quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Jornalixo

A reportagem da SIC sobre as alegadas actividades racistas nas redes sociais, por parte de cidadãos que por acaso são policias, pode ou não constituir um frete daquela estação de televisão em beneficio de uma qualquer causa da moda. Mas, se alcançou o objectivo junto da opinião publicada, foi um monumental tiro no pé junto da opinião pública. Aí o resultado conseguido foi exactamente o contrário do pretendido.


Deixo de lado a questão do alegado racismo. Nem vale a pena. Quando o jornalista enaltece os “jovens” e outros indivíduos “racializados” pelo facto de serem isso mesmo - “racializados” – está tudo dito acerca da moralidade que aquela gente tem para falar de comportamentos discriminatórios ou linguagem de ódio.


Prefiro salientar a simpatia com que foi apresentado um alegado caloteiro e a forma como, na parte em que falaram dos ciganos de Beja se referiram a uma comunidade de novecentas pessoas onde apenas dois trabalham. Não sei quem é que educou nem que valores foram transmitidos às criaturas que exercem funções na área do jornalismo. Sei é essa não é a educação nem esses são os valores felizmente ainda vigentes maioritariamente na nossa sociedade. A maior parte das pessoas não tem muito apreço por quem não trabalha – os que comem o pão de alguém, como dizia o Aleixo – nem especial simpatia pelo vizinho que não paga as quotas do condomínio.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Rede?! Qual rede?!

“António Costa alimentou rede clientelar que existe nos municípios”, diz hoje a capa de um jornal. Assim, sem mais nem menos. Desconfio da noticia. Primeiro porque me parece demasiado descaramento admitir convictamente a existência de uma rede clientelar nos municípios e, segundo, mas tão descarado quanto o anterior, que António Costa a tenha alimentado.


Tudo “fake news”, quase de certeza. Os municípios não alimentam clientelas. Muito menos em rede. Basta cada um dos cinco leitores do Kruzes pensar no seu próprio município e rapidamente concluirá que, na sua terra, não existe nem nunca existiu nada disso. Pode é admitir, quando muito, que esporadicamente lá para o norte ocorrerá um outro caso. Nunca confirmado, apesar de tudo. Também quanto à alimentação que António Costa terá feito a esta rede inexistente, a noticia parece manifestamente exagerada. Com uma pança daquelas, o mais provável é o alimento – a existir, sublinho -  ter ficado todo para ele.


Embora nada tenha a ver com o assunto, ocorreu-me agora que a maioria dos autarcas, ex-autarcas e outros que não sendo autarcas fazem parte do “métier” tem uma estranha tendência para ostentar uma zona abdominal bastante saliente. Alguns até terão sérias dificuldade em lobrigar a biqueira dos sapatos. Deve ser coincidência. Ou da alimentação.

sábado, 12 de novembro de 2022

Os activistas do clima que vão mas é semear batatas!

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Por alturas do PREC havia manifestações todos os dias. Com gente ao magotes, todas elas. Ajuntamentos por tudo e por nada, também.  Em relação a todos, independentemente da causa ou dos protagonistas, tive um antepassado que invariavelmente sentenciava, com evidente desprezo e muitos decibéis acima do razoável, um categórico “vão mas é semear batatas!”


Foi o que me ocorreu hoje quando vi um grupo de gente mal apessoada e de aspecto pouco recomendável a tentar invadir – ou ocupar, nem sei ao certo – a sede da Ordem dos Contabilistas. Pareceu-me apropriado. Se calhar, caso se dedicassem a essa actividade agrícola que o meu antepassado sempre sugeria, estariam a fazer muito mais pelo clima do que a entrar num prédio onde, parece, estaria um ministro que eles não apreciam por aí além. Mas isso de semear batatas não será, presumo, coisa que lhes suscite especial interesse. Faz calos nas mãos e dores nas costas. Até porque podem sempre manda-las vir, já devidamente fritas e embaladas, por um estafeta que se desloque numa mota movida a combustível fóssil.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

E reduzir o financiamento das autarquias com gastos excessivos, não?!

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A imaginação dos autarcas, no que a esturrar dinheiro diz respeito, não conhece limites. E nem falo dos legais, que esses não são a minha “praia”, prefiro focar-me nos outros. Naqueles limites que desafiam a imaginação mais delirante e naquelas ideias que me deixam com inveja de não ter sido eu a tê-las primeiro.


