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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A seca

Não comungo das teses negacionistas das alterações climáticas. Elas estão aí, todos as sentimos e não vale a pena andar com argumentos manhosos para contrariar o que é por demais evidente. Apesar disso detesto os auto-proclamados activistas da defesa do ambiente e toda a fauna que, do conforto do seu apartamento numa metrópole qualquer, se arroga no direito de pretender impor o que todos, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, devemos fazer para proteger o planeta. Pior e mais detestáveis do que aqueles desgraçados só quem, com poder de decisão, lhes dá ouvidos.


Ainda mais repugnante do que todos eles é a miserável comunicação social que infelizmente temos. Não se cansam de nos mostrar barragens praticamente vazias. Por vezes, até, com uma critica velada às empresas que as usam para produzir energia. Mas nunca, nunca mesmo, ao encerramento demagógico das centrais a carvão que produziam a eletricidade que agora tem de ser gerada por outros meios. A nenhum, entre os que ouvi reportar a tragédia, ocorreu questionar se uma coisa não teria a ver com a outra. Nem, ao menos, inquirir os especialistas da especialidade acerca do que é mais prejudicial para o ambiente, o clima, o planeta e, já agora, para as pessoas. Se as barragens vazias, se as centrais a carvão. Embora essa seja uma questão que nem se coloca aos urbano-depressivos dos média. Para eles a água nasce na torneira e os rios querem-se livres, para a malta brincar aos desportos radicais.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Desconfio das súbitas valorizações...

Tenho a maior consideração por aqueles que perdem os seus haveres em consequência da seca, dos incêndios ou de outro cataclismo qualquer. Há no entanto, nisto das calamidades que afectam negócios, algo que escapa à minha compreensão. Nomeadamente quando em causa estão colheitas ou explorações agrícolas. Não consigo deixar de me surpreender com a estranha valorização de animais, árvores ou culturas de qualquer espécie quando dizimados pelo infortúnio. Agora, com a seca mas também antes com os incêndios, por qualquer animal falecido e árvore que tenha secado ou ardido é reclamada uma fortuna quando chega a hora de recorrer ao apoio público. As mesmas árvores ou animais que antes – basta estar atento à actualidade para conhecer a retórica – não rendiam nem para o tabaco. Parecem, assim mal comparado, as acções do BPN. Ou, então, acham que o Estado é uma espécie de Carlos Santos Silva dos agricultores. E se calhar até é e nem a comparação com o banco salvo pelos socialistas será tão despropositada quanto isso. Pelo menos no que diz respeito ao pagante.