sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Alentejo não é para jovens

No distrito de Évora são, segundo dados recentemente divulgados, os concelhos de Mora, Alandroal e Estremoz os que apresentam um maior índice de envelhecimento da população. Mora, em primeiro lugar, com trezentos e vinte e oito idosos por cada cem jovens, Alandroal em segundo com duzentos e sessenta e sete e, no último lugar do pódio, Estremoz com duzentos e quarenta e cinco idosos por cada centena de jovens.
Estes números, apesar de não surpreenderem por aí além, não deixam de suscitar algumas inquietações. Veja-se, por exemplo, o caso de Mora. É o único concelho do distrito que tem incentivos à natalidade e ainda assim os resultados são o que se vê. Furar preservativos, distribuir viagra ou deitar qualquer coisinha na água é capaz de ser mais eficaz. Pode, dado o grande número de idosos, não resultar mas, pelo menos, mal não faz e de certeza contribuiria para animar a malta.
Já quanto a Estremoz estes dados suscitam apenas duas questões pertinentes mas com que ninguém se parece importar. A primeira foi a enigmática decisão, do Estado português, de enterrar – não encontro palavra mais adequada às circunstâncias – vinte milhões de euros na recuperação de escolas no concelho quando, os números assim o demonstram, não existem crianças para tanta sala de aula. A segunda, não menos enigmática, que a misericórdia de Estremoz, apesar da elevada quantidade de velhotes, seja a única do distrito que, até à data, não possui um lar para idosos.
A longevidade que se verifica nestes concelhos em particular e no Alentejo em geral pode ter, além de outras, uma explicação mais ou menos razoável. A de que o “investimento” municipal – nomeadamente em Mora e Alandroal - na saúde destes eleitores está a dar resultado.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Substituir a caixa das esmolas por um balde com água talvez fosse boa ideia...


Faz-me confusão esta mania de atirar dinheiro para dentro de água. Um lago, uma fonte, mesmo um poço decorativo no meio de uma rua de uma vila em festa, parecem constituir locais privilegiados para o transeunte de ocasião se livrar das moedas que traz na algibeira. Verdade que elas não valem grande coisa. A bem-dizer nem sei se com os “pretos”, só por si, se compra seja o que for. Mas, acho eu, não havia necessidade. E nem vale a pena argumentar, como às vezes ouço dizer, que é na brincadeira. Ensinamentos ancestrais garantem que há certas coisas com que não se deve brincar. E o dinheiro é uma delas.  

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nunca pensei dizer isto: O Alberto João tem razão.

Desde há muito que tenho opinião formada acerca do alargamento do horário de trabalho da função pública, já a manifestei aqui em diversas ocasiões e ela não é coincidente com a que o Alberto João da Madeira expressou acerca do assunto. Reconheço, contudo, que o homem tem razão naquilo que diz. Aprecio, por isso, a coerência com que assume não aplicar a medida lá no seu reino.
De facto, parece assim um bocado a atirar para o parvo colocar os funcionários públicos a trabalhar mais uma hora por dia quando, em simultâneo, pretendem despedir uns quantos milhares de trabalhadores. Se é para despedir é porque não fazem falta. Se não fazem falta é porque não há trabalho. Se não há trabalho não se prolonga o horário. Raciocínio mais lógico parece-me difícil. Por norma, ainda que possam existir umas excepções mais ou menos manhosas, é assim que as coisas funcionam onde impera o bom-senso. Mas isso é coisa que não se pode exigir aos rapazes do governo. Nem aos seus conselheiros especialistas que ainda mal largaram os cueiros. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Cuidado com o que prometes, ó Rosalino!


O tema dos últimos dias, no âmbito das patifarias governativas, tem sido o assalto às pensões dos aposentados da função pública. Parece, segundo as declarações daquele secretário de estado de penteado esquisito, que o corte no valor da pensão não irá além dos dez por cento. E, mesmo assim, será temporário. Logo que que a economia nacional registar um crescimento de 3% em dois anos consecutivos e o défice ficar em 0,5% do PIB, acaba-se esse aborrecimento dos cortes voltando tudo ao normal. Podem, portanto, sossegar os funcionários públicos aposentados. A coisa será passageira. Preocupante seria se ele tivesse prometido que as pensões só voltam ao normal quando o Benfica for campeão.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Algo...diferente. Ou não!


