domingo, 2 de junho de 2024

Usem a faixa da esquerda, porra!

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De nós dizem que, quando não temos um volante nas mãos, somos o povo mais simpático do mundo. Não me revejo neste estereotipo. Primeiro porque não sou simpático e, segundo, tenho uma paciência de santo para as tropelias dos demais condutores. Desde que não me aborreçam, obviamente. Também se diz que os automobilistas tugas não fazem caso nenhum de campanhas de sensibilização e que apenas ficam sensibilizados – e ainda assim por pouco tempo, porque esquecem estas coisas depressa – quando são multados. Até ontem acreditava nesta premissa. Mas não. É falsa. Estão a ver aquelas campanhas em que, quando existem duas ou mais faixas de rodagem, nos instigam a circular pela mais à direita? Os portugueses adoptaram esse comportamento e agora não querem conduzir de outra maneira. Só mudam de faixa se obrigados à base do estaladão. Que foi, diga-se, o que me deu vontade de fazer como forma de os convencer. Nomeadamente se tivesse menos vinte anos, outros tantos quilos a mais e o meu irritómetro não estivesse programado para disparar um cagagésimo acima.


(Continua amanhã – ou quando calhar – que o texto já vai longo e desconfio que pelo menos quatro dos meus três leitores não tenham paciência para uma leitura demasiado prolongada)

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Uma espécie de prostituição politica...

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Estou abismado. Não devia, que já não tenho idade para isso, mas ainda há coisas que me conseguem surpreender. Então não é que o PS, aquele partido de esquerda agora conhecido por combater ferozmente a direita, se quer coligar com ela para se alcandorar ao governo da Madeira?! Perdeu as eleições – melhor dizendo, levou uma banhada – mas isso não impede os socialistas de tentarem chegar ao poder. Para o conseguir aliam-se a tudo o que tenha deputados no parlamento regional. Desde, pasme-se, os betos do CDS aos queques que guincham da IL – indignadinhos de serviço, pode-se chamar queques que guincham? – todos lhe servem para meter as mãos no pote. E, cá para mim, só não inclui o Chega na equação porque a maioria se faz aos vinte e quatro. Tudo para defender o povo, o Estado social, os valores de Abril, os direitos das mulheres e o que mais calhar.


Se nos próximos meses houver eleições para a Assembleia da República, no caso de não ganhar, a quem irá o PS propor uma coligação de governo? A qualquer um desde que faça maioria, obviamente.

domingo, 26 de maio de 2024

Catapultar a coisa

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Esta catapulta, colocada estrategicamente frente ao edifício dos Paços do Concelho, pode significar, para uma mente sempre pronta a procurar um significado alternativo e geralmente parvo a qualquer coisa ou a cada acontecimento, o inicio da batalha pelo poder na autarquia. “Batalha” do mais legitimo que há, obviamente, ao contrário de muitas outras que vamos vendo noutros locais do planeta.


Vai sendo tempo disso, diga-se. E ainda bem que assim é. Que há gente disposta a sacrificar-se pela sua terra, pelo bem comum e, principalmente, a aturar malucos com as consequentes chatices que tudo isso acarreta. Mas, lá está, alguém tem de o fazer. Aqui ou em qualquer outro lugar. O que me surpreende – ou talvez não – é que possa haver quem, pelos mais que muitos mandatos que vai cumprindo ao longo da vida, pareça querer fazer dessa entrega aos outros um emprego. Ou um negócio, quiçá. Tudo alegadamente, claro. Trezentas e oito vezes.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Dinheiro? Há que esturrá-lo!

É por demais conhecida a iliteracia financeira dos portugueses. Tanta que muitos até acreditam que recebem IRS. Daí que não exista entre nós a valorização da poupança e do investimento. Estes conceitos são até, em muitas circunstâncias, alvo da critica social. E quando se trata de usufruir do retorno desse investimento ou dessa poupança o investidor ou o aforrador é visto quase como um criminoso. Provavelmente, mais do que qualquer outro, talvez seja este o principal motivo do atraso e da pobreza do país. Até porque os dirigentes replicam na governação estes sentimentos da população.


Um bom exemplo do que escrevo foi o diálogo entre a jovem vencedora de um concurso televisivo e a apresentadora do dito programa. “E agora, o que vai fazer como o dinheiro do prémio? Uma viagem, não?”, questionava a apresentadora. “Não…”, retorquiu a premiada. “Oooohhhhhh…” interrompeu desapontada a apresentadora sem deixar a jovem ganhadora terminar a frase. “Vou investir num projecto que tenho em mente...” concluiu esta perante o manifesto desinteresse da interlocutora.


