sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Não tarda estão a propor o "velhão"...

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Dizer que os lares de idosos estão pela hora da morte, ainda mais agora, pode parecer uma piadola de muito mau gosto. Mas quem paga a estadia nessas instituições percebe o alcance da afirmação. E os que não pagam porque não podem, são igualmente sabedores. Daí que umas quantas alminhas achem, já que estamos num acelerado processo de venuelização do país, que a solução passará por o Estado entrar no negócio. De uma forma mais participativa, digamos, pois como entidade financiadora do mesmo anda por lá há muito tempo. A ideia, confesso, deixa as poucas dúzias de cabelos que me restam completamente em pé. A perspectiva de ver funcionários públicos, dentro de uma instituição pública gerida por gestores públicos, a tratar de velhinhos – que até posso ser eu daqui por poucos anos – não me tranquiliza nada. Pelo contrário. Traz-me à memória aquelas imagens que por vezes nos entram casa dentro quando é descoberto mais um lar ilegal. Ou, até, outras de instalações análogas que existiram noutros tempos para lá da cortina de ferro. Tirando uma ou outra excepção – que como tudo na vida, sempre haverá – a diferença não seria muita. Nem será necessária uma imaginação muito prodigiosa para perceber o que esse futuro nos reservaria…

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A casa dele é a tua casa. Dou-ta eu.

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Há quem goste de praticar a caridade e quem prefira a solidariedade. Diz-se que a primeira é coisa das pessoas da direita e que a segunda constitui um dos principais valores da esquerda. Por norma quem pratica a caridade fá-lo com o seu dinheiro. Já a solidariedade é, regra geral, praticada à custa do dinheiro dos outros. Dos contribuintes, quase sempre.


Um bom exemplo é o governo esquerdista-radical espanhol. É tão solidário, mas tão solidário, que num gesto de inusitada solidariedade decidiu proibir os despejos das habitações ilegalmente ocupadas. Negócio que, para quem não sabe, é amplamente dominado por máfias e outros delinquentes das mais diversas proveniências políticas e sociais. Se já era difícil ao legitimo proprietário recuperar uma casa – bastava que entre os ocupantes estivesse uma criança para a recuperação ser extremamente morosa – agora torna-se praticamente impossível. Basta que a habitação tenha sido ocupada sem recurso a violência para que o despejo dos ocupantes não possa ser feito. Como a invasão e apropriação da propriedade alheia ocorre quando o dono não está em casa, a tranquilidade da ocorrência está garantida. São as maravilhas de um governo da esquerda solidária. Ou de ladrões desmiolados. Por mim voto na segunda.

domingo, 31 de janeiro de 2021

O helicóptero do dinheiro

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A capa do semanário “Sol” deste fim de semana proclama em letras garrafais que “temos de meter dinheiro nas mãos dos portugueses”, dando voz a uma conceituada especialista na especialidade que trata destas cenas da economia e afins. Se ela diz, quem sou eu para a contrariar. Até porque sou português e já estou para lá de farto que metam as mãos no dinheiro do portugueses. No meu, nomeadamente.


Mas, assim de repente e de isso já ter sido feito por Trump com os americanos, não estou a ver bem como iria funcionar essa coisa de dar dinheiro ao pagode. Um cheque para cada tuga? Se calhar não era grande ideia. Os ricos metiam-no no banco, os pobres compravam telemóveis desses ainda mais modernos e os assim-assim iam de férias para o estrangeiro. No final o nosso dinheiro acabava na mão de empresas e países estrangeiros ou nos bancos. Outra vez.


Se é para injectar dinheiro na economia que seja pela via fiscal. Reduzir os impostos sobre o trabalho, as empresas e o investimento parece-me o único caminho. O resto são teorias – cientificamente muito bem elaboradas, tenho a certeza – mas que tendem a esquecer um pequeno pormenor. Uma coisinha de nada, digamos. A realidade, ou o que é.

sábado, 30 de janeiro de 2021

Confinados, mas pouco...

Diz que vivemos uma espécie de confinamento. Não parece. Continua a haver gente na rua que, aparentemente, não terá necessidade nenhuma de lá estar e mantêm-se abertos serviços públicos e estabelecimentos comerciais que bem podiam estar fechados. Apenas dois exemplos. Serviços municipais e casas de apostas, lotarias e afins.