Tirando um autarca – ou um maluco, vá – não estou, assim de repente, a ver quem se ia lembrar de derreter mais de cento e oitenta mil euros a contratar uma empresa para prestar “serviços de criação artística de uma exposição diferenciada, capaz de traduzir os sentimentos e emoções vividas durante os tempos da ditadura em contraponto com a alegria desmedida e euforia transbordante vivida durante e no pós 25 de Abril”. A exigência, reconheço, é enorme. Tão grande como a loucura e a falta de tacto da criatura a quem ocorreu a ideia. Se a empresa em causa conseguir realizar um serviço de acordo com o pretendido, será merecedora de cada euro que os contribuintes os autarcas vão pagar. Ou então, não. O trabalhinho é para uma Câmara comunista e, como todos sabemos, essa malta entusiasma-se facilmente com os temas propostos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Caridadezinha comunista

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O PCP, como partido amiguinho dos pobres, explorados e oprimidos, tratou de apresentar uma proposta que limita a actualização das rendas a menos de meio por cento. Numa altura em que, recorde-se, a taxa de inflação já se escreve com dois dígitos. Não contente com isso terá ainda, segundo a comunicação social, proposto que ninguém seja despejado mesmo que não possa pagar a renda. Tenho pena de não conseguir ser tão generoso. Embora isto de fazer generosidade com o dinheiro e os bens dos outros não seja algo particularmente difícil. Mas nisso os comunistas têm uma longa prática. Fazem-no desde há muitos anos. Desconheço é se com o seu imenso património também são tão magnânimos. Se calhar sim.


Esta gente ainda não entendeu que a intervenção do Estado no mercado não resulta. Especialmente quando levada a este extremo. O resultado, se o governo for a reboque destes e de outros malucos, será uma menor oferta de habitação para arrendar e, por mais que tentem contrariar, o contínuo aumento dos preços devido à escassez da oferta. É, por mais que lhes custe, assim que funciona. A menos que queiram nacionalizar tudo. Ou roubar. Não seria a primeira vez.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O marmelo e o aspone

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Um marmelo qualquer, com vinte e um anos e acabadinho de se licenciar em Direito, terá sido contratado para assessorar uma ministra. Irá, ao que se diz e escreve, auferir o simpático vencimento de quatro mil euros mensais. Coisa que, vá lá saber-se porquê, está a causar uma certa irritabilidade em muita gente.


Embora defenda com veemência o direito à irritação e, confesso, até o use com demasiada frequência, desta vez não estou do lado dos irritados. Não podemos andar a lamentar os baixos salários que são pagos aos jovens e depois ficarmos chateados quando aparece um a ser generosamente remunerado. Devemos ficar aborrecidos, isso sim, com os baixos salários que recebem os jovens que trabalham. Não quero, obviamente, estar par aqui a insinuar que este marmelo – seria o que a minha avó lhe chamaria – não passa de um aspone*. Se calhar até vai ser muito útil à ministra. Mas mesmo que não seja ganhará experiência para, num futuro próximo, chegar ele próprio a ministro. É o que acontece aos marmelos que estão na jota certa no tempo certo.


*Aspone – (acrónimo de assessor de porra nenhuma) Individuo que se dá ares de importante pelo cargo que ocupa mas que é perfeitamente desnecessário, uma vez que não desempenha nenhuma função útil.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Apanhados do clima

Tenho pouco apreço por activistas. Seja qual for a causa do seu activismo. Por estes dias o clima constitui a desculpa para umas quantas criaturas fazerem disparates. Desde atirar sopa a quadros famosos ou a barricar-se em lugares públicos, parece valer tudo para levar a comunicação social a falar deles.


Posso, até, achar a causa pela qual se manifestam muito valorizável. E, se alguma pode integrar o rol das causas valorizáveis, a do clima está à frente de todas. Apesar disso continuo a detestá-los. Nem, sequer, lhes consigo dar razão. Basta-me olhar para eles para saber que, por piores que sejam os governantes que agora decidem sobre essas e outras temáticas, se esta gentinha um dia chega ao poder o mundo será um lugar muitíssimo pior.


Também se me afigura assaz estranho que sejam, esmagadoramente, pessoas ligadas às “artes” e às “letras” - daquelas que seguiram essa via por não terem aproveitamento escolar que lhes permitisse tirar cursos a sério -  a integrarem estes protestos. Não tenho nada contra os palhaços nem, em geral, contra os filósofos ou outras criaturas que vivem no mundo da fantasia. Só não os consigo levar a sério.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Meter o bedelho...

