domingo, 3 de junho de 2018

Sois uns ingratos, pá!

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Segundo um estudo qualquer parece que os portugueses são, de entre os europeus, daqueles que maior satisfação demonstram relativamente ao governo. Ao de agora, claro. Ou não fosse este um governo de esquerda, manifestamente preocupado em governar em função dos interesses do povo e que é muito melhor do que o anterior, da direita bafienta, que apenas pretendia dizimar os portugueses pela fome.


Não posso, ainda assim, deixar de achar que somos uns ingratos. Afinal um governo tão bom, tão fofinho e que tanto melhorou a nossa qualidade de vida apenas consegue a aprovação de cinco em cada dez compatriotas. Metade, portanto. Uma vergonha. De certeza não foram ouvidas as pessoas certas. Tivessem eles inquirido os portugueses que se aposentaram até há dez anos atrás, os funcionários públicos ou feito o estudo nas redações dos órgãos de comunicação social e, de certeza, o grau de satisfação andaria perto de fazer o pleno...

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O nó que ninguém quer desatar

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Assinalaram-se há poucos dias os vinte anos da Expo. A idade, mais mês menos mês, desta obra. O nó de Estremoz da A6, que devia fazer a ligação ao IP2 e variante deste à cidade. Mas não. Nunca passou dali. A sua construção implicaria passar por terrenos habitados por lesmas raras e florzinhas que não existem em mais nenhuma parte do mundo. Ou por terras onde crescem vinhas, não sei ao certo. Naturalmente que pessoas importantes e cultas não deixaram que tal atrocidade fosse cometida. Outros, não menos importantes e igualmente sábios, não se importaram que a obra ficasse inacabada e que, para além do dinheiro deitado fora, milhares de automóveis e camiões continuem a atravessar a cidade. Eles lá sabem. E muito, presumo.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Imposto é roubo? A este nível e nestas circunstâncias, sim!

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Apesar da carga fiscal estar ao nível do esbulho, o primeiro-ministro já garantiu que não é sua intenção diminui-la. Nem mesmo, ao menos, ligeiramente. Ainda que, convém lembrar, o fardo dos impostos, das taxas, taxinhas e derivados seja mais pesado agora do que na altura em que foi preciso pagar a bancarrota deixada pelos socialistas. É necessário baixar a divida, alega. Aquela que, apesar da imensa roubalheira fiscal promovida pela geringonça, não para de crescer. O que não admira, diga-se. O dinheiro nas mãos da esquerdalha é como manteiga em focinho de cão.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Motivações e outros aldrabões

Três pessoas abatidas a tiro na Bélgica e outras dez decapitadas em Moçambique. Nada que suscite grande interesse à merda de comunicação social que temos. Afinal tratar-se-á de um maluco, no primeiro caso – que aos malucos, de repente, começou a dar-lhes para matar pessoas – ou, no segundo, de um ataque cometido por um grupo armado com motivações desconhecidas. Motivações que, muito provavelmente, até serão, depois de devidamente conhecidas, muito valorizáveis para a merda de jornalismo que nos entra todos os dias casa adentro. Pena que a mesma parcimónia noticiosa não seja observada por estes trastes noutras circunstâncias. Nomeadamente quando fazem verdadeiros julgamentos na praça pública ou promovem qualquer borra-botas à categoria de herói.

sábado, 26 de maio de 2018

Homem-estátua

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Hoje, por entre as alfaces e outros comestiveis de origem vegetal, o mercado semanal de Estremoz contou com a presença de um homem-estátua. Não é que, por cá, não tenhamos muitos que ao nível do dinamismo pouco ficam a dever a figuras deste género. Mas destes, assim que me lembre, foi a primeira vez. E, a julgar pelos movimentos de agradecimento que a criatura executava, deve ter-se safado. Tal como os outros, os pouco dinâmicos, afinal.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Um deserto de ideias

Os três ou quatro leitores que, de vez em quando, dão por aqui uma vista de olhos sabem que considero a desertificação do interior um dos maiores – senão mesmo o maior – problemas do país. Todo. Sim, que a falta de gente aqui, devido ao continuo fluxo de pessoas em direcção ao litoral, constitui a causa de muitos males de que padecem as regiões da beira-mar.