E é isto. Valorizável mesmo é esturrar. Depois a culpa da falta de guito é do capitalismo selvagem, das políticas liberais e do que mais calhar. Nossa é que não é.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

A causa da carteira

Tenho alguma dificuldade em identificar-me com determinadas causas. A dos professores é uma delas. Ainda que seja legitimo a todos e cada um lutar pelo que entende ser melhor para si, a luta dos docentes pela reposição do tempo de serviço alegadamente perdido parece-me despropositada. Não tanto pelo direito à carreira - que esse é mais do que legitimo - mas pelo discurso. Aquilo é do mais desconchavado que há. Desde os sindicatos até aos professores que individualmente vão sendo ouvidos pela comunicação social. Eu já nem digo aquela parte de pretenderem que os reformados aproveitem do que vier a ser acordado com o governo. Parece despropositado, mas entende-se. Pretender que os que já atingiram o topo da carreira venham também a ter direito a mais qualquer coisinha é que se afigura absurdo. Suscitar a ideia diz muito sobre esta “luta”. Já estou como em certa ocasião me disse, a mim e a mais uns quantos colegas, um antigo presidente da Câmara. “Carreira... carreira...vocês querem é mais dinheiro, pá!”.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Enriquecimento cultural

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Certamente a maior parte dos que aqui moram já repararam que nos últimos meses a cidade tem sido “invadida” por gentes de outras paragens que trazem consigo costumes, digamos, questionáveis. Assim do tipo andar de chinelos mesmo quando chove ou está frio, passear-se ou ir ao supermercado em pijama, gamar a carteira aos mais incautos ou assediar moçoilas. Não terão, também, uma relação particularmente amistosa com a limpeza. Nem com o sitio onde mijam. Embora, concedo, se calhar alguns até aliviariam a bexiga no local apropriado se este estivesse disponível. Também acredito que só não está porque outros que sempre aqui viveram têm comportamentos igualmente estranhos que incluem destruir as coisas destinadas ao uso público. Digo eu, porque não há dados estatísticos que comprovem seja o que for do que escrevo. E se houvesse provariam o contrário. Fosse lá isso o que fosse.

terça-feira, 21 de maio de 2024

E peixeirada, pode dizer-se?

Há quem não se canse de dar palco ao Ventura. Qualquer motivo é bom. Como se não fosse isso mesmo que o homem procura de cada vez que abre a boca. A mais recente promoção que lhe estão a fazer é do mais parvo a que já assistimos e, convenhamos, das mais perigosas. É que, assim de repente, demos connosco, cinquenta anos depois de Abril, a discutir os limites da liberdade de expressão. Pior do que isso, a sugerir impor-lhe limites a pretexto de conceitos vagos e quase impossíveis de balizar com clareza. Quantos daqueles que se indignaram com as palavras do líder do Chega, acerca da alegada pouca apetência dos turcos para o trabalho, contaram ou pelo menos acharam muita graça às anedotas de alentejanos em que estes são retratados como inveterados apreciadores da ociosidade e pouco dados ao labor? O mesmo relativamente a piadas mais ou menos jocosas acerca de carecas, louras, padres, coxos, gordos, marrecos, magros, políticos, funcionários públicos e mais uma interminável lista de pessoas ou grupos. Vamos banir tudo isso do nosso discurso? Ou, relativamente a povos estrangeiros, vamos deixar de dizer que de “Espanha nem bom vento nem bom casamento” para não ofender os espanhóis?! Eh pá, vão mas é para aquele cestinho das caravelas…


Se aplicarmos o principio do “olho por olho, dente por dente” acabaremos todos cegos e desdentados. Se calarmos tudo o que não gostamos de ouvir, acabaremos todos amordaçados. Pelos vistos é isso que os defensores de Abril defendem. Não me surpreende.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

"Tou" de volta...

Voltei. A culpa desta inusitada ausência foi de uma catarata que se instalou no meu olho direito. Já foi removida, a magana. A espera foi longa – cerca de oito meses – mas, dois vales cirurgia depois, lá se resolveu a coisa. Desta vez a “oferta” incluiu uma clínica na capital do distrito como, de resto, devia sempre acontecer quando em causa estão pacientes da região.


O Serviço Nacional de Saúde não tem, nem nunca terá, capacidade para, por si só, dar resposta a tudo e a todos dentro de um prazo razoável. É impossível. Terá sempre, a menos que se pretenda que as pessoas morram ou no caso fiquem ceguetas, de contratualizar estes serviços com os privados e pagar os tais muitos milhões que andam sempre a servir a demagogia dos que, dada a sua juventude ou boa saúde, não necessitam de recorrer ao SNS. Isso e o preconceito ideológico que os leva a preferir que os outros morram à espera de vez no público do que sejam tratados no privado. Os outros, reitero, porque quando são eles ou a respectiva família a coisa fia mais fino.


