A
bem dizer não simpatizo com isso de andar a escrever nas paredes.
Acho parvo. Neste caso ainda mais parvo. Se atentarmos no muro
podemos constatar o seu evidente mau estado. Mas, olhando mais em
pormenor, pode ver-se que alguém – o dono, a Câmara, a Junta de
Freguesia ou seja quem for – o começou a pintar. Pintou só um
bocadinho, é verdade, mas que iniciou o processo de pintura é
inegável. E não é que foi exactamente no reduzido espaço em que
a pintura apresentava alguma dignidade – e não noutro qualquer
ponto – que o contestatário ao governo teve de escarrapachar a sua
mensagem?! Se fosse um bocadinho mais ao lado faria, de certeza
absoluta, toda a diferença... Assim, como foi ali, precisamente ali,
é que o governo vai mesmo para a rua!
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Olha que obra tão catita!
Desconheço
se esta passadeira, de notória utilidade, terá sido “avivada”
antes das últimas eleições. Se não foi, podia ter sido. E está
bonita, sim senhor. Assim como a restante obra também está bastante
jeitosa...
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Quecas, almoços e IMI
Municípios
falidos, completamente inviáveis e afogados em dividas, são coisa
que não falta cá pelo rectângulo. Nada disso intimida os briosos
autarcas que os governam. Vejam-se as almoçaradas de Natal que,
nestes dias por todo o lado, são oferecidas aos eleitores mais
idosos e que, no seu conjunto, seguramente nos custarão a todos uns
quantos milhões de euros. Isto depois de, durante todo o ano, os
terem andado a passear pelo país. E, não raras vezes, pelo
estrangeiro. Para além, claro, das clássicas idas ao “Preço
Certo”.
Pode
– e presumo que haja – quem considere que isso dirá apenas
respeito aos munícipes dos concelhos rebentados financeiramente
pelas gestões popularuchas que por lá têm passado. Nada mais
errado. O descalabro instalado nas contas dessas autarquias vai ser
pago por todos. Até por nós. Mesmo pelos que nunca foram a Fátima num
autocarro da Câmara nem cumprimentaram o Fernando Mendes.
Está
na forja legislação que, no limite, permitirá transferir parte do IMI, a resultante da
reavaliação que as nossas casas tiveram no ano passado, para as
Câmaras endividadas por autarcas tresloucados. Que é como quem
diz: Quem pagava, por exemplo, noventa euros e paga agora duzentos,
contribuirá com cento e dez euros para o bolo que ajudará a salvar
as Câmaras falidas. Se, reitero, a redacção original for aprovada. É que isto não há almoços grátis. Nem
quecas oficiais à borla. Num e noutro caso uns comem e todos pagam.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Que é feito da tradicional chapada?!
Perigos vários apoquentarão, de certeza, os habitantes de Cabeceiras de Basto. Deve ser por isso que a autarquia lá do sitio decidiu promover um curso de defesa pessoal. Artes marciais ao estilo israelita. Krav Maga, ou lá o que é. Tudo grátis. Como é próprio de qualquer autarca que se preze, sempre pronto a colocar gratuitamente à disposição dos seus munícipes aquilo que não lhe pertence.
Desconheço os argumentos que terão servido de justificação para a realização desta despesa pública. Sim, porque o que se anuncia como gratuito para uns, acaba por custar dinheiro a todos. A ideia será, provavelmente, dotar a população de conhecimentos no âmbito da pancadaria que permita desmotivar eventuais ataques de meliantes. Ensinar aos velhinhos como reagir perante os patifes que lhes queiram roubar as reformas, por exemplo. Ou, talvez, promover junto das vitimas de violência doméstica uma actividade que lhes proporcionará uma forte capacidade de se defenderem dos seus agressores. Tudo boas causas, portanto. E para as quais as autarquias estão particularmente vocacionadas.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Tragam a calculadora!
Se
fosse munícipe do Porto a noticia do regresso de Pedro Burmester à
Casa da Música - o mamarracho onde, recorde-se, foram esturrados
mais de cento e onze milhões de euros - deixava-me preocupado. Assim,
enquanto contribuinte, os motivos que estão subjacentes ao seu
regresso deixam-me só ligeiramente apreensivo.