Solução para inverter esta tendência, obviamente, que não tenho. Nem, parece-me, ninguém terá. A começar nuns quantos estudiosos que estudaram – aturadamente, calculo - o assunto durante seis meses e apresentaram, em Lisboa, as conclusões a que chegaram. Poucas, acho eu. Assim tipo uma mão cheia de lugares comuns e outra de ideias parvas que estão disponíveis na Internet para quem quiser confirmar, ou não, o que escrevo.


Entre as propostas incluem-se uma infinidade de benefícios fiscais para as empresas. Mas, curiosamente, não existe nem uma linha relativamente a benefícios fiscais para os trabalhadores. Se calhar criar uma taxa de IRS reduzida para todos, todas e todes – não vem ao caso mas tinha de escrever isto – que vivem e ou trabalham no interior era capaz de ser algo de muito mais útil no combate à desertificação. É que isto não basta dizer que o importante são as pessoas. Importa é dar-lhes importância. O resto vem por consequência, não por decreto.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Prioridade à bicharada

A possibilidade da entrada em vigor da lei que determina o fim do abate de cães e gatos nos canis municipais vir a ser adiada está a causar uma enorme dor de barriga aos amiguinhos dos animais. Uma lei estúpida - mais uma – que os maluquinhos autoproclamados amigos dos animais conseguiram fazer aprovar. De ora em diante, se os ditames daquela legislação forem cumpridos, as autarquias terão de providenciar alojamento, alimentação e cuidados de saúde a todos os animais de companhia de que os donos se fartarem. Enquanto eles viverem, saliente-se. Ou seja, todos nós pagaremos as taras e manias de gente que põe os bichos em primeiro lugar. Depois queixem-se que pagam muitas taxas, taxinhas e outras contribuições... 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Eles roubam tudo...eles roubam tudo...

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Anda por aí muita gente indignada com a constante subida do preço dos combustíveis. Tudo porque, a juntar à alta do crude, a carga fiscal sobre o sector é manifestamente – descaradamente, vá - elevada. Eu também estou ligeiramente aborrecido. Mas, garanto, estou muito mais arreliado com o roubo que o Estado ladrão pratica ao nível de outros tributos. Até porque tenho sempre a opção de andar a pé e, assim, reduzir o meu involuntário contributo.


Já no que diz respeito ao IRS pouco – nada, a bem dizer – posso fazer. Há que pagar – e muito – para a metade que não contribui. Apenas beneficia. O mesmo para, por exemplo, o IMI. Um dos impostos mais estúpidos que se paga e que tem como finalidade subsidiar os desvarios autárquicos.


Por se tratar de impostos que todos pagam – até a metade que não contribui de outra forma não lhes consegue escapar – é que esta carestia dos combustíveis apenas me causa um ligeiro aborrecimento. E se, como devia, isso servisse para diminuir os restantes, então, até seria motivo para me regozijar. Assim apenas lamento não os poder mandar ir roubar para a estrada. Isso é actividade que eles já praticam com entusiasmo.

terça-feira, 22 de maio de 2018

A Expoconta

Vinte anos depois parece que ainda não está apurado o prejuízo deixado pela Expo-98. Diz que anda pelos mil milhões. Ou, talvez, se quede pelos quinhentos milhões de euros. Mas, seja qual for o montante, valeu a pena. Preocupante é o desprendimento com que os responsáveis, à época, pelos destinos do país falam do assunto. Como se fosse coisa de somenos, isso de fazer contas à maneira como se gasta – ainda que bem, no caso – o dinheiro público. Foi esta gente e esta atitude que nos arruinaram. E alguns ainda andam por aí a fazer o que melhor sabem... até porque, quando chega a hora de pagar a conta, escapam-se sempre. 

domingo, 20 de maio de 2018

Há uma linha que separa um maluco de um parvo...

Uma entidade emissora de obrigações adiou hoje, em seis meses, o pagamento das mesmas bem como dos respectivos juros. Parece-me, assim de repente, um caso grave. Capaz, até, de minar a pouca confiança que ainda restará no sistema financeiro nacional.


Quem investiu – e pode ser qualquer um nós, ainda que indirectamente – corre o risco de nunca mais recuperar o investimento. A menos que o Costa lhes acuda, como já fez com os alegados lesados do BES. Ou, pior ainda, que o governo resolva socorrer a instituição em causa. O que não me surpreenderia por aí além, diga-se.