Presumo que, dada a quantidade de gente a padecer da mesma maleita que foi enviada para a clínica em causa, a conta a pagar pelo SNS seja para lá de astronómica. No entanto – apesar de não ter lá ido confirmar – tenho a certeza absoluta que o serviço no hospital público continua repleto. É o que dá as pessoas viverem mais anos e a cada dia existirem mais tratamentos para mais doenças. Uma maçada, isso. Nomeadamente para os que acham que deve funcionar tudo como funcionava há quarenta e cinco anos.

domingo, 28 de abril de 2024

Agricultura da crise

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A agricultura da crise tem ficado nos últimos tempos para segundo plano na ordem das prioridades cá de casa. As obras de recuperação da, digamos assim, segunda habitação – apenas do interior, se não a “tragédia” ainda seria maior – têm consumido todo o tempo disponível. Para além de, durante meses, terem inviabilizado a utilização do quintal. Mesmo assim, graças à persistência da minha Maria, uma parte foi cultivada. Depois da ervilhas – que já foram – estão agora as favas a dar as últimas. Seguir-se-ão os alhos, que estão com este excelente aspecto e as cebolas também a prometerem uma boa colheita. Isto para além do básico e tradicional de qualquer quintal digno desse nome. Morangos, salsa, coentros, couves e hortelã. Há ainda uns quantos “projectos” de chuchu. Mas esses vamos ver quem é que os vai comer...

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Jornada de luta

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Isto dos feriados tem que se lhe diga. Só são bons para quem não tem onde cair morto, garantia um vizinho dos meus tempos de gaiato. Na altura não percebia bem o alcance do dichote, mas há muito que lhe dou razão. Hoje, entre pinturas e restauros diversos, trabalhei mais de dez horas. E não fui o único. O vizinho da frente, que tem uma “agrária” nos arredores da cidade, fez mais ou menos o mesmo horário e outro vizinho plantou batatas o dia todo. Até os pintores que andam a pintar um prédio aqui na rua trabalharam como em qualquer outro dia. Trabalham por conta própria e, feriado ou não, dia em que não pintam é dia em que não ganham.


Ontem desloquei-me a uma grande superfície especializada em toda a espécie de equipamentos eléctricos, electrónicos e afins. Não tinham em stock o item que precisava, mas a jovem funcionária afiançou-me que se optasse por comprar me seria entregue hoje em minha casa por uma transportadora. Recordei-lhe que hoje seria feriado, o que adiaria a entrega para sexta-feira e inviabilizaria a compra. Com a maior das naturalidades disse-me que não, que ficasse descansado pois de certeza o objecto estaria hoje na minha posse. E estava. Foi-me entregue ao principio da tarde. Questionei os jovens funcionários da empresa de transportes sobre o facto de estarem a trabalhar nesta data e a resposta foi a mais óbvia. Há que ganhar mais “algum”. Afinal este é, também, o espírito de Abril. Lutar por uma vida melhor. Não com balelas, mas lutar à séria.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Lamentam, mas não fazem uma vaquinha...

Diz que numa cidade não sei onde – só sei que é em Portugal – vai encerrar portas mais uma loja histórica. Histórica, bem entendido, no sentido que existe há muitos anos. Uma mercearia, ao que parece. No seu lugar irá surgir uma “ALE HOP”. Os lamentos perante esta ocorrência não tardaram. Que se perde isto, mais aquilo e ainda outra coisa qualquer que ocorra no momento ao queixoso de serviço. Terão todos muita razão. Mas, se têm tanta pena, deviam ter pensado nisso antes. Nomeadamente cada vez que optaram por fazer as compras numa grande superfície comercial em detrimento da tal mercearia. É que o dono da loja histórica não se governa com histórias e, segundo consta, como bom capitalista selvagem prefere receber a renda que o novo explorador do espaço lhe vai pagar aos prejuízos do seu próprio estabelecimento. Veja-se o topete. Isto há gente com cada pancada. Mas quem é que, no seu perfeito juízo, tomaria uma opção destas?! Eu não, que Deus me livre. Ficaria para ali, a ver passar os turistas e a vender um ramo de salsa e uns caldos knorr lá de vez em quando. Tudo em nome do património cultural, do desenvolvimento sustentado e coiso.

sábado, 20 de abril de 2024

Reformados futuros, esses é que têm cortes à séria...