Diz
que o homem prometeu – e, pelos vistos terá cumprido - não actuar
na cidade do Porto, sua terra-natal, enquanto Rui Rio fosse
presidente da câmara. Isto como forma de protesto contra a politica
do ex-autarca em relação à cultura. Contra a maneira rigorosa como
o anterior edil geria o dinheiro dos contribuintes, portanto. Agora,
parece, tudo mudou e o pianista volta, feliz e contente, a dar largas
ao seu talento na cidade onde nasceu.
Acreditar
que o pessoal das artes, da cultura ou a intelectualidade de esquerda
em geral, venha a perceber um dia o conceito de rigor na gestão do dinheiro
público ou entenda que entre pão e circo a escolha terá de ser,
inequivocamente, pelo primeiro, é ter as expectativas demasiado
elevadas em relação aquela malta. Por isso, os poucos que se
preocupam em gerir de forma rigorosa o dinheiro dos contribuintes são
enxovalhados. Pior do que isso. Quase ninguém tem coragem de fazer
frente a essa tropa fandanga. É o politicamente correcto. Essa nova
ditadura que se instalou entre nós.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Brincar com a água
A
noticia hoje, divulgada pelo Diário de Noticias, segundo a qual o
preço da água poderá em breve aumentar de forma significativa não
constitui surpresa. O actual modelo é desadequado e, principalmente,
injusto. Desadequado porque, salvo raras excepções, os custos reais
do sistema são desconhecidos. Pior do que isso. São, muitas vezes,
liminarmente ignorados. É, também, injusto dado que o preço varia
de um concelho para outro ao sabor de politicas populistas,
eleitoralistas, demagógicas e, principalmente, incompetentes.
Já
dizia a minha avó, na sua imensa sabedoria, que a água não se nega
a ninguém. Nem, acrescento eu, devia ser um negócio. Mas agora,
chegados a este ponto, parece quase inevitável que o seja. E a culpa
é nossa que nos pusemos a jeito. Quando cada metro cúbico nos
custar dois ou três euros, vamos rabujar e chamar nomes a uns certos
malandros. Pena que ninguém tivesse pensado nisso quando andámos a
brincar com a água.
PS-
Quando escrevo nós é isso mesmo que quero escrever. Quem é que
sucessivamente elegeu os políticos muita porreiros que negociam o precioso liquido como se fosse uma qualquer mercadoria, o vendem ao desbarato ou, em muitas
circunstâncias, até o dão?!
sábado, 7 de dezembro de 2013
As agressões verbais também contam?!
A
lei recentemente aprovada pelo parlamento que criminaliza os maus
tratos a animais domésticos tem merecido – justamente, talvez –
uma quase unanimidade de comentários favoráveis. Acredito, no
entanto, que será mais uma, entre tantas outras, a não ter
aplicação prática. Será até, como acontece amiúde, o próprio
Estado que não a vai cumprir quando licenciar canideos que não
dispõem de condições de acomodação adequada. Como os que vivem
fechados em apartamentos, por exemplo. Que isto não é só o tão
criticado “bidon”, a servir de casota, que é inapropriado para os
canitos.
O
teor da legislação definirá, presumo, o tipo de animal que se pode
considerar como doméstico. É que se todos os animais são iguais,
neste caso, convém que alguns sejam mais iguais que outros. Uma
cobra, um jacaré ou uma aranha venenosa dificilmente podem ser
enquadradas nessa categoria. Mais. De ora em diante que os tiver em
casa está a incorrer num crime. Manter qualquer um destes animais
prisioneiros é dos piores maus-tratos quem se lhe pode infligir. E
não falta quem o faça. Impunemente.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Podemos sempre aumentar o IMI...
