terça-feira, 10 de junho de 2025

Dia de Portugal

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Nunca fui muito dado a essa coisa do patriotismo. Deve ser por isso que, ao contrário da esmagadora maioria dos portugueses, os sucessos ou insucessos da equipa da FPF não me suscitam grandes emoções. Faz-me, até, alguma confusão como é que alguém que não faz a mais parva ideia do que é um fora de jogo pode ficar quase histérico quando joga a selecção. Mas ainda bem que assim é. Pelo menos quando o Putin - ou outro maluco qualquer – se lembrar de nos invadir as forças armadas não terão falta de militares para defender o país. Mesmo os que já não tiverem idade, nem condições para se alistarem na tropa, de certeza correrão a voluntariar-se para servir na defesa civil e defender o território que é nosso. Com tanto fervor patriótico como o que tenho visto desde o fim de semana, tenho a certeza que qualquer inimigo bate de imediato em retirada. Ou, na hipótese de serem parvos o suficiente para persistir na tentativa de nos ocupar, atropelamo-los nas passadeiras. Patrioticamente.

domingo, 8 de junho de 2025

Em Gaza, por exemplo, não têm estes problemas...

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Há quem ainda não tenha digerido os resultados das últimas eleições. Três semanas depois já era tempo da azia ter passado. A mim, das muitas vezes que ganha o PS, abala-me mais depressa. Mesmo que continue a achar que quem optou por esse partido fez uma opção que não foi a melhor para o país e que a mesma é prejudicial para os interesses dos portugueses em geral. Mas, sejam quais forem os resultados eleitorais, há que respeitar a vontade do povo e quem não a respeita também não merece ser respeitado. Os eleitores escolhem quem querem e votam em que muito bem lhes apetece. Chama-se democracia, ou lá o que é.

Ocorre-me este arrazoado por causa de uma conversa – na verdade foi mais um monologo, porque a criatura pôs a “espingarda à cara" e ninguém a calava – que tive na semana passada na sala de espera de uma clínica. A boa da senhora – boa é uma força de expressão, obviamente – ainda estava possessa por o Chega ter vencido as eleições aqui no concelho. Perante uma audiência de mais de uma dúzia de pessoas chamou de tudo aos eleitores cá da terra. E nem quando eu – feito parvo, devia era estar calado como os demais – lhe tentei, alarvemente reconheço, lembrar que o sol continuaria a nascer no mesmo lugar e nós a receber o ordenado no mesmo dia a coisa melhorou. Acho até que piorou. A sorte, pelo menos a minha, é que entretanto fui chamado pela enfermeira.

Ou seja, o povo apenas está certo e as pessoas são inteligentes e merecedoras de respeito quando pensam da mesma maneira que nós. Caso contrário são umas bestas. Não tem mal nenhum que uns quantos pensem assim. Nem que o verbalizem. Afinal, há vozes que por mais alto que vociferem não chegam ao céu. Ou, como diria a minha avó a propósito daqueles que exibiam uma alegada superioridade moral em relação aos demais, “gaba-te cesto, que estás todo roto”.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Sensações...

“Isto da insegurança está cada vez pior” é uma frase, com uma ou outra variante, que vou ouvindo cada vez com mais frequência. Verdadeira, se calhar. Ainda esta semana tivemos ocasião de assistir, pela televisão, a dois momentos que nos podem levar a dar razão a quem manifesta este sentimento. Num deles um velhote atirou-se ao cachaço de uma chalupa que guinchava coisas acerca de um alegado genocídio. Noutro, um grupo de meliantes estrangeiros – embora não haja indícios que existam patifes de outras nacionalidades entre nós – assaltou um banco no Alentejo.


Há, por outro lado, quem insista em argumentar que não há cá nada insegurança nenhuma. Tudo não passa de sensações alimentadas pela extrema-direita fascista, racista, machista, populista, misógina, xenófoba e o que mais vier à cabeça dos alucinados de turno. Gente que, admito, pode ter toda a razão quanto a essa cena da segurança. É que, no primeiro caso, a gaja mal apessoada conseguiu vender as tretas delas e sair dali com as carnes intactas. Sem, sequer, dando oportunidade a que alguém lhe atirasse com um dicionário a cima. Na segunda situação, creio, existirá um equivoco. Os cavalheiros vindos da estranja para salvar a segurança social apenas quiseram apressar as coisas fazendo uma contribuição mais avultada. Acelerar o salvamento, no caso. E quanto aos alentejanos desocupados que filmaram a cena toda, que se ponham a pau com essa patetice da protecção de dados ou lá o que é.