Encontrei hoje no mercado cá da terra um ex-colega e amigo a quem, desde que se aposentou há mais de vinte anos, raramente ponho a vista em cima. Reformou-se em bom tempo, ele. No tempo em que a pensão era igual ao último vencimento o que, em termos líquidos significava que se passava a ganhar mais do que quando se trabalhava. Mas hoje estava preocupado. Homem de esquerda, comunista desde que o conheço, manifestou-me a sua preocupação com o governo da AD e a sua desilusão com a política e os políticos. Garante que não paga as quotas do partido há meia-dúzia de anos, não vota e apenas quer saber das dezenas de cabras que tem lá pela propriedade. Continua, no entanto, a detestar a direita e teme que a história se repita e, tal como em dois mil e treze, lhe voltem a cortar a reforma. “Cento e tal paus foi o que me roubaram na altura”, recorda visivelmente aborrecido com a possibilidade de lhe voltarem a atacar a pensão de dois mil e setecentos euros que agora aufere. Não o pude tranquilizar quanto a isso. Só manifestar a minha solidariedade. Compreendo perfeitamente o seu drama. Até porque, enquanto ele só tem a expectativa, eu tenho a certeza que a minha reforma vai mesmo ser roubada. Se amanhã me reformar roubam-me mais de seiscentos euros. Ligeiramente mais do que a ele, acho eu.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Tarifa social(ista)

Muita gente se tem admirado – e outra tanta indignado – por os consumidores de electricidade irem pagar uma taxa que servirá para financiar a tarifa social de que beneficiam os, alegadamente, mais pobres. Não sei do que estavam à espera. Obviamente que o encargo nunca seria suportado pelos fornecedores de energia. Uma cervejeira, uma empresa de tabaco ou uma pastelaria, por exemplo, também não vendem os seus produtos mais em conta aos clientes menos abastados. Por mais prioritários que sejam nas suas opções de compra. Pensar que isso é possível é coisa que apenas ocorre às mentes delirantes dos esquerdistas que inventaram essa legislação.


Causa-me pouca surpresa a admiração e a indignação suscitada por mais esta taxa. Nem, sequer, me espanto por essa indignação ser dirigida para os comercializadores e para os beneficiários da tarifa social. Ambos, há que reconhecer, com poucas culpas no assunto. Uns e outros apenas pretendem, muito legitimamente, aumentar o seu pecúlio. Os responsáveis por este assalto ao nosso bolso são os do costume. O PS e os seus aliados de Esquerda. Quem mais?!

terça-feira, 16 de abril de 2024

Os ignorantes de Abril

Não sei se ouvi bem, mas pareceu-que o realizador de um filme, recentemente estreado, sobre o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 terá confessado, numa entrevista televisiva, que desconhecia terem naquela data falecido cinco pessoas vitimas dos tiros disparados pela PIDE sobre a multidão. Terá sido por isso que, quando soube, teve a ideia de realizar um filme sobre o assunto. Provavelmente muitos das gerações mais novas também não saberão. Nem isso nem outros dramas que se sucederam nos meses seguintes. Sabem pouco mais do que a visão romanceada que lhes é transmitida pela propaganda. Alguns até acreditam que o PCP lutou pela liberdade dos portugueses, pasme-se. É, contudo, esta gente que hoje me quer dar lições acerca do significado da “Revolução de Abril”. Talvez pelo entusiasmo deste pessoal quase me deixar comovido – a ingenuidade das pessoas tem o efeito de me comover – evito o mais que posso as dissertações sobre a época revolucionária daqueles que não a viveram. Lamento, mas se não estiveram lá não sabem nada. Há coisas que não se explicam, têm de ser vividas para as perceber. E aquilo, apesar de tudo, foi bonito de viver.

domingo, 14 de abril de 2024

Já compraram a bandeira do Irão?

Calculo que com o agudizar da crise entre Israel e o Irão, a bandeira iraniana passe a incorporar as manifestações promovidas pela esquerda ou pelos promotores das causas da moda, passe o pleonasmo. Faz-me espécie a fixação desta gente por regimes ditatoriais e por países onde os direitos das mulheres e das diversas minorias, que tanto alegam defender, são absolutamente ignorados e, pior, são vitimas de todo o tipo de violência. Está para lá da minha compreensão que feministas, gente que enche a boca de valores de Abril e que passa a vida a ver fascistas em todo o lado enquanto guincha contra os perigos da extrema direita colocar em causa aquilo a que chamam “conquistas civilizacionais” ficar do lado dos palestinianos ou tomar partido pelo Irão defendendo, inclusivamente, o fim de Israel. Ou seja contra um Estado democrático, onde os direitos de todas as pessoas são respeitados e colocando-se do lado de energúmenos que se os apanhassem a jeito lhes fariam a folha. Se bem que provavelmente nem se importariam. Morreriam felizes por saberem que teriam uma morte multicultural. Mas isso é lá com eles. Gostos, por mais estranhos e incompreensíveis que sejam, não os discuto. Dispenso é a pretensa superioridade moral com que se pavoneiam.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

IRS - O outeiro pariu um escaravelho

Afinal parece que a anunciada redução do imposto sobre o rendimento vai ser uma coisinha de nada. Começam bem. Para continuarem melhor só falta darem aos professores e às força de segurança o que estes reivindicam. Ou seja, não podem reduzir o imposto à generalidade da população porque precisam do dinheiro dessas pessoas para o dar a outras. Bonito.


