Presumo — embora não tenha a certeza, porque não li o artigo — que tudo isto esteja solidamente sustentado em estatísticas. Daquelas elaboradas a partir de números recolhidos por verdadeiros especialistas, especialmente especializados nas mais especiais especialidades. Algo ao nível daquele “rapazinho especial” que assina o artigo, doutorado em generalizações apressadas e mestrado em desprezo regional.
Sou alentejano, quase toda a vida vivi no Alentejo e lamento desapontar este coisinho, mas não possuo nenhum dos defeitos que o infeliz escriba aponta aos alentejanos. Nem eu, nem a esmagadora maioria de quem aqui mora. Embora, reconheço facilmente, que antes do café até eu posso parecer radical. Gente como a que a criatura descreve existe em todo o lado. Aqui, onde ele vive e, com grande probabilidade, pelo caminho que faz todos os dias até ao espelho.
Dizer que os alentejanos são pobres e suicidas é de uma indigência mental comparável a afirmar que os lisboetas são todos ricos e criminosos. É simples, é preguiçoso e dá muito pouco trabalho a quem escreve. Mas se ele quer insistir nisso, é lá com ele. Cada um lida com as suas limitações como pode.
Quanto à parte do racista e radical, aquela velha máxima do “quem diz é quem é” assenta aqui que nem uma luva. Esta meia dúzia de linhas não deixa muitas dúvidas. A única que fica é o que raio lhe terá acontecido na vida para carregar tamanho ressentimento contra o Alentejo e os alentejanos.