No caso dos serviços camarários, se calhar, chegavam os serviços essenciais. Recolha do lixo, piquetes e pouco mais. Compreendo que, nesta fase, haverá muito trabalho a desenvolver tendo em vista as eleições mas, que diabo, desconfio que eleitor morto é eleitor que não vota. Pelo menos na maioria das circunstâncias. O mesmo, com as devidas adaptações, se aplica aos putativos candidatos e respectiva vassalagem.


Quanto às casas de apostas, a justificação para as manter abertas raia o domínio da demência. O jogo não constitui nenhuma espécie de bem essencial. Os jornais, ou seja o que for que mais é vendido nesses sítios, também não. Até porque alternativas online não faltam. E nem vale a pena o argumento dos velhinhos, coitadinhos que ficam sem raspadinha. Que, assim de repente, vem-me logo à memória aquela coisa que afinal não era – mas enquanto foi, vi muitíssima gente a achar muito justa – da proibição do ensino à distância para garantir a igualdade entre as criancinhas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Os mais pobres e, provavelmente, também os mais parvos.

Nunca tive curiosidade nenhuma em ler o programa de qualquer partido. Muito menos do Chega. Devo ser, a julgar pelo que vejo nas redes sociais, dos poucos portugueses que não norteiam a sua vida pela busca do conhecimento permanente em matérias fundamentais como as linhas programáticas dos partidos políticos. Nomeadamente do tal Chega.


Também já tinha prometido que, tão cedo, não voltava ao tema “taxa plana de IRS” depois de, na sequência da proposta apresentada na Assembleia da República pela Iniciativa Liberal ter dedicado uma semana inteira de posts aqui no Kruzes. Estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Mas isto é mais forte do que eu e esta cena do IRS mexe muito comigo. Nomeadamente ao nível da carteira. Daí que, após ler inúmeras publicações de gente esclarecida e bastante informada em política fiscal criticando os eleitores do Ventura por votarem no homem sem conhecerem as propostas do Chega para o IRS – e para mais umas quantas coisas, também - resolvi vasculhar o programa daquela agremiação relativamente a esta matéria. A critica – a que me interessa, com as outras não perco o meu tempo - desta chusma de especialistas da especialidade prende-se com a taxa única de imposto que os cheganos pretenderão aplicar se um dia forem governo (lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus, cruzes canhoto). Uma vergonha, garantem os entendidos do facebook escandalizados por ser proposto que todos paguemos quinze por cento sobre o rendimento auferido. Mas não leram – e, por acaso até aparece ANTES do valor da taxa – que a taxa única de IRS, que defendemos, deverá ser aplicada apenas a partir de um determinado nível de rendimento”. Deve ter sido esquecimento. Ou burrice. Ou, então, estão a usar aquela coisa de que acusam o chegano Chefe. Demagogia, ou lá o que é.


Só mais uma coisinha. No final do mandato presidencial resultante desta eleição seremos o país mais pobre da Europa. Atrás de muitos países que recentemente nos ultrapassaram e de outros que, entretanto, vão ultrapassar e  onde a taxa plana de irs é uma realidade. Mas deve ser apenas coincidência, claro. 


 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Fachos, comunas, xuxas e outra ladroagem

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E continuam. Deve ser coisa para durar mais uns dias, ainda. Não há cão nem gato que não vá para o Facebook desancar nos alentejanos – uma minoria, apesar de tudo – que votaram no Ventura. Como se a escolha eleitoral  dos outros deixe de ser legitima apenas por não ir de encontro ao nosso pensamento. Mas isso nem é o que me incomoda mais. A bem dizer nem me incomoda nada. No fundo até me diverte. Gosto de os ver assim. Chateados. Aborrecidos por uns quantos – poucos, reitero – alentejanos terem optado por votar num demagogo, em lugar de terem escolhido Marisa Matias, João Ferreira ou Ana Gomes todos eles admiradores confessos de ditadores e criminosos. Sim, porque, tanto quanto sei, para os dois primeiros Cuba, a Venezuela ou criaturas como Lula da Silva constituirão uma espécie de faróis. Ou de sol na terra, sei lá. Já Ana Gomes é pública e confessa fã de criminosos que roubam o correio e limpam a conta bancária a quem lhes apetece. Mas isto, para estes novos moralistas, não interessa nada. É gente de outro nível. Daquela que, certamente, não se importará de levar porrada, de passar fome ou de ser roubada. Desde que seja por alguém da sua laia, claro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Descobriram agora a democracia, coitadinhos...

