Claro que nisto dos
bairros sociais, como se calhar em todos os outros lugares, há gente
de todas as condições. Ricos, remediados e pobres. Desde aqueles
que, provavelmente num gesto ímpar de altruísmo, pagam onze mil
euros de quotas em atraso aos seus camaradas de partido, até aos que
não têm dinheiro para, sequer, pagar coisas básicas como o
fornecimento de energia e água. Ainda que, mesmo estes últimos e em
muitas circunstâncias, tudo se resuma a uma questão de prioridades.
Como muito bem dizia uma senhora já velhota, igualmente residente
num bairro portuense que tem sido noticia ultimamente por razões
relacionadas com calotes a empresas prestadoras de serviços. O que
se confirma pelas declarações do vizinho que, garante, não paga a
luz nem a água desde tempos imemoriais. Não tem dinheiro para isso,
lamenta-se. Enquanto acende um cigarro e manda umas baforadas.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Só posso ter ouvido mal. A "responsabilidade pelas instalações é do sindicato" ?! Mas o que é que andam a fumar em Évora?!
Publicação de SIC Évora.
Diz que, por causa da greve da função pública,
algumas autarquias do Alentejo estiveram de portas fechadas na
última sexta-feira. Num dos casos onde isso ocorreu ficámos a
saber, através de reportagem exibida pela SIC, que a iniciativa do
encerramento das portas terá partido do sindicato. Por, dizia uma
sindicalista, o sindicato ter entendido que não estavam reunidas
condições de segurança para o edifício estar aberto. Embora,
salientou, tivesse sido autorizada a entrada aos trabalhadores que
não aderiram à paralisação. Era, digo eu, também o que mais
faltava. Ainda que, encerrar lá dentro quem decidiu exercer o
direito a ir trabalhar, constitua uma evidente forma de pressão
sobre os que optaram por não fazer greve.
Não sei se é só a mim, mas, assim de repente,
parece-me que o facto de uma estrutura sindical a determinar o fecho
de um edifício público não será uma coisa muito legal. Mais
espantoso é o chamado poder local democrático lá do sitio pactuar
com actividades deste género. Por mais simpatias partidárias que
existam entre uns e outros. É verdade que isto só acontece em
municípios liderados pelo partido comunista. Onde, como todos
sabemos, existe democracia e essa coisa das perseguições e da falta
de liberdade ficam à porta.
domingo, 10 de novembro de 2013
A sério?
O
Aeroporto de Beja assume-se como um importante motor para o
desenvolvimento económico e social da Região do Alentejo,
contribuindo, de forma inequívoca, para o combate ao isolamento e à
exclusão, constituindo um instrumento de grande eficácia na
promoção de maior coesão social e territorial, tal como se assume,
também, como uma infra-estrutura aeroportuária de relevância
nacional.
Não.
Não encontrei esta pérola em
nenhum site de anedotas. Nem mesmo desses com anedotas parvas e sem
graça sobre alentejanos. Mas podia. Esta prosa brilhante e
inspirada está publicada num site institucional.Podiam ter
esturrado o nosso dinheiro à vontade mas não precisavam de nos
chamar parvos. Não havia necessidade. Podiam era ser sérios.Só um
bocadinho, pelo menos.
Não podiam ter um animal doméstico que não aborreça? Uma tartaruga, por exemplo. Um hamster, talvez.
Hoje
foi dia de semear as ervilhas da crise. O que envolveu aquela tarefa
chata e desagradável de cavar a terra onde os ditos legumes iam ser
semeados. Cavar – já devo por aqui ter escrito isto – é de
todas as coisas que já fiz a que mais me aborrece. E, atrevo-me
mesmo a dizer, também das que ainda não fiz.
O
cenário piorou perante a quantidade de merda de gato com que me
deparei durante a preparação do terreno. Desconfio que todos os
felinos do bairro vêm cagar ao meu quintal. Era cada cavadela cada
bosta. Ou quase. Eram muitas, pronto. E, chamem-me o que quiserem,
foram todas direitinhas para o meio da rua. Literalmente. Porque se
eu não tenho gatos, nem vou cagar ao quintal dos outros, por que
raio hei-de apanhar a merda que não é minha? Assim pode ser que
algum dos donos a pise. Ou, pelo menos, se sinta incomodado com a
javardice que ficou à vista de todos.
