De repente, como cogumelos depois da chuva ou comentadores depois de um conflito internacional, começaram a surgir especialistas especialmente especializados nessa especialidade muito específica chamada direito internacional, que curiosamente ninguém parecia dominar até ontem ao pequeno-almoço. Aquela coisa da Venezuela fez-lhes saltar a tecla. Eu, pelo meu lado, pouco percebo do assunto. O que me coloca, ironicamente, numa posição de enorme vantagem. Daí que me socorra das posições dos apaniguados de um conhecido partido político — aquele cuja relevância pública é rigorosamente inversa à sua relevância eleitoral — já testadas e aprovadas aquando da invasão da Ucrânia. A receita é simples, eficaz, moralmente confortável e resume-se a “eu só quero paz”. O que é preciso é paz. Paz acima de tudo. Se é que aconteceu alguma coisa, claro. E, se aconteceu, não começou agora. Nunca começa agora. Começa sempre algures no Neolítico ou, no mínimo, em 1991. É preciso olhar para trás. Muito para trás. Até encontrar qualquer coisa que justifique tudo. Deve ser isso. Ou outra cena marada qualquer, possivelmente.
Seja como for, a deposição de Maduro é, sem dúvida, uma boa notícia. A má é a forma como foi deposto. Um detalhe, dirão alguns. Um pormenor técnico, dirão outros. Embora não se trate sequer de um precedente — ingerências, invasões, golpes e anexações são mais que muitas nos últimos cinquenta anos — o episódio tem a ligeira desvantagem de significar que nenhum país ou território está verdadeiramente a salvo. Nenhum mesmo. Seja o Canadá, a Gronelândia ou os Açores por parte dos EUA, todos os países que constituíam a URSS por parte da Rússia ou Taiwan pela China. É tudo uma questão de tempo, oportunidade e uma narrativa suficientemente criativa. Até mesmo Portugal é melhor ir pondo as barbas de molho, que os castelhanos estão mesmo ali ao lado e são capazes de começar a ter ideias. E isso, as ideias - especialmente as mais parvas - costumam surgir quando menos se espera.
Boa tarde
ResponderEliminar… Sanções
Pergunto:
ao sr. Presidente do Conselho Europeu da UE
à srª Presidente da Comissão Europeia da EU
ao sr. Primeiro ministro do Reino Unido
aos comentadores especialistas, principalmente sr. Rogeiro e José Milhazes
a todos quantos nestes blogues do blog. Sapo estão sempre prontos a apoiar as sanções promovidas contra outros estados pelos EUA
Que sanções contra os EUA pela invasão do Estado Soberano da Venezuela e pelo rapto do seu Presidente Nicolas Maduro?
Zé Onofre
Boa noite caro Zé Onofre
ResponderEliminarIsto são tudo negociatas para as quais a Europa conta zero. Quanto ao resto acho - mas isso sou só eu a dizer e até nem percebo nada disto - que as notícias do fim do regime ditatorial da Venezuela são manifestante exageradas.
Cumprimentos
Estão á espera de ir á Venezuela para a posse do novo presidente da dita e deverão lá estar aqueles que nomeou (lembrem-se do funeral do Chavez)-
ResponderEliminarQuanto ao restante sou da mesma opinião o que é preciso é muita paz!
Paz para todos muita paz e merda para o rapaz!
Está lindo o Mundo ....
ResponderEliminarÉ uma tragédia e um abuso do imperialismo isto que fizeram a Maduro. Já Honneker, Henver Hoxa, Mussolini, Hitler e Pol Pot foram alvo do imperialismo para sufocar o socialismo e o nacional socialismo que tão bem fez aos povos: assim tão bem como rebuçados S. Brás para a tosse.
ResponderEliminarEstá a tomar um rumo esquisito, está...
ResponderEliminarTudo bons rapazes...esses e mais outros!
ResponderEliminarÉ isso. Precisamos de paz e diálogo, como dizia o "Picareta" Guterres.
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