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Parece que constitui hoje uma espécie de obrigação moral mostrar quanto estamos indignados pela votação obtida por André Ventura no Alentejo. Indignação que, curiosamente ou talvez não, nunca existiu quando um partido estalinista tinha por aqui maiorias arrebatadoras. Ao contrário do que ontem aconteceu com a extrema direita que, para além de Estremoz com 23,32%, obteve os melhores resultados em Elvas (28,76%), Moura (31,41%) e Monforte (31,41%). Votação que, diga-se, a ocorrer em legislativas provavelmente não seria suficiente para eleger deputados.


A este propósito li os maiores impropérios dirigidos aos eleitores alentejanos. Das duas uma. Quem os escreve ou é daqueles negacionistas como os do covid ou é alguém profundamente ignorante que desconhece em absoluto a realidade que se vive por estas paragens. Nem, se calhar, saberá o que têm em comum todos esses concelhos. Também não sou eu que vou gastar os meus dedos a explicar-lhes. Afinal lavar a cabeça a burros sempre foi e continuará a ser gastador de sabão. Continuem a fingir que não vêem o elefante na sala, que não há nenhum problema com “grupos de pessoas” ou, como escreve hoje um colunista do Observador, a preocuparem-se com os fascistas quando o problema são as avestruzes. Depois queixem-se.

sábado, 23 de janeiro de 2021

O bichano Marcelo

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Tenho um profundo desprezo por quem abandona os animais que outrora estimou. Noutros tempos acolhi uns quantos. Hoje não tenho condições nem disponibilidade para tal. Mas, caso quisesse continuar a acolhe-lhos, “matéria-prima” não faltava. Aqui pelo bairro, talvez por estar numa ponta da cidade e junto a uma estrada nacional de muito movimento, é frequente aparecerem cães e gatos que foram deixados à sua sorte depois do azar que tiveram em ter um dono capaz de os abandonar.


Este gato – ou gata, que eu não quero estar para aqui com preconceitos baseados em estereótipos – apareceu ontem aqui no quintal. Espaço pelo qual, diga-se, os bichanos parecem ter um fascínio especial. Tanto que foi precisa muita persuasão para o convencer a evacuar a área. Mas continua por aí. A rondar. Se continuar pelas redondezas será Marcelo, a sua graça. Mesmo que seja gata, que isso dos nomes masculinos e femininos em função do género – seja lá isso o que for - é mais uma daquelas cenas que é preciso desconstruir...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Os "grupos de pessoas" estão isentos de confinar?

Um dia destes as televisões encheram-se de gente indignada porque uns quantos cidadãos resolveram ir passear para a beira-mar. Alguns, as Tv’s fizeram questão de mostrar, nem usavam máscara. Parece que passear, seja onde for, é coisa que não se pode fazer por estes tempos. Os mais variados especialistas, das mais variadas especialidades, tratam de nos recordar que temos é de ficar em casa e não andar por aí a fintar a lei. Por mim não posso estar mais de acordo. Se é a lei, então que se cumpra.


Ontem, em Setúbal, “um grupo de pessoas” resolveu sair à rua – muitas sem máscara ou com a dita pendurada do queixo - para chamar nomes e atirar coisas na direção de um candidato à presidência da República. Não me interessa se acertaram ou não no alvo. Não quero saber se o gajo anda mesmo a pedi-las ou não. Nada disso me importa. O que me rala é o silêncio dos mais variados especialistas das mais variadas especialidades. Cem pessoas na rua – sem motivo legal para isso – com a máscara mal colocada, aos berros e nem uma indignaçãozinha em relação ao “grupo de pessoas” que violou o dever de confinamento. Depois queixam-se que o pessoal não leva isto a sério...

Se eu não estudo, tu não estudas...se eu não como, tu não comes...se eu não f***, tu não f****...

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O governo fechou as escolas e, num rasgo de rara sagacidade, proibiu o ensino à distância. O objectivo, garante, é prevenir situações de desigualdade entre os alunos. Assim, para evitar que uns continuem a aprender e outros não, proíbem-se as aulas on-line. Um estranho conceito, este, em que se nivela tudo por baixo. Do tipo, se eu não aprendo tu também não. Todos iguais na burrice, portanto. O que não admira. É nesse ambiente que o socialismo sobrevive.


Contudo, ao que leio, são poucas as vozes discordantes em relação a mais esta ideia brilhante de quem nos governa. Desconfio, até, que ainda hão-de surgir opiniões a contestar a medida por ser notoriamente pouco ambiciosa. Para promover uma verdadeira igualdade, o governo devia era ter decretado a proibição, durante o interregno lectivo, de os alunos estudarem em casa. Não vá algum ter essa ideia. Sim, que isto há gente para tudo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Dobrar a mola.