Já
agora, alguém conhece uma maneira eficaz de manter os bichanos
afastados? Soluções demasiados drásticas serão liminarmente
ignoradas, obviamente.
sábado, 9 de novembro de 2013
Não me apetece pagar as prioridades dos outros
A
EDP resolveu suspender os cortes de energia que vinha fazendo na
região do Porto aos supostos clientes que não pagam a conta ou,
melhor ainda, puxam a energia do poste mais próximo. São boas
noticias. Nomeadamente para aqueles que não têm o pagamento das
despesas básicas de uma casa no topo das suas prioridades.
Para
muita gente há, primeiro, que tratar do bólide topo de gama, da
roupa de marca e de outras coisas igualmente essenciais à manutenção
do estilo de vida. Nem todos, como é óbvio, adoptarão este padrão
de comportamento. Muitos estarão desempregados ou terão reformas
pouco mais de miseráveis. Tal como acontece em qualquer outro ponto
do país. Gente essa que cumpre, sabe-se lá com que sacrifícios, as
obrigações que assumiu para poder viver com alguma dignidade.
Sacrifícios que alguns não querem fazer porque acham que alguém os
deve fazer por eles. O que revela bem a falta de dignidade dessa
malta.
De
estranhar é que as entidades oficiais pactuem com situações deste
género e pressionem uma empresa privada – se fosse pública era
reprovável na mesma - para discriminar clientes. Sim, porque quando
uns pagam e outros não estamos perante um acto discriminatório. O
que, presumo eu, deve ser inconstitucional. Pelo menos em
circunstâncias idênticas o tribunal especializado nisso da
Constituição já decidiu nesse sentido.
Seja
como for, por mim está decidido. Mal acabe a tarifa bi-horária vou
mudar de fornecedor de energia eléctrica. Não estou para continuar
a pagar a luz que não consumo.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
De repente, a norte, começaram a preocupar-se com o despesismo...
O
clube de futebol do Porto está indignado. O que é perfeitamente
normal dado que aquela rapaziada quando não ganha fica nesse estado.
Mas a indignação deles, desta vez, é assaz original. Tem a ver com
a decisão da Câmara de Lisboa de apoiar financeiramente a
construção de uma estátua em homenagem a um antigo dirigente do
maior clube português. O que, na opinião da agremiação nortenha,
se trata de um luxo desnecessário e de um despropositado acto
despesista da autarquia da capital. Pode, admito facilmente, até
ser. Mas, recorde-se, estarão em causa cerca de cinquenta mil
euros. Muitas, mas mesmo muitas vezes menos do que a Câmara de Gaia
gastou no centro de treinos que construiu para usufruto do tal clube
do norte. Ou do que custaram as muitas recepções aos “Dragões” patrocinada pelo Menezes, o ex-autarca esbanjador da margem sul do
Douro. Convinha, perante a desproporção dos valores em causa, ter
um certo sentido do ridículo. Mas isso deve ser pedir demais ao
velhote gagá. Ou xexé, sei lá.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
E é a isto que chegou o nível da discussão acerca das funções do Estado…
Quase todos acham
bem que o Estado reduza as suas despesas. Desde que isso, claro está,
não os afecte. A polémica dos últimos dias em torno do
financiamento do ensino particular vem, mais uma vez, evidenciar este
nosso estado de espírito. A defesa desta opção do governo tem
vindo a ser feita de forma acérrima pelos mesmos que, ainda não há
muito tempo, defendiam o fim da Adse com o argumento que os impostos
de todos não devem financiar privilégios de alguns. Menos ainda
quando quem deles beneficia pode utilizar, como todos os restantes,
as infraestruturas públicas de saúde.
É notável o nível
de incoerência dos defensores do chamado cheque-ensino ou desta
espécie de PPP para a educação que a TVI recentemente denunciou.
No caso da Adse o sistema é em grande parte sustentado pelos
descontos de quem dele usufrui e, como está amplamente demonstrado,
fica mais barato ao Estado do que o SNS. No entanto, talvez por um
ódio cego aos funcionários públicos, defendem a sua extinção. Já
no que diz respeito ao ensino, sem que ninguém faça um desconto
específico para isso, acham que o Estado deve suportar a opção de
quem entenda colocar os filhos numa escola privada, ainda que ao lado
exista uma pública. Trata-se de liberdade de escolha, segundo eles.