terça-feira, 3 de junho de 2025

O paposseco gourmet

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Chamem-lhe carcaça, casqueiro ou pãozinho na versão moderna e amaricada para mim será sempre um paposseco. Mas se o nome pelo qual é conhecido varia em função da região, o tamanho vai diminuindo à medida que o preço cresce. Este, comprado numa padaria tradicional, tem as dimensões que se podem apreciar tendo por comparação um cartão de fidelização de um supermercado. É o pão perfeito para dietas radicais. Daquelas que se fazem, por esta altura do ano, na tentativa desesperada de voltar a ver os dedos dos pés quando se caminha à beira-mar. Um nano-panito, quase. Deve ser um produto inovador da moderna industria da panificação concebido a pensar naquelas pessoas que não têm tempo para mastigar. Dá-se uma dentada e já acabou. Nem dá para saborear. O que, convenhamos, também não constitui nenhum drama dado que o sabor, a existir, apenas pode ser apurado em laboratório. Embora, com o marketing adequado, possa ser vendido como um produto gourmet ou lá o que chamam aquelas cenas de aspecto duvidoso que servem aos parolos como “experiência”.

domingo, 1 de junho de 2025

Histórias da velha à soalheira

Um trabalho de investigação jornalística permitiu concluir que uns quantos médicos terão ganho uma pipa de massa - umas centenas de milhares de euros, no caso – num espaço de poucas semanas. Tudo, ao que parece ter concluído a tal investigação, graças a um esquema manhoso qualquer. Uma coisa, alegadamente, assim do tipo “marquem lá essa operação para o dia em que eu estou de folga, que assim ganho mais uns trocos”. Isso ou algo parecido. Vai dar ao mesmo.


Não consegui evitar um sorriso quando ouvi a noticia. Lembrei-me da minha avó. Nomeadamente das histórias que ela inventava para me entreter. Ocorreu-me uma em que, de acordo com a sua mente delirante, os funcionários das autarquias de um país longínquo eram tão mal pagos, mas tão mal pagos, que para terem um ordenado decente "trabalhavam" muito para além do horário. Um deles terá até, em certa ocasião, "trabalhado" vinte seis horas num só dia. Contava-me ela – calculo que tenha inventado, mas não interessa nada – que, apesar de quase todos ganharem apenas o salário mínimo, recebiam sempre o dobro disso no final do mês. Graças, tal como agora acontecerá com os médicos, a um conjunto de esquemas manhosos. Alegadamente, como sempre acrescentava.


Por mim, nada sei destas cenas. Nem dos médicos de cá nem dos trabalhadores das câmaras de países distantes. Sei apenas que, a ser verdade, o dinheiro que foi parar aos bolsos de uns e outros – muito ou pouco – saiu do bolso de quem paga impostos. Não espero que essa malta se envergonhe do que, a ser verdade, tenha feito ou continue a fazer. Nem eles nem quem – a acontecer - permite essas mahosices. 

sábado, 31 de maio de 2025

É a democracia, estúpidos!

Eleições, em democracia, nunca são um problema. Os resultados, por mais que nos desagradem, também não. Tudo é transitório e, na pior das hipóteses, os governos apenas duram quatro anos. Depois, se o povo não estiver satisfeito com a experiência, escolhe outros.


Cinquenta anos depois já devíamos estar habituados. Mas não. Há quem ainda não perceba que a democracia também funciona quando os outros ganham e não apenas quando os eleitores votam “como deve ser”. Ou seja, de acordo com as nossas escolhas. Não vale a pena chamar fascistas a vinte e não sei quantos por cento dos portugueses, guinchar “não passarão” ou proclamar que vem aí o fim dos tempos. Não adianta. O mundo vai continuar a girar, o sol a nascer no mesmo lugar, passará quem tiver de passar e a minoria ruidosa continuará cheia de azia se – muito legitimamente, como é óbvio – continuar indignada.


Recordo-me de há relativamente pouco tempo, no tempo da famigerada Geringonça, existir gente visivelmente entusiasmada com o rumo que o país estava a levar e garantiam a quem não concordava que o melhor era habituarmos à ideia da coisa ser para perdurar no tempo. Eram, apesar de terem perdido as eleições, a maioria parlamentar. Hoje constituem uma minoria sem qualquer relevância, mas, mesmo assim, mantêm a arrogância de sempre. Para eles são outros que estão errados. São os donos da razão. Os supra sumos da inteligência e os demais uns pobres diabos. Até gente com evidentes problemas cognitivos, fruto da consanguinidade resultante do casamento entre primos, faz proclamações inflamadas acerca dos perigosos avanços da direita. Coitados.