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Cada coisa no seu lugar. Mas o lugar desta coisa não é ali. Até porque quando se compra um colchão novo o vendedor fica com o velho. Ou se a reforma de um não implicar a compra de outro, existem alternativas para nos desfazermos do “mono” sem necessidade de “enfeitar” o contentor. Usá-las é que dá muito trabalho. Daí que pareça fácil concluir que este seria o colchão de um perguiçoso. Não quis dobrar a mola.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Informaçãozinha da boa...

O jornalismo televisivo iniciou ontem uma nova era. No telejornal da TVI, imediatamente após um candidato ter mandado para o ar umas quantas patacoadas – coisa em que todos são pródigos, diga-se – o pivot de serviço apressou-se a esclarecer que o dito candidato não teria apresentado evidências que provassem o que acabava de afirmar. Nunca, que me lembre, tal procedimento terá sido seguido em relação a nenhum outro político. Não acho mal, obviamente, terem-no feito ontem. Errado é não terem até agora adoptado este critério.


Aguardo com alguma expectativa os próximos noticiários. Se, daqui em diante, o procedimento jornalístico for o que usaram ontem o jornalismo nacional está de parabéns. Se não o fizerem e aquilo não passar de uma estratégia no sentido de influenciar o eleitorado, então muito mal vai o jornalismo, a democracia e o país.


E, já agora, o facto do visado ter sido o Ventura é-me absolutamente indiferente. Até podiam ter feito o mesmo em relação a Ana Gomes – a criatura mais detestável que me entra pelo ecrã dentro – que não alterava uma linha.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

E aquilo do estereótipo, ou lá o que é?

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Tirando o programa do Ricardo Araújo Pereira, na SIC, não tenho prestado grande atenção à campanha eleitoral. Não devo ter perdido grande coisa. Até porque - um defeito que já não tenho idade para corrigir – o que mais me interessa são os chamados fait-divers. Mas até nisto, a julgar pelas redes sociais que estão sempre atentas a estas cenas, os candidatos não têm ajudado à diversão.


Ainda assim sempre se vai arranjando um ou outro motivo para escarnecer dos pretendentes a ocupar o Palácio de Belém. Ana Gomes foi visitar uma comunidade cigana –  “grupo de pessoas”, segundo os coninhas do politicamente correcto - e ter-se-á saído com a expressão inserida na foto acima. É daquelas situações em que nem é preciso nenhum esforço para zombar da candidata. A piada faz-se sozinha.

domingo, 17 de janeiro de 2021

A culpa é do Passos!

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Não vai longe o tempo em que os telejornais nos instruíam acerca de quem tinha a culpa do imenso rol de mortos e infectados pela covid no Brasil e nos Estados Unidos. A culpa, garantiam-nos, era do Bolsonaro e do Trump. Havia até, afirmavam jornalistas entusiasmados com a ideia, organizações dispostas a levar aqueles governantes a tribunal por crime contra a humanidade. Provavelmente teriam, quem sou eu para duvidar da sapiência desse pessoal, toda a razão naquilo que nos transmitiam.


Agora, por cá, estamos assim. Pior do que aqueles países. Só que, desta vez, o critério de avaliação deve ter mudado. Não há jornaleiro ou comentadeiro a dizer que a culpa é do Costa, do Marcelo, nem de nenhum outro ilustre governante. Muito menos se alvitra que isto é coisa para configurar qualquer espécie de crime. A culpa é dos portugueses. Esses irresponsáveis. Ou se calhar, espiolhando melhor, do Passos.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Solidariedade com o camarada Jerónimo.

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Se há coisa que não aprecio mesmo nada são as reacções corporativas. Ou, como diria a minha avó, aquilo de tomar as “dores os outros”. Quem acha, dentro de um grupo social, que atacar um significa atacar todos é, no mínimo, parvo.


Isto a propósito daquelas declarações patéticas e mal-educadas do Ventura, em relação aos outros candidatos. O mulherio socialista indignou-se por causa da referência às beiças vermelhas da candidata da extrema-esquerda. Desde então fulanas com as beiçolas borradas de vermelho é o que não falta por essa Internet fora.