Mesmo que mais cara e que todos a paguemos. A mesma liberdade –
eles chamam-lhe privilégio – que não querem reconhecer a quem
paga para ter essa escolha. Coerente esta gentinha.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Ora aí está um puto capaz de desenvolver as competências adquiridas no âmbito do desacato.
Há
coisas que me são extremamente difíceis de entender. Deve ser,
presumo, da idade. A historieta do catraio que tem acessos de fúria
em plena sala de aula é uma delas. Ou melhor, até percebo que o
puto espatife o mobiliário, faça um berreiro danado capaz de se
ouvir em Espanha ou morda quem lhe aparecer pela frente. O que já
não entendo é como é possível que reincida no comportamento no
dia – ou dias – seguintes. Só a ausência de castigo adequado e
proporcional ao desacato que provocou é que podem justificar a
reincidência. Se não o teve, então é óbvio que tem de ser
mantido afastado das pessoas normais, que estas não têm obrigação
de aturar as bestas dos outros.
Os
pais, provavelmente, serão do mesmo calibre e, por isso, incapazes
de educar o gaiato. Mas disso não têm culpa os alunos, funcionários
e professores obrigados a partilhar o mesmo espaço com a fera. Muito
menos a ser vitimas passivas da sua má educação. Mas, graças à
ditadura do politicamente correcto em que vivemos, ninguém pode
tocar no fedelho. Quem o fizer está metido em sarilhos. E o pior é
que esta maneira de encarar as coisas, apenas defendido por uma
ínfima minoria de anormais auto convencidos da sua genialidade, está
apenas a servir para criar delinquentes. Os mesmos que, espero, mais
cedo do que tarde tratarão de lhes ir às trombas.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
E o louco sou eu?!
O país está, hoje,
certamente mais rico. Graças, entre outras coisas, ao facto de
trabalharmos mais horas, mais dias por ano e, principalmente por
termos ordenados mais baixos. A riqueza, aliás, vê-se em cada
esquina, em cada rua e em cada largo. Diria, até, que se vê cada
vez mais ao longe e mais largo.
Tudo isto sem ter sido
necessário criar um Ministério da Felicidade Suprema como fez o
outro maluco - tão maluco que até faz parecer o Chavez um tipo
sensato - lá da Venezuela. De resto, nós nem temos por cá malucos
daquele quilate. Jamais teremos no governo um louco que nos garanta
estarmos a viver um milagre económico, jure que existem linhas
vermelhas para os sacrifícios que jamais serão ultrapassadas e que
veja tantos sinais de retoma que até chateiam de tantos que são.
Não é que me esteja a
fazer ao lugar, mas ando desconfiado que já vi alguns desses tais
sinais de retoma. Inclusivamente um apareceu-me sob a forma de um
pombo. Estava metido num buraco, olhou para mim, em seguida bateu as asas duas ou
três vezes e desapareceu. Foi um sinal. Inequívoco. Daqueles que
só um louco não ia entender.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Marmelada
A
publicação de fotos intimas, escaldantes e capazes de fazer
arregalar os olhos a qualquer um – ou qualquer uma, que não quero
cá discriminações - não tem sido prática regular aqui no Kruzes.
Mas isto nem sempre nem nunca, como sabiamente dizia a minha avó.
Daí que hoje divulgue uma imagem que é tudo isso. Intima, porque
obtida no recesso do meu lar; escaldante, porque acabadinha de sair
da panela; e capaz de, pelo menos aos apreciadores, provocar um
arregalar de olhos. Porque estes também comem.
Fica assim documentada, da forma possível, a qualidade da marmelada
feita por mim e pela minha Maria. E sim, estava tão boa quanto
parece.
domingo, 3 de novembro de 2013
E ainda agora foi eleito...
Não sei se percebi bem o que disse Rui Moreira, o recém eleito Presidente da Câmara Municipal do Porto, a propósito dos cortes de luz num bairro social da invicta. Para além da despropositada solidariedade que manifestou para com as pessoas que acediam de forma irregular ao fornecimento de energia, pareceu-me ouvir que o homem quer ser previamente informado sempre que a EDP for cortar a electricidade a um cidadão do Porto. O que, a confirmar-se, será um dos maiores disparates já alguma vez proferido por um autarca. Por todas as razões. Principalmente porque o seu Município é um dos maiores senhorios do País e, com esta posição, está manifestamente a colocar-se numa posição difícil de sustentar quando quiser cobrar a renda aos caloteiros. Presentes e futuros.
