mal existe. Os mais simpáticos limitam-se a desejar-lhes a morte por combustão demorada. O resto adivinha-se. Assim como o carácter de quem os faz. Prolifera um inenarrável discurso de ódio que muitos deles, noutras circunstâncias, não se cansam de condenar.


Obviamente que não estava à espera que estas criaturinhas ridículas se preocupassem as pessoas que ficaram sem casa, sem os pertences ou que viram o lume levar o produto do trabalho de uma vida. Era acreditar em demasia no juízo desta cambada. Contudo um desses incêndios vitimou trezentos e cinquenta porcos. Outro fogo, ou mesmo não sei, deixou em muito mau estado umas quantas centenas de pintos. Nada disso comoveu os amiguinhos dos animais nem suscitou ondas de indignação contra os proprietários das explorações, os bombeiros, os incendiários ou quem mais calhasse a ocorrer aqueles malucos. Compreende-se. Afinal isto há animais mais iguais que outros. Até para aqueles que enchem a boca de igualdade. Tratem-se, pá.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Deixa arder

A estratégia do Partido Socialista para o combate aos incêndios faz lembrar aquele gajo que nem f*** nem sai de cima. Não apaga o fogo nem deixa apagar. E, pior, ainda transforma os bombeiros em mirones.
Não discuto a genialidade desta inovadora e sui generis maneira de enfrentar o problema. Nem irei recalcitrar tão sábia decisão se, por azar, estiver um dia na posição dos desgraçados que são ameaçados de prisão por defenderem do lume aquilo que lhes custou a ganhar. Nessas circunstâncias lutaria na justiça, até ao último cêntimo ou derradeiro folego, para ser muitissimo bem indemnizado por aquilo que o Estado não defendeu nem deixou defender.
Desconheço como eventualmente se processarão essas eventuais indemnizações. Mas muito mau será se calcularem os estragos apenas pelo valor patrimonial. Parece-me óbvio que terá de ser pelo custo de reposição. No mínimo, já que do valor sentimental não quer saber quem se limita a deixar a arder.

sábado, 16 de julho de 2022

Tudólogos

O calor trouxe de volta os incêndios e, com eles, os especialistas em matagais, fogaréus e afins. Todos têm soluções para resolver este flagelo e poucos hesitam em apontar o dedo aos proprietários dos terrenos, esses patifes gananciosos. A ideia que qualquer sub-urbano tem de um proprietário rural é a de alguém cheio de dinheiro que apenas por velhacaria ou sovinice não cuida dos seus terrenos. Esquecem-se, ou não sabem, que em muitas circunstâncias são pessoas pobres, velhas, ou que não conseguem tirar a rentabilidade necessária para pagar a limpeza anual das propriedades. Sim, surpreendam-se, aquilo é coisa que se tem de fazer todos os anos porque a natureza não está sempre como o urbano-depressivo a vê na televisão ou quando esporadicamente vem à “província”.


Aflige-me que aos especialistas da especialidade, paineleiros televisivos de ocasião e comentadores de rede social, quando debitam as mais variadas e estapafúrdias alarvidades acerca do tema, nunca lhes ocorra que se as suas ideias fossem alguma coisa de jeito existiria uma elevada probabilidade de já terem ocorrido aos espanhóis, franceses, italianos ou gregos. A menos que esses também desconheçam que onde há floresta, muito calor e pessoas existe sempre uma forte hipótese de haver incêndios.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Estremoz é neste planeta...

Ainda nem há um mês foi noticia o facto de duas turistas norte-americanas que ficaram presas num elevador na capital portuguesa terem, após procurarem o número da policia de Lisboa escrevendo “Lisbon”, sido atendidas por uma agente do Departamento de Policia de Lisbon, no Maine, Estados Unidos da América. Apesar disso a agente que atendeu a chamada fez as diligências necessárias para levar uma equipa de emergência portuguesa até ao local. Difícil? Num mundo cada vez mais global não parece tarefa demasiado ciclópica.


Ora, ao que se diz e a ser verdade o que se conta, por cá não existirá igual destreza – ou outra coisa qualquer que se lhe queira chamar – nas instituições que deviam zelar pela nossa segurança. O que é manifestamente preocupante. Se numa situação de emergência quem atende um telefone não sabe onde fica determinado local, então, que vá procurar. No Google, por exemplo. Não dá assim tanto trabalho, não é necessário levantar o cú da cadeira e nem é assunto para o qual seja requerido um QI especialmente elevado. Só um pouco de profissionalismo, talvez.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Desconfio das súbitas valorizações...

