
1 – Das manifestações de ontem fiquei sem perceber que solução propõem as criaturas – poucas, atendendo à dimensão que se diz ter o problema - que ontem se manifestaram pelo seu direito à habitação. Matar os senhorios não se me afigura grande ideia. Embora, reconheço, possa contribuir para solucionar o problema habitacional de quem enveredar por esse caminho. Durante vinte anos e tal anos não se precisa de preocupar em arranjar casa. O Estado garante-lhe durante esse tempo cama, mesa e roupa lavada.

2 – Foram várias as pessoas, a maior parte reformados, que referiram pagar de renda praticamente tudo o que recebem de reforma. A ser verdade – e provavelmente será – como é que sobrevivem? Vão comer à sopa do pobre? Ou será que têm um ou dois quartos sub-arrendados pelos quais cobram uma renda especulativa? Não seriam os únicos...

3 – Nisto da habitação temos dois elefantes na sala que andamos ostensivamente a ignorar. Não adianta culpar os estrangeiros ricos, a “invasão” de americanos ou meia dúzia de nómadas digitais. Esses arrendam as casas que não são, nem nunca seriam, para o “bico” dos portugueses. O primeiro paquiderme são os imigrantes que chegam às dezenas de milhares e que, tal como os nossos primeiros emigrantes, não se importam de dividir casa com mais uma ou duas dezenas de compatriotas. O segundo é o governo. Preços altos, dos arrendamentos ou das vendas, significam mais impostos. Muitíssimo mais dinheiro a entrar nos cofres do Estado representam muito mais benesses a distribuir pelas clientelas. Esperar que o tipo de gente que ontem se manifestou perceba isso é ter demasiada esperança na humanidade.