Não me incomoda, obviamente, que o façam. Cada qual faz as figuras tristes que muito bem entende. Igualmente não me surpreende a reacção em defesa da esquerdista radical. Hoje em dia já não se sabe ao certo onde termina o PS e começa o Bloco. O partido de Mário Soares e de outros a quem devemos a possibilidade de viver em democracia já não existe. Lamento é que nenhuma se tenha solidarizado com Jerónimo de Sousa, igualmente ridicularizado pelo outro parvo. Mas também não me espanta. Afinal os socialistas sempre desprezaram o PCP.  


É por isso que, cá pelo Kruzes, estamos solidários com o camarada Jerónimo. A pinga de hoje, ao almoço, vai ser à sua saúde.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Racismo ronhoso

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Acho imensa piada aquelas pessoinhas, nomeadamente a muitos que pululam pela comunicação social e pelas artes, que tendo um tom de pele bastante mais claro do que o meu após uma manhã de praia garantem com toda a convicção que são negros. Terão, provavelmente, ascendentes de várias origens e, por consequência, haverá ali uma saudável miscelânia. Que, acho eu, nada obriga a optar seja porque “raça” for.


Nesta ovelha também há uma evidente mistura. Neste caso estamos perante uma ovelha negra ou branca? Negra na opinião dos que seguem os ditâmes da moda, certamente. Mas isso, presumo, será coisa que em nada inquietará o bicho... 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Linhas tortas

Um destes dias um articulista do “Diário de Noticias”, um jornal centenário e considerado uma referencia do jornalismo, publicou um artigo onde aconselhava o ainda presidente dos Estados Unidos a suicidar-se. Publicação que, presumo face à ausência de reacção por parte dos indignados do costume, se enquadra no âmbito do direito de opinião, da liberdade de expressão e que não configura aquilo que agora se chama discurso de ódio.


Seria bom – digo eu, não sei – que alguém, nomeadamente os que andam sempre preocupados com estas coisas, se pronunciasse sobre o assunto. Afinal se temos comissões, comités, observatórios, institutos e não sei mais o quê destinados a prevenir e combater a difusão do ódio, parece-me uma boa altura para se pronunciarem. Não quero, longe de mim tal ideia, que multem o homem. Gostava era que alguém esclarecesse se aconselhar o suicídio a outro, independentemente do visado ler ou seguir o conselho, constitui ou não discurso de ódio. Quiçá, até, fosse elaborada uma lista das pessoas a quem podemos publicamente desejar o falecimento ou sugerir que, eles próprios, tratem de falecer. Não é por nada que eu não sou dessas coisas mas, como dizia a minha avó, sempre gostei de saber as linhas com que me coso...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A grande ilusão

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Há grupos de pessoas que andam pela cidade a revirar os contentores do lixo à procura de metais ou de qualquer outra coisa a que possam dar uso ou com a qual possam fazer algum dinheiro. Não constitui nenhum crime nem daí vem mal ao mundo. O mal do mundo é que existam pessoas que precisem de vasculhar a subsistência, ou parte dela, entre o que os outros deitam fora.


Entre o que vai parar ao lixo encontram-se as raspadinhas. Essa grande ilusão. Tão grande que, mesmo depois de raspadas, ainda há quem procure encontrar entre elas uma premiada. Foi o que fez uma noite destas um grupo de pessoas. Sacaram-nas do contentor e estiveram largos minutos a escarafunchar, na busca de um prémio que alguém mais desprevenido tivesse deitado fora. Podiam, no final da tentativa, voltar a colocar tudo no lixo. Mas não. Esperar isso de um grupo de pessoas é uma grande ilusão.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Neve em Estremoz

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Estou como dizia ontem o outro. Dois mil e vinte um não pode ser um ano como os outros. O Sporting em primeiro, cai neve em Estremoz...ná, isto há aqui qualquer coisa. Embora, convenhamos, é muito mais normal nevar nesta terra do que os lagartos serem campeões. Assim que me lembre já por cá nevou em duas ocasiões nos últimos quinze anos e neste período de tempo nunca o clube do Lumiar ganhou o campeonato. 


Ainda a propósito da neve. Isto ontem foi um corrupio de equipas de reportagem das televisões. Andaram por aí todas, minutos sem fim de emissão dedicados à neve que por cá ia caindo e repórteres a repetirem-se até à exaustão por, coitados, não terem nada de interessante para dizer. Uma monotonia, diga-se, unicamente quebrada por uma queda em directo.


