quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Armados em parvos

É reconfortante saber que as forças policiais estão atentas às movimentações do mundo do crime em geral e dos criminosos em particular. Há quem não se preocupe com minudências e ache que as policias deviam era preocupar-se com a malta do “colarinho branco”, os que roubam milhões e outra gente que comete a heresia suprema de escapulir ao fisco. São criaturas – conheço algumas – que se afirmam muito mais alarmadas com essas cenas do que com aqueles que andam por aí aos tiros e a roubar os pertences que não lhes pertencem.
Por mim acho muito bem que os policias cacem meliantes. Ontem caçaram uns quantos. Diz que alguns pertencem, ou terão pertencido, a partidos pouco recomendáveis – três ao Chega e um ao Partido Socialista – e outros a claques de futebol. Integrariam uma espécie de seita com uma admiração enternecedora pelas ideias deixadas por um certo Adolfo — um obscuro artista falhado — e, em simultâneo, um ódio visceral a muçulmanos. Uma posição curiosa, diga-se, já que ambos são igualmente incompatíveis com judeus. Mas não admira, a coerência nunca foi o forte destas alminhas.
Fez, reitero, a policia muito bem em dar-lhes caça. Aquilo é gente a evitar em todas as circunstâncias. Agora só faltam aqueles desgraçadinhos que andaram aos tiros com armas de guerra na noite da passagem do ano, de cara descoberta e perfeitamente identificáveis em vídeos amplamente divulgados que toda a gente viu. Excepto a policia. O que não admira. É óbvio que a policia não vai ver coisas filmadas ilegalmente e que não respeitam a privacidade do bandido. Alguém, de resto, tem de cumprir a lei.

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