
Segundo a jovem Secretária de Estado da Habitação, citada pelo Público, “toda a gente tem o direito a viver nas zonas mais caras de Lisboa e do país” e que “isso faz-se também com respostas públicas”. “Cabe ao Estado dar essa resposta”. Apesar da chacota de que está a ser alvo, a criatura tem toda a razão. Eu tenho direito a viver onde quiser. Desde que, obviamente, tenha dinheiro para pagar o exercício desse direito. E, não menos obviamente, ao Estado cabe, de facto, proporcionar-me condições para que eu o possa concretizar. Através de políticas públicas que promovam a nossa aproximação ao nível de vida dos países mais ricos, por exemplo.
Vindo de uma socialista o mais certo é não estarmos a ver o problema pelo mesmo prisma. Desconfio que a jovencita estará a pensar numa qualquer maneira de obrigar os proprietários dos imóveis situados nessas zonas, a vender ao preço da uva mijona ou em subsidiar qualquer pelintra que lhe apeteça viver na Lapa ou na Quinta do Lago. Nomeadamente se o pelintra for um camarada.
A malta que chega a estes lugares tem como principal mérito estar na “jotinha” certa, no momento certo. Da vida terão, quando muito, a experiência idílica que lhes terá sido proporcionada pela mesada paterna. Não os condeno por isso nem acho que, apenas por esse motivo, estes cargos lhes estejam vedados. Só lamento que não conversem mais com as avós. Elas de certeza lhes diriam que nem toda a gente pode morar na praça.