Na
sequência da divulgação a nível nacional destes dados, um jornal
local – na edição em papel e na versão online – fez uma breve
análise ao número de trabalhadores que algumas autarquias da região
empregam tendo em conta a população residente. Não vou comentar os
números. Não me apetece. Nem, sequer, são eles que importam para o
caso. Perante este artigo o que verdadeiramente me surpreende é a
frase entre parêntesis. Aquela que tem uma espécie de sublinhado a
vermelho. Há ali qualquer coisa que me escapa. Nomeadamente quando,
ao que consta, o dinheiro escasseia. E de, também, ser quase unânime
que ao Estado não compete o papel de criador de emprego mas sim o de
potenciar a sua criação pelas empresas.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A difícil arte de comer filhoses meladas
Não
sou grande apreciador de filhoses. Nem nunca fui. Muito menos agora
que começo a ter preocupações com isso do colesterol. E depois há
aquela parte de ficar com os dedos besuntados. Sim, porque aquilo não
é coisa que se coma de faca e garfo. Como mostra o vídeo. Realizado por mim, diga-se, na última Cozinha dos Ganhões.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Estes macacos ainda não aprenderam...
No principio, quando a reciclagem era uma novidade, os publicitários inventaram um macaco – o Gervásio, ou lá como se chamava o bicho – mas nos incentivar a reciclar. A tarefa era tão fácil, garantiam, que até o símio a aprendeu a executar em menos de nada. Passados todos estes anos – e são muitos – ainda há uns estafermos que desconhecem o conceito. Ou então – hipótese a não descurar – estão num estádio de desenvolvimento mais atrasado que o Gervásio.
Presumo que a generalidade das pessoas não sabem – o que não surpreende, porque ninguém lhes explica – que o facto de não reciclarem os resíduos que produzem nos custa dinheiro. Muito e a todos. Mas isso parece importar pouco. Afinal nós semos ricos, nã samos?!
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Mas os cortes são só nas pensões? É que até parece que são apenas os pensionistas as vitimas destes malucos
Deve ser, assumo, problema meu. Mas, de verdade, não
estou a ver razão para a histeria colectiva que tem assaltado a
comunicação social a propósito da intenção do governo de reduzir
as pensões de aposentação. Tudo o resto parece que não interessa.
O desemprego, a diminuição de apoios sociais, a falta de
perspectiva de futuro para os jovens ou, até porque o barco é o
mesmo, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, não
motivam idêntico nível de preocupação nem constituem tema que
mereça, da parte dos média, o mesmo tratamento.
Tal ficará a dever-se, não vislumbro outro motivo, ao
facto de Portugal ser um país de reformados. São muitos, logo
qualquer assunto que os envolva garante audiência. Destes, não são
poucos os que ocupam lugares de destaque na governação do país –
logo a começar pelo Aníbal, que nunca escondeu as suas preocupações
com a sua reforma –
e ainda serão mais os que se dedicam a fazer opinião em tudo o que
é jornal, rádio e televisão. Nomeadamente a opinar em defesa da
sua dama. A sua rica reforma. Que, ao contrário da maioria dos
aposentados e dos que trabalham, é mesmo rica.
Não está, obviamente, em causa a reprovação que
merece esta medida do governo. Tenho as pontas dos dedos gastas de
tanto me indignar contra ela e outras do mesmo genero. O que me
repugna é a maneira como a coisa é apresentada. A parcialidade
escandalosa com que o assunto é tratado. O descaramento com que me
querem fazer acreditar nas dificuldades por que estarão a passar.
Que diabo. Eu também tenho cortes no vencimento – o que me deixa
visivelmente aborrecido – e ganho várias vezes menos do que aquela
malta que me enche o ecrã da televisão de lamentações. Façam
menos cruzeiros e vão ver que nem notam a austeridade!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Sim, estou de acordo. E simultaneamente de opinião contrária.
Numa coisa concordo com todos aqueles – e têm sido muitos – que manifestaram a opinião, seja qual for o meio utilizado, que o aumento do salário mínimo constituiria um crime contra os mais pobres porque, garantem, isso contribuiria para aumentar o desemprego e dificultaria, ainda mais, o acesso ao mercado de trabalho aos jovens e aos menos qualificados. Contrariado mas não vejo, nas actuais circunstâncias, como não concordar.
Há mesmo quem defenda, não só de agora mas desde tempos imemoriais, que nem sequer devia existir um mínimo estabelecido por lei para a remuneração do trabalho. Por acaso também acho. São, afinal, dois os itens em que estou de acordo com essa corrente de pensamento. É que, vendo bem, se o mundo fosse tão perfeito como estes opinadores defendem, o desemprego seria praticamente erradicado. Arrisco, até, que o problema passaria a ser a falta de mão de obra.
