
Por alturas do PREC havia manifestações todos os dias. Com gente ao magotes, todas elas. Ajuntamentos por tudo e por nada, também. Em relação a todos, independentemente da causa ou dos protagonistas, tive um antepassado que invariavelmente sentenciava, com evidente desprezo e muitos decibéis acima do razoável, um categórico “vão mas é semear batatas!”
Foi o que me ocorreu hoje quando vi um grupo de gente mal apessoada e de aspecto pouco recomendável a tentar invadir – ou ocupar, nem sei ao certo – a sede da Ordem dos Contabilistas. Pareceu-me apropriado. Se calhar, caso se dedicassem a essa actividade agrícola que o meu antepassado sempre sugeria, estariam a fazer muito mais pelo clima do que a entrar num prédio onde, parece, estaria um ministro que eles não apreciam por aí além. Mas isso de semear batatas não será, presumo, coisa que lhes suscite especial interesse. Faz calos nas mãos e dores nas costas. Até porque podem sempre manda-las vir, já devidamente fritas e embaladas, por um estafeta que se desloque numa mota movida a combustível fóssil.