Mostrem estas contas à troika...

Ciclicamente aparecem uns senhores, munidos de um argumentário que rende junto da opinião pública, a reclamar contra o escandaloso privilégio que constitui o sub-sistema de saúde da função pública – a ADSE – e o quanto isso sai caro aos contribuintes. Têm, quase sempre, grande destaque na comunicação social e a sua mensagem passa facilmente para a população em geral que, pouco esclarecida acerca destes assuntos, come a palha toda que esses indivíduos bem falantes lhes põe na gamela.
Já os estudos e as análises onde é evidenciado que o custo por doente tratado através da ADSE é mais baixo do que no SNS não merece por parte das televisões grande relevância. Se calhar porque não vende, não suscita junto da audiência o mesmo sentimento de indignação ou, sabe-se lá, a sua divulgação não agradará a certos interesses instalados. Tanto no poder e na oposição. Sim, porque convém não esquecer que ainda no principio do ano Álvaro Beleza, coordenador do partido socialista para a saúde, defendeu a extinção daquele organismo.
O que não se percebe muito bem é que não se discuta o alargamento do conceito em que funciona a ADSE aos restantes cidadãos. Pelo menos aos que assim o desejassem. Para a esquerda seria colocar em causa uns quantos dogmas que lhe são caros e que a nós não saem baratos. Para a direita, provavelmente, será a defesa dos interesses de alguns lobbies que não permite a discussão do assunto. Já o comum do cidadão, atendendo à inveja que evidencia perante os privilegiados da ADSE, com certeza que não se importaria mesmo nada de passar a descontar 2,5% do salário para aceder ao sistema...

domingo, 4 de agosto de 2013

Paga o que deves e depois publica o que fazes!

De vez em quando lembro-me da cigana que se revoltava por “eles”, com os computadores, saberem tudo acerca da sua vida. Da dela e dos outros ciganos. “Eles” eram, no caso, os gajos da segurança social que através do sistema informático cruzavam informação e estavam, à época, a impedir que o Rendimento Mínimo ou outros apoios sociais fossem pagos à mesma pessoa duas, três ou mais vezes consoante o número de localidades em que teria residência ou os diferentes documentos de identificação que apresentasse.
De facto isto com os computadores sabe-se tudo. Ou quase. Mas se a tal cigana não apreciava que a sua vida estivesse disponível para ser consultada pelos técnicos que decidiam quanto aos apoios que o Estado lhe devia ou não disponibilizar, já o mesmo não se pode dizer daqueles que praticamente relatam a sua vida em directo nas redes sociais. Esses têm especial gozo em que “eles” - os outros – saibam de tudo. Do lado que podem mostrar, claro.
E é por aí que ficamos a saber que gente que não tem onde cair morta, com calotes em todo o lado, especialista a fugir ou a não pagar o que deve ao fisco e, por vezes, até em “cenas” um bocadinho mais complicadas, não falta a uma festa, não prescinde de umas férias à beira-mar ou num local exótico e anda sempre em “comícios” e “bebícios”. Não tenho nada a ver com isso, dirão. Errado. Tenho. É que é, também, por causa desta gente e do seu comportamento extravagante que andamos todos a penar. Ah e tal o BNP ou as PPP's são piores. Certo. Pois são. Tão piores quanto o serial killer que matou dez ou vinte é pior que o bandido que apenas esturrou um ou dois. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Dos jornais...