Depois vem tudo o resto. A água, o gás, o telefone, a TV por cabo, a Internet ou mesmo a conta da mercearia. De certo o senhor também pretenderá ser avisado sempre que uma empresa destas áreas de negócios interrompa o serviço a um qualquer consumidor do seu concelho. Ou, por que não, quando o merceeiro lá do bairro resolva deixar de vender fiado...
sábado, 2 de novembro de 2013
Orçamento?! Estamos contra!
A
agente infiltrada do Kruzes na manifestação promovida pela CGTP,
para protestar contra o orçamento de Estado para o ano que vem,
constatou o que se aguardava que constatasse. A fraca adesão a este
tipo de iniciativa e a pouca indignação manifestada pelos
participantes. Reformados na sua maioria – é o que garante a
espécie de enviada especial do KK - que aproveitaram o dia para um
passeio. Assim do tipo caminhada matinal mas aos gritos. O que é
bom. Exercita o pulmão. Pena que não tenham tido a mesma prática
quando da aprovação de sucessivos orçamentos que se expandiram
muito para lá dos recursos existentes no país. Se o tivessem feito
talvez ontem a canseira fosse escusada...
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Não pagam e ainda reclamam!!!!
A julgar pelos valores
alegadamente em causa, foi com vários anos de atraso que a EDP
resolveu interromper o fornecimento de energia a um número
significativo de consumidores de um bairro de mau aspecto na cidade
do Porto. Que – pasme-se – ainda têm o descaramento de vir para
a rua e, principalmente, para as televisões manifestar o seu
protesto por terem ficado sem luz. Devem achar que se trata de uma
espécie de direito adquirido que lhes foi roubado. Só faltou, mas
tenho esperança que rapidamente alguém o faça, pedir a
inconstitucionalidade da acção da EDP. Surpreendente, também, é
ainda não ter surgido a notícia de que já foi interposta uma
providência cautelar, convocada uma manifestação ou, no mínimo,
posta a circular uma petição a favor do direito a luz eléctrica
grátis. E, já agora, água, gás, telefone, internet, combustível,
droga…
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Dia mundial da poupança
Quando
se assinala o dia mundial da poupança as noticias não são as
melhores para quem procura manter o hábito de poupar. Isto porque o
governo prepara-se para voltar a mexer nos nossos bolsos. Área que,
diga-se, domina na perfeição e onde os membros que o integram
revelam uma imaginação verdadeiramente prodigiosa. Desta vez os
alvos são os descontos, as promoções e os cartões de fidelização
das principais cadeias de distribuição. É que isso de ficar com
mais uns euros na algibeira – ou gastá-los no que mais lhe
aprouver - choca frontalmente com o esforço do Parvus &
Companhia para reduzir a cinzas o poder de compra do pagode.
O
argumento utilizado – algo relacionado com as relações entre
produtores e comerciantes – constitui um disparate. Primeiro porque
o Estado, até pela doutrina vigente, deve limitar ao mínimo a sua
intervenção na economia – sempre que o faz as coisas pioram – e
depois porque ao alegadamente pretender proteger os produtores em
detrimento dos consumidores acabará, mais cedo do que tarde, por
prejudicar quem produz. Mas esperar que a gaiatagem a quem o país
está entregue perceba isso é ter as expectativas demasiado
elevadas.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Incumpridores
A
lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso é, seguramente, a lei
mais odiada pelos autarcas. Só porque – veja-se bem o desplante
destes governantes de direita – não permite que os organismos
públicos, sejam eles quais forem, gastem o dinheiro que não têm.
Daí que alguns a ignorem liminarmente e que outros arranjem
esquemas, mais ou menos mirabolantes, para a contornar.
No
site de uma rádio da região está disponível uma informação,
veiculada pelo novo executivo municipal lá da terra, dando conta da
situação da autarquia relativamente ao cumprimento daquela lei.
