Uma revista que se publica semanalmente considera, na capa da sua última edição, que nestas eleições presidenciais está em causa o futuro da democracia. Não tem mal nenhum achar isso. Afinal, seja o assunto o que for, o futuro está sempre em causa. Basta não ter acontecido. O que é uma coisa que acontece muito, isso do futuro ainda estar por acontecer.
O que já não me parece assim tão acertada é comparação com as outras eleições onde também foi necessário recorrer a uma segunda volta para eleger o Presidente da República. Isto porque, garante quem redigiu o texto que consta da dita capa, da outra vez o regime democrático, ao contrário de agora, não estava em causa. O que constitui um monumental disparate. Lembro-me mesmo de alguém ter dito após a confirmação da vitória de Mário Soares - se não estou enganado até terá sido o próprio - que podíamos todos dormir descansados nessa noite. Numa clara alusão ao dramatismo que a esquerda, tal como agora, promoveu durante a campanha acerca das consequências trágicas para a democracia se Freitas do Amaral ganhasse.
Desconfio que naquela altura a tentativa de amedrontar os portugueses para a perigo que constituiria a eleição de um presidente de direita, foi muito maior do que agora. O equilíbrio era muito grande e o resultado podia cair para qualquer dos lados. O que desta vez não acontece. Mesmo o meu gato imaginário, o Bigodes, ganharia com facilidade ao candidato que se apresenta com vontade de impor uma democracia mais felina, chamemos-lhe assim.
A democracia sobreviveu aos comunistas no Verão quente de setenta cinco. Desde aí nunca mais esteve em perigo. Nem estará por causas internas. Não enquanto, como estará prestes a acontecer noutras paragens, aqueles que se regem por valores contrários à civilização não constituírem a maioria da população. Mas isso não acontecerá nos tempos mais próximos. As netas desses auto-intitulados democratas é que “Irão” saber o que é o fascismo. Não o fascismo imaginário, omnipresente e conveniente, que só existe na cabeça dos malucos dos seus avós. O outro. O verdadeiro.
Sem comentários:
Enviar um comentário