Entretanto, enquanto aquilo se afunda e arrasta com ele as economias de quem lá pôs o dinheiro, o folclore continua. Para enganar os tolos e esconder aquilo que é verdadeiramente importante, desconfio. Depois chamem-lhe maluco… mas parvo é que ele não é!

sábado, 19 de maio de 2018

Apertos, claques e outras modernices

Um homem sábio disse um dia – Pinto da Costa, no inicio deste ano – que grave, mas mesmo muito grave, é existir um clube com claques ilegais. Sábias palavras, aquelas. Que isto, no âmbito da pancadaria e da invasão de centros de estágios de árbitros ou do próprio clube, há que agir com gente devidamente enquadrada na legislação vigente.


Reitero a minha estranheza com a onda de indignação dos sportinguistas – de muitos deles, pelo menos – com as alegadas ocorrências de Alcochete. Sinceramente não os percebo. Ainda um ano destes berravam a plenos pulmões, em Alvalade, “aperta com eles Sá Pinto, aperta com eles” - referindo-se, naturalmente, aos jogadores como alvo a apertar – e agora, que alguém resolveu fazê-lo, ficam chateados?! É pá, como disse o outro, vão mas é catar pulgas.


Já que o post escambou para a corrupção, aproveito para manifestar a minha desconfiança acerca das noticias que envolvem o Sporting nesse esquema. Não acredito. Nadinha, mesmo. Depois de ouvir as supostas escutas fiquei, até, como pena da agremiação do Lumiar. Um alegado corruptor lamentar-se de não ter dinheiro para subornar é, convenhamos, algo de surreal.


Mas nem tudo é mau no reino dos lagartos. Modernizaram-se. Aquilo é uma coisa evoluída no âmbito das tecnologias da informação. Emails é para meninos. Para aquelas bandas os assuntos importantes tratam-se pelo WhatsApp.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Pois. Não te trates, não.

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Comovente, para não lhe chamar outra coisa, a evocação que os meios de comunicação social têm feito dos desacatos ocorridos em Maio de 1968 na capital francesa. Como se aquilo não se tivesse resumido a uma espécie de birra protagonizada por uns quantos estudantes ricos, mimados e ociosos. Vá lá que pelo menos alguns tiveram a honestidade intelectual de explicar, ainda que de fugida, como aquilo acabou. A esmagadora maioria da população, obviamente, não estava com eles e, farta daquela rebaldaria, tratou de o demonstrar. Nas ruas e, principalmente, nas urnas de voto.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

E contra a trifobia, pázinhos, ninguém luta?!

Diz que hoje é o dia internacional contra a homofobia, a bifobia e a transfobia. Não é que isso me importe – nem exporte, a bem dizer – mas, assim de repente, parece-me uma coisa esquisita. Daí que não vá desenvolver nenhuma acção de luta contra qualquer uma dessas fobias. Até porque, coitadas, nunca me fizeram mal nenhum.


Nestas matérias – como noutras, confesso – sou um bocado ignorante. Se relativamente à primeira – a homofobia – tenho uma vaga ideia do que seja, já quanto às outras são conceitos que escapam ao meu conhecimento. Bifobia será alguém com duas fobias, certamente. E transfobia deve ser quando um gajo ou uma gaja - ou um coiso, vá - tem medo ou aversão a transportes. Públicos, nomeadamente. Que, calculo, deve ser uma fobia muito comum. A não ser assim haverá aqui uma ilegítima apropriação linguística, em beneficio próprio, de algum grupo modernaço...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O melhor ainda estava para vir...

Se vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho”. Bruno de Carvalho e os sportinguistas em geral não devem conhecer este dito popular. É que eles fizeram pior. Incendiaram as barbas da vizinhança, chacotearam o vizinho e, num assomo de total alarvidade, besuntaram as próprias barbas com gasolina. Agora queimam-se. Azarinho. Não temos pena nenhuma. Numa coisa, contudo, o lagartedo teve razão. O melhor estava, de facto, para vir. Eu só não tenho é a certeza se o melhor de tudo já chegou…


Desde ontem que todos chamam maluco ao presidente do Sporting. Discordo em absoluto quanto à maluqueira do senhor. Ou, então, quase todos os sportinguistas são doidos varridos. Andam anos a fio a aplaudir um discurso de ódio, faltas de respeito, má-criação e tentativas de destruição de um clube rival e agora, que têm a casa a arder, o outro é que é maluco?! Escapa-se-me aqui qualquer coisa...

terça-feira, 15 de maio de 2018

Mas o homem só tem ideias parvas?!