Nem quero imaginar o que teria sido caso não houvesse esta coisa do confinamento, recolher obrigatório ou lá o que é. Devia ser uma romaria de lisboetas a vir mostrar a neve à Carlota, ao Martim e ao Francisco. Sim que, coitados do putos, isso ainda eles podem ver de quando em vez...

sábado, 9 de janeiro de 2021

Ignorantes das causas fofinhas

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Combater o Chega e o Ventura parece constituir uma espécie de desígnio nacional. Não me parece mal. Cada um combate o que quiser e defende as causas que muito bem lhe aprouver. O mesmo não digo da comunicação social. Esta apenas deve informar e deixar isso das causas e dos desígnios para a sociedade.


O que lamento neste combate é a ignorância, ou a má-fé noutros casos, da esmagadora maioria dos combatentes. Toda esta gente ainda não percebeu que não adianta desmascarar as trafulhices que André Ventura tenha, alegadamente, feito ou possa vir a fazer. Podem dizer o que quiserem, passar as reportagens que entenderem ou relatar as passagens mais escabrosas da vida da criatura. Não adianta. Pelo contrário, mais força lhe dão.


Esta gente não percebe o fenómeno. Nem, pior, o quer perceber. Insiste, antes, em dizer que não existe ou, a existir, não tem relevância nenhuma. Para o entender talvez tenham de vir ao Alentejo. Mas não aquele das revistas, dos restaurantes da moda, adegas, praias fluviais ou dos montes com piscina onde se encerram dias a fio. É preciso falar com as pessoas. As que vão aos supermercados, hospitais ou correios. Podem, até, começar por aquelas que toda a vida votaram no PCP. Vão, de certeza, aprender muito.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Momentos

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A merda de cão espalhada pelos passeios constitui uma das minhas principais irritações. Mas isso não é novidade. É um tema que acompanha este blogue desde o seu inicio. Ou não fossem mais que muitos os javardolas que permitem estes momentos aos seus amiguinhos de quatro patas. Sim momentos, foi isso que em certa ocasião uma defensora da bicharada chamou a isto num comentário onde, coitada, pretendia aborrecer-me. O que eu me ri. Momentos! Alguns são mais monumentos…

domingo, 3 de janeiro de 2021

A boa, o mau, o vilão...e o outro.

Não vi, logo não tenho opinião, mas ao que leio Marcelo e Ventura terão sido os vencedores dos debates de ontem. Embora isso pouco importe. Acredito que a esmagadora maioria do eleitorado que pensa votar já decidiu em quem o vai fazer e não serão estes encontros, mais ou menos maçadores, a alterar a decisão dos eleitores.


Mas, voltando atrás, parece que aquilo entre o gajo das selfies e a esquerdista foi assim uma coisa muito ternurenta, enquanto entre o comuna e o populista a conversa deu um bocado para o torto. Segundo os relatos, levando a coisa para o futebolês, o debate entre os dois primeiros lembrava um daqueles programas televisivos em que frente a frente estão apaniguados do Porto e do Sporting. Já quanto aos segundos, alegam os observadores, a culpa da derrota da “equipa da casa” - o comuna, terá sido do árbitro. Da moderadora, no caso.


Dado o enorme apreço que tenho pelo contraditório fui, como faço sempre por constituírem uma fonte de inspiração, consultar uns quantos blogues e perfis do Facebook de outros tantos “camaradas”. A principal queixa que por ali noto vai para a própria existência do Ventura. Um gajo a abater sumariamente. De forma metafórica, quero acreditar. O que, se não passar da metáfora, me parece legitimo. O que me inquieta é que logo a seguir surja a indignação pelo “anti-comunismo primário” ter voz na nossa sociedade. Cuidava eu que ser anti-comunista ou anti-fascista – primário, secundário ou o que quiserem – constituía uma espécie de consequência de ser democrata. Cuidava e cuido, que em matéria de democracia nenhum comunista tem moral para dar lições seja a quem for.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Não são "eles" que ganham muito, nós é que ganhamos pouco...

Acabo ler um artigo, secundado por um enorme rol de opiniões a enaltecer a bondade da opinião expressa, a defender a redução do leque salarial dentro das organizações. Ou seja, que o salário mais alto dentro de uma empresa deve ser limitado a n vezes o salário mais baixo. Coisa que deixou a esmagadora maioria dos opinantes à beira do êxtase com a genialidade da ideia.