Desde muito pequeno – aí pelo metro e vinte, mais coisa menos coisa – que sou leitor assíduo de jornais. Recordo, como uma das primeiras leituras jornalísticas, as “lendas de Portugal” publicadas no há muito extinto “O Século”. Ou, mais tarde, o Jornal “A Bola”, na época trissemanário, que só chegava a Estremoz por volta da uma e tal da tarde e às segundas-feiras se tornava impossível de comprar sem corromper os funcionários do quiosque. Nomeadamente quando o Benfica ganhava. Naquela altura quase sempre, diga-se.
Hoje o acesso à imprensa é diferente. E ainda bem. Mas continuo a ser um incondicional dos jornais. Na net leio todos os diários nacionais, muitos jornais regionais e um ou outro estrangeiro. São eles, salvo uma ou outra excepção a fonte inspiradora do Kruzes Kanhoto. Nas primeiras páginas dos jornais publicados este sábado teria, mais uma vez, uma vasta panóplia de temas para divagar. Mas não me apetece. Ficam, apenas, os exemplos.
Correio da manhã - “Tiro acidental – Maço de notas salva idoso”. Depois queixam-se das baixas reformas, dos cortes e tal...(Lendo a noticia a coisa ganha outros contornos que estragam a piada inicial, por isso é melhor ignorá-los...)
Jornal de Noticias“Pagou 250 mil euros por 2 milhões em notas falsas”. Burro! Burro! Burro!
Diário de Noticias“Escolas podem deixar alunos do vocacional fazer três anos em um – Projecto piloto para alunos com mais dificuldades vai ser alargado...”. Com mais dificuldades?! Três anos em um?! Olha se não tivessem dificuldades...Vamos ter novos Relvas aos milhares, portanto. E depois diziam coisas das novas oportunidades. Tá bem, tá.
Jornal i “Voltaram a abrir-se garrafas de champanhe na EDP com a nomeação de Moreira da Silva”. Vão-se preparando para abrir a carteira. Espanha é mesmo aqui ao lado e o sol que gera energia lá faz o mesmo cá...
O Jogo - “Benfica agarra Bruma”. Eh pá, não! Até fiquei mal-disposto. A sério. É o que dá guardar as más noticias para o fim. Deslarguem-no, porra!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Almeirim não permite acampamentos de ciganos

Ou muito me engano ou o “ultimato” dado pela Câmara de Almeirim aos ciganos, instalados há vários anos num acampamento perto da zona industrial da cidade para que no prazo de trinta dias procedam à demolição das barracas que por ali foram erigindo, vai exasperar muita gente. A maioria da qual, quase de certeza, só viu ciganos na televisão ou quando vai à feira e mal sabe onde fica aquela cidade ribatejana.
Os ciganos gozam actualmente de um estatuto à parte na sociedade portuguesa. Fazem o que muito bem lhes apetece, ninguém os incomoda, nem pede lhes são pedidas responsabilidades pelas tropelias que praticam. Mesmo as autoridades policiais estão praticamente impedidas de fazer seja o que for para impor a esse grupo de cidadãos as leis do país. Aquelas que envolvem obrigações, bem entendido, porque as outras, as dos direitos, essas eles sabem-nas todas e aproveitam-se delas como poucos.
Molestam, incomodam – por sorte ficam só por aí – e se alguém reage está feito ao bife. O melhor é mesmo ficar caladinho e fingir que não é nada com ele. É por isso que posições como a desta autarquia são dignas de registo. Quer pela coragem de enfrentar aquela comunidade como, pior ainda, as reacções dos auto denominados defensores destas causas que, certamente, não deixarão de manifestar a sua indignação.
Claro que pode haver quem veja nesta medida uma mera acção para eleitor ver. Que isto de afastar gente incómoda é sempre popular entre o eleitorado. E não me custa a acreditar que assim seja. Mas ainda assim, a ir em frente, que sirva de exemplo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A festa ou a divida

Os portugueses gostam de festas. Nomeadamente daquelas ditas populares que metem sardinha assada, franganito no churrasco, “mines” e um cantor em cima de um estrado a cantar musicas brejeiras. Daí que os poderes públicos locais, sempre atentos aos gostos dos seus eleitores, subsidiem de forma magnânima estas actividades.
Foi o caso, como quase todas as outras, de uma câmara ribatejana que entendeu presentear uma freguesia – se calhar todas, mas agora só esta interessa - do seu concelho com um pequeno subsidio para organizar as festas lá do sitio. Quatro mil euritos, ao que consta.
Até aqui nada de mais. É prática corrente dar este uso ao dinheiro dos contribuintes, daí que ninguém se importe muito com isso. O pior é que a junta desta história tinha uma divida. Uma ou mais, mas isso agora também importa pouco. Embora a importância em divida fosse elevada e o presidente da junta se importasse com isso. Parvo, não faltará de certo quem lhe chame por o homem se dar a essas preocupações.
Ora ao tal presidente, gajo que parece dar primazia às obrigações e deixar as devoções para segundo plano, pareceu que o dinheiro seria melhor aplicado se, em lugar das festinhas, a junta pagasse aquilo que estava a dever. E, para mal dos seus pecados, assim fez. Agora, azar do caraças, tem a Câmara lá do sitio à perna. A edilidade não gostou das prioridades do autarca da freguesia e deliberou que ou a junta faz a festa ou devolve o dinheiro. Coisa que este não pode fazer. Está sem cheta. Também ninguém o mandou desrespeitar a lei e desbaratar os recursos financeiros da junta a pagar dividas em vez de optar pela festarola. Isto há cada opção mais patética... 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Que fofinho que é o Mandela. Afinal só matou uma criança. Que, se calhar, até estava mesmo a pedi-las.