De vez em quando – uma vez por outra, vá – até gostava de sentir algum respeito pelo primeiro-ministro. Afinal o homem, mesmo não tendo ganho as eleições, é o gajo que manda nesta espelunca. Mas não consigo. Por mais que tente. O fulano não se cansa de me dar motivos. Veja-se, por exemplo, que agora lhe ocorreu aumentar ainda mais o já de si elevadíssimo número de funcionários públicos. Isto em alternativa à actualização salarial daqueles que já trabalham para o Estado. Coisa que, parece-me, é uma ideia que só pode surgir a alguém que não está minimamente qualificado para exercer o cargo que ocupa.


Se a estratégia for em frente, admitindo que naquele governo são todos malucos e ninguém chama a criatura à razão, será aberto um precedente que dará argumentos para uma vastíssima panóplia de reivindicações. Por analogia o mesmo se poderá dizer das pensões, só para não ir mais longe. Seguindo esta linha de raciocínio, será preferível não actualizar o valor das reformas e, em vez disso, permitir a aposentação de muitos trabalhadores que têm um percurso contributivo bastante grande. Digo eu, que gosto de gente coerente.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Contas de sumir

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Acho muito bem a proposta dos comunistas no sentido de alargar ao sector privado as trinta e cinco horas de trabalho por semana. Podia, até, ser um pouco menos. Trinta, vá, e não se fala mais nisso. Incluindo, de preferência, um acréscimo de ordenado, que a malta ganha pouco e os gajos dos supermercados não aceitam o pagamento em tempo de descanso.


Gosto da ideia – de verdade, gosto mesmo – mas não percebo como é que a sua aplicação prática iria criar quatrocentos e quarenta mil novos postos de trabalho. Porra, pá, isso é muito posto de trabalho. Não haverá desempregados em número suficiente para os preencher. Mas, deixando essa dificuldade de parte, reitero que não entendo a relação entre uma e outra coisa. Vejamos este exemplo. Sete casas, cada uma com sua empregada doméstica. Se todas elas passarem a trabalhar menos cinco horas por semana vai ser criado um novo emprego?! Pois. Se calhar não.

terça-feira, 8 de maio de 2018

A amiga osga

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A minha caixa de correio tem sido, desde tempos imemoriais, a residência de uma família de osgas. Hoje, após anos a tentar despejá-las, consegui finalmente correr com a indesejada ocupante. Dada a relutância demonstrada pelo bicharoco, foi necessário recorrer a métodos mais ou menos drásticos. À base de vassoura, nomeadamente. Se ela tivesse optado por uma saída amigável a opção seria o esmagamento realizado através da compressão entre a sola do sapato e o pavimento. Mais rápida e menos dolorosa, portanto. 


Podeis, alminhas sensíveis e adoradoras de todas as espécies, ficar descansadas. Mais dia menos dia vão começar a aparecer muitas mais como esta no meu quintal. Matarei as que puder.   

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Vai de cano...

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Não sou muito dado a essas cenas da ecologia, mas não gosto de ver desaparecer um regato e o seu curso natural ser conduzido para dentro de um tubo. Pode até, concedo, tratar-se de um obra-prima no âmbito da engenharia hidráulica. Admito que, para mais tratando-se de quem é, seja tudo legal, aprovado por toda a gente e todas as entidades com competência no assunto estejam de acordo com o procedimento. Nem isso, sequer, me interessa. O que me importa – incomoda, vá – é que estão a brincar com a natureza e ela, seguramente, um dia vai vingar-se. Nessa altura alguém pagará a conta. E, desconfio, não vai ser o Bernardo, ou lá o que é que chamam ao homem.


 

sábado, 5 de maio de 2018

Fulanos, beltranos e sicranos notoriamente patetas

Fulano monta-se numa bicicleta, numa mota ou, de preferência, num meio de transporte ainda mais "radical" e parte por esse mundo fora. Fotografa-se em paragens inóspitas - daquelas onde ninguém quer viver – rodeado de calhaus ou no meio da poeira do deserto, tira umas selfies com gaiatos ranhosos ou com os matarruanos lá do sítio, come uns escaravelhos fritos e relata todas estas "experiências" num blogue. Quando regressa escreve um livro, vai à televisão e é tratado como alguém que fez uma descoberta científica qualquer. Ou melhor, até. 