Imposto, para além do razoável, é roubo. E o actual nível de fiscalidade sobre o rendimento – seja do trabalho ou das poupanças – está muito para além do suportável. Há quem goste de argumentar, especialmente a metade que não paga ou paga um insignificância, que baixar o IRS coloca em causa o estado-social. Pois que coloque. Quem, depois de todos os descontos, ganha pouco mais do que o salário mínimo não deve ser sacrificado para que outros usufruam das benesses dadas pelo governo. Mas, pelos vistos, vai continuar a ser.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Para quê comprar se posso okupar?!

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O imobiliário foi um tema que sempre me interessou. Tenho mesmo a pretensão de achar que podia, se a vida tivesse levado esse caminho, ter sido um profissional do sector. Assim um pedreiro, ou isso. Gabarolice à parte, tenho até um certo jeito para a arte.


Por isso – ou apenas porque sim – subscrevo newsletser’s de diversas empresas do ramo. Numa das últimas eram apresentadas vários imóveis para venda que constituíam verdadeiras pechinchas, desmontando assim a ideia segundo a qual comprar casa é uma impossibilidade para quem tem o azar de não ser milionário. Estava, no caso, a ser comercializado um apartamento T2, com 73 m2, no centro de uma capital de distrito, pela interessante quantia de vinte cinco mil euros. Pela fotografia que promovia o imóvel – reproduzida em cima – pode ver-se que a vizinhança gosta de conviver na rua e que existe na zona uma quantidade significativa de furgões brancos. Propriedade dos moradores, certamente. Há, contudo, um pequeno senão. Uma coisinha de nada. O apartamento está ocupado ilegalmente. E, mas isso sou eu a especular, se algum dia alguém o conseguir desocupar, estará todo partido. É nesta parte que me lembro sempre da outra fulana. Aquela que recomenda que não “lhes dês descanso”, referindo-se, presumo eu, a esses patifes especuladores que fazem, com a sua ganância, com que a malta tenha problemas em arranjar uma casa barata e, por consequência, fique impossibilitada de ter uma “vida boa”. Essas palavras de ordem são aqui seguidas em todo o seu maravilhoso esplendor. Por um lado, descanso é - a julgar pelo preço que estão a pedir - o que os donos do apartamento não têm tido. Por outro, os okupas estão certamente a levar uma vida boa. Ou seja, um magnifico exemplo do que o Bloco de Esquerda pretende para o país. As melhoras a quem votou neles.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Não passarão!

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As pessoas andam a fumar merdas esquisitas, a beber zurrapas manhosas e a comer coisas estragadas. Provavelmente, a juntar a tudo isto, também devem andar a meter na água uma cena marada qualquer. Só pode. É que a maluqueira é generalizada. As pessoas vão para as redes sociais debitar alarvidades como se não houvesse amanhã, para manifestações defender causas que são manifestamente contra os seus interesses ou modo de vida e, pior do que tudo isso, aqueles que têm a responsabilidade de informar andam com esta gente ao colo. Que é como quem diz, ficam embevecidos com estes comportamentos doentios e transmitem-nos a mensagem da bondade destas tomadas de posição. Quando tinham obrigação de fazer o contrário. Não basta andar, sempre que há manifestações da extrema-direita, à procura de criaturas a fazer a saudação nazi ou de cartazes que exaltem valores que a esquerda reprova. Há que ser coerente e denunciar quem faz a apologia de regimes criminosos e, principalmente, quem apela à violência. Como, por exemplo, este manifestante. Para alguns será apenas uma violência fofinha e tolerável. Nada contra. Desde que façam essa tal revolução comunista no vosso quintal.

sábado, 6 de abril de 2024

Fascistas de Abril

 


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Está finalmente identificada a origem da crise da habitação. É o fascismo. Foi o Livre, esse partido de um homem só, que descobriu. E não se riam, que divino líder daquilo tem toda a razão. Durante o regime fascista – pronunciar “fascista” com a “boca cheia de favas” e em tom enraivecido – os senhorios estavam impedidos de aumentar as rendas para, pelo menos por aí, não provocar conflitualidade social. Mais ou menos o mesmo que sugerem agora o Livre e restante malta que enaltece os valores de Abril para resolver o problema. Ou seja, não têm a mais parva ideia de como a coisa se resolve e, vai daí, culpam o “fascismo”. Há sempre uns quantos parvos que acreditam.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Riqueza envergonhada