Acreditava eu que a inflação se combatia com a redução do consumo e implementação de medidas de estimulo à poupança. Não admira a minha ignorância. De economia percebo tanto como um barbeiro, um taxista ou o Presidente da República. Afinal, para combater a carestia de vida, deve é dar-se dinheiro às pessoas para que elas possam comprar cenas inflacionadas. Por mim podem continuar com esse método. O meu IBAN está disponível para o efeito.


Também tinha ideia de, aqui há atrasado, a propósito de uma proposta – chumbada, evidentemente - de um partido qualquer a propor o fim ou a limitação de algumas comissões bancárias, se ter dito e escrito que o governo não podia intervir por se tratar de matéria da competência do Banco de Portugal. Ou isso ou uma explicação parecida, não sei ao certo. Embora, estranhamente, a ingerência já fosse possível quando se tratou de meter dinheiro na banca.


Agora, ao que parece, voltou a ser possível ao governo meter o bedelho nos negócios entre os bancos e os cidadãos. Nomeadamente aqueles que contrataram créditos à habitação. Não é que ache mal, mas fico ligeiramente baralhado com esta selectividade ao nível da ingerência. Dar dinheiro público ao sistema bancário, pode-se. Obriga-lo a renegociar contratos nos quais o Estado não é parte, também. Obrigar a aumentar os juros aos depositantes e/ou proibir comissões abusivas, não pode. Não percebo. Mas não admira. Entendo tanto de economia, finanças e ciências correlativas como o Marcelo. Ou o António Costa.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Os intolerantes são muito imprevisiveis...

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Esta senhora doutora tem, para além de ser democrata e de esquerda, inúmeras outras qualidades entre as quais se incluem ativismos diversos, como o feminismo e o combate à discriminação racial. A luta contra a liberdade de expressão, provavelmente, também constará da sua agenda de causas a combater. É, realmente, um perigo essa ideia parva de cada um poder expressar livremente a sua opinião. Há que combatê-la, à liberdade de expressão. E, se calhar, a outras liberdades também. Urge implantar a censura democrática e de esquerda. Tudo para o bem do povo, obviamente. Que isto de cada um andar para aí a dizer o que muito bem lhe apetece pode colocar em perigo a democracia. Valorizável mesmo era a malta apenas poder papaguear a verborreia que gentinha como esta criatura vai regurgitando. Temos bons exemplos de países onde isso é praticado. Bora para lá?

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Que se lixem as eleições brasileiras.

Desconheço se, quando há eleições em Portugal, no Brasil também se verifica um frenesim semelhante aquele em que têm andado as televisões portuguesas relativamente ao sufrágio presidencial brasileiro. Provavelmente não. E fazem eles muitíssimo bem. Reconheço que não é todos os dias que dois patifes, que conseguem reunir o que de pior existe na política, se degladiam pelo poleiro. Mas, convenhamos, mas não era preciso tanto chinfrim. Até porque, tirando os brasileiros que vivem cá e meia dúzia de patetas extremistas de um e de outro lado, a ninguém importa qual dos dois malandros ganha aquilo. A diferença entre eles é a mesma que existe entre a merda de cão e a merda de gato. Saber isso já é informação mais do que suficiente.


Desconfio que estou a ficar com um calo no polegar de tanto mudar de canal à procura de um que não fale desses merdosos. Tem estado difícil. Valha-nos, a espaços, a CMTV e o Porto Canal. Corrupção, ladroagem e manigâncias de toda a ordem prefiro as nossas.

domingo, 30 de outubro de 2022

Uma questão - ou duas, vá - de regulação.

Pergunta-nos, na sua primeira página, um pasquim da capital se sabemos “o que é um assexual, assexual fluido demissexual, alossexual, greyssexual e arromantismo”. Confesso a minha ignorância perante este conjunto de tão inquietantes questões. Não sei nem, a bem-dizer, quero saber. Se, por qualquer acesso súbito de inexplicável curiosidade acerca do assunto, fosse procurar a resposta quando acabasse de me informar já existiriam mais três dúzias de novos conceitos inventados por estes malucos de tendências esquisitas. Possivelmente não serão mais do que dois ou três por cada cem mil habitantes mas, apesar disso, gozam de uma visibilidade mediática inusitada.