Beltrano comprou um carro, foi dar um passeio, fez-se fotografar junto a uns monumentos, refeiçou fora, tirou umas quantas selfies e outras tantas fotos ao bife com batatas fritas e publicou tudo isso no seu blogue ou no facebook. É, segundo a moral vigente, um alarve. Sim que valorizável agora é fazer coisas parvas. Chamam-lhes "experiências", eles.  


E são estes os valores que todos os dias vejo exaltados. Na internet, na comunicação social e na vida real. Por mim podem mete-los no cu. No vosso, como diria a minha a avó.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pelo fim do goulag dos cães!

Sendo a política portuguesa uma espécie de fungaga da bicharada não admira que a causa animal seja daquelas que mais votos . Daí que os partidos se acotovelem para ver quem, ao olhos do eleitorado, é mais amiguinho dos animais. Agora é o PCP a tomar a iniciativa. Não querem cães acorrentados, os camaradas. Na Madeira, por enquanto, mas estou mesmo a ver a ideia a chegar ao continente. Não é que ache mal mas, assim de repente, ocorrem-me umas quantas razões que contribuem para encarar a coisa com algum cepticismo. Nomeadamente a recordação da morte por atropelamento de um infindável número de canitos, no lugar onde morei na minha infância e juventude. Os gajos, quando deixados à solta, tinham uma atracção fatal pela estrada nacional que passa mesmo ao lado. Poucos cães, ali, chegaram a velhos. Assim que me lembre havia um que não atravessava sem olhar para ambos os lados. Mas, acho, até esse lá ficou quando envelheceu e começou a ver e a ouvir mal. Mas se os amigalhaços dos animais dizem que é melhor assim, eles lá sabem.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

E o ecoponto ali tão perto...

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Sim, aquilo ali mais abaixo, no meio das ervas, é mesmo um ecoponto. Daqueles com espaços diferenciados para cada tipo de lixo e tudo. Seria apenas percorrer uns dez metros, quando muito, e enfiar o material no buraco correspondente. Coisa simples até para um macaco, como nos primórdios da reciclagem mostrava um anuncio televisivo - era o Gervásio - mas claramente demasiado para alguns habitantes.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Eu não sou de intrigas, mas...

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Quiçá influenciados pelas recentes comemorações da abrilada, têm sido muitos os adeptos do clube da fruta e do putedo a partilhar a imagem que compara os títulos desportivos conquistados pelo clube do Porto e pelo Benfica desde o fim do Estado Novo. Não vejo, assim de repente, relação entre uma e outra coisa. Mas, dizem eles, são factos e números esclarecedores acerca dos quais cada um tirará as ilações que entender.


Ora foi isso mesmo que eu fiz. Vi números, ocorreram-me alguns factos e tirei as minhas ilações. Constatei que no período em que o Sócrates governou, aquele clube ganhou catorze troféus. Mais do dobro dos conquistados pelo Glorioso. Não é que veja nisso – tal como não vejo no outro – nada de especial. Apenas factos. E números esclarecedores acerca dos quais cada um tirará as ilações que entender.

domingo, 29 de abril de 2018

Novos malucos geram novos negócios

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Adoro animais. No prato, nomeadamente. Quase todos, diga-se. Praticamente só me falta experimentar cão – fica para quando for à China – porque gato, desconfio, já comi disfarçado de coelho. Mas, garanto, pouca diferença me faz que os adoradores desta nova religião que tem os bichos como deuses esturrem o seu dinheiro a estragar as divindades com mimos. Arranjem “dog sitter’s” quando não tiverem com quem os deixar, façam-lhes um lindo enterro quando esticarem o pernil ou comprem comida gourmet para os alimentar. Tudo isso é bom para a economia. Gera emprego, receita fiscal e, reconheço, todos ficamos a ganhar. Façam o que quiserem. Podiam era também apanhar a merda que eles largam nas ruas e, sobretudo, respeitar o espaço de quem não está para os aturar. Mas isso, se calhar, já será pedir demais a quem se acha muito evoluído pelo estatuto que atribui aos animais mas, em contrapartida, não respeita os seus semelhantes.