Nunca tinha equacionado a coisa desta forma mas, visto o tema por este prisma, é, de facto, verdade. Contorço-me de raiva por nunca ter pensado nisso antes, enquanto me vergo perante tanta sapiência. Mais, torno-me desde já um defensor dos salários baixos. Baixíssimos, mesmo. Miseráveis, até. E garanto que, caso esta idílica perspectiva se concretize e os ordenados passarem a ser, sei lá, tipo 50 euros por mês, crio de imediato meia dúzia - ou mais - de postos de trabalho lá na herdade. Se houver quem não se importe de ser escravo, claro.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Um autarca em primeiro-ministro?! A esquerda não tem mesmo amor à carteira...
António Costa, o autarca da capital, parece ser o preferido das esquerdas para chefiar o governo a sair de umas próximas – ou apenas relativamente próximas – eleições legislativas. Ao homem são apontadas umas quantas virtudes que, dizem, têm andado afastadas dos antigos e, também, do actual líder do partido socialista. Para além, garantem, de seguramente ser muito mais capaz de governar o país do que o Parvus Coelho.
O meu habitual cepticismo em relação aos políticos - e em particular aos autarcas – não me permite concordar com o quase consenso em redor do senhor Costa. Por muitas razões. A primeira, porque tenho uma vaga ideia de este destacado militante socialista ter sido o número dois do governo socrático. O tal que rebentou com as nossas finanças e que cavou um buraco de dimensões apocalípticas nas contas do país. Como não se afigura provável que o actual edil tenha aprendido grande coisa desde então, está-se mesmo a ver o rumo que isto levará com ele ao leme...
Depois, porque as suas prioridades, mesmo em momento de crise, são de continuar a gastar os recursos que não têm em futilidades, principalmente em tempo de crise, em lugar de pagar as dividas. Ainda ontem o cavalheiro, na inauguração da iluminação de natal da capital, manifestou opiniões curiosas quanto à maneira de gerir o dinheiro dos contribuintes. Para ele poupar, em anos anteriores, nas iluminações de natal foi um erro que não voltará a repetir. Pois. Gaste, gaste. Que no gastar é que está o ganho. Eleitoral, apenas.
sábado, 30 de novembro de 2013
Os saqueadores são uma espécie que me aborrece
Portugal
está – desde há muitos anos – a saque. E, por mais que a
ministra da justiça proclame que a impunidade acabou, aquilo que
continuamos a constatar é que vivemos num país de saqueadores.
Verdade que uns sacam mais que outros. Há quem saque milhões e quem
saque tostões. Cada um saca o que pode, portanto. Desde o gajo que, alegadamente, se afiambrou a toneladas de euros do BPN até ao espertalhão que, não menos alegadamente, se
vai escapulindo ao pagamento da renda, da água ou da luz que
consome. Num e noutro caso cá estão os dos costume para pagar. Mas estes sem essa coisa do alegadamente. Até
um dia que se aborreçam de tanto ser sacados. Nessa altura, ao
contrário do que gostariam uns quantos velhotes, nem vai ser preciso
andar à porrada. Quando o dia do aborrecimento chegar isto cai de
vez. Nas calmas. Mas, se calhar, com estrondo.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Em busca da pesquisa perdida
Por
algum motivo que me escapa, as pesquisas efectuadas no Google já não
aparecem nos contadores de visitas. Deve ter algo a ver com a
melhoria do serviço ou assim. Perde-se, por causa disso, informação
relevante da qual os administradores de bloggers e outros sites
extraíam importantes conclusões quanto à melhor forma de manter e
cativar a audiência.
Os
restantes motores de busca, por enquanto, não adoptaram esta
politica. No entanto, dado o número residual de utilizadores que a
eles recorrem, não é a mesma coisa. De certeza que entre as
pesquisas a que agora já não tenho acesso estarão expressões mais
interessantes e curiosas do que a “grande puta tuga” - da
qual, espero, o autor tenha encontrado o rasto – ou do leitor gago
que pesquisou “n n nuas”.
Depois
de me terem saneado do adsense, agora isto. Palhaços. Acho que vou
mudar de motor de busca. Não é que eles se importem. Mas eu também
não.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
De hipocondríacos a amantes das novas tecnologias.
