
De nós dizem que, quando não temos um volante nas mãos, somos o povo mais simpático do mundo. Não me revejo neste estereotipo. Primeiro porque não sou simpático e, segundo, tenho uma paciência de santo para as tropelias dos demais condutores. Desde que não me aborreçam, obviamente. Também se diz que os automobilistas tugas não fazem caso nenhum de campanhas de sensibilização e que apenas ficam sensibilizados – e ainda assim por pouco tempo, porque esquecem estas coisas depressa – quando são multados. Até ontem acreditava nesta premissa. Mas não. É falsa. Estão a ver aquelas campanhas em que, quando existem duas ou mais faixas de rodagem, nos instigam a circular pela mais à direita? Os portugueses adoptaram esse comportamento e agora não querem conduzir de outra maneira. Só mudam de faixa se obrigados à base do estaladão. Que foi, diga-se, o que me deu vontade de fazer como forma de os convencer. Nomeadamente se tivesse menos vinte anos, outros tantos quilos a mais e o meu irritómetro não estivesse programado para disparar um cagagésimo acima.
(Continua amanhã – ou quando calhar – que o texto já vai longo e desconfio que pelo menos quatro dos meus três leitores não tenham paciência para uma leitura demasiado prolongada)