Parece que nos últimos dez anos – oito dos quais governados pelo Partido Socialista, recorde-se – duplicou o número de famílias ricas. Um excelente indicador que, vá lá saber-se porquê, ninguém ligado à máquina de propaganda daquele partido veio reivindicar como uma grande conquista da governação de António Costa. E, obviamente, deviam tê-lo feito. Mas não. Ser rico parece mal. O povo não aprecia a riqueza. Nomeadamente a dos outros. Quanto muito inveja-a. Daí que este seja um indicador exibido quase como uma critica. Como se fosse um dado que representa algo de negativo. Quando não é. Pena é que não tenha sido multiplicado por dez, cem ou mil.


A propósito de milhões, diz que vamos pagar mais uns quantos na conta da luz. Para ajudar as Câmaras que, coitadas, viram o seu território atravessado por linhas de alta tensão. Não percebo o conceito. Então os potenciais prejudicados por esse atravessamento, que são os habitantes, ainda vão pagar por isso?! Ou seja, são – somos – duplamente lixados. O lado positivo da coisa é que haverá mais dinheiro para a festa. Electrizante, espera-se.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Cenas da "oposição"...

Há gente que repara em tudo. Aqui há atrasado foram os sapatos que uma secretária de estado - que acabou por ficar conhecida por outros motivos – ostentou na cerimónia de tomada de posse, a constituírem motivo para falatório. Agora foi a caneta com que uma ministra assinou o termo de posse, na investidura do novo governo, a suscitar reparos. No primeiro caso diz que os sapatos eram caríssimos, no segundo parece que a caneta também é a atirar para o carote. Coisas pouco compatíveis com a frugalidade com que os cargos públicos devem ser desempenhados, talvez seja esse o ponto de vista motivador das criticas. Ou outra coisa qualquer igualmente merecedora de censura, pouco importa.


A mim o que me espanta é haver quem repare nessas cenas. Mas que espécie de tarado é que vai dirigir o olhar para os calcantes ou para a esferográfica com que uma gaja está a assinar um papel?! Pior, quem é o idiota que vai perder tempo a analisar detalhes como a marca ou preço das coisas que as criaturas calçam ou escrevem?! Se dissertassem sobre a generosidade de algum decote mais atrevido – se é que há disso, nessas cerimónias - ainda vá que não vá. Agora sapatos e canetas?! Vê-se mesmo que são da “oposição”…

domingo, 31 de março de 2024

Tropa? Talvez...

Começa a colocar-se, cada vez mais insistentemente, a hipótese de num futuro mais ou menos próximo haver a necessidade de discutir a reintrodução do serviço militar obrigatório. Não sei se concordo. Estive na tropa e detestei cada dia que lá passei. Já tinha emprego, deixei de receber ordenado durante dezasseis meses e, por causa disso, perdi dinheiro que me fazia falta e que ninguém me pagou. Daí a minha hesitação relativamente a este tema.


Os tempos são outros. No inicio dos anos oitenta a mobilização maciça de jovens para o SMO apenas servia para manter uma máquina militar repleta de resquícios da guerra colonial. A ameaça soviética de então não passava de uma idiotice a que ninguém ligava importância nenhuma. Ao contrário de hoje, em que a possibilidade de acordar com russos ou islâmicos aos tiros por aí é muito mais do que provável. Para os receber com flores e bandeirinhas há muita gente pronta, mas é precisa muita mais que saiba o mínimo para nos defender desses e dos patifórios vindos do leste, do oriente ou do outro lado do Mediterrâneo.


Se um dia voltar a existir SMO, a recruta vai ser uma coisa engraçada. Se vai. Quem por lá passou sabe no que estou a pensar. Com as “Amélias” que se vê por aí, aquilo vai ser uma coisa, digamos, digna de assistir, vá...

sábado, 30 de março de 2024

DuKontra, como nome do meio

Desde que me comecei a interessar por política – há uns trezentos anos atrás – que mantenho a minha posição sempre que muda o governo. Resume-se àquela celebre tirada de “há governo? Sou contra”. Não sou o único. Mas, a mim, basta-me ser contra na generalidade. Muitos outros, que por aí leio e ouço, são contra o governo que aí vem porque há poucas mulheres, porque deviam ser outras e não aquelas, porque os ministros indigitados deviam ser outros e não aqueles, porque são demasiado velhos, porque os ministérios deviam ter outro nome, porque os portugueses escolheram a AD e deviam ter escolhido o PS, porque a esquerda é que devia governar sempre, porque a direita não devia governar nunca, porque, porque, porque…