Não
vai longe o tempo em que clínicas e outros espaços onde se realizam
exames complementares de diagnósticos ou, até mesmo, centros de
saúde estavam cheios de gente. Velhos e novos, doentes ou a vender
saúde, não havia cão nem gato que não fizesse toda a
espécie de exames médicos.
Hoje
estes locais estão praticamente vazios. Inclusivamente os serviços
de urgência estão, a maior parte do tempo, quase às moscas. Deve
ser, presumo, mais uma nefasta consequência da crise. Ou, então,
trata-se de uma espécie de milagre em que a nossa saúde melhorou ao
mesmo ritmo que a carteira se foi esvaziando.
O
que, estranhamente, continua cheio são os centros comerciais. O que
pode questionar isso da carteira estar mais vazia. No último
fim-de-semana os tablets, telemóveis daqueles todos catitas e LCD's
de dimensões XXL saiam a uma velocidade estonteante da Worten cá
sitio. Tudo coisas sem as quais, obviamente, já não podemos viver.
Por mais que a crise nos afecte. A crise ou as nossas prioridades.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Não há almoços grátis. Nem reparações à borla.
Sucedem-se
noticias de autarquias que disponibilizam serviços de pequenas
reparações ao domicilio. Tudo o que diz respeito a carpintaria,
electricidade ou canalizações pode ser consertado por pessoal
habilitado, para o efeito disponibilizado pela respectiva autarquia
local. De forma gratuita e discriminatória. Bom, talvez não seja
bem assim. Nomeadamente na parte do gratuito. Porque a menos que o
presidente da câmara pague do bolso dele alguém está a pagar. E
desconfio que são os discriminados a quem isso da gratuitidade não
se aplica. Inconstitucionalidadezinha da boa, parece-me.
Não
sei se a dificuldade cada vez maior em encontrar um carpinteiro,
canalizador ou electricista para fazer uma pequena reparação
estará, ainda que vagamente, relacionada com tão inteligente medida
de apoio social. Talvez não esteja. O pessoal é que está cada vez
mais preguiçoso e não se quer dedicar a actividades que envolvam
esforço físico. Deve ser isso.
domingo, 24 de novembro de 2013
Ainda isso das quarenta horas
Estremoz
será, alegadamente, a única câmara do distrito e uma das poucas no
país a aplicar a lei que estabelece o horário de trabalho da função
pública em quarenta horas semanais. Nada de mais. Lei é lei e,
tanto quanto se sabe, é para cumprir. Daí que tal atitude não
constitua, na minha modesta opinião, motivo para elogios ou reparos.
É assim e pronto.
O
mesmo não digo de certas vozes que, cá pelo burgo e também no
resto do país, não contêm o seu regozijo de cada vez que os
funcionários públicos vêem piorar a sua situação profissional e
financeira. Deviam, digo eu, ter percebido – até porque muitos já
o sentem na pele – que qualquer patifaria feita pelo governo à
função pública se reflecte, inevitavelmente, no resto da
comunidade. Mais ainda numa terra pequena onde a dependência do
Estado é esmagadora.
Se
a perda de rendimentos conduziu à quebra do consumo e consequente
diminuição das vendas, o aumento do numero de horas de trabalho
está a piorar ainda mais o cenário. É, pelo menos, do que se
queixam alguns comerciantes da cidade. Coisa que devia preocupar –
no lugar deles preocupava-me – os que olham com satisfação as
atitudes persecutórias do governo. Até porque elas podem significar
mais encerramentos de lojas, despedimentos e o resto a que já vamos
estando habituados. Mas se o povo gosta...
Perante
esta evidência reconheço que me equivoquei quando, aqui há atrasado,
me pronunciei contra a extinção de uns quantos feriados. Afinal o
governo tinha mesmo razão. Mais dias de trabalho corresponderão,
necessariamente, a um aumento do produto interno bruto. Assim como,
inversamente, na sequência da mesma lógica, menos horas de descanso
– ou sem trabalhar – diminuirão o consumo. O pequeno comércio
local atesta a eficácia da teoria.
sábado, 23 de novembro de 2013
As varandas da crise
Por
causa da crise ou de outra coisa qualquer é cada vez mais
frequente encontrar alfaces, couves ou outros vegetais comestíveis em locais onde antes apenas existiam ervas ou flores. É o caso desta
varanda no centro da cidade. Com a vantagem, relativamente ao meu
quintal, da plantação estar a salvo de lesmas e outra fauna como a
que arruína a minha “horta”.