 

sábado, 28 de abril de 2018

Prioridade à bola

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Diz que a justiça estará a investigar, detalhada e exaustivamente, todos os jogos do Benfica realizados nos últimos cinco anos. Deve ser investigação para manter os nossos justiceiros ocupados durante uns tempos. Mas ainda bem, que isto da bola tem de ser levado a sério. Até porque essa coisa dos três grandes, seja qual for a modalidade, ganharem quase sempre e serem campeões muitas vezes – consecutivamente, com frequência – deixa-me com a pulga atrás da orelha. É estranhíssimo os melhores ganharem sem ser com manhosices, não é?


Entretanto Porto e Sporting reivindicam para si o estatuto de clube mais titulado de Portugal, reclamando, cada um deles, mais de vinte mil títulos conquistados no conjunto das modalidades que praticam. Contenda que, presumo, um dias destes será dirimida na justiça. Que é para causas nobres e determinantes que ela serve. Isto, claro, após investigar se não houve marosca na obtenção de cada uma dessas vitórias. A menos, teoria a não descartar, que o facto de equiparem de verde ou de azul seja motivo mais do que suficiente para a isenção de suspeitas.


Enquanto isso, apenas estão sob a alçada da lei meia-dúzia de políticos. Não há vagar para investigar todos os outros milhares, actuais e passados, que exercem ou exerceram funções executivas na governação central, regional e local. A esmagadora maioria, obviamente, não será corrupta. Mas convinha, digo eu, que todos percebêssemos a razão porque entram para lá pelintras e saem com um património pouco compatível com o vencimento. Respeitem-se, no entanto, as prioridades da Justiça. Se a bola está primeiro, que assim seja.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Finalmente um bom tema fracturante

Muito se tem falado e escrito nos últimos dias sobre habitação. Inclusivamente aqui. Este é um daqueles temas, até pela carga ideológica, que vale a penar discutir. Ao contrário de outros com os quais o país tem andado entretido nos últimos anos e que, invariavelmente, giram em torno do olho do cú. Ou lá perto.


Pena que toda a discussão se centre nos casos de Lisboa e Porto. Lamentável, também, que não se discuta o que está na origem da falta de habitação nos grandes centros e se procure atribuir a culpa apenas ao turismo e à ganância dos proprietários. Se calhar era altura de pensar que toda esta chatice começa na desertificação do interior e no continuo fluxo de gente em direcção às grandes metrópoles. E, já agora, numa maneira de inverter isso. Que, se houvesse vontade política, nem seria muito difícil de encontrar.


Ainda assim e numa escala infinitamente menor, também por cá faltam casas para arrendar. Está tudo em ruínas. Mas, tal como noutros sítios, não será seguramente necessário o Estado requisitar habitações para colocar no mercado de arrendamento. Pode começar pelas suas. Como estas. Situadas numa das mais movimentadas artérias da cidade e que para ali estão à espera de cair.


 


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quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 de Abril sempre! Populismo nunca mais!

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Devem ter engolido uma cassete. Ou, para ser mais modernaço, fizeram todos download da mesma música. Hoje, nas comemorações do 25 do Abril, a propósito de tudo e de nada não houve político que não aproveitasse para incluir em cada frase a palavra “populismo”. Um perigo, essa coisa. Deus nos livre de tal.


Percebo a ideia. Principalmente agora que há por aí uns quantos políticos a contas com a justiça e nada garante que, caso haja zangas entre as comadres, muito mais “material” venha a ser conhecido. Nomeadamente acerca daqueles nomes esquisitos que constam de um certo livro “razão” escriturado por um certo contabilista. Como o “Batman”, por exemplo, que, desconfio, deve ser uma figura grada do regime. Daquelas de quem sempre se fala em dias como o de hoje, talvez.


Bramir contra os “populistas”, como hoje fizeram os nossos políticos, é uma estratégia velha. E sábia, reconheço. Uns quantos indivíduos que têm por hábito apropriar-se de itens alheios, quando apanhados em flagrante, usam-na sempre. Guincham “raciiiistas” até os deixarem em paz. Às vezes resulta.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Uma espécie de desígnio nacional

Estou comovido. Tanta sensibilidade deixa-me assim. Isto porque o Costa acaba de anunciar, como desígnio nacional, “chegar ao dia 25 de abril de 2024 — quando comemorarmos os 50 anos da revolução – podendo dizer que eliminámos todas as situações de carência habitacional”. Acho bem. A sério. Se eu fosse gajo de lágrima fácil estaria agora a sacar de um lencinho. 