Por mim prefiro os que dizem, seja em que circunstância for, “Há governo?! Sou contra!”. Pelo menos são mais coerentes.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Artezinha da boa...

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Também nesta fotografia, à semelhança da que ilustra o post anterior, podemos observar uma intervenção artística em meio urbano. Parece, até, obra do Bordalo II. Mas não será. Deve ser coisa de outro artista qualquer. Menos afamado, por certo. Por mim, que de artes pouco percebo, chamaria a esta criação “a aparência da desarrumação”. Os objectos, dispostos de forma aparentemente aleatória em torno de uma fonte, podem dar uma aparente ilusão de caos. Só que não. Tudo aquilo gira – na verdade estão quietos, mas isso para o caso não interessa nada – em torno do fontanário. Seco, tal como todos os “bazaréus” espalhados em seu redor. O autor tenta transmitir-nos a ideia de vazio, de indiferença e de aridez enquanto mescla com sucesso o antigo e o contemporâneo. A embalagem de cartão virada ao contrário pode levar o espectador menos atento a pensar que ficou ali por esquecimento. Pois que se desengane. Ela remete-nos para a transitoriedade da desarrumação e para a efemeridade da arrumação. Ou como quase sempre acontece nisto da cultura, para iludências que aparudem.

sábado, 24 de maio de 2025

Arte...

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Nesta foto, obtida no norte do país, podemos observar um amontoado de sacos de serapilheira, provavelmente cheios de terra, de onde nasceu toda aquela erva. Esta obra de arte – não se riam, estou em condições de garantir que é mesmo arte – pode ser apreciada ao vivo em frente ao edifício da Câmara Municipal lá do sitio. Diz quem percebe destas coisas da cultura, que se trata de uma intervenção artística que convida à reflexão sobre a identidade cultural da vila, a importância do vinho da região e a relação entre o ambiente natural e o espaço urbano. Talvez. Eu, gajo pouco dado às divagações alucinadas propostas pelos "Sempre em Festa"*, por mais que tentasse não consegui refletir acerca dos temas sugeridos. Só me apeteceu, confesso, arrancar as ervas.


* ”Sempre em Festa” é a forma carinhosa pela qual são conhecidos, entre o pessoal da área financeira das autarquias, os colegas que trabalham nas actividades culturais. Não sei quem foi o “padrinho”, mas ouvi-a pela primeira vez, já lá vão muito mais de trinta anos, a um brilhante economista e comunista da velha guarda que se arrepiava com estas coisas. 

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Cada qual sabe dos seus precisos...

De acordo com um estudo divulgado por estes dias, três em cada cinco portugueses não têm dinheiro para as necessidades básicas. Assim de repente, a primeira coisa que me ocorreu foi culpar as políticas socialistas dos últimos trinta anos. Mas, após um segundo olhar para as conclusões dos estudiosos, deu-me para desconfiar. Se calhar não é bem assim. Ou, como diria o camarada Raimundo, o problema não esse, concluindo que as necessidades básicas do povo têm que ser satisfeitas pelo Estado.


Por mim, reitero, desconfio destes estudos manhosos e, principalmente, das manhosices de quem os faz. A começar por essa coisa das “necessidades básicas”. O que constitui uma necessidade para uns, não constituirá para outros. Acredito que emborcar cervejas, meter cenas para a veia ou viajar para destinos exóticos possa ser uma necessidade do mais básico que há. Até para muitos falidos.


Depois o dinheiro. Ou a falta dele. Nunca existiu tanto dinheiro em depósitos a prazo e em certificados de aforro como agora. E isto não não estudos nem opinião, são dados mensuráveis. Ora estes métodos de poupança não são opção para gente rica. Esses investem noutras coisas. Ou, se calhar, põem-no ao largo. Logo, se calhar, não haverá assim tanta dificuldade em poupar, porque o dinheiro depositado nos bancos ou emprestado ao Estado tem de pertencer a alguém.