Por mim, pese a simpatia que a sugestão possa suscitar, acho uma parvoíce. Bem reveladora do sentimento de inveja que por cá vigora, também. Podiam, se calhar seria ligeiramente menos parvo, propor exactamente o contrário. Ou seja, o vencimento mais baixo – e todos os outros, de resto – estaria indexado ao vencimento mais alto. O do CEO, ou lá o que chamam agora aos manda-chuvas. Parece a mesma coisa, mas não é. Imagine-se, quando essa malta se resolvesse auto-aumentar, o que não acontecia aos restantes ordenados… “Eles”, tal como agora, continuavam a ganhar o que quisessem, mas o resto teria de ir tudo atrás.


A indexação dos salários base aos de topo, por qualquer destas vias, teria sempre outro problema. A progressividade do IRS. Coisa que quem subscreve esta tese também defende como justa. Embora, na minha irrelevante opinião, a sua aplicabilidade não seja possível sem a implementação de uma taxa plana. Caso contrário a justiça social associada à ideia não passaria de uma treta que, no final do dia, nos tornaria todos igualmente pobres.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020, um ano que deixa saudades do futuro.

Dizer que não gosto de balanços, prefiro demonstração de resultados, é já um clássico em cada final de ano. O que hoje acaba proporcionou, ao contrário das expectativas iniciais, resultados do piorio. Desde a pandemia e as suas consequências, até aos comportamentos e polémicas manhosas. O racismo, o alegado perigo da extrema-direita e as causas ambientais e de alegada defesa dos animais foram algumas das ondas cavalgadas. Uns quantos frustrados à procura de protagonismo, escudados numa comunicação social à procura de causas que a salvem da falência, esforçaram-se o mais que puderam para fomentar o ódio entre as pessoas. Conseguiram-no, de alguma forma. E vão continuar a fazê-lo no ano que começa dentro de poucas horas. Há que deixar de lhes dar palco e reduzi-los à sua insignificância. O meu modesto contributo, já a partir de amanhã, será não ligar patavina a esses temas e, ainda menos, a esses idiotas. Um bom ano 2021 a quem segue o “Kruzes Kanhoto”!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Os impostos do nosso contentamento

Impostos, taxas, taxinhas e outras maneiras subrepticias dos governos nos roubarem não constituem motivo de grande preocupação para a generalidade dos portugueses. Poucos se importam. Uns porque não pagam, outros porque não sabem que pagam e outros ainda porque acham que existe no tributo que pagamos ao Estado uma espécie de virtude qualquer. A da moda são os impostos verdes. Dizem que é para salvar o planeta e a malta paga com satisfação.


É o caso da taxa de gestão de resíduos. Terá, a partir de Janeiro, um aumento de cem por cento. Como passa de onze para vinte e dois cêntimos por tonelada, são as câmaras municipais a pagar e apenas se refletirá nas facturas da água lá mais para a frente, ninguém quer saber. Até porque serão apenas uns trocos a cada um. Pois serão. Mas esperem-lhe pela pancada. Em Espanha são quarenta euros...


E, já agora, como não nos importamos de pagar pela recolha do lixo, também não nos importaríamos de pagar pela iluminação pública, pois não? A ideia anda por aí...

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Prioridades e desaguisados

A vacina do covid está na ordem do dia. Não faltam os especialistas da especialidade a cagar a sua estaca acerca de quem devia, ou não, ser prioritário. Até eu, que de saúde pública ou de vírus percebo tanto como o Sousa Tavares, mando de vez em quando a minha posta de pescada. Mesmo sendo nesta matéria um perfeito alarve, custa-me a perceber – ou melhor, não entendo de todo – a ideia peregrina de que os idosos deviam ser os primeiros, mesmo antes dos profissionais de saúde, a tomar a vacina. Por mim, que não tenho pressa nenhuma, acredito nas opções dos técnicos. Muito mais que nas dos políticos. E esta, de incluir os utentes dos lares logo a seguir ao pessoal do SNS, apesar de ter muito de política, ainda se afigura vagamente razoável. Isto, claro, a acreditar – e eu acredito – em quem sabe do oficio. Alguém, sequer, pensar em não colocar quem nos trata da saúde como primeira prioridade, é que é uma coisa que nem consigo adjectivar. Só já falta aparecer alguém a questionar por que raio a primeira pessoa a ser vacinado foi um homem, branco e provavelmente heterossexual.