Tenho a maior consideração por aqueles que perdem os seus haveres em consequência da seca, dos incêndios ou de outro cataclismo qualquer. Há no entanto, nisto das calamidades que afectam negócios, algo que escapa à minha compreensão. Nomeadamente quando em causa estão colheitas ou explorações agrícolas. Não consigo deixar de me surpreender com a estranha valorização de animais, árvores ou culturas de qualquer espécie quando dizimados pelo infortúnio. Agora, com a seca mas também antes com os incêndios, por qualquer animal falecido e árvore que tenha secado ou ardido é reclamada uma fortuna quando chega a hora de recorrer ao apoio público. As mesmas árvores ou animais que antes – basta estar atento à actualidade para conhecer a retórica – não rendiam nem para o tabaco. Parecem, assim mal comparado, as acções do BPN. Ou, então, acham que o Estado é uma espécie de Carlos Santos Silva dos agricultores. E se calhar até é e nem a comparação com o banco salvo pelos socialistas será tão despropositada quanto isso. Pelo menos no que diz respeito ao pagante.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Parlamento aceita petições sexistas?!

Acho piada aos activistas. De todas as espécies. E mais piada lhes acho à medida que as causas que defendem vão constituindo um dado adquirido. O caso da igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres, por exemplo. Ainda que - pelo menos em termos legais - isso já seja um assunto arrumado, os tais activistas não se dão por satisfeitos. Querem mais. Muito mais.


Tanto que está para discussão no Parlamento uma petição com o sugestivo titulo de “benevolência a mães sozinhas com filhos a cargo”, onde a signatária solicita “encarecidamente um especial olhar do Estado protector para este público especifico”. Embora reconhecendo que já existem apoios às pessoas mais carenciadas, entende que é imprescindível ir mais longe. Nomeadamente “ser mais amplo, não sendo redutor apenas à folha de vencimento”. Seria de criar uma espécie de “estatuto” que permita às beneficiárias ter da parte do Estado apoios “ao nível do crédito à habitação, agua, gaz, electricidade, comunicações (incluindo internet)...para aquisição de viatura, nas oficinas quando os carros avariam, em todos os impostos, nas multas...” e sim estou a citar. Tudo isto, reitero, destinado às mães com filhos a cargo, estejam ou não empregadas, beneficiem ou não dos apoios sociais existentes e sejam ricas, remediadas ou pobres.


Desconheço o destino que os deputados vão dar a este rol de disparates. Para já está em análise e a serem ouvidas umas quantas entidades. Mas, dada a maluqueira que vai para aqueles lados, não me custa a crer que, de entre este conjunto de disparates, alguns venham a ter acolhimento.


Enquanto isso o país vai ardendo e o interior ficando sem gente. Não há por aí um activista que peça um estatuto especial para os resistentes que ainda cá vivem e que inclua, por exemplo, não pagar IRS?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Deixa arder...

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 (Imagem de "O insurgente")


 


O governo e os partidos da geringonça já fizeram centenas de reuniões para tratar dos problemas dos funcionários públicos e poucas - ou nenhuma - para tratar dos incêndios. Foi isto, mais coisa menos coisa, que ouvi hoje num telejornal. Não é verdade. Ou é apenas uma parte da verdade. O cavalheiro que proferiu esta afirmação devia ter acrescentado à agenda de trabalho dessas centenas de reuniões os problemas dos reformados. Como, até eu que não percebo nada disto, já aqui escrevi em inúmeras ocasiões. E aí sim, estaria inteiramente correcto. Por mim, enquanto funcionário e, espero, futuro reformado sou gajo para agradecer a preocupação. Mas não o faço. Não que seja mal agradecido. Acho é que aquela gentinha não devia lá estar para isso. Mas está. De um executivo composto quase em exclusivo por gente dependente do Estado não era de esperar algo diferente. Quanto ao resto é deixar arder. Habituem-se, já diz a ministra.

domingo, 20 de agosto de 2017

O especialista, esse chato.

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Parafraseando o outro: “Porra, chiça, que é demais!”. Não se aguenta tanto especialista em incêndios. Gente que, na generalidade dos casos, não distingue um pinheiro de um eucalipto e que, quase sempre, considera que tudo aquilo que arde é propriedade de gente cheia de dinheiro, egoísta e que visa o lucro fácil. E, presumo, envolvida naquela coisa dos grandes interesses, ou lá o que é, e que serve de justificação para tudo quando nada se percebe do assunto acerca do qual se disserta com pose de erudito.