Que há pessoas a viver com dificuldade em matéria de graveto, há. Sempre houve e sempre haverá. Mas, felizmente e apesar das mal-feitorias que têm feito aos portugueses, não estamos tão mal como nos querem fazer crer. As pastelarias, os cafés, as manicuras, as lojas de tatuagens, as agências de viagens, os pontos de venda das raspadinhas não me deixam mentir.Esses e outros.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Uma chatice, essa coisa do povo votar...

Não há nenhum animal que tropece duas vezes na mesma pedra. Ou melhor, há um. O homem. Ou a mulher, tanto faz. Este principio pode muito bem ser aplicado aos activistas disfarçados de humoristas e demais paineleiros televisivos, radiofónicos e dos restantes meios de difusão da opinião. Aquela gente não aprende. Andam há anos a fazer propaganda descarada, inclusivamente na comunicação social gerida pelo Estado, visando por todos os meios evitar que os eleitores votem no Chega. Ainda não perceberam que apenas conseguem produzir – como os resultados eleitorais têm demonstrado eleição após eleição – exactamente o efeito contrário. Até eu, casmurro que nem uma porta e que posso ser tudo menos influenciável, tive de deixar de ver o programa do RAP e mudar de canal quando alguns comentadores vomitavam as suas opiniões. É que, se continuasse a ouvir aquelas avantesmas, ainda corria o risco de me convencerem a votar no partido do Ventura.


Também entre os partidos é total a falta de noção acerca do sentimento generalizado entre a população. Usar a causa palestiniana ou pretender baixar o preço das casas, num país onde a esmagadora maioria das pessoas se está a marimbar para o que se passa em Gaza e mais de setenta por cento é proprietária de imóveis, só podia dar o resultado que deu ao BE. Ou, no caso do PCP, promover mais uma greve nos transportes mesmo em véspera de eleições afigura-se uma atitude pouco inteligente. Quanto ao PS o caso é ainda pior. Ou arrepiam o caminho em direcção à bloquização e voltam a ser o partido de “Mário Soares” ou o futuro não lhes reserva nada de bom. Mas isso é lá com eles. Por mim podem continuar assim.


Por último, outra metáfora a envolver a bicharada. Poucos gostamos de lobos. Menos ainda de tê-los por perto. No entanto todos compreendemos que são fundamentais ao equilíbrio do eco-sistema. Nomeadamente no controlo das espécies que, pela sua multiplicação descontrolada, representam uma ameaça. Como, por exemplo, os javalis. 

domingo, 18 de maio de 2025

Quem vier atrás que pague a dívida

As maiores Câmaras do país estarão, ao que tem sido noticiado, cada vez mais endividadas. As outras, salvo uma ou outra excepção, deverão estar a seguir o mesmo caminho. Ou seja, os autarcas portugueses não aprenderam nada com a tragédia que culminou em dois mil e onze com a intervenção da troika a pedido do governo do partido socialista.


Se, então, o comportamento de quem governava as autarquias era criticável, desta vez é muito pior. Naquela época parte significativa da divida acumulada era resultante de empreitadas de obras públicas. A maior parte de utilidade duvidosa – estádios do euro 2004, centros culturais e outros delírios megalómanos – mas, pelo menos, havia algo tangível. Hoje, desconfio embora admita que possa estar equivocado, a responsabilidade pela dificuldade em manter as contas equilibradas dever-se-á às despesas em futilidades, vaidades pessoais e às políticas absolutamente desvairadas no âmbito da gestão de pessoal e de subsidiação de tudo o que pode garantir votos. Até porque este comportamento pouco parcimonioso na gestão do dinheiro dos contribuintes goza, estranhamente, de um forte apoio popular. É o que eleitos e eleitores têm tendência a pensar. Se calhar, tal como o passado já mostrou, é apenas uma percepção.


Reconheço que os números, quando torturados, dizem aquilo que nós quisermos. Os credores, aqueles que ficam meses ou anos à espera de receber “o deles”, costumam dizer sempre o mesmo. E, por norma, não é bonito de ouvir.

sábado, 17 de maio de 2025

Apedeutas alarves

A ofensa da moda – nas redes sociais, pois ao vivo e a cores a coisa fia mais fino - é chamar acéfalo a qualquer um a propósito de tudo e, principalmente, de nada. Basta um scroll apressado e lá estão eles, empunhando o teclado como espada, prontos a defender a honra da sua opinião — quase sempre copiada de um meme mal traduzido — com a subtileza de um rinoceronte numa loja de cristais.


