No
distrito de Évora são, segundo dados recentemente divulgados, os
concelhos de Mora, Alandroal e Estremoz os que apresentam um maior
índice de envelhecimento da população. Mora, em primeiro lugar,
com trezentos e vinte e oito idosos por cada cem jovens, Alandroal em
segundo com duzentos e sessenta e sete e, no último lugar do pódio,
Estremoz com duzentos e quarenta e cinco idosos por cada centena de
jovens.
Estes
números, apesar de não surpreenderem por aí além, não deixam de
suscitar algumas inquietações. Veja-se, por exemplo, o caso de
Mora. É o único concelho do distrito que tem incentivos à
natalidade e ainda assim os resultados são o que se vê. Furar
preservativos, distribuir viagra ou deitar qualquer coisinha na água
é capaz de ser mais eficaz. Pode, dado o grande número de idosos,
não resultar mas, pelo menos, mal não faz e de certeza contribuiria
para animar a malta.
Já
quanto a Estremoz estes dados suscitam apenas duas questões
pertinentes mas com que ninguém se parece importar. A primeira foi a
enigmática decisão, do Estado português, de enterrar – não
encontro palavra mais adequada às circunstâncias – vinte milhões
de euros na recuperação de escolas no concelho quando, os números
assim o demonstram, não existem crianças para tanta sala de aula. A
segunda, não menos enigmática, que a misericórdia de Estremoz,
apesar da elevada quantidade de velhotes, seja a única do distrito
que, até à data, não possui um lar para idosos.
A
longevidade que se verifica nestes concelhos em particular e no
Alentejo em geral pode ter, além de outras, uma explicação mais ou
menos razoável. A de que o “investimento” municipal –
nomeadamente em Mora e Alandroal - na saúde destes eleitores está a
dar resultado.