É
por causa dessa bicheza que, também eu, aderi à “agricultura de
vaso e garrafão”. Primeiro foram os morangos e, agora, um
criadouro de alfaces. Que, a seu tempo, serão também plantadas no
vasilhame estrategicamente espalhado pelo quintal. A salvo, espero,
de toda a espécie de rastejantes, criaturas aladas e gatos
incontinentes.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O cliente tem sempre razão...excepto nisso da cultura!
Sou um inculto.
Revelação que, diga-se, não constitui novidade para ninguém.
Muito menos para mim. Mas, fiquei a saber desde esta semana, não sou
o único por estas paragens. A julgar por aquilo que tenho lido na
Internet os habitantes de Estremoz, todos sem excepção, padecem de
uma profunda falta de cultura. Isto porque, pasme-se, nem um só residente desta terra foi assistir a um espectáculo
espectacularmente espectacular que estava agendado para o fim-de-semana passado.
Sim, é verdade. Nem um
estremocense se dignou a fazer companhia ao único actor que ia subir
ao palco do teatro cá do sítio. E isso, compreensivelmente,
indignou o pessoal envolvido na peça – que se propôs vir
apresenta-la por sua conta e risco – e, incompreensivelmente, uns
quantos fulanos que, nas redes sociais, desataram a encontrar
culpados pela total ausência de público. Tudo tem servido para
justificar o fracasso. Nomeadamente a ofensa reles a funcionários do
Município, a atribuição da culpa pela situação ao presidente da
câmara e um argumentário de nível abaixo de idiota quanto à
pretensa falta de divulgação do evento. Nada que surpreenda muito.
Porque, como se sabe, para o pessoal da cultura – esses seres
iluminados e de inteligência superior – a culpa é sempre dos
outros e nunca deles.
Em momento algum aquela
malta equaciona a hipótese de o espectáculo não ser assim tão bom
ou admita que nesta terra não exista público para aquele tipo de
trabalho. Nem - pelo menos isso - reconheça que temos o direito de,
enquanto consumidores seja de cultura ou de outra coisa qualquer,
comprar apenas o que nos apetece. Por melhor que seja o produto que
nos estão a tentar vender. O que, se calhar, nem era o caso.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Ainda o horário de trabalho da função pública
De entre as coisas que
me aborrecem a xico-espertice é uma das que ocupa os lugares
cimeiros da lista. O xico-esperto é um daqueles seres – em
abundância neste país - que não me merece nenhum tipo de respeito
e que desprezo profundamente.
O que se está a passar
relativamente à questão do horário de trabalho da função pública
é, apenas, mais um exemplo do xico-espertismo nacional. O que penso
acerca do assunto está mais que explanado em vários posts que
dediquei ao tema e, por isso, não faço hoje considerações sobre a
bondade, ou falta dela, da decisão de pôr a função pública a
trabalhar oito horas.
Aquilo que deixa os meus
poucos cabelos em pé é atitude deplorável dos sindicatos e de
outros agentes políticos perante a matéria. Primeiro, porque não
estou a ver a razão objectiva – subjectivas até vejo muitas –
para recursos e providências cautelares. A lei é clara, não deixa
margens a interpretações manhosas e não constitui qualquer tipo de
discriminação entre trabalhadores do privado e do público. O
governo legislou – foi, de resto, para isso que os portugueses o
elegeram – e não devem ser outras instâncias, por mais legítimas
que sejam, a decidir sobre assuntos da esfera politica. Até porque
não me lembro – mas admito que a minha memória me esteja a
atraiçoar – de ter ido votar para a eleição de qualquer
tribunal. Constitucional ou não.
Depois, porque a luta
política em redor do assunto é apenas baseada no oportunismo e
protagonizada essencialmente por xicos-espertos. Veja-se o recente
caso da greve protagonizada pelos trabalhadores dos transportes
colectivos do Barreiro contra a aplicação das oito horas de
trabalho por parte daquela autarquia. Liderada, recorde-se, pelo
partido comunista. Neste caso, a luta contra a imposição do novo
horário não terá merecido grande simpatia, muito menos
solidariedade, dos sindicatos e pessoal afecto ao poder camarário.