Obviamente que este estado de espírito negativo em relação ao novo governo nada tem a ver com o estar contra por natureza. Será, na esmagadora maioria dos casos, a falta de cultura democrática a vir ao de cima. Enchem a boca de “valores de Abril”, de “luta contra o fascismo”, de defesa da democracia e de mais umas quantas alarvidades, mas quando, em liberdade e eleições livres, o povo decide de maneira diversa daquela que são as suas opções políticas, não procedem de acordo com os tais valores que tanto apregoam. Como se tivessem de ser sempre os mesmos a governar. Foi, entre outras coisas, para acabar com isso que fizeram o 25 de Abril. E, para evitar um regime como o que estes “contras” sonham, o 25 de Novembro.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Fisális da crise

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Segundo os especialistas da especialidade, nomeadamente os sites especializados, a “fisális é nativa das regiões temperadas, quentes e subtropicais de todo o mundo”. Não obstante estar notoriamente fora do seu habitat natural - coitado, por esta altura do ano, quase não apanha sol - o exemplar único que habita no meu quintal está a produzir frutos em número bastante aceitável. Isto apesar das condições climatéricas adversas, para além da localização desfavorável, a que a desgraçada da planta tem estado sujeita.


Parece, também, que o fruto possui inúmeras qualidades medicinais. Garantem os especialistas que é especialmente boa para purificar o sangue, fortalecer o sistema imunológico, aliviar dores de garganta, ajudar a diminuir as taxas de colesterol e aliviar as hemorroidas. Talvez sim. O que posso afiançar é que dele não direi que compensa o bem que sabe para o mal que faz. Nem o contrário. Come-se, é o meu veredicto.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Cofres cheios é péssimo, excedente é óptimo...

Diz que há para aí um excedente, seja lá isso o que for. É, pelo menos, o que todos – de repente toda a gente passou a perceber destes assuntos - andam a garantir vai para uma semana. A mim, que destas coisas de números pouco mais sei do que um barbeiro, a existência do tal excedente deixa-me dividido. Por um lado parece-me uma cena catita. Por outro não consigo deixar de pensar que, em contas públicas, excedente ou folga significam impostos em excesso. Se há dinheiro a mais e não precisam dele para melhorar o SNS ou, vá, pagar a divida, então que o devolvam a quem o tiraram. Usá-lo em favor de grupos reivindicativos mais ou menos rufias, como parece unânime entre a classe política, constitui uma afronta para a generalidade dos que não têm capacidade colectiva de amedrontar o poder.


Já foi há muito tempo e a memória das pessoas é demasiado curta, mas eu ainda sou do tempo em que uma ministra das finanças, na hora de deixar o cargo, se vangloriava de deixar os cofres cheios. Na altura, os mesmos que hoje se entusiasmam com o tal excedente, caíram em cima da coitada e chamaram-lhe tudo menos mãe. Lá está, isto de lavar a cabeça a burros não é para todos...

domingo, 24 de março de 2024

Estado Ladrão...ou coisa pior!

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Está a começar a época dos impostos. Dentro de dias inicia-se a entrega da declaração de IRS, mais semana menos semana aparece a cartinha do IMI e, no meu caso, o pagamento do IUC. Quanto ao primeiro, a manutenção das taxas escandalosas que incidem sobre o rendimento apenas tem sido possível por os governos isentarem sistematicamente mais de metade da população. Caso contrário, estou em crer, já teria havido um qualquer levantamento popular. Só para que se perceba a dimensão do roubo e a injustiça fiscal deste imposto, tenho como exemplo uma declaração que irei submeter este ano na qual o sujeito passivo tem despesas para dedução à colecta superiores ao rendimento colectável e, ainda assim, vai ter de pagar ao fisco umas centenas de euros em cima do que lhe foi retido mensalmente ao longo do ano. E não, não comprou nenhum Porche. Trataram-se todas de despesas essenciais à vida, mas das quais o Estado apenas aceita deduzir um valor meramente simbólico. Deve ser isto a que chamam Estado social, ou lá o que é.