Donde, sem grandes surpresa, se pode constatar que aquela Câmara não
estará – ou estaria - a cumprir as determinações legalmente
estabelecidas quanto à assunção de compromissos. Mas o pior,
embora já bastante grave, nem é isso. Espantoso é que o Município
não surja na lista de incumpridores divulgados pela Direcção-Geral
do Orçamento. Convinha era que os contribuintes soubessem porquê.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
De um estudo que durou sete anos saiu isto?!
O governo – ou alguém por ele – anunciou que vai produzir legislação no sentido de regulamentar a posse de animais domésticos. Nomeadamente por quem reside em apartamentos. Ou mesmo em vivendas desde que não isoladas. Escusado será dizer que acho muitíssimo bem.
Lamentável é que, provavelmente, vai-se desperdiçar uma oportunidade de legislar a sério sobre a matéria. Permitir dois cães ou quatro gatos por residência, ainda mais quando se trata de condomínios, ainda constitui uma aberração. Isto se, como é expectável, o lobbie dos animaizinhos não conseguir elevar o número para o dobro.
Ter um bicho destes em casa é uma evidente falta de higiene. Por mais que se procure negar esta evidência. E se dentro de quatro paredes isso é lá com eles já para os restantes habitantes de um prédio ou - em maior escala - de uma cidade, não é assim. Há, por isso, que impor regras. Sem medos.
Também muito se escreveu e disse sobre a proibição de fumar em locais fechados e hoje, todos reconhecemos, tratou-se de uma excelente decisão. O mesmo acontecerá com medidas como a que agora se anuncia. É tudo uma questão de hábitos. Bons, espera-se.
domingo, 27 de outubro de 2013
Que gente tão boazinha
O facto de milhares de pessoas partilharem esta imagem é, no mínimo, comovente. Mostra que ao contrário do que acontece comigo são pessoas sensíveis e com bom coração. Fofinhas, vá. Embora pareçam pensar mais com o rato do computador do que com a cabeça.
Pois eu não partilho, não apoio e acho esta ideia absolutamente parva. Já existe acção social escolar que chegue. Os meninos carenciados tem livros, material escolar, alimentação e transporte à borla. Ou a preços reduzidos. Bem vistas as coisas, até aqueles que não terão grandes carências beneficiam do sistema. Basta que um ou outro “item” se enquadre em determinados critérios esquisitos que apenas a malta do social e da educação entende. Ser de etnia cigana ou filho de mãe solteira ou divorciada, por exemplo, dá logo direito a apoio social. Mesmo que chegue à escola num automóvel topo de gama ou a mamã ganhe mil e duzentos euros por mês.
Por isso deixem-se de tretas. Quem puder pagar que pague. Quem não puder que seja ajudado na medida das suas necessidades. A vida custa a todos e gente a mamar já existe em demasia. Mas se quiserem continuar a ser parvos estão à vontade para partilhar tão comovente imagem lá no facekoiso...
sábado, 26 de outubro de 2013
Onde estão estes manifestantes sempre que se anuncia mais despesa?!
“Onde
estavam estes canalhas no 25 de Abril de 1974?” perguntava-se num
cartaz passeado em Lisboa durante a manifestação de hoje. Os
canalhas serão, adivinha-se, as actuais governantes. Onde estavam,
parece-me, não interessará muito. Até porque, nessa data, a
maioria deles não passavam de uns pirralhos. Seria, digo eu, muito
mais interessante saber onde estava toda esta gente, que agora
protesta, quando os governos da época decidiram construir os
estádios do Euro, as autoestradas onde ninguém passa ou a
distribuição generalizada de dinheiro pelos mais variados sectores
da sociedade. A aplaudir o Guterres e o Sócrates, quase de certeza.
Ou a babar-se de entusiasmo com tanto desenvolvimento, pelo menos.
Ridícula. A velha, que o animal não tem culpa.
Há
quem pareça fazer questão em tornar o seu cão parecido consigo. Ou
assemelhar-se o mais possível ao canito. Tudo depende do ponto de
vista. Um ou outro é igualmente estúpido. Mais dia menos dia ainda
hão-de querer que o bicho tenha conta bancária. E um cartão
multibanco, também.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Frutos da crise
Morangos,
no quintal cá de casa, e romãs, na propriedade agora a modos que
concessionada, são os únicos comestíveis de produção própria em
condições de serem consumidos. A agricultura da crise está,
portanto, mais ou menos num interregno. Pelo menos no que diz
respeito a colheitas. As sementeiras, em virtude da concessão da
courela, vão cingir-se ao logradouro. Logo que as condições
climatéricas, manifestamente adversas nos últimos dias, o permitam.