Noutro jornal pode ler-se um título que – a ser verdade – é, esse sim, deveras preocupante. Escreve o “Diário de Noticias”, a propósito da semana de quatro dias, que o “governo avalia onde e como será usado o tempo livre”. Espero que se trate de uma ironia tão fina que me tenha escapado. Não estou a ver que avaliação tem o governo a fazer quanto à forma como os portugueses usam, agora ou no futuro, o seu tempo livre. Era o que mais faltava. Embora isto - reitero, a ver verdade - vindo do governo de um partido que integra inúmeras criaturas com indisfarçáveis simpatias comunistas, já nem constitua motivo para grande admiração. Deve ser para agradar aos que reclamam uma maior intervenção estatal na regulação do mercado de trabalho. O PS vai fazer-lhes a vontade começando por regular o mercado de descanso.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Isto é que é gozar com quem trabalha

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O descaramento e a falta de vergonha desta gentinha que, dentro das cidades, insiste em ter um cão enclausurado entre quatro paredes já pouco me surpreendem. O imbecil que fez uma obra destas – refiro-me ao dono, obviamente – merecia levar com um gato morto pelas trombas até o bichano gritar “Benfica”. Permitir que o animal cague  - e, pior, não recolher a merda – num local onde pessoas normais têm de trabalhar na manhã seguinte é coisa que só ocorre a um verdadeiro javardo. Temos por cá muitos, pelo que se vê.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

E os lucros excessivos das alfaces?!

Os portugueses adoram impostos. Nomeadamente os que são pagos pelos outros, porque daqueles que lhes compete pagar tentam fugir o mais que podem. E, quanto a esta última parte, fazem muito bem. Mas, reitero, não havia necessidade de terem uma especial fixação pelos impostos que, acham eles, não se lhes aplicam.
Vem isto a propósito do tão reclamado imposto sobre os lucros excessivos. Ou o grande capital, como gosta de dizer um pequeno partido. O Costa, antes pouco favorável a estas medidas, resolveu finalmente fazer a vontade aos que exigem – e são muitos – esta nova tributação. Indo, até, ainda mais longe ao alargar o campo de aplicação ao comércio. Por mim, como já escrevi noutra ocasião, nem me parece mal de todo. Só discordo por causa daquela parte em que vou ser eu a pagar. É que, como é óbvio, lá vão os merceeiros e os gajos que vendem hortaliça no mercado reflectir também esse custo nos preços. Ah, espera, isso só se aplica às grandes superfícies. O gajo que aumenta vinte cinco por cento as alfaces de uma semana para a outra pode continuar a especular à vontade que não paga mais imposto por causa desse lucro inesperado. Nem por outra coisa, que impostos não é cena que lhes assista.

sábado, 22 de outubro de 2022

Passagem estreita

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Quando, vai para quatro ou cinco anos, foi concluída a requalificação desta zona, o espaço destinado aos peões - bem visível dado o pavimento ser diferente da faixa de rodagem – estava delimitado por pilaretes com cerca de cinquenta centímetros de altura. A natural destreza dos automobilistas tugas foi-se encarregando de os derrubar. Foram tombando um após outro até desaparecerem todos. Nenhum, como se vê, foi reposto. Os especialistas especializados nesta especialidade devem achar que não são precisos. Provavelmente por não passarem lá. Nem vou argumentar, como já vi escrito, que constitui um perigo circular por ali com um carrinho de bebé, que isso das criancinhas não importa nada. Chato, mas mesmo chato – deveras preocupante, até – é a possibilidade de algum canito, dos muitos que para ali são levados pelos donos a fim de aliviar a tripa, ficar debaixo de um carro. Isso sim, é que seria deplorável. Já eu, que passo naquele sitio várias vezes ao dia, um dia destes levo um retrovisor à frente. Depois quero ver quem paga...

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Agricultura da crise

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Desconheço o preço da nabiça. Estou, igualmente, longe de imaginar quanto custará o chuchu daqui por uns meses quando esta pequena pimpinela atingir a fase da colheita. É que isto, também na agricultura, os mercados enlouqueceram. Os preços sobem ainda mais rapidamente do que os juros. Daí que comece a olhar para esta coisa da agricultura da crise como um investimento. De risco, é verdade, que os Salgados e outros abutres do grande capital em versão agrícola andam por aí.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Larica

Parece que essa cena da larica regressou. É uma coisa que vai e vem, pelos vistos. No tempo de Passos Coelho sucediam-se as noticias de pessoas que desmaiavam nos locais mais inusitados por não terem nada para dar ao dente. Depois veio a geringonça e acabou-se a fome. Apesar de continuarem a sucumbir, a culpa era das pessoas. Saíam de casa sem tomar o pequeno-almoço e depois desmaiavam de fraqueza. O problema, que eu bem me lembro, passou até a ser a obesidade.


