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domingo, 17 de julho de 2022

É cultura, contribuinte...

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Não tenho a certeza se a imagem do ministro da cultura, ladeado por uma senhora, junto a um amontoado de tijolos queimados é falsa, se aquilo pretende passar por uma obra de arte ou se foi obtida durante a deslocação do governante a uma zona do país fustigada pelos incêndios. Como gosto sempre de seguir aquela máxima de “não deixar que a verdade estrague uma boa história”, prefiro acreditar que a “chapa” foi obtida numa exposição qualquer e que aquele monte de tijolos calcinados é mesmo apresentado como sendo uma criação artística. É que isto, quando se fala em cultura, já pouca coisa me surpreende. Fazer macacadas como esta é, afinal, tão comum como esturrar o dinheiro dos contribuintes a – dizem eles - cultivar o povo.


Aqui no quintal também temos arte. E da boa, pelo menos em comparação com os tijolos queimados da tal exposição. Lamentavelmente não é criação minha. Os meus dotes artísticos não chegam a tanto. Os responsáveis pela magnifica criação são uns artistas disfarçados de mestres de obras que contratei para umas remodelações cá na maison. Amanhã vou indagá-los acerca do significado de tão magnifica peça. Não é por mim, que isso pouco me interessa, é só para não fazer má figura na vernissage...

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

"Experiência", dizem eles...

Não há assim tanto tempo quanto isso, alguém da chamada província que se deslocasse à capital corria o sério risco de ser enganado, burlado ou, se tivesse sorte, apenas vitima de uma partida qualquer. Enquanto miúdo ouvi incontáveis histórias que relatavam essas ocorrências. Na época, a malta das grandes cidades considerava-se num patamar acima – ou mais, se calhar - do desenvolvimento humano. Eles eram os espertalhões e nós, os provincianos, uns atrasados quaisquer. E isto não constituia exclusivo de Portugal. Era coisa universal.


Hoje assiste-se ao inverso. Confesso que às vezes até me dão pena e questiono-me como é que alguém consegue tirar partido da idiotice de outro, assim, de uma forma tão descarada. Já nem digo vender um penico, apanhado no lixo, por vinte euros. Ou pêssegos espanhóis como se fossem genuinamente alentejanos. Isso, reconheço, é para meninos. Gozo, partida, burla ou o que se queira é alugar um palheiro, por mil euros a semana, para os turistas pernoitarem. E, ao que parece, está a ser um sucesso.


Não tenho, naturalmente, informação acerca da origem da clientela desta, chamemos-lhe assim, unidade agro-turistica extremamente inovadora. Mas não acredito que alguém que não resida habitualmente numa metrópole, fosse idiota ao ponto de pagar um balúrdio para dormir naquelas condições. Só um parvo o faria. E há muitos a fazê-lo, pelos vistos. Deve ser pela experiência. Que é o que chamam agora àquelas partidas manhosas, em que o pessoal paga para fazer uma coisa que alguém minimamente inteligente não faria nem que lhe pagassem.