Isto no caso de se verificar, para além do elemento meteorológico,
uma conjugação de outros factores. Nomeadamente que a minha
aversão ao acto de cavar seja ultrapassada. De forma temporária,
claro.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Viver à pala da fornicação
O governo pretende que as empresas proporcionem aos seus trabalhadores as condições necessárias para que estes passem mais tempo com as suas famílias. Deve estar, calculo, preocupado com a baixa natalidade e pretenderá assim, sem custos para o erário público, que os portugueses desatem a procriar. O que é bom. Nomeadamente a parte que envolve a procriação. Que é, diga-se, essencial para que o país possa ter algum futuro.
Esta intenção é, no entanto, de uma incoerência a toda a prova. Assim do tipo faz o que eu digo mas não faças o que faço. Isto porque para os seus trabalhadores os governo não concede aquilo que sugere aos privados. Pelo contrário. Em lugar de lhes conceder mais tempo para estar com a família, aumenta-lhes o horário de trabalho. O que, a meu ver, constitui mais uma inqualificável discriminação. Das piores, no âmbito das discriminações.
Quem não precisa de incentivos para se reproduzir é um determinado grupo de cidadãos que alguns insistem em apelidar de etnia cigana. Multiplicam-se que nem coelhos. Ou ratos, que também se reproduzem que é uma coisa por demais. O número de gaiatas – terão treze, catorze ou quinze anos, quando muito – grávidas, com bebés ao colo e outros a reboque, é assustador. São mais que muitas ali para os lados do resort. Será, presumo, a forma de aquela gente manter um certo estilo de vida à custa dos subsídios da segurança social. Viver à pala da fornicação, em suma. Claro que se não fossem ciganos tratar-se-ia de pedofilia, assim é um salutar caso de preservação das tradições culturais. Será. Mas por este andar um dia destes isto é a Roménia.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Olha quem foi eleito presidente de câmara
Ricardo
Rodrigues vai ser presidente de Câmara. Trata-se, como muitos se
lembrarão, do deputado que inadvertidamente levou consigo o gravador
do jornalista que o entrevistava. Coisas que acontecem. Nomeadamente
isso dos gravadores e de levar consigo objectos que alegadamente
pertencerão ao interlocutor. A mim está sempre a acontecer. Até à
distância me acontece. De cada vez que o Parvus Coelho vai à
televisão fazer uma das suas “conversas em família” leva-me uma
parte do ordenado.
domingo, 20 de outubro de 2013
Autocarros ao serviço do povo, pá!
Ontem foi um dia bom para as empresas de camionagem. Nomeadamente as que alugam autocarros de transporte de passageiros. Mais um a juntar a muitos outros que já passaram e a outros tantos que hão-de vir. Ainda bem que é assim. Faz lembrar aquela velha máxima: “Quando todos choram o gajo dos lenços ganha dinheiro”. Ou algo parecido, para o caso importa pouco.
O que importava saber era o que faziam ontem à tarde em cima da ponte 25 de Abril dezenas de autocarros de câmaras municipais. Concorrência desleal, provavelmente. E gastar dinheiro aos contribuintes, também. Aquele dinheiro que não há para pagar os vencimentos aos funcionários nem as dividas aos fornecedores. Apesar disso não consta que os manifestantes se tenham insurgido contra essa situação. Selectiva, a indignação deste povo.
Tão barato nem no OLX...
Os autarcas são conhecidos por, quase todos, realizarem bons negócios. Será o caso do presidente cessante de uma autarquia alentejana que, em fim de mandato, terá adquirido por cinquenta euros o iPad 2, propriedade da empresa municipal lá do sitio, que utilizava enquanto exerceu funções. Traquitana que, parece, foi lançada em Portugal em Março de 2011 e terá um valor de mercado entre os quatrocentos e os quinhentos euros.
