Por cá também nevou. Pouco e durante um curto espaço de tempo. Tão pouco que nem deu para fazer “sku”. E ainda bem, não fosse isso servir de convite formal para a inevitável romaria dos turistas das intempéries. Essa espécie migratória peculiar que, mal ouve falar de um fenómeno meteorológico ligeiramente fora da banalidade, enfia a família no carro e acelera em direção ao perigo com o entusiasmo de quem vai ao centro comercial ao domingo.
São os mesmos que sobem em massa à Serra da Estrela sempre que cai um floco com mais de meio centímetro sob a desculpa, nobre e inquestionável, de que é “só para o Martim ou a Carlota brincarem um bocadinho”. Porque nada diz mais sobre boa parentalidade do que expor uma criança a hipotermia ligeira, estradas geladas e filas quilométricas para fazer um boneco de neve que mais parece um croquete gigante.
Estes dias são também ideais para estes turistas se dirigirem à beira-mar usufruir da proximidade das ondas. A oportunidade de obter uma selfie épica, de costas para a água, justifica a deslocação e a galhofa. Até porque, toda a gente sabe, o Atlântico aprecia imenso aparecer nas stories do Instagram.
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