O Zico, um cão que ficou famoso aqui à atrasado por ter morto uma criança, já não vai ser abatido. Assim o decidiu um tribunal com tempo e competência para decidir coisas importantes. Nomeadamente relacionadas com canideos. A fera foi entregue a uma associação de amiguinhos dos animais que agora irá tratar do seu futuro. Uma vida nova, portanto. E para isso nada melhor do que mudar o nome do bicho. Vai, diz uma gaja que manda na associação, passar a ser chamado de Mandela. Não que o cão seja preto mas porque é, segundo a criatura, tal como o verdadeiro, um símbolo da liberdade. Receberá ainda cuidados médicos especializados porque, acrescenta, pode ter ficado traumatizado pelo longo cativeiro.
Acho enternecedor o que o pessoal das associações de defesa da bicharada faz para melhorar a vida dos animais. Nada me podia interessar menos do que o destino que vão dar à porra do cão. O que me irrita é que tribunais percam tempo e gastem o nosso dinheiro com palermices destas. É que, desconfio, deve haver gente à espera de ver decididos problemas realmente importantes há mais de sete meses.
Quanto ao novo nome do cão e aos argumentos utilizados, são dignos de uma besta. Das verdadeiras.

Preferências esquisitas

Gostei da entrevista de Rui Rio ontem na RTP. Plena de oportunidade, nomeadamente no que se refere à candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto. O que, tal como se esperava, provocou um elevado nível de urticária entre os apaniguados do edil de Gaia. O que não surpreende. O que verdadeiramente espanta é não ver toda esta malta nas manifestações contra a troika, o governo e a berrar impropérios contra a austeridade.
A hipocrisia partidária, como muito bem assinalou o ainda presidente da autarquia portuense, parece ser profundamente incompatível com a consistência ética e moral que devia pautar a vivência em sociedade. Apenas num contexto de loucura absoluta se compreende que o candidato oficial do PSD seja quem é. Por todos os motivos que se conhecem. Pior apenas se o homem, como as sondagens sugerem, for o escolhido pelo eleitorado. Aí, então, estaremos perante um caso de insanidade colectiva de difícil explicação. Ou então não. Será tão-somente a prova que faltava para confirmar que a generalidade dos portugueses é burra. Ou paneleiros. Gostam é de quem os tem andado a enrabar. 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Discriminação há muita, seu palerma!

Num texto que li recentemente, o seu autor, homem assumidamente de esquerda, lamentava o facto de em Portugal os pretos – era a expressão utilizada – não ocuparem lugares de relevo. Na opinião do articulista, apesar de representarem uma parte significativa da população, aos indivíduos de raça negra, certos meios parecem estar-lhes vedados. E, além de cargos políticos, dava como exemplo a apresentação de televisão ou a participação em campanhas publicitárias.
Terá, se calhar, o senhor alguma razão naquilo que escreve. Mas um olhar mais atento constatará que a cor da pele tem muito pouco a ver com a escolha dos protagonistas televisivos ou publicitários. Senão veja-se o caso dos velhos. Apesar de serem muitos parece-me que nenhum apresenta programas de televisão. Ou dos carecas. Faixa populacional quase inexistente nos canais televisivos e escassamente representada em anúncios. E gordos/gordas? Tirando o Fernando Mendes não estou a ver outro avantajado que mereça protagonismo nas pantalhas nacionais. E marrecos?! Também não há nenhum. Ah, pois é...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Campanha baratinha


Diz que, por causa da crise, os candidatos autárquicos vão privilegiar os contactos directos com os eleitores e apostar em campanhas mais poupadas. Por mim acho bem isso da poupança. Com certeza não será por gastar um pouco menos do que o habitual que os dedicados candidatos colocarão menos entusiasmo nas acções de campanha. Já quanto a essa coisa dos contactos directos entre candidatos e eleitores manifesto algumas reservas. Tudo depende do grau de contacto. Ou da intensidade, como dizem os comentadores da bola quando analisam o empurrão que deu origem a um penalti. E também do jeitinho. Que fica sempre bem. Na Cunheira e em todo o lado.