Tal como me parece muitíssimo bem que, num momento de rara sagacidade, tenha deixado cair aquela ideia parva e pró-comunoide de aplicar o conceito da reforma agrária às habitações devolutas. Era, de facto, pouco digno de um país democrático. 


Desconfio, porém, que se esteja prestes a criar outro problema. Maior, até, do que aquele que se pretende resolver. Aos idosos e deficientes, no caso. Pretende-se agora que os contratos de arrendamento que envolvam estas pessoas sejam renovados automaticamente e se garanta a impossibilidade de despejo. Já estou mesmo a ver os senhorios a franzirem o sobrolho -  e a deitarem contas à idade do outro - quando lhes aparecer alguém com alguma idade a pretender arrendar uma casa...  

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Coerência revolucionária

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A Nicarágua é a nova paixão dos profissionais da solidariedade. Garante essa malta que a culpa é, outra vez e sempre, dos americanos. Esses patifes imperialistas. De império, porque se fosse de imperial os solidários eram todos pró-América.


Se bem entendi, naquele país centro-americano anda tudo à “porra e à massa” por causa de uma ideia maluca que envolvia aumentar a contribuição para a segurança social lá só sitio. Coisa que não agradou ao pessoal, está bem de ver. Para a esquerda portuguesa, a julgar pelas reações inflamadas de apoio ao governo local, era uma medida genial e, sobretudo, necessária para assegurar o bem-estar do povo.


Foi mais ou menos a mesma coisa que o Parvus Coelho tentou fazer por cá. Esse malandro que só queria o mal do povo. De tal maneira que os portugueses encheram ruas e praças, de norte a sul, em manifestações contra tamanha atrocidade. Com esta mesma gente à cabeça dos protestos. Ou seja, para estes pacóvios o lema parece ser ser: “Completamente de acordo e simultaneamente de opinião contrária”. Depende de quem tem a ideia. Eh, pá, não desistam nunca. Vocês divertem-nos.

sábado, 21 de abril de 2018

Depois do Estado ladrão vamos ter o Estado "Okupa"

Quarenta e tal anos depois da reforma agrária vamos ter, ao que tudo indica, a reforma urbana. Se correr tão bem como a primeira a coisa promete ser divertida. Também, à semelhança do que aconteceu há quatro décadas, toda a gente está de acordo quanto à necessidade de se reformar o sector da habitação. Ou, como diria o outro, toda a gente que interessa. Essa meia-dúzia de imbecis que estão contra, não importam para nada. Como está, com o mercado a ditar as suas leis – coisa estranha, essa do mercado ditar leis – é que não pode continuar. Surpreende-me que ainda haja quem não perceba que sempre que o Estado intervém na economia as coisas tendem, no médio e longo prazo, a piorar. Ainda que, no imediato, até possa parecer o contrário. Com a tomada das casas aos seus legítimos donos não será diferente.


Veremos, para começar, quais os prédios a confiscar. Presumo que, tal aconteceu com a reforma agrária, sejam os que estão em bom estado de conservação, bem localizados e de maior valor. Será igualmente interessante verificar a quem vão ser entregues. Assim de repente não tenho motivo nenhum para pensar que compadres, amigos ou correligionários dos envolvidos no processo de furto e distribuição do saque possam precisar de casa.


Por fim a parte financeira da coisa. A começar nas rendas. Não tenho grandes dúvidas que – conhecedores da generosidade autárquica - a maior parte deixará de pagar ao fim de pouco tempo. Depois as obras, que certamente correrão por conta das câmaras. E, por último, o mais importante. O IMI. Como não estou a ver os municípios a abdicarem dessa maquia, só falta terem a distinta lata de exigir que o proprietário continue a pagar…

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Cidadania activa

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Há quem considere os automóveis uma praga. Os dos outros, nomeadamente. Mas lá que são muitos, são. A circular e parados. Alguns no mesmo sítio durante semanas, meses e, até, anos a fio. Sendo sobejamente conhecida a pouca competência revelada pelas autoridades supostamente competentes nesta matéria, é natural que os cidadãos, para chamar a atenção, desenvolvam acções. E estas parecem boas. Haja quem as siga. Às acções. Ou a estes exemplos, sei lá.