Está-se mesmo a ver que a cor política da autarquia não tem nada a
ver com isso… os gajos dos autocarros é que devem ser uns beras do
caraças de quem ninguém gosta.
Continua. (Amanhã ou
noutro dia qualquer…)
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Mais estacionamento tuga!
Se isto da blogosfera
ainda desse dinheiro como dava antigamente, o “estacionamento tuga”
era coisa para, só por si, constituir motivo mais do suficiente para
criar um blogue dedicado ao tema. Assunto para o alimentar não
faltava.
Ao tuga de hoje pareceu
bem estacionar assim. De esguelha. A ocupar todo o passeio. Que, ao
que sabe, ainda é o espaço reservado para circulação de peões.
Pessoas a pé, portanto. A menos que, numa interpretação mais
moderna da legislação que regulamenta esta matéria, se defenda que
o código da estrada não se aplica aos passeios e, sendo assim, nele
o automobilista pode fazer o que muito bem lhe apetecer.
domingo, 17 de novembro de 2013
As laranjas da crise
Fruta.
Muita fruta. Coisa suficiente para, se no quintal adequado, ganhar
dois ou três campeonatos. Como é no meu não vai além de uns
quantos sumos.
sábado, 16 de novembro de 2013
Estacionamento tuga
No
que ao acto de estacionar diz respeito, o tuga é um verdadeiro
mestre. Estaciona com mestria inigualável a carripana nos locais
mais improváveis e mesmo que isso prejudique os outros, ao tuga
pouco importa. Eles que façam o mesmo. Desenrasquem-se.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
E que tal cortá-los a eles?
O
discurso oficial começa a ser perigoso. Diria, até, a dar sinais
preocupantes de discriminação relativamente aos funcionários
públicos que já vai muito para além da demagogia oficial e do ódio
latente que grassa em muitos sectores da sociedade. Dizia ainda agora
um deputado da maioria, a propósito do orçamento de Estado para
2014, que a “opção do governo foi cortar no Estado em vez de
cortar nas empresas e nas pessoas”. Assim. Sem tirar nem pôr.
O que significa, face aos cortes previstos no diploma em discussão,
que aos funcionários públicos e aposentados, segundo o ponto de
vista de PSD e CDS, não é atribuída a condição de pessoas.
É
este tipo de gente – nem sei se lhe atribua este estatuto - que
nos governa. Uns porcos. Que não respeitam o povo que governam. Só
me apetece mandá-los levar no cú. Mas é melhor não. Às tantas
ainda gostam.
Boas noticias para alguns eleitores...para outros nem por isso.
Pelas notícias que
têm sido divulgadas nos últimos dias verifica-se que são muitos os
municípios a reduzir as taxas e preços por si praticados.
Nomeadamente, por ser a que mais pesa nos bolsos dos contribuintes,
os valores que até agora vinham cobrando pelo IMI. É, sem dúvida,
uma excelente medida para os contribuintes residentes nos concelhos
que estão a optar por estas reduções. Pode também significar que
os autarcas estarão, finalmente, a ganhar juízo e a perceber que
isso do rigor nas contas públicas toca a todos. É que a diminuição
de receitas que está associada a estas deliberações, acrescida aos
cortes nas transferências do Estado e à diminuição natural de
outras receitas provocada pelo ajustamento no comportamento de
empresas e cidadãos, vai provocar um rombo colossal nos orçamentos
municipais. Para o qual, espera-se, todos terão de estar preparados.
Porque isto, não sei se toda a gente sabe, a menos receita terá
forçosamente de corresponder menos despesa. E isso, se desejável e
indispensável, é capaz de não estar a ser assimilado pelos
eleitores. Nem, se calhar, pelos eleitos que assim decidem. Para além
de, quando o exercício de 2014 estiver a decorrer, a coisa ser
susceptível de provocar reacções com um nível de entusiasmo
significativamente mais comedido…
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Retoma ao raiar do dia
Teremos,
alegadamente, saído da recessão. Uma boa noticia, concordemos. Em
boa parte, ao que parece, também devido à melhoria verificada na
procura interna. Perante isto o que faz o governo? Prepara-se para
voltar a diminuir salários, obviamente. Como faria qualquer parvo.
