quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O socialismo funciona...nunca!



Há quem não perceba, ou não queira perceber, que o socialismo não funciona. Ainda assim insistem num argumentário rico em verborreia, mas manifestamente longe da realidade. Aquela coisa que se encarrega de destruir, sempre mais cedo do que tarde, os cenários idílicos daquelas terras que prometem o sol a brilhar para todos nós, mas que afinal apenas conseguem dar a noite mais negra. Ou vermelha, vá, para ser cromaticamente mais  rigoroso.

No gráfico pode ver-se a evolução de um país capitalista, a Venezuela, que um bando de malucos resolveu levar a adoptar as práticas socialistas. O outro, a Polónia, fez o caminho inverso. Os últimos dados da comparação são de 2020. Hoje a diferença será bastante maior. Apesar de todas as evidências ainda existe gente que nos quer vender as opções políticas que levaram ao colapso e à destruição daquele país sul-americano. É a estes que recomendo sempre que façam a revolução socialista no respectivo quintal. E, porque não lhes desejo mal nenhum, estimo as melhoras. Com pouca esperança, mas muita sinceridade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O balázio de ano novo - património imaterial da família tradicional

Há quem ache estranho que, passados todos estes dias, ainda nenhum membro da  “família” que celebrou a entrada no novo ano aos tiros de metralhadora tenha sido incomodado pelas autoridades. Gente mesquinha, evidentemente. Pessoas pequenas, roídas pela inveja, que não conseguem aceitar que há quem se divirta de forma genuína, saudável e profundamente enraizada na tradição oral  e balística  dos seus antepassados.

Querem ver atrás das grades cidadãos de bem que apenas exerceram o seu direito ancestral de transformar o espaço público num campo de tiro improvisado, sem qualquer intenção de fazer mal a uma mosca. A não ser, claro, que por um azar cósmico absolutamente imprevisível, alguma dessas moscas — ou pombos, ou varandas, ou transeuntes — se tenham atravessado na  trajectória de um dos muitos projécteis festivos disparados para o ar. 

Os que defendem que isto é comportamento punível e que pedem mais “acção” policial revelam apenas ignorância. Não percebem o contexto. Não percebem a cultura. Não percebem que o facto de a “família” disparar armas proibidas a civis é um detalhe menor. Quase burocrático, diria. Quem nunca, numa passagem de ano mais animada, sacou de uma arma de guerra para marcar a meia-noite, que atire a primeira bala. De preferência em rajada.

Além disso, sejamos razoáveis. Identificar a “família” seria uma tarefa ciclópica. Apesar de estarem de cara descoberta, numa rua perfeitamente identificável, num vídeo amplamente difundido, é praticamente garantido que ninguém os conhece. Não moram ali, claro. Estavam só de passagem. Foram à festa. Coisa rápida. E, como é evidente, desapareceram logo a seguir porque a casa fica longe e no dia seguinte tinham de acordar cedo para ir trabalhar. 

Pode ser isso tudo. Ou não. Tenho outra teoria. Cá para mim, aquele vídeo é falso. Ou melhor, é coisa criada por inteligência artificial para nos levar a sentir falsas sensações de insegurança. Uma cena muito própria da extrema-direita, ou lá o que se chama aqueles gajos que não gostam de “famílias”. Toda a gente sabe que as “famílias” não se dedicam a actividades desprovidas de enquadramento legal. "Jamé", como dizia o outro. No máximo, vá, a umas burlazinhas no MB Way...

domingo, 4 de janeiro de 2026

Especialistas que deixaram de querer apenas paz...

De repente, como cogumelos depois da chuva ou comentadores depois de um conflito internacional, começaram a surgir especialistas especialmente especializados nessa especialidade muito específica chamada direito internacional, que curiosamente ninguém parecia dominar até ontem ao pequeno-almoço. Aquela coisa da Venezuela fez-lhes saltar a tecla. Eu, pelo meu lado, pouco percebo do assunto. O que me coloca, ironicamente, numa posição de enorme vantagem. Daí que me socorra das posições dos apaniguados de um conhecido partido político — aquele cuja relevância pública é rigorosamente inversa à sua relevância eleitoral — já testadas e aprovadas aquando da invasão da Ucrânia. A receita é simples, eficaz, moralmente confortável e resume-se a “eu só quero paz”. O que é preciso é paz. Paz acima de tudo. Se é que aconteceu alguma coisa, claro. E, se aconteceu, não começou agora. Nunca começa agora. Começa sempre algures no Neolítico ou, no mínimo, em 1991. É preciso olhar para trás. Muito para trás. Até encontrar qualquer coisa que justifique tudo. Deve ser isso. Ou outra cena marada qualquer, possivelmente.

Seja como for, a deposição de Maduro é, sem dúvida, uma boa notícia. A má é a forma como foi deposto. Um detalhe, dirão alguns. Um pormenor técnico, dirão outros. Embora não se trate sequer de um precedente — ingerências, invasões, golpes e anexações são mais que muitas nos últimos cinquenta anos — o episódio tem a ligeira desvantagem de significar que nenhum país ou território está verdadeiramente a salvo. Nenhum mesmo. Seja o Canadá, a Gronelândia ou os Açores por parte dos EUA, todos os países que constituíam a URSS por parte da Rússia ou Taiwan pela China. É tudo uma questão de tempo, oportunidade e uma narrativa suficientemente criativa. Até mesmo Portugal é melhor ir pondo as barbas de molho, que os castelhanos estão mesmo ali ao lado e são capazes de começar a ter ideias. E isso, as ideias - especialmente as mais parvas -  costumam surgir quando menos se espera.