Os outros – o IMI e o IUC – constituem receita dos municípios. O que incide sobre os imóveis é um dos impostos mais estúpidos do mundo e o que tributa os veículos automóveis, com a carga fiscal que incide sobre os combustíveis, não passa de uma redundância. Mas, lá está, é necessário dar dinheiro às autarquias para que estas o utilizem em prol das pessoinhas. Se não fosse assim como é que a malta se divertia?

sexta-feira, 22 de março de 2024

Pássaros do sul

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Este casal de andorinhas – uma andorinha e um andorinho, calculo, que os animais sabem que não é com mariquices que garantem a continuidade da espécie – devem ter estudado a melhor localização para a construção do seu ninho e concluíram que o lugar ideal é precisamente a casa que estou a preparar para colocar no mercado de arrendamento a um preço exorbitante e altamente especulativo. Lamento amigues – ó para mim a escrever em inclusivês - mas aqui não dá. Terão de procurar outro espaço. Não ando a esfalfar-se a trabalhar para virem vocês cagar isto tudo. Vão para outra parede qualquer. O que não falta por aí são casas abandonadas onde ninguém vos aborrece. Aqui é melhor não. E não me olhem assim que não penso dar-lhes. Descanso, como a outra.

terça-feira, 19 de março de 2024

Senhorios fofinhos

Afinal, ao contrário do que andava para aí a propagandear o pessoal da direita, Mariana Mortágua não é “senhoria de um T1 pelo qual cobra 650 euros ao inquilino”. Mas se fosse, não tinha mal nenhum. Mau seria se, na qualidade de dirigente partidária ou outra qualquer, pretendesse dar lições de moral acerca de rendas exorbitantes ou isso. Nada disto se verifica. Ao que se refere a comunicação social, a criatura é proprietária de um T1 – na zona de Arroios, em Lisboa – que arrendou por aquele valor entre 2019 e 2021. Já lá vão três anos, mais coisa menos coisa. Altura em que, recorde-se o SMN era de 635 euros. Este montante, mesmo para a época, terá sido considerado pelo Bloco de Esquerda, em reacção a esta notícia, como muito longe de poder ser considerado especulativo. Trata-se mesmo de um absurdo classificar uma renda daquelas como especulativa, segundo a fonte bloquista instada a pronunciar-se sobre o assunto. Também acho. Por uma vez concordo com aquele pagode. Chame-se o senhorio acusado de especulação, por cobrar mais do que um SMN por um T1, Mortágua ou outro apelido menos finório. Mas isso sou eu…

segunda-feira, 18 de março de 2024

Organizem-se...

Corrida às viagens para férias bate recorde” e “mil milhões gastos em compras de telemóveis” são duas notícias que hoje compõem a primeira página dos jornais. Constituem, também, dois indicadores importantes acerca da qualidade de vida dos portugueses. Ou das prioridades. Obviamente que cada qual gasta o dinheiro naquilo que muito bem lhe apetece. Não tenho nada a ver com isso e, desde que não me aborreçam, interessa-me muito pouco. Mas se há coisa que me aborrece são as queixinhas. Nomeadamente o queixume generalizado acerca das condições de vida, dos ordenados, das rendas de casa, dos preços e do que mais calhar que, alegadamente, levam couro e cabelo. É pá, priorizem como lhes dê na realíssima gana, não queiram é que sejam os produtores e distribuidores dos bens que consomem, os senhorios ou o Estado a suportar as vossas manias. Se não vos sobra guito depois de pagar as viagens ou o telélé, azarinho. Não se pode ter tudo. Vão passear, mas é.

domingo, 17 de março de 2024

O karma, se existir, é lixado...

Os especialistas da especialidade têm andado entretidos a analisar e, principalmente, a tentar encontrar explicações para os resultados eleitorais não terem correspondido aos seus desejos. Eles, os sábios, que veem a luz e conhecem o caminho da verdade ficaram estupefactos por o país real não lhes ligar nenhuma. Coitados, deve ser triste andar durante tantos anos a educar o povo, a explicar o que é melhor para todos nós – sim, eles é que sabem o que é bom para nós – e vai daí a malta caga-lhes no colo. Não se faz. Há, no mínimo, que mudar de povo. E isso, diga-se, é um processo que está em marcha.


Outros especialistas, ainda mais especializados na especialidade, andam agora a investigar quem é que votou em quem. Embora isso seja um trabalho fácil relativamente a alguns partidos – o PCP, por exemplo, são tão poucos que não deve dar muito trabalho saber o nome, o NIF e o número de telemóvel de cada um desses desgraçados – de um modo geral não me parece que, em termos de grandes grupos sociais, se consiga chegar a conclusões minimamente credíveis. Concluir que as mulheres votaram à esquerda e que os mais velhos não votaram no Chega, só para realçar dois dos dados mais mencionados, parece-me coisa de especialista pouco especializado ou, então, especialmente equivocado.


Uma das conclusões, especialmente irónica e de duvidosa credibilidade, é a que conclui ter existido uma transferência directa de votos do PS para o Chega. Não acredito, mas a ser verdade seria uma ironia do mais fino recorte. É o Karma, ou lá o que quiserem chamar à maneira absolutamente badalhoca como o PS se tentou aproveitar do partido de André Ventura.