Que essa coisa da recessão não é para ser abandonada assim sem
mais nem menos. Até porque ninguém manda a malta ser alarve e andar
por aí às compras.
Por
falar em compras, procura interna e trapalhadas correlativas. O LIDL
abriu hoje em Estremoz a sua nova loja. Para além dos visitantes já
esperados, provavelmente atraídos pela oferta do pequeno-almoço ou
das castanhas, os clientes terão sido mais que muitos. O primeiro,
parece, terá chegado quase de madrugada. Para, logo que a loja fosse
inaugurada, ter a honra de ser o primeiro a fazer compras na nova
superfície comercial. Um consumidor motivado a contribuir para a
retoma e a quem os cortes na pensão não tiraram a vontade de
adquirir coisas, pelos vistos.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Desiludidos?! Ninguém os manda ser parvos.
As primaveras árabes,
tão queridas da esquerda e da intelectualidade lusitana que não se
cansou de as comparar ao nosso 25 de Abril, contribuíram para
degradar ainda mais os direitos das mulheres. Na altura não
partilhei do entusiasmo generalizado que corria pela blogosfera. Não
era difícil prever que seria mais ou menos isso que acabaria por
suceder. Por mais que custe a aceitar a internautas ingénuos ou
catraios que mal largaram os cueiros armados em comentadores de
meia-tigela. Podiam, digo eu que nem gosto de dar conselhos, era ser
um bocadinho menos parvos e admitir que outros possam ter uma visão
diferente acerca do mesmo acontecimento. Menos académica, mas mais
fundamentada na experiência de vida. E próxima da realidade, no
caso.
Prioridades leva-as o fumo
Claro que nisto dos
bairros sociais, como se calhar em todos os outros lugares, há gente
de todas as condições. Ricos, remediados e pobres. Desde aqueles
que, provavelmente num gesto ímpar de altruísmo, pagam onze mil
euros de quotas em atraso aos seus camaradas de partido, até aos que
não têm dinheiro para, sequer, pagar coisas básicas como o
fornecimento de energia e água. Ainda que, mesmo estes últimos e em
muitas circunstâncias, tudo se resuma a uma questão de prioridades.
Como muito bem dizia uma senhora já velhota, igualmente residente
num bairro portuense que tem sido noticia ultimamente por razões
relacionadas com calotes a empresas prestadoras de serviços. O que
se confirma pelas declarações do vizinho que, garante, não paga a
luz nem a água desde tempos imemoriais. Não tem dinheiro para isso,
lamenta-se. Enquanto acende um cigarro e manda umas baforadas.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Só posso ter ouvido mal. A "responsabilidade pelas instalações é do sindicato" ?! Mas o que é que andam a fumar em Évora?!
Publicação de SIC Évora.
Diz que, por causa da greve da função pública,
algumas autarquias do Alentejo estiveram de portas fechadas na
última sexta-feira. Num dos casos onde isso ocorreu ficámos a
saber, através de reportagem exibida pela SIC, que a iniciativa do
encerramento das portas terá partido do sindicato. Por, dizia uma
sindicalista, o sindicato ter entendido que não estavam reunidas
condições de segurança para o edifício estar aberto. Embora,
salientou, tivesse sido autorizada a entrada aos trabalhadores que
não aderiram à paralisação. Era, digo eu, também o que mais
faltava. Ainda que, encerrar lá dentro quem decidiu exercer o
direito a ir trabalhar, constitua uma evidente forma de pressão
sobre os que optaram por não fazer greve.
Não sei se é só a mim, mas, assim de repente,
parece-me que o facto de uma estrutura sindical a determinar o fecho
de um edifício público não será uma coisa muito legal. Mais
espantoso é o chamado poder local democrático lá do sitio pactuar
com actividades deste género. Por mais simpatias partidárias que
existam entre uns e outros. É verdade que isto só acontece em
municípios liderados pelo partido comunista. Onde, como todos
sabemos, existe democracia e essa coisa das perseguições e da falta
de liberdade ficam à porta.
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