domingo, 28 de julho de 2013

Esplanada com vista para a merda


Borba, sábado à tarde, uma esplanada na praça central da cidade. Podia, é verdade, ser outro sitio qualquer. Ou noutro dia qualquer. Mas não. No caso o monte de merda de cão estava mesmo junto a uma esplanada, ontem e no centro de Borba. Isto enquanto ao lado se depenicam os caracóis, beberricam umas “mines” ou saboreia um café. Embora aparentemente não sejam muitos os que se incomodam com estas coisas, as mesas daquele lado não eram as preferidas dos clientes. Vá lá saber-se porquê.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Espanha vai nacionalizar o Sol...

Ao contrário do que julgávamos o Sol quando nasce, afinal, não é para todos. Literalmente. Em Espanha – para já, porque certamente não faltará quem pretenda seguir o mesmo modelo – o astro rei vai ser nacionalizado. O governo espanhol prepara-se para criar legislação que visa taxar a energia gerada e consumida no mesmo edifício. Ou seja, quem investiu nas energias alternativas pensando em poupar uns cobres vai, caso esta ideia brilhante se concretize, gastar ainda mais dinheiro do que se recorrer ao consumo através da rede eléctrica. Mais vinte sete por cento, ao que adiantam algumas estimativas. E se fizer a coisa à surrelfa sujeita-se a uma multa que pode ir até aos trinta milhões de euros. A ideia, assumida pelos governantes espanhóis, é proteger as empresas do sector eléctrico, coitadas, precavendo uma provável desestabilizarão do mercado da energia por utilização excessiva desta forma de geração. Que é como quem diz, evitar que os lucros das empresas do ramo diminuam.
Pouco me surpreende se por cá, mais dia menos dia, alguém num momento de rara sagacidade tiver ideia semelhante. Ou, quiçá, até pior. Um imposto sobre a electricidade gerada a partir da energia solar ainda é capaz de ser pouco. Há que ir mais longe. Porque não fazer o mesmo relativamente aos painéis para aquecimento de água, para compensar as empresas de gás?! Ou, melhor, sobre a utilização de estendais para secar a roupa? Os fabricantes de secadores iam ficar satisfeitos. E, num rasgo de ousadia, que tal taxar a malta que por nas praia, piscina, no quintal ou mesmo na rua, se farta de trabalhar para o bronze? Um imposto sobre o bronzeado é que era!
O rol de hipóteses parece infindável. Portanto, com um pouco de imaginação, teremos o problema das contas dos Estados resolvidos num ápice e os accionistas de um incontável numero de empresas todos contentinhos. E isto é apenas o começo. Certamente se seguirá o vento, a chuva e o ar que respiramos.



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Eleições?! Bom, também há quem acredite no pai natal...

Que o PS queira antecipar as eleições legislativas ainda percebo. Pretendem voltar as meter as mãos no pote e, mesmo com a Alemanha a mandar nisto, acalentam a esperança de conseguir enganar a Merkel e poder continuar a esturrar dinheiro à força toda. Coisa que, obviamente, não vai ser possível. O que já não percebo é a insistência de comunistas e bloquistas em quererem, também eles, ir às urnas mais cedo. Terão, pelo menos quero acreditar nisso, inteligência suficiente para perceberem que, na melhor das hipóteses, ganharão dois ou três deputados e que a sua capacidade de influenciar seja o que for se manterá exactamente igual à que têm agora. Ou seja, para eles e para os portugueses em geral, nada mudará com eleições antecipadas, adiadas ou mesmo sem elas. Podem mudar as varejas mas o resto continuará igual.
Fora dos partidos, entre os cidadãos normais, não falta também quem reclame por eleições. Ingenuamente acreditam que isso mudará o rumo do país ou que, pelo menos, atenuará o nível das malfeitorias que estes javardolas nos andam a fazer. Desengane-se quem assim pensa. Não temos, enquanto país, dinheiro nem autonomia para decidir seja o que for acerca do nosso futuro. Mas estamos em estado de negação e recusamos-nos a aceitar que isso seja verdade. Deve ser esse o motivo porque nos preparamos para colocar outra vez no poleiro aqueles que, ainda há pouco tempo, achávamos insuportáveis. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Autárquicas 2013


As eleições autárquicas constituem, a cada quatro anos, um momento ímpar. No campo da galhofa, nomeadamente. No caso de hoje – o Barreiro – menos mal que os autores do cartaz não exigem a mudança...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Noticias do mais interessante que há...