Percebo que para o autarca a gerigonça tenha um significativo valor sentimental. Até porque, garante o homem, apenas ele a terá usado e, digo eu, lhe seja desagradável vê-la nas mãos de outro. O que se afigura um tanto estranho é a manifesta diferença entre os valores físico e afectivo da coisa. Embora, justifica, a aquisição do aparelho tenha sido financiada pela União Europeia e, portanto aquilo em termos patrimoniais nada vale.
Estaremos, segundo o senhor em causa, perante um não assunto. Que é normalmente o que chamam àquilo que não interessa que a malta saiba. Coisas de gente que nada mais tem para fazer do que vir para as redes sociais dizer mal de negócios espectacularmente bons. Um descaramento. Uma vergonha, até. E uma falta de respeito e consideração pelo tempo que o homem passou a brincar trabalhar com aquilo.
sábado, 19 de outubro de 2013
Quem semeia ventos...
Não vejo onde está o espanto – indignação, em alguns casos – por a Ministra das Finanças ter declarado, em recente entrevista televisiva, que não tem poupanças. A senhora, como fez questão de frisar, é funcionária pública, está sujeita aos mesmos cortes e descontos brutais no vencimento e por isso não terá margem para poupanças. A juntar a isso tem, segundo disse, três filhos e uma casa para pagar ao banco. Compreendo perfeitamente a sua confessa incapacidade aforradora. Ainda assim, acredito, não passará grandes dificuldades. Nem pequenas, provavelmente.
Algumas reacções mais intempestivas às palavras da ministra é que parecem pouco compreensíveis e são bem reveladoras do enorme desconhecimento quanto aos valores salariais que se praticam na administração pública. Muita dessa ignorância fomentada, diga-se, pelos próprios governantes. Bem feito que, de vez em quando, sejam vitimas do seu próprio veneno.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Pagar a renda?! Que aborrecimento.
Infelizmente em Portugal, de uma maneira geral, não se premeia a competência, o rigor, ou a disciplina. Pelo contrário. Prefere-se a bandalheira, o facilitismo, o compadrio e o deixa andar. Por norma quem cumpre com as regras estabelecidas é que um sacana, o gajo que só sabe é lixar o próximo e, em suma, um verdadeiro filho da puta. Principalmente quando não está para fazer favores à custa do dinheiro público. Este modo de pensar está enraizado na cultura nacional e pouco ou nada há a fazer para mudar esta mentalidade tacanha e que nos trouxe até aqui.
Os ataques que uma certa classe de gente faz a Rui Rio, enquanto presidente da Câmara do Porto, têm a ver com este tipo de pensamento. O mais recente deve-se ao despejo de uma companhia de teatro, que ocupava um edifício público, por não pagar a renda do espaço que ocupava. Em divida estará para lá de uma conta calada, porque, apesar de tudo, a autarquia portuense – senhoria, no caso - ainda teve uma paciência de santo para com os inquilinos pouco cumpridores. Tanto que terá, em tempos, feito um acordo que permitisse, em suaves prestações, a regularização das rendas em atraso. Que, parece, não terá sido cumprido pelo inquilino.
Desde que a noticia foi conhecida não têm faltado as criticas ao autarca Rio. Como se quem estivesse a proceder mal fosse aquele que fez cumprir a lei e que acautelou o interesse das finanças da autarquia. O homem fez apenas aquilo que tinha a fazer. E já fez tarde, saliente-se. Porque se o edifício fosse dele é que podia permitir que os indivíduos lá continuassem sem pagar. Sendo público tem a obrigação de fazer o que fez. Pena é que a generalidade dos autarcas não tenha a mesma postura. Claro que isto é difícil de entender para o pessoal da “cultura”. E para muita gentinha que acredita que o que é público é “nosso”. Deles, entenda-se.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O tema da moda
Ao que parece são os blogs sobre a vida doméstica, nas suas diversas vertentes, que estarão a suscitar a atenção do internautas. Dicas para poupar, as ultimas tendências da moda ou receitas de deixar qualquer um a babar-se, estão a reunir a preferência de cada vez mais utilizadores da Internet em detrimento dos que se dedicam a outros temas.