Agora, que a geringonça se finou e o Partido Socialista parece estar a começar a recuperar algum juízo, temos a fome de volta. O lamento começa a generalizar-se. A vida, antes tão boa, está uma miséria outra vez. O dinheiro não dá para nada. A malta paga os dez créditos, o combustível, as tatuagens, os piercing’s, o tabaco, as unhas de gel, as cervejolas ou outras cenas igualmente essenciais e, vai-se a ver, não sobra nenhum para a comidinha. Uma "desgrácia".

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Rio, mas pouco.

Diz que vem aí uma espécie de “rio atmosférico”. Um fenómeno meteorológico que se caracteriza por chover a cântaros. Até pode ser que sim. Mas, enquanto isso não acontece, prefiro continuar a vaticinar que isto não vai de água. Posso não perceber nada de meteorologia mas, ao menos, sou coerente. Ao contrário dos inúmeros especialistas na especialidade que vaticinavam um inverno sem pluviosidade e que agora nos prometem chuva com fartura. Um rio, até, os brutamontes. Promessas, muito provavelmente.


Quem também parece que meteu água foi um tal César Mourão. Pelo menos a julgar pelas reacções ao programa que realizou em Estremoz e que foi exibido no passado sábado pela SIC. Aquilo, de facto, foi deplorável demais. Mas, ao que dizem, é sempre assim. Por mim, que já assisti a funerais com mais piada, digo apenas que um artola que ignora um bar chamado “Estou no trabalho, amor” e prefere marrar com uma placa de “encerrado para almoço” da loja ao lado está apresentado enquanto humorista. Preocupante, preocupante é que lhe pagam(os) para isto.

sábado, 15 de outubro de 2022

Ah e tal, não morde...

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Este ano já terão sido registados pelas policias cerca de mil e trezentos ataques de cães. Alguns com consequências físicas extremamente graves para as vitimas. No entanto não se tomam medidas, não se punem os donos e, pelo contrário, é cada vez mais mal-visto socialmente denunciar estas coisas. Coitadinhos dos animais, que são tão fofinhos e se atacam alguém é por estava mesmo a pedi-las é a conversa da treta que está na moda. Razão tem o bispo do Porto quando se refere a este estado de demência colectiva em relação, também, à bicharada. Decadência social ainda me parece uma caracterização demasiado suave para tanta estupidez.


O número de ataques, apesar de tudo, só por mera sorte não é muito maior. Veja-se o caso deste rottweiler que se passeia tranquilamente pela cidade. Anda por todo o lado sozinho, sem trela, sem açaimo e sem que ninguém se importe. Não será, admito, agressivo. Até um dia. Depois a culpa há-de ser de alguém. Da vitima, de certeza. Do rol imenso de eventuais responsáveis todos terão uma boa desculpa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Não é fantástico, caro contribuinte?!

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Tenho alguma curiosidade –  mesmo muita, confesso – para saber como vai funcionar essa cena da dedução fiscal por andar a pé. Por principio desconfio de tudo o que vem do governo e ainda desconfio muitíssimo mais quando no governo estão os socialistas. Não é que eles sejam todos uns pantomineiros, que não são, a maioria tem é uma relação muito conflituosa com a verdade.


Esta noticia, sem que perceba bem porquê, trouxe-me de volta à memória uma burla muito em voga há uns anos atrás. Era feita através de um anúncio nos jornais onde se proponha um trabalho extremamente rentável, que consistia em enviar circulares pelo correio, à qual se teria acesso a troco de determinada quantia em dinheiro, indispensável para receber o material necessário e as devidas explicações para começar o trabalhinho. Obviamente e como não podia deixar de ser, dias depois o carteiro trazia resposta num envelope onde vinha um pedaço de papel com a frase: “Faça o mesmo”.


No caso desta pretensa dedução o esquema não deve ser muito diferente. Alguém nos dirá que ao andarmos a pé não pagamos IVA nem ISP. Quiçá, até, acrescentando: “Não é fantástico, caro contribuinte”?!

sábado, 8 de outubro de 2022

Há actividades mais mobilizadoras do que outras...