A estes especialistas, confortavelmente instalados nos seus apartamentos dos subúrbios que nem sabe a espécie da árvore onde levam o cão a mijar, recomendo que nas próximas férias, em vez de irem para o estrangeiro só porque é “cool” e “bué da cultural”, percorram o interior do país. Falem com as pessoas – têm de procurar bem, dada a sua escassez – e depois, então, opinem acerca de limpeza de terrenos, espécies que não ardem e outras baboseiras do género. E, de caminho, rocem uns pastos. Ou, então, calem-se.

sábado, 24 de junho de 2017

A esquerda sofre de intolerância à livre opinião...

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A esquerda não tolera opiniões divergentes da sua. Isto nem é uma opinião. É um facto. Quem se atreve a divergir da verdade oficial está feito. Agora, a propósito dos últimos incêndios, voltámos a assistir a todo o ódio que é destilado relativamente a quem ousa sugerir que é capaz de existir, naquela tragédia toda, alguma responsabilidade politica do actual governo. E sublinho do actual. Se a atribuição da culpa for feita ao anterior até é uma coisa muito valorizável de referir. Mas, cuidado, se por descuido a culpa for também atribuída aos dois governos que precederam o anterior já é uma filhadaputice outra vez.


Nas redes sociais e nos jornais andam todos atirados às canelas do gajo que escreveu um artigo num jornal espanhol acerca da temática dos incêndios em Portugal. Uma vergonha, dizem. Querem, à viva força, saber quem é o tipo. Deve ser para lhe darem uma carga de porrada. Que é para ele aprender a não dizer mal de um governo de esquerda, o porco fascista.


E depois há aquilo da memória. Selectiva, no caso. Gostam de recordar que Assunção Cristas apelava, enquanto ministra, às boas graças de Nossa Senhora de Fátima. Algo condenável e motivo de gozo, para eles. Catarina Martins chama pela chuva no twitter. Mas isso, apesar de igualmente parvo, não merece reparo à malta da esquerdalha. Coerente esta gentinha.


 


 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Operação vinho chamuscado. Ou azeite esturrado, vá.

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Desde o fim de semana o país foi invadido por uma nova e estranha espécie. Aparenta ser inofensiva mas aborrece como o caraças. São os especialistas em incêndios. Estão em todo o lado. Menos onde são precisos, parece-me. Que era, desconfio, a combater o fogo.


A propósito de incêndios e especialistas em assuntos derivados da questão ocorreu-me, nem sei ao certo porquê, a possibilidade deste olival, repleto de pastos, dentro do perímetro urbano e colado a um bairro residencial pegar fogo. Seria uma chatice. Sem culpados, provavelmente. Já se em vez de oliveiras, fossem eucaliptos, não restariam dúvidas quanto aos responsáveis pela desgraça que se espera não aconteça...


Possibilidade de incêndio que, há uns anos, as autoridades competentes em matéria de fogaréus trataram de prevenir relativamente a uma propriedade da família situada no meio de nenhures. Um terreno de pequena dimensão, com algum pasto - ainda que bastante menos do que o da imagem, rodeado de vinhas por todos os lados e que motivou um diligente aviso das não menos diligentes autoridades no sentido de se proceder à limpeza do mesmo. Deviam ter medo que o vinho não saísse grande coisa. Pena que não tenham a mesma preocupação quanto ao azeite.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Incêndios

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 Isto dos incêndios é uma coisa curiosa. Todos os anos – ou quase – se atira mais dinheiro para cima do problema, se afectam mais recursos e apesar disso fica-se com a sensação que, mais fogo ou menos fogo e mais hectare ardido ou menos hectare ardido, continua tudo na mesma.


Depois há aqueles que reclamam por estudos, debates, ordenamento do território e outras iniciativas que se costumam sugerir quando não se sabe como resolver um problema. Não vale a pena. Podem estudar, debater e ordenar o que quiserem se isso lhes dá prazer. Não adianta. Desde que o homem descobriu o fogo que existem incêndios. E incendiários. Que, por mais estranho que pareça a alguns citadinos, a mata não arde sozinha. Isso da combustão espontânea, do pedaço de vidro que origina uma chama ou de árvores que não ardem não existe. É uma treta. Haverá sempre alguém que provoque um fogo. Nem que seja por queimar o papel a que limpou o rabo. E é em relação a estes gajos – malucos ou não – que se terá de fazer alguma coisa. Prende-los, sei lá. Por mais estranha que esta ideia aparente ser a quem aplica a justiça. A menos que incendiar constitua – por praticado reiteradamente – mais um daqueles direitos adquiridos sempre tão protegidos pelos tribunais.