Se me é difícil entender a histeria dos ingleses por causa do nascimento do filho de uns príncipes quaisquer, a importância que por cá os órgãos de comunicação social pretendem dar ao real rebento provoca-me náuseas. A principal vitima da irritação que estas parvoíces me causam tem sido, de tanto uso, o comando da televisão. Se a saga continua por muito mais tempo o desgraçado é capaz de vir a sofrer danos irreparáveis. É que não se pode. Tudo, desde a gravidez da gaja até ao peso do gaiato, serve de notícia. O pior é que, desconfio, a coisa tenderá a piorar. Pelo menos enquanto não se souber o nome do catraio, se dorme bem, se mama melhor e mais um infindável rol de informações que contribuem tanto para a nossa felicidade como a chuva que cai por esta altura, ou noutra qualquer, em Cabul.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Há que tomar providências...

A sentença que condena a ministra Cristas e o também ministro Álvaro, ao pagamento de uma multa diária na ordem dos quarenta e três euros até que as obras de umas estradas no Baixo Alentejo estejam concluídas, ou repostas as condições anteriores, é, no mínimo, sui generis. Por muitas razões que outros, melhor capacitados para o fazer do que eu, certamente se encarregarão de escalpelizar.
Por mim, podia divagar sobre a falta de dinheiro para concretizar qualquer uma das opções determinadas pela sentença. Ou estranhar que quem avançou para a realização das obras, mesmo sabendo que não havia dinheiro para as fazer, não tenha merecido igual condenação. Mas isso sou eu, que não percebo nada dessas coisas da justiça nem espero que alguém dessa área entenda alguma coisa de números.
Perante esta decisão judicial, o que me apetece – e se tivesse jeito para isso já a estava a fazer – é, também, meter uma providência cautelar. É que isto de repor as condições anteriores não se pode apenas aplicar a obras paradas. Deve, igualmente, aplicar-se às nossas vidas. Se a circulação nas vias em causa é agora um tormento causado pelas decisões do governo, a nossa vida não o é menos por causa de outras decisões do mesmo governo. Que os impostos regressem aos valores anteriormente cobrados. Que tudo o que nos foi tirado seja reposto. Não há dinheiro para isso?! Não interessa. Se não há, faz-se. Não se pode fazer? Quem disse? Mete-se uma providência cautelar para acabar com essa proibição parva. Então não querem lá ver...

domingo, 21 de julho de 2013

Pomba doida


Deve ter sido uma aterragem de emergência. Ou, antes, causada por um assunto que não podia esperar mais. Longe do ninho e na falta de melhor, o vaso deve ter surgido a esta pomba – de “corrida”, embora isso não se perceba na foto – como um último recurso. Má escolha. Ou talvez não, porque desconheço o desfecho da aventura.

sábado, 20 de julho de 2013

Não percebo!

Acabo de ouvir o secretário geral do partido socialista defender, num tom inflamado, que quando chegar ao governo criará legislação que permita à banca pagar directamente aos fornecedores do Estado. Resolverá assim, diz ele, os problemas de liquidez de muitas empresas enquanto para a divida pública a operação tem um efeito nulo porque, garantiu, trata-se “apenas” - aspas minhas – de substituir divida a fornecedores por divida à banca.
Apesar de, aparentemente, a ideia não ser das piores, suscita-me umas quantas questões. A primeira tem a ver com essa coisa dos juros, ou lá o que é, que os bancos costumam cobrar nestas ocasiões. O que me faz recordar, quase de imediato, certas criticas que à esquerda se fazem aquilo a que chamam negociatas entre o estado e a banca e que, por norma, servem de argumento para tudo e mais qualquer coisa. Por outro lado esta intenção envolve, à boa maneira de mau pagador, empurrar o problema para a frente. Ou seja, pagar a divida de hoje a longo prazo para continuar a gastar no imediato. Parece-me, se não estou enganado, que foi mais ou menos isso que nos fez ficar nesta tragédia.
Por último, esta proposta, a não ser que eu não perceba mesmo nada disto, revela uma incoerência sem limites do senhor Seguro. A menos que já tenha deixado cair a promessa feita aos autarcas de revogar a lei dos compromissos mal chegue ao poleiro. É que esta lei tem precisamente por finalidade acabar com os pagamentos em atraso por parte do Estado... 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O morango da crise