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À Junta de Freguesia cá da terra ocorreu a ideia de promover uma acção de remoção do lixo arremessado muralha abaixo por aquelas criaturas que desconhecem a função dos contentores. Uma tradição ancestral - muito enraizada na cultura local – com, pelo menos, larguíssimas dezenas de anos de prática continuada.


Apesar de não achar graça à ideia de limpar o lixo dos outros, reconheço a bondade da iniciativa promovida pela autarquia. Pena, a julgar pelas fotos do evento divulgadas nas redes sociais, a fraca adesão da população. É que nem aqueles activistas que não faltam a uma iniciativa autárquica, seja ela uma caminhada, vernissage ou sarau que culmine com um valente repasto, apareceram para dar o contributo à causa – muito valorizável, reitero – de tornar a cidade mais limpa. Nem, para espanto generalizado, os “bonecos de Estremoz” que não perdem uma oportunidade para aparecer, marcaram presença.


Houvesse no final um porco no espeto, sopa de tomate ou outras iguarias em abundância e a brigada do croquete, os puxadores de lustro profissionais e os esfomeados habituais não teriam deixado nem um penico por recolher. A táctica da cenoura funciona sempre.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Cuidado com o que desejas...

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A Esquerda sempre foi boa a apropriar-se de causas. Esta, da terra a quem a trabalha, foi uma delas. Foi, pois agora duvido que alguém ouse gritá-la muito alto. Não vá a reivindicação ser aceite e o activista em questão contemplado com um pedaço de terra para trabalhar.


Quem faz estas borradas não tem noção do que está fazer. Leu aquilo num panfleto qualquer e ficou-lhe. Não quer trabalhar, está-se nas tintas para quem trabalha e não faz a mais pálida ideia do que é a agricultura. Saberá quando muito desenvolver consistentes teorias, aprendidas nos livros de alguns criminosos com queda para a escrita, sobre a posse da terra e da propriedade privada. Que aponta como a origem de todo o mal e, naturalmente, abomina. Excepto aquela que lhe pertence, que essa é muito legitima.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Fénix-se!

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Podia tentar fazer humor negro com funerais, cremações e o nome da agência. Mas, se calhar, é melhor não. Ainda um dia destes me meti – na galhofa, claro - com um evento relacionado com idosos e estar agora a fazer piadolas com agências funerárias e actividades conexas era capaz de ser coisa para dar azo a interpretações manhosas. Mas lá que é um belo nome para cangalheiro, isso é. 

domingo, 2 de outubro de 2022

Ide multar a mãezinha...

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Nada parece ser suficiente para saciar a máquina de gastar dinheiro montada pelos socialistas. Somos vitimas do maior saque fiscal das últimas décadas, está a ser cozinhado o mais descarado corte nas pensões desde que existe o conceito de “pensão” e, porque isso ainda não basta aos generosos distribuidores de dinheiro alheio, somos vitimas de uma inusitada caça à multa. E isto nem sou eu que o digo. São os números divulgados pelo governo. Aí, valha-nos isso, não podem mentir nem trapacear. Está lá tudo. O quadro acima, para quem tiver paciência, é por demais elucidativo do esbulho que nos estão a fazer.


Atente-se, por exemplo, nas multas de trânsito. Segundo a previsão do governo, inscrita no OE para 2022, serão arrecadados quase 129 milhões euros resultantes daquele tipo de infração. Mais 38,4% por cento do que em 2021. Deve ser essa a razão porque militares da GNR e agentes da PSP arriscam diariamente a vida atrás de radares colocados estrategicamente nos locais mais inusitados. Urge apanhar perigosos condutores que circulam a 31 Km/h onde a velocidade máxima permitida é de 30. Ou os aceleras da A6, onde passa um carro de cinco em cinco minutos, que se atrevem a voar a uns arrepiantes 130Km/h. Sem esquecer – esses são os piores – aqueles criminosos do asfalto que vão a assapar nas estradas rurais que unem as diversas aldeias. Têm o pé pesado, os patifes, mas a GNR está lá para garantir que pagam por isso. E é bem feito, que essa coisa de conduzir acima do limite legal é só para ministros.