Estes novos paladinos da razão têm um insulto favorito: “acéfalo”. É a sua palavra mágica. A Excalibur do ignorante militante. Usam-na com uma frequência tal que, por momentos, somos levados a pensar que o termo perdeu todo o seu significado original. Coisa que, se calhar, desconhecem. Aliás, é de crer que muitos deles julgam que "acéfalo" é uma espécie de detergente ou suplemento alimentar.


Com uma ortografia claudicante e uma sintaxe que faria corar um tradutor automático, lá estão eles, a despejar sentenças com a solenidade de um juiz, mas com a profundidade analítica de um piropo atirado de cima de um andaime por um qualquer trolha em dia de pouca inspiração. Não discutem, sentenciam. Não dialogam, decretam. E se alguém ousa discordar, o veredicto é fulminante: “acéfalo”.


São as maravilhas da era digital. Gente que mal domina o próprio idioma, mas se sente intelectualmente autorizada a distribuir certificados de inteligência. Pessoas que mal conseguem conjugar um verbo, mas que se sentem investidas da autoridade moral de chamar ignorante ao mundo inteiro. São  semianalfabetos com delírios de Sócrates. O filósofo, não o outro, embora as semelhanças sejam irónicas.


Esses cruzados da opinião alheia não querem diálogo, querem catequese. Quem não comunga da sua fé política, desportiva ou do que mais calhar está automaticamente excomungado da inteligência, por decreto de alguém que escreve “noço” e confunde “haver” com “a ver”. E assim seguimos, navegando num mar de sapiência de rodapé, onde cada analfabeto funcional é também um pequeno inquisidor das ideias. Porque, no fim de contas, pensar dá trabalho e repetir insultos dá muito mais likes.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Papas e tolos

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O público dos canais generalistas, nomeadamente o da manhã, não será particularmente exigente. Digo eu, que para além de gostar de dizer coisas – a maioria das quais para não levar a sério – raramente tenho ocasião de desfrutar dos momentos televisivos de inusitada idiotice que a programação televisiva daquele horário nos proporciona. É o que dá um gajo, ao contrário de outros que se andam para aí a lamuriar, ter de trabalhar muito para além da idade a que esses lamurientos se retiraram do mercado de trabalho.


Ainda assim, enquanto beberrico o meu cafezinho do meio da manhã, lá vou assistindo a uns minutos daquilo. Velhas aos pinotes, criaturas a confecionar o almoço e outros temas de inaudita relevância como unhas encravadas, má-língua e mexericos diversos, problemas relacionados com as partes pudibundas ou outras questões de elevada pertinência vão animando a malta. O que é bom. Se estiverem contentinhos é menos provável que aborreçam os demais.


Dado o ruído de fundo, não ouvi a dissertação acerca do assunto abordado na conversa que a imagem ilustra. Não devo ter perdido grande coisa. Até porque isto já foi tudo muito mais católico e mesmo os que ainda são católicos já não são o que foram.

sábado, 10 de maio de 2025

Acham pouco? Aguardem até ver a vossa...

Velhota indignada: - Tenho uma reforma de trezentos e oitenta euros…


Luís Montenegro: - É o reflexo da sua carreira contributiva!


Esquerda em geral, comentadores e outros idiotas: - Que falta de empatia, de vergonha e de respeito!


A sério?! Mas o que queriam que o homem dissesse à senhora? Bem ou mal, a pensão que cada um recebe corresponde a uma parte daquilo que era o vencimento sobre o qual descontou. E, no futuro, essa parcela tenderá a ser cada vez menor. Por mim estou mais do que ciente que, quando me aposentar, a minha pensão irá padecer do mesmo mal. Ficará bastante longe do vencimento que tenho hoje e sobre o qual o Estado me confisca uma parte bastante significativa. Mas, disso, ainda não ouvi a esquerda em geral, comentadores e outros idiotas falar de falta de empatia, de vergonha e de respeito. Nem uma indignaçãozinha, ainda que ligeira, isso lhes suscita. Dizem até, que eu bem os ouço, que a culpa é da demografia e só vou ter reforma porque os imigrantes vieram tratar de ma pagar. É mesmo isso, que eu sei. Conheço uma que passa os dias sentada à porta de casa, a apanhar sol aos cascos, que já deve estar cansada de tanto contribuir.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Dar colinho ao passarão