O desaguisado entre a PSP e a GNR de Évora sobre a escolta das vacinas também é algo digno de nota. Isso e a garantia que as forças policiais estão em condições de, em todo o país, controlar as tentativas de comemorar a passagem do ano na via pública. Muito estranho. Afinal parece que meios humanos há em abundância. Mas só para o que dá jeito. Às chefias, entenda-se. Porque os demais não contam para este campeonato.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

As pessoas em grupo são umas bestas

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Tanta conversa acerca da algazarra provocada por uma festa de casamento, em Alter do Chão, que juntava cinquenta pessoas e que já ia em seis dias de animada diversão e afinal, vai-se a ver, não era nada disso. A GNR, ao que se dizia inicialmente não teria meios humanos disponíveis para acabar com o ajuntamento, já veio esclarecer que aquilo não se tratava de nenhuma boda. Era, tão só, uma festa de Natal. Noticia que, como é óbvio, deixou os restantes habitantes muito mais tranquilos. Também os próprios convivas trataram de informar que não eram nada cinquenta. Mas sim apenas para aí uns vinte, quando muito. Quanto ao barulho, ainda segundo os participantes no festim, houve um manifesto exagero nos relatos da ocorrência. Aquilo mal se ouvia, garantiram.


Quanto às noticias sobre nova tentativa de invasão do quartel dos bombeiros de Borba por “um grupo de pessoas” - vá lá, não foram cães, gatos ou outro tipo de bicho – revelaram-se manifestamente exageradas. Foi, segundo fonte geralmente bem informada, um pedido de auxilio ligeiramente mais intempestivo. Tão intempestivo que até terá sido necessário recorrer às forças da ordem dos concelhos vizinhos para moderar a intempestividade com que foi feito.


Por mim tendo a acreditar na versão oficial – a segunda – de cada uma das histórias. Não é estar para aqui a chamar aldrabão a ninguém, mas quando o “grupo de pessoas” do outro lado da cidade põe a música a tocar eu mal a ouço no meu quintal e só moro a dois quilómetros do local. Por outro lado, também já testemunhei a aflição de “grupos de pessoas” quando algo de mal acontece a alguma “pessoa do grupo” e posso garantir que são de uma gentileza inigualável. No passa nada, portanto.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Os burros são outros...

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A ideia de rebentar com coisas não me suscita grande entusiasmo. Menos ainda quando o alvo do rebentamento são edificios públicos, mesmo que alguns não tenham grandes condições e, como escreve o autor da ameaça, sejam uma "merda".


Desconheço se a mensagem surge ou não na sequência das notícias, que se sucedem a um ritmo assaz inquietante, acerca da pouca proactividade das forças policiais. Embora essa parte da inquietação seja relativa. O que inquieta uns, não inquietará outros. Para os meliantes, seja qual for o ramo da meliância a que se dediquem, a pouca apetência para a acção das policias não constituirá nenhuma ralação. 


A impossibilidade de acabar com festarolas, o fecho de postos com medo de marginais ou a quase total incapacidade para lidar com a criminalidade que por aí prolifera, não são, obviamente, culpa dos que lá trabalham. Nem, tão-pouco, se deve à sua eventual burrice ou à reduzida vontade de trabalhar. Com a esquerda no poder será sempre assim. Os meliantes primeiro. 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Teste o racista que há em si

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.


Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.


Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.


Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”



Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”



Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.


- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.


- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”


Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...


 


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Indigência gold

Foi finalmente aprovado o fim da concessão de vistos Gold para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto bem como para todas as regiões do litoral. Esteve, neste aspecto, muitíssimo bem o governo. Quem vem de fora que venha para o interior, onde não há gente e falta investimento. Que perto do mar já lá estão mais que muitos. Até porque, dada a dimensão do país, isto é tudo arrabaldes. Mesmo o lugarejo mais longínquo do Alentejo profundo, como gostam de dizer os idiotas da comunicação social lisboeta, não fica a mais de duas horas da Capital ou de qualquer lugar à beira-mar. Daí que, acredito, não será esta limitação a impedir os estrangeiros de continuarem a debandar para este fantástico retângulo.


Mal também não esteve executivo nessa coisa do salário mínimo. O erro não é aumentar o SMN. Errado é deixar os outros na mesma. Hoje as diferenças salariais são ridículas. Quer pelo crescimento do salário mínimo, quer pelo saque fiscal sobre o ordenado de quem está nos patamares seguintes. Apenas a um indigente mental parecerá aceitável que o funcionário da limpeza leve para casa no final do mês praticamente o mesmo que quem lhe processa o ordenado. E se, como acontece muito nas câmaras do norte, ao primeiro arranjarem umas horitas extra – porque, coitadinho, é pobrezinho – então ainda recebe mais do que um técnico superior. Mas isto, lá está, é o que dá serem os indigentes mentais a mandar nisto tudo.