Os morangos são, por esta altura do ano, das raras plantas que sobrevivem no meu quintal. Poucos, ainda assim. É por isso que a colheita deste exemplar de proporções épicas constitui facto digno de ser relatado ao mundo. Nomeadamente aos leitores deste blogue, com quem faço questão de partilhar estas coisas. Estes pequenos acontecimentos, entenda-se. Porque quanto ao morango vou comê-lo eu. Se me despachar, claro.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Os figos da crise


A produção das figueiras lá da propriedade é, este ano, bastante razoável. A juntar a isso há igualmente a salientar a aparente diminuição das investidas das forças terrestres que, por norma nesta altura do ano, se encontravam particularmente activas na zona. Já no que respeita aos ataques aéreos está tudo na mesma. Os patifes dos pássaros gostam mesmo de figos!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Semáforo stressado


Qualquer equipamento é susceptível de avariar. Hoje calhou a este. Deu-lhe o amok e ficou assim. Com o laranja e o verde sempre ligados. Se isto fosse uma daquelas cidades com muito movimento seria imprescindível um policia sinaleiro. Ou, se por aqui houvesse gente com espírito empreendedor, um gajo a controlar a sinalização alternada no interior das “portas”. A troco de uma moedinha, claro.

domingo, 14 de julho de 2013

Boas contas

Dados recentemente divulgados revelam que, no espaço de apenas um ano, os municípios nacionais reduziram o total da divida autárquica em mais de mil milhões de euros. Ainda que neste número possam eventualmente estar contidos alguns esquemas contabilísticos destinados a mascarar as contas, a verdade é que este resultado, mesmo assim, é digno de registo e merecedor de uma palavra de apreço relativamente aos autarcas. Convém lembrar que no mesmo período as receitas municipais tiveram uma quebra bastante acentuada, o que valoriza ainda mais os resultados obtidos. De realçar, também, que esta diminuição do endividamento, apesar das circunstâncias, não prejudicou os serviços que são prestados às populações nem pôs em causa, que se saiba, o funcionamento de nenhuma autarquia.
Pode argumentar-se que o facto de muitos funcionários municipais não terem recebido os subsídios de férias e natal contribuiu para esta diminuição da divida. Verdade que sim. Mas isso não foi o factor decisivo. A melhoria das contas deve-se, no essencial, a dois factores: Por um lado uma gestão bastante mais rigorosa do que vinha acontecendo motivada pela pressão dos credores através da generalização do recurso a meios de cobrança muito mais persuasivos, chamemos-lhe assim. O segundo factor, não menos importante, foi a implementação da Lei dos compromissos e pagamentos em atraso. Terá sido, também, graças a esta lei, apenas ignorada por 26 dos 308 municípios, que responsabiliza criminal, civil e financeira dos eleitos e dirigentes municipais, que se conseguiu operar este pequeno milagre. Deve ser por isso que o Totó Inseguro já prometeu acabar com ela mal chegue ao poder...

sábado, 13 de julho de 2013

Que bonita está a minha rua!


Testemunhas oculares garantem que o mastim que adoptou este sitio como espaço de eleição para largar as suas monumentais cagadas – os vestígios do anterior alivio ainda são bem visíveis - tem como dono um militar da GNR na situação de reforma. Mas há também quem garanta que é propriedade de uma professora primária aposentada. Ou de ambos, sabe-se lá. Por mim, que não presenciei a ocorrência, não posso afiançar que assim seja. Desconfio é que isto tem tudo para correr mal. Os populares ouvidos no local parecem estar furiosos e, até, capazes de fazer...coisas.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eles não sabem...nem sonham!