Pode, para os moralistas de serviço e outros parvos, até parecer uma acção muito meritória. Digam que é a prevenção de acidentes, contribui para salvar vidas e mais o que quiserem. A intenção, nem vale a pena querer tapar o sol com a peneira, é só uma. Angariar receita. O resto não lhes importa. Dos portugueses eles apenas querem duas coisas. Os votos e o dinheiro.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Licença para cagar

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Vão-me faltando as palavras para adjectivar o comportamento dos donos – tutores, pais ou lá o que eles se consideram – que permitem aos seus cães – patudos, anjos, filhos e mais a puta que os pariu – cagar na via pública. Desde que se iniciaram as obras no centro da cidade essa malta ficou com menos espaço para levar a canzoada a arrear o calhau. Vai daí largam a bosta no escasso metro de passeio que resta para a passagem dos peões. Devem achar-se nesse direito, os javardos. Todos os dias são várias as cagadelas, de diversos tamanhos e consistências, que aparecem logo pela manhã numa zona com diversas lojas e de passagem obrigatória para muita gente.


Não é que em termos de merda e de javardice faça grande diferença, mas seria interessante uma entidade qualquer – se calhar uma junta de freguesia, ou isso – encomendar um estudo para saber quantos cães existem na cidade. Depois podia confrontar com a base de dados do registo dos canitos, divulgar as conclusões e agir em conformidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Inquietação nacional...

Tenho manifesta dificuldade em entender esta constante e generalizada preocupação com o salário mínimo. Se já assim era quando – para não dizer antes – o seu valor se situava nos quatrocentos e quinze euros, provavelmente seria tempo de percebermos que, se após setenta por cento de aumento continuamos com o mesmo problema, a solução não estará no valor que se paga pelo SMN. Parece-me evidente – e já aqui o escrevi em múltiplas ocasiões – que podem aumentar o que quiserem. Para cinco mil euros por mês, se lhes parecer bem, mas tudo permanecerá igual e o SMN continuará a valer o mesmo que valia quando o seu valor eram os tais quatrocentos e quinze euros.


O constante aumento do SMN não tem, como está amplamente demonstrado, produzido qualquer efeito no poder de compra de quem o aufere. Serve apenas, quando muito, para melhorar as contas da Segurança Social. Tem, isso sim, servido para desvalorizar os vencimentos acima. Quem governa, sustentado pela opinião pública e por quase todos os sábios especialistas na especialidade, acha que este é o caminho. A mim, que tal como o outro não tenho biblioteca nem percebo nada de economia, parece-me um disparate. Gostava de estar errado, mas a realidade anda há anos a insistir em dar-me razão.Só

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Inferno fiscal

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Por acaso nunca me aconteceu. Até agora a nenhuma alma caridosa ocorreu a ideia de fazer uma transferência para a minha conta. Mas, se tivesse ocorrido, parece que teria de pagar imposto. A lei que a isso obriga usa o termo “doação”, mas não estou a ver como é que o fisco distingue entre doar e transferir. De referir, também, que a intenção de taxar estes movimentos não é nova e que, muito provavelmente, a receita fiscal resultante destas operações deve andar próxima de zero. O preocupante disto é o falatório que ultimamente tem gerado. Desconfio que é mais uma frente onde o Estado pretende, a curto prazo, meter o bedelho.


Há quem se indigne com aquilo a que chamam paraísos fiscais. Lamentavelmente não conheço nenhum desses alegados lugares idílicos. E tenho pena. O que conheço é o inferno fiscal em que vivemos e a obsessão demoníaca do Estado-Mafarrico em se apropriar do dinheiro alheio. Infelizmente, apesar de sermos um povo maioritariamente católico, poucos se importam de ver os seus rendimentos consumidos nas chamas da fogueira fiscal. Pelo contrário. Há até quem argumente que quanto mais dinheiro arder no purgatório melhor se viverá no paraíso. Crendices de alguns anjinhos-contribuintes. Daqueles que não se importam de dar a outra face. E o respectivo imposto, que o Estado-Belzebu nem com doações se comove.

domingo, 25 de setembro de 2022

E que tal irem viver para a selva?

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Nunca entenderei o que leva alguém a ter um cão encerrado dentro de casa. Amor pelo bicho não é de certeza. Se fosse não o condenavam a uma vida de clausura apenas interrompida para o levarem a cagar e a mijar na via pública. Quem assim procede, em apartamentos ou outros alojamentos parecidos, demonstra uma total ausência de respeito pelo bicho, pelos vizinhos e pelos demais cidadãos. Por mais que lhes chamem “filhos”, os considerem da família ou proclamem a sua bondade por tanto amarem os “patudinhos” e os preferirem às pessoas, isso não os faz melhores do que os outros. Antes pelo contrário. Apenas realça aquilo que realmente são. Uma merda.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

O que faz falta é divertir a malta!