Foi por isso que cá pelo Kruzes resolvemos fazer hoje uma incursão por estes domínios. Dos morfes, no caso. Verdade que os conhecimentos quanto a esta matéria são praticamente nulos e, daí, não me alongar em grandes considerandos. Fica a fotografia do jantar. Em conta, garante a patroa. E saboroso, afianço. Agora vou fazer como a restante parolada e ponho no Face. Como eles carinhosamente chamam aquilo.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Expectativa chocante
Compreendo a satisfação dos que enchem as caixas de comentários dos jornais online com manifestações de agrado pela redução dos vencimentos dos funcionários públicos. É da vida. E da natureza humana, também. Já dei o suficiente para esse peditório. Tal como há muito desisti de tentar explicar a quem, labutando no privado, vê isso como algo positivo – por acreditar na retórica oficial ou apenas por gozo pessoal – que as coisas não são bem assim e que, mais cedo do que tarde, vão ter repercussões no seu ordenado ou no seu negócio.
Costumo dizer, sempre que me reduzem o ordenado, que alguém se vai lixar. Para além de mim e dos meus, obviamente. Isto porque não penso recorrer ao crédito, nem pedir fiado, para manter o nível de despesa que fazia antes. E é aqui, precisamente aqui, que o drama começa. O impacto desta medida, num pequeno município como Estremoz, será dramático. Considerando o elevado número de habitantes do concelho que trabalha para o Estado, facilmente se pode concluir que os funcionários dos diversos organismos públicos da cidade deixarão de receber mais de um milhão de euros. Isto deixando de lado tudo o que já perderam e levando apenas em conta os cortes previstos no próximo Orçamento de Estado. A estes números, recorde-se, há ainda que juntar o que vão cortar nas reformas... e reformados é, também, coisa que não falta por aqui.
O reflexo no comércio local será imediato. Com as consequências fáceis de adivinhar. Seguir-se-à o financiamento da própria autarquia. Que, como um ou outro saberá, tem como fonte de financiamento principal a participação no IRS, IRC e IVA. Qualquer quebra nas receitas destes impostos não será de certeza uma boa noticia para os munícipes. Funcionários públicos ou não.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Investiguem, mas não aborreçam.
Diz que lá para as ilhas britânicas os meios de comunicação social estão surpreendidos com a indiferença dos portugueses perante o reabrir da investigação ao alegado desaparecimento da pequena Maddie. Não sei do que se admiram. O assunto foi tratado por quem tem competência para o fazer, foi-lhe dado o tratamento que entenderam dar e, parece-me, que a existirem motivos de interesse serão só e apenas para as autoridades policiais.
Por mim, surpreende-me é que os nossos opinion makers, sempre tão atentos aos jornais angolanos e prontos a espingardar a propósito dos seus artigos, não digam qualquer coisa em relação ao desplante dos bifes em opinar acerca daquilo que nos deve interessar. Ou que não se indignem com o esbanjamento de recursos públicos a reinvestigar um processo que já nos está demasiado caro. Que essa malta da estranja mande palpites quanto ao funcionamento do tribunal constitucional ainda vá que não vá, agora que queira escolher os assuntos que devem suscitar a nossa atenção é que já me parece demais. Como diria o outro: Eles que vão mazé bardamerda!
domingo, 13 de outubro de 2013
Solidariedade intergeracional?! Não percebo...
Isso da solidariedade inter-geracional é, nomeadamente, o quê? Assim à primeira vista e sem pensar por aí além na coisa supunha eu que era a geração actual a trabalhar para, com os seus descontos, financiar a reforma da geração anterior, esperando que a geração seguinte fizesse o mesmo. Mas, se nos debruçarmos ligeiramente mais sobre o assunto, talvez não seja bem assim. Ou então sou eu que não percebo muito bem essa coisa da solidariedade. É que, por mais voltas que dê, não sei por que raio hei-de ser solidário com o viúvo Constâncio. Quem diz eu, diz, por maioria de razão, um qualquer jovem que só tem acesso a empregos precários a ganhar, se tiver sorte, o salário mínimo nacional.
Reitero, portanto, a minha pouca disponibilidade para me solidarizar com o Constâncio. Gajo que, diga-se, até tem sido muito pouco solidário comigo. Ainda não me esqueci que o fulano se fartou de proclamar a necessidade de baixar salários porque, achava, andávamos a ganhar demais. Que falava da sustentabilidade do sistema de pensões, mas que se pode reformar com menos de 20% do tempo de serviço que eu preciso para poder fazer o mesmo. Solidariedade?! Não percebo...
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