É costume olhar-se, especialmente em altura de eleições, para as promessas dos autarcas ou para a maneira como estes esturraram o dinheiro ao longo do(s) mandato(s). Esta perspectiva, ainda que também usada aqui no Kruzes, parece manifestamente redutora. Embora sejam eles que administram os recursos e tomam as decisões, afinal foi para isso que foram eleitos, também se afigura de todo o interesse analisar as críticas que vão sendo tecidas por aqueles que se vão candidatar e pelos que não se candidatam mas que gostavam de ser candidatos se houvesse alguém que se arriscasse a candidatá-los.
A esmagadora maioria dos reparos à actuação dos executivos em funções – vindas da parte de potenciais ou putativos candidatos – envolvem a falta de investimento. Por mais que se gaste, parece que não falta quem ache que ainda é pouco. Atente-se nalguns exemplos. O país vive numa permanente overdose de cultura, basta ver os sites dos municípios ou a publicidade a eventos de toda a espécie em que se tropeça permanentemente, mas, ainda assim, acham que é pouco. Constroem-se escolas por todo o lado, mesmo onde não existem crianças – é uma festa, como dizia a outra – mas, apesar disso, querem mais. Ainda que se tenham construído piscinas, pavilhões, parques de feiras e exposições, casas de cultura, multiusos, rotundas e estradas nos lugares mais inóspitos, para esta gente tudo isso continua a ser pouco. E o rol podia continuar...
Ao ler as declarações de muitos candidatos - ou candidatos a candidatos ou não candidatos desgostosos por não serem candidatos – fico com a sensação que se trata de pessoas que chegaram recentemente a Portugal vindas directamente de um local qualquer onde não chega informação sobre o país. Ou, então, são gastadores compulsivos a divagar acerca do que fariam se pusessem as mãos no pote. Seja num ou noutro caso eles parecem não saber – nem sonhar – que, tal dizia o gajo que estuda em Paris, o mundo mudou e que isso do gastar hoje e pagar quando calhar já não é coisa deste mundo. A menos que estejam ansiosos por ir fazer companhia ao Isaltino.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Patifarias

Que Portugal é um país de corruptos, vigaristas e trafulhas será apenas novidade para – e mesmo assim não tenho certezas absolutas quanto a isso – um ou outro habitante das profundezas da selva ou de qualquer outro lugar remoto onde não cheguem as noticias cá da pocilga. Neste âmbito temos, alegadamente, de tudo. Desde casos que movimentam milhões aos montes, como o BPN e outros parecidos, até aos que, por comparação, envolvem apenas uns trocos. Assim tipo baixas por doença, subsidio de desemprego ou rendimento mínimo. Diria que neste campo da trafulhice em geral, e da fraude em particular, somos uns verdadeiros especialistas. Nós e os que, vindos de outros países, assimilam num ápice os nossos vastos conhecimentos nestas matérias e aproveitam as fragilidades, sempre muito convenientes, dos nossos serviços públicos.
Um dos domínios em que nos especializamos desde há muitos anos foram os chamados casamentos brancos. Aqueles em que, a troco de dinheiro, alguém casa com um estrangeiro para que este tenha acesso a certos direitos apenas reservados a cidadãos nacionais. A marosca teve alguma notoriedade quando envolvia futebolistas. Hoje estará mais direccionada para desenrascar – outra coisa em que somos especialmente bons – a rapaziada oriunda do espaço extra-comunitário. Nomeadamente a mourama. Os tais que odeiam a sociedade ocidental mas que sabem tirar partido dos apoios sociais que esta distribui de forma generosa e indiscriminada.
Uma das fraudes que aparenta revelar um crescimento acentuado é o casamento de velhotes com mulheres substancialmente mais novas. De nacionalidade brasileira, muitas deles. A ideia será, para além de enquanto o gajo for vivo viverem à conta dele, beneficiarem da pensão de sobrevivência quando o idoso bater a bota. O que significa que o Estado poderá suportar os encargos referentes a um beneficiário - entre o tempo que esteve reformado mais o tempo de vida da beneficiária da pensão de sobrevivência – durante cinquenta, setenta ou mesmo mais anos. Isto se não estiver muito enganado na idade de certos “casais” que encontro nos supermercados da cidade a abastecer a despensa. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O fogaréu do costume


Domingo, pelas onze da manhã, esta fumarada erguia-se sobre a cidade. Vinha, claro está, do sitio do costume. Sinal de que o almoço no resort deve ter metido grelhados. 
Não, não se trata do novo tema de estimação do Kruzes. A sucessão de posts envolvendo incêndios ou coisas potencialmente incendiáveis é apenas mera coincidência. Nada mais do que isso.