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domingo, 17 de março de 2024

O karma, se existir, é lixado...

Os especialistas da especialidade têm andado entretidos a analisar e, principalmente, a tentar encontrar explicações para os resultados eleitorais não terem correspondido aos seus desejos. Eles, os sábios, que veem a luz e conhecem o caminho da verdade ficaram estupefactos por o país real não lhes ligar nenhuma. Coitados, deve ser triste andar durante tantos anos a educar o povo, a explicar o que é melhor para todos nós – sim, eles é que sabem o que é bom para nós – e vai daí a malta caga-lhes no colo. Não se faz. Há, no mínimo, que mudar de povo. E isso, diga-se, é um processo que está em marcha.


Outros especialistas, ainda mais especializados na especialidade, andam agora a investigar quem é que votou em quem. Embora isso seja um trabalho fácil relativamente a alguns partidos – o PCP, por exemplo, são tão poucos que não deve dar muito trabalho saber o nome, o NIF e o número de telemóvel de cada um desses desgraçados – de um modo geral não me parece que, em termos de grandes grupos sociais, se consiga chegar a conclusões minimamente credíveis. Concluir que as mulheres votaram à esquerda e que os mais velhos não votaram no Chega, só para realçar dois dos dados mais mencionados, parece-me coisa de especialista pouco especializado ou, então, especialmente equivocado.


Uma das conclusões, especialmente irónica e de duvidosa credibilidade, é a que conclui ter existido uma transferência directa de votos do PS para o Chega. Não acredito, mas a ser verdade seria uma ironia do mais fino recorte. É o Karma, ou lá o que quiserem chamar à maneira absolutamente badalhoca como o PS se tentou aproveitar do partido de André Ventura.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Um mau comunicador estraga sempre uma boa ideia...

Custa-me a acreditar que António Costa e a sua trupe consigam perder as eleições. Se isso acontecer será um caso de estudo. Algo que servirá de exemplo durante muitos anos sempre que se pretenda demonstrar o que não deve fazer um politico, um partido ou uma candidatura que, de facto, pretenda ser eleito. Nomeadamente quando o adversário é daqueles a quem até o Pato Donald dava uma coça.


Aquilo é cada tiro cada melro. A começar pela tralha que gravita à volta do homem. Gente que cada vez que abre a boca convence cem eleitores a votar noutro partido. Qualquer que ele seja. Depois a maneira de comunicar. Absolutamente incapaz de transmitir uma ideia com clareza, de forma convincente e que faça os ouvintes acreditar que a proposta é séria, exequível e justa.


Veja-se, a titulo de exemplo, aquela coisa das prestações não contributivas ficarem sujeitas à condição de recurso. Uma excelente intenção e, acrescente-se, uma medida da mais elementar justiça. No entanto até mete dó a incapacidade - ou o medo, talvez - dos socialistas explicarem isto de forma a que o eleitorado perceba. Teria a sua piada se uma boa proposta, como esta é, fosse um dos principais motivos para a derrota do seu proponente. Ou, talvez, apenas revelador da qualidade do eleitorado.

sábado, 12 de setembro de 2015

Há muita falta de memória...

Escrevi em inúmeras ocasiões que os portugueses nada aprenderam com a crise. Nada. Nadinha. Népia. A maioria não percebe a ponta de um corno de politica, são iletrados em matéria financeira e, quase todos, uns perfeitos ignorantes da nossa história. Mesmo da mais recente. Além de que padecem de outro problema. São terrivelmente esquecidos e apenas conseguem reter na memória as recordações de curtíssimo prazo.


Tanto assim é que se preparam para colocar outra vez o PS no poder e eleger toda a tralha de incompetentes que nos levou à falência. Outro sinal – tão preocupante como o primeiro - é que, a julgar pela amostra de hoje, se puderem vão às trombas ao Parvus Coelho. Já não se lembram que o último politico que levou nas fuças foi Presidente da República durante dez anos quando, na campanha em que foi escovado, não tinha mais de oito por cento das intenções de voto...