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Tal como acontece em muitas outras localidades, também por cá vamos ter uma espécie de “Feira do Idoso”. Ainda bem, que nisto de festas, festinhas, festarolas e divertimentos diversos não devemos ficar atrás dos demais. Por mim, que faço tudo para não voltar a ser acusado de “não querer é que as pessoas se divirtam”, até acho que devíamos ter mais “feiras”, ou lá o que lhes queiram chamar, desta natureza. Podíamos ter, entre outros, o “Festival do bebé”, a “Semana dos patudos” ou o “Encontro de carecas”. O sucesso, tenho quase a certeza, estaria garantido. Ficam as sugestões. Parvas, concordo, mas isto no que diz respeito a iniciativas autárquicas ainda não é conhecido o limite da imaginação.


Mas, voltando à dita “Feira do Idoso”, tenho uma certa curiosidade acerca do que poderá ser transacionado num certame assim designado. Vão lá estar barraquinhas de venda de raspadinhas, fraldas de incontinência e bancos a promover contas poupança-reformado? Podia, para tirar as dúvidas e porque a bem-dizer já faço parte do público-alvo destas fantásticas iniciativas, ir lá ver in loco. Mas não me apetece. Não vá alguém levar o nome do evento à séria e pretender mesmo levar para casa algum idoso em bom estado. Pelo sim pelo não o melhor é não arriscar. Depois contam-me.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Já ouviram falar do mercado, ou lá o que é?

Muito se tem falado e escrito ultimamente acerca da habitação. Um problema, parece. Todos se queixam. Desde estudantes que não conseguem arrendar um quarto a um preço considerado decente, professores deslocados a quem é pedida uma renda por vezes superior ao vencimento e população em geral à procura de casa. Todos, admito, terão razão nos seus queixumes. Estão, contudo, a direccionar as suas queixas no sentido errado. Não são os senhorios, por mais especulativos que sejam os preços praticados, que têm por missão praticar a assistência social. Essa compete ao Estado. Sem o saque fiscal, que o Estado promove sobre os rendimentos e o património, seguramente seria menos doloroso o acesso ao arrendamento por parte de quem procura e mais atractivo colocar um imóvel no mercado do lado de quem arrenda. A preços minimamente aceitáveis apenas um doido varrido aceita fazê-lo. Por todos os motivos. Desde a fiscalidade à protecção que é dada pela lei aos inquilinos. Gente que, em demasiadas circunstâncias, nem numa caverna merece viver. Quando deixam uma casa, muitos deles largos meses depois de deixarem de pagar a renda, esta fica inabitável. Fruto, por vezes, na harmoniosa imundície em que vivem com cães e gatos ou da manifesta indisponibilidade para limpar o espaço em que habitam. Uns javardos, em suma.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Agricultura da crise

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Feijão verde e abóboras. São, por assim dizer, os restos da época de Verão da agricultura da crise. Desta vez com algumas atribulações. Nomeadamente visitas inoportunas dos amigos do alheio, sequência prolongada de dias com calor extremo e ausência de cuidados por períodos demasiado longos terão ditado uma produção abaixo do esperado quando comparado com o ano anterior. Excepção feita às abóboras. Não foram semeadas – as sementes foram incluídas no estrume produzido no compostor doméstico cá de casa – mas, talvez por isso, o resultado foi o melhor de sempre. Resistiram a tudo e, agora que foi necessário arrancar as plantas, ainda havia toda esta quantidade.


Não sei se ainda existem as famosas “hortas urbanas” tão em moda nos anos da troika. Uma necessidade a que os portugueses, coitadinhos, se tiveram de dedicar nos anos de governação de Passos Coelho. Aquele malvado cujo único propósito era levar as pessoas à miséria. Provavelmente agora, que graças ao Costa somos todos ricos outra vez, ninguém precisará dessas coisas. Ou, se calhar, nem haverá tempo para agriculturas. A julgar pelas imagens das festas e romarias a crise não anda por estas bandas, o dinheiro abunda nos bolsos do pagode e a inflação, quando chega a hora de festejar, não é coisa que incomode. Ou, então, é a consequência da mudança dos tempos e das vontades. Antes dava-se terra para cultivar bens comestiveis, agora dão-se “apoios sociais”. Opções.