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domingo, 31 de março de 2024

Tropa? Talvez...

Começa a colocar-se, cada vez mais insistentemente, a hipótese de num futuro mais ou menos próximo haver a necessidade de discutir a reintrodução do serviço militar obrigatório. Não sei se concordo. Estive na tropa e detestei cada dia que lá passei. Já tinha emprego, deixei de receber ordenado durante dezasseis meses e, por causa disso, perdi dinheiro que me fazia falta e que ninguém me pagou. Daí a minha hesitação relativamente a este tema.


Os tempos são outros. No inicio dos anos oitenta a mobilização maciça de jovens para o SMO apenas servia para manter uma máquina militar repleta de resquícios da guerra colonial. A ameaça soviética de então não passava de uma idiotice a que ninguém ligava importância nenhuma. Ao contrário de hoje, em que a possibilidade de acordar com russos ou islâmicos aos tiros por aí é muito mais do que provável. Para os receber com flores e bandeirinhas há muita gente pronta, mas é precisa muita mais que saiba o mínimo para nos defender desses e dos patifórios vindos do leste, do oriente ou do outro lado do Mediterrâneo.


Se um dia voltar a existir SMO, a recruta vai ser uma coisa engraçada. Se vai. Quem por lá passou sabe no que estou a pensar. Com as “Amélias” que se vê por aí, aquilo vai ser uma coisa, digamos, digna de assistir, vá...

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Tropa não, taxa sim.

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A “taxa militar” foi uma das muitas taxas e taxinhas inventadas pelo Estado Novo e era paga até uma determinada idade - que julgo andar pelos quarenta e cinco anos - por quem, por um ou outro motivo, tinha sido dispensado de cumprir o serviço militar obrigatório. Resistiu à Abrilada, ao PREC e só deixou de ser cobrada em 1987 por decisão do governo de Cavaco Silva. Se calhar, digo eu, era capaz de ser boa ideia trazê-la de volta. Só para contrariar o Cavaco e isso.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Brincar c'a tropa

Não guardo boas recordações da tropa. Pelo contrário. Detestei cada dia que o Estado português me obrigou a prestar serviço militar. Tinha emprego, vencimento e durante dezasseis meses fui privado de fazer a minha vida normal sem que ninguém me indemnizasse, até hoje, por isso. Coisa que não aconteceu com as mulheres desse tempo que, curiosamente, não reivindicavam o direito de engrossar as fileiras militares. Só os homens passavam por este calvário. Nem elas nem os ciganos. Depois venham para cá falar de discriminação, ou o catano.


Este desabafo vem a propósito das recentes notícias sobre a linguagem inclusiva que as forças armadas pretendem implementar. Acho bem. Isto há que clarificar a questão do inimigo ou inimiga, do canhão ou da canhona, da bazuca ou do bazuco. Entretanto, chamar “Maria Amélia” ao pessoal que não sabe fazer os exercícios deve passar a ser uma coisa extremamente valorizável. Quase tanto – ou mais, na optica do BE e do PAN - como aquilo que diziam os graduados durante a recruta com o intuito de aborrecer os “maçaricos”. Garantiam eles que recruta está na escala da evolução humana dez pontos abaixo de polícia que, por sua vez, está vinte abaixo de cão.


Só falta, mas não tardará, um manual de boas maneiras e espírito de tolerância do combatente. Ou combatenta.

terça-feira, 6 de março de 2018

Quem anda à chuva...

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Parece que o Presidente da Republica era para vir cá – a Estremoz - assistir a qualquer coisa da tropa. Ou a outra macacada igualmente inútil, não sei ao certo. Mas não veio. Diz que foi a chuva que o terá demovido. Mas isso pouco importa. Não veio não abalou, como diria a minha avó. E, acrescento eu, não se notou a falta. Mas, ao contrário do que seria expectável face ao argumento que alegadamente terá servido para a escusa, não ficou em casa. Foi a Beja. E apanhou chuva. Pouca. Que por lá, para azar daqueles compadres, não tem chovido por aí além.


Nisto da presidencial visita que não chegou a acontecer há, apenas, uma questão que me deixa inquieto. O argumento. Ou melhor, o alegado argumento pois nem sei se é verdadeiro. Então o homem é o chefe supremo das forças armadas e tem medo da chuva?! Que diabo, sempre ouvi dizer que chuva civil não molha militares!


 


 


 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tropa fandanga

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A Suécia restabeleceu – ou vai fazê-lo em breve, não interessa – o serviço militar obrigatório. Diz que não há suecos em número suficiente com vontade de ir para a tropa e que não estarão reunidas todas as condições necessárias à defesa do país. Depois há aquilo da Rússia, da Nato e outras balelas que tais. Até pode ser. Mas não será apenas isso. Por mais desculpas que se arranjem para dourar a pilula, a maior ameaça, se calhar, é outra. E, pelo menos em parte, já a têm dentro de portas. 


Igual medida estará a ser equacionada por cá. Tem, ao que se sabe, confessos adeptos à esquerda. Embora, quero acreditar, por motivos substancialmente diferentes dos evocados pelos governantes suecos. Por mim acho mal. Mas, admito, tal ideia, a concretizar-se,  constituiria um factor capaz de contribuir para a revitalização de cidades como a minha. Mais umas quantas centenas de pessoas aqui a viver teriam de fazer alguma diferença. Para melhor, reconheço. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Decidam-se, porra!

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A ira dos profissionais da indignação é hoje dirigida ao gajo que manda no colégio militar. Parece que a instituição convida os alunos que manifestem alegadas tendências homossexuais a bater em retirada. Também estou irado. E, ao contrário de muitos indignados, não é de agora. É, pelo menos, desde o dia em que fui chamado a prestar serviço militar obrigatório. Sempre achei mal que os paneleiros ficassem livres da tropa enquanto os restantes cidadãos tinham de lá malhar com os ossos durante dezasseis meses. Curioso, mas mesmo curioso é que nessa altura ninguém achasse isso discriminação. Pelo contrário. Até ficavam todos contentinhos por se safarem. Vá lá entender-se esta gente...