A esquerda está a ser levada ao colo pela comunicação social. Se não vencer as eleições será apenas por uma questão de inépcia dos seus lideres. Que, diga-se, não se cansam de dar tiros nos pés. São uns atrás dos outros. Mesmo que os jornalistas não os macem com perguntas difíceis, eles tratam de apontar directamente aos seus próprios cascos e puxar o gatilho sem dó nem piedade. PNS foi ontem, a propósito da greve dos comboios, um exímio praticante dessa arte. Aquilo, a bem dizer, mais pareceu uma bazucada. Colocar-se contra as centenas de milhares de pessoas – pobres, com baixos salários e que se não trabalharem não recebem ordenado – que dependem daquele meio de transporte, não é de gente inteligente. Nem decente. Para concluir o momento de desnorte, referindo-se à necessidade de rever a lei da greve, soltou um vigoroso “não passarão!”, palavra de ordem muito apreciada pelo esquerdume. Só faltou o punho erguido. Mas, de alguma forma, tinha razão. Não passaram, não passam e provavelmente continuarão a não passar. Os comboios, claro. Os socialistas e todos os que anseiam por uma frente popular que conduza o país ao caminho para o socialismo e à miséria - passe o pleonasmo – esses, passarão à vontade. Pelo menos no que depender dos jornais, rádios e televisões. Não admira que, quase todos, estejam na falência.

terça-feira, 6 de maio de 2025

De Espanha nem bom vento...

Diz que, desde o apagão, o país deixou de importar energia produzida em Espanha. Agora, parece, estamos a consumir eletricidade quatro vezes mais cara. Que um dia destes, obviamente, acabaremos por pagar. É, reconheço, uma boa medida. É mais cara, mas é nossa. Da boa. Que isto, toda a gente sabe, nada do que vem de Espanha presta para alguma coisa. Enquanto a eletricidade portuguesa carrega a bateria de um automóvel elétrico, a espanhola, por exemplo, mal dá para fazer uma torrada. E o mesmo acontece com tudo o resto. A gasolina é outro caso. A malta enche o depósito no “Carrefour” de Badajoz e quando chega a Elvas já a luz da reserva está acessa. Ainda não há muito tempo comprei, na dita superfície comercial, uma tablete de chocolate, daquelas de quase meio metro, e ao passar a fronteira já a tinha acabado. Também o gás espanhol - de que tanto se fala pela barateza por comparação com o nosso - é bastante mais barato, mas uma botija mal dá para aquecer um gaspacho. Pior ainda são os preservativos. Não vale a pena comprar do lado de lá. Ainda que mais em conta, são significativamente mais pequenos que os que se compram por cá. Vá lá saber-se porquê.


Depois de todos estes exemplos nem vale a pena referir que, por maioria de razão, o nosso Sol e o nosso vento também são muito melhores. Não é por acaso que a sabedoria popular garante que de Espanha não vem bom vento. O Sol espanhol nem sequer provoca um escaldão – quanto mais aquecer um painel – e se o vento nem desmancha um penteado, muito menos faz mexer as pás de uma eólica.

domingo, 4 de maio de 2025

Spinum quê?

A comunicação social, a esquerda em geral e a direita trauliteira têm-se esforçado por fazer da “Spinumviva” o tema central da campanha. Não estão a conseguir. A bem dizer, ninguém na rua quer saber disso. O eleitor comum não sabe a que se referem, não quer saber e, quando se insiste no assunto, costuma rematar com um “são todos iguais”. A mim, o que me faz mais confusão é existir um leque tão grande de aspectos onde se pode questionar a actuação do governo e apertar com as criaturas e a oposição vai logo buscar um tema que, está mais que visto, apenas importa a uma pretensa elite que vive longe dos eleitores e notoriamente desfasada da realidade.


O PCP, já escrevi isto vezes sem conta, tentou o mesmo em 1979. Até fotocópias de cheques e de outras alegadas evidências contra Sá Carneiro publicou no seu, então, jornal oficial. O pasquim “O Diário”, de má memória. O resultado foi, para os que não sabem, a maioria absoluta da AD nas eleições para as quais os comunistas prepararam essa campanha. Nenhum animal, nem os burros, tropeça duas vezes na mesma pedra. Esperar o mesmo dos socialistas, esquerdistas e outros extremistas é ter demasiada fé na humanidade. Esta gente já deu sobejas provas que insistirá sempre na mesma receita, esperando que acabe por dar um resultado diferente. Nem os burros acreditam nisso. Mas esses são inteligentes.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Prioridades. Cada um tem as suas...

Cada qual gasta o dinheiro que tem – ou, até mesmo, o que não tem – naquilo que muito bem lhe apetecer. Não tenho nada a ver com isso, desde que não me peçam emprestado. Nem tenho eu nem tem ninguém. O que acho verdadeiramente extraordinário é haver gente que esturra – muito legitimamente, reitero – os seus proveitos em coisas supérfluas ou futilidades e depois se queixe das dificuldades da vida, atirando quase sempre a culpa para terceiros. Seja o governo, o patrão ou outros malandros quaisquer que os impedem de ter aquilo que ambicionam.


Por estes dia, no maior evento que se realiza cá no sitio, não há tasca, tasquinha, roullote, restaurante ou o que seja que venda comes e bebes de qualquer natureza que não esteja a abarrotar. E são incontáveis os espaços desse tipo de negócio em todo o recinto. Ainda bem que é assim e nem é isso que está em causa. Lamentável é que, provavelmente, muita dessa malta, enquanto emborca uns canecos e degusta uma qualquer iguaria, queixa-se da dificuldade em pagar as contas e indigna-se com os especuladores que exigem mundos e fundos pelas casas que vendem ou arrendam.


São muito engraçados, eles. Esturram o seu dinheiro como muito bem querem, mas criticam os outros pela forma como o ganham. Ouvir algumas conversas trouxe-me à memória um autocolante, do tempo do PREC, que ostentava uma frase que dizia algo deste género: “Tens inveja? Trabalha, malandro!”. Continua a fazer sentido.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Estudos, poupanças e analfabetismo em geral

Um estudo qualquer revelou hoje, entre outras coisas acerca da realidade actual do país, que a maioria dos trabalhadores são mais qualificados que os patrões. Adianta ainda o mesmo estudo que Portugal lidera na União Europeia o ranking de empregadores sem escolaridade. Ambas as coisas, ao que fui ouvindo ao longo do dia, são más. Ao que dizem os especialistas especialmente especializados na análise de estudos acerca de coisas que não interessam para nada. Até porque se trata de algo de fácil resolução. Basta que os trabalhadores – mesmo que apenas uma pequena minoria – abram a sua própria empresa e passem à condição de patrão. Se até alguém sem escolaridade consegue, uma criatura com um “canudo” não é capaz? Ou será que a parte do estudo acerca da capacidade de iniciativa dos portugueses ficou por divulgar?


Entretanto acabo de ver na TV a sugestão de um guru da poupança acerca da maneira de aumentar o reembolso do IRS do próximo ano e, confesso, ia caindo do espanto abaixo. O homem sugeriu que peçam à empresa para, mensalmente, fazer uma retenção maior. Eu sei que vivemos um processo de infantilização da sociedade, mas pedir ao Estado que me vá guardando todos os meses dinheiro para depois, lá mais para a frente, voltar a dar-mo todo junto porque eu não tenho capacidade para gerir o meu ordenado, já é um bocadinho demais. É coisa para gente mesmo muito poucochinho. Mas que, apesar de não saberem governar a própria vida, conhecem todas as soluções para todos os males do mundo. Lamentavelmente também votam.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Bolor vermelho

Alguém que professa uma ideologia que teve o seu apogeu em 1917 e que daí para cá espalhou a fome e a miséria onde a mesma foi implementada, chamar alguém de bafiento é do mais parvo que há. Cento e oito anos a espalhar o cheiro a morte deviam constituir motivo mais do que suficiente para se envergonharem do seu bafo podre. Mas não. Acham que cheiram a pinho, os imbecis. Só se for o cheiro do caixão onde, mais eleição menos eleição, as suas ideias que tresandam a mofo serão enterradas pelos eleitores.


São também os seguidores destas ideias – e não só, que idiotas há muitos – que atribuem a causa do apagão de segunda-feira ao facto de a rede electrica nacional estar na mão de privados. Está-se mesmo a ver que sim. Deve ser por isso que em Cuba ou na Venezuela, entre outros, nunca falta a luz. Nem as comunicações, que o pessoal de lá comunica que se farta.

sábado, 26 de abril de 2025

O Moedas teria permitido?

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Não sei se consequência de outros assuntos que pretendiam envolver um porco assado no espeto como protagonista involuntário, a verdade é que hoje, em Estremoz, estes bacoritos foram os protagonistas de inúmeras fotografias, vídeos e de piadolas mais ou menos jocosas relacionadas com os acontecimentos de ontem. Foram, por assim dizer, a atracção do mercado de Sábado. E, que se saiba, ninguém se aborreceu com a presença deles. Nem, tão pouco, a policia procedeu a qualquer detenção por desrespeito seja ao que for. Também o Presidente da Câmara cá do sitio não sentiu necessidade de imitar o seu colega Moedas e proibir a vara de "estacionar" no centro da cidade, não fossem os muçulmanos que por aqui deambulam ficar chateados com tanta impureza junta. Temos todos mais juízo do que aqueles malucos lá da capital, é o que é. O que não constitui dificuldade de maior, diga-se. Até os porquitos devem ser mais ajuizados do que aquela malta esquisita.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Valores pouco valorizáveis

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Os “valores de Abril” são como a ética republicana. Ninguém sabe o que são.Mas, quando se pergunta aos verdadeiros especialistas na especialidade – aquela malta que sabe tudo acerca da democracia – eles são capazes de proclamar uns quantos chavões que servem para tudo e o seu contrário.


Louvar terroristas, chamar nomes ao presidente da câmara e ameaçar que lhe vão ocupar a casa ou exibir cartazes a dizer “não à democracia” devem ser também valores de abril. Dos mais recentes a entrar para a lista, certamente. Quanto eu andava por essas manifestações não havia disto. Eram outros tempos. Nessa altura a malta não percebia nada de democracia. Até, pasme-se, era possível comer bifanas e couratos nesses eventos. Éramos fachos e não sabíamos...

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Não gostam!? Comam croissant!!!

“Não foi para isto que se fez o 25 de Abril” foi uma das frases mais pronunciadas, a par de outras, nos anos que se seguiram ao golpe de Estado. Não queria, obviamente, dizer nada de relevante. Nem quem a pronunciava sabia ao certo – quando muito supunha, embora com uma elevada dose de incerteza - as razões do levantamento militar que derrubou o governo até então no poder.


Apesar de caída em desuso, apetece-me hoje repristinar esta ideia. Isto a propósito da proibição da iniciativa, promovida por uns quantos portugueses, que envolvia, entre outras actividades garantidas pela Constituição de Abril, uma comezaina que teria um porco assado no espeto como principal ingrediente. Alega quem decidiu proibir o evento, tão tipicamente português, que a existência de imigrantes de origem muçulmana nas redondezas poderia dar origem a confrontos entre as partes.


Não me parece que, só por si, haver quem nas imediações não aprecie porco seja razão suficiente para proibir a degustação do bacorito. Até porque quem se manifestou indignado nem foram os estrangeiros. Foram os esquerdalhos. Uma espécie de “Miguel Vasconcelos” dos tempos modernos que, apesar de poucos – muitíssimo menos do que os estrangeiros que cá vivem, é bom que se tenha noção disso – conseguem impor as suas ideias à vontade da esmagadora maioria da população. Por este andar, se continuarmos a dar importância a estes “doidinhos da aldeia”, dentro de pouco tempo os portugueses nem uma boa febra vão poder comer…

domingo, 20 de abril de 2025

A tradição ainda não é o que vai ser...

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Esta coisa da religiosidade deixa as pessoinhas pouco tolerantes. Nomeadamente aquelas que vivem vários patamares abaixo da média da evolução da espécie. Correm relatos que, por essa Europa fora, houve muçulmanos que tentaram impedir as outras pessoas de refeiçoar antes do pôr-do-sol durante o ramadão. Nomeadamente nas esplanadas. Sentiam-se ofendidinhos, coitadinhos. Que aquela malta não queira comer durante o dia para agradar ao seu amigo imaginário, é lá com eles. Pode até, admito, ser chato ver os demais a dar à mandíbula e eles cheios de larica. Mas isso é coisa que resolvem facilmente. Basta apanharem o avião para um dos muitos países onde a prática de durante um mês não comer enquanto o sol não se esconder para lá do horizonte é cumprida a preceito. Ninguém os impede de partir e, já que se sentem cá mal, de ficar por lá gozando uma vida longa e feliz de acordo com os ditames de Maomé.


Também ao nível da religião que se pratica por cá, isto já não é o que era. Mas, neste caso, de pendor contrário. Anda por aí muita permissividade. Agora até pela Páscoa já há diversões. E pior. Muito pior, é o Judas que organiza os festejos. 

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Comentadores Pós-Debate: Os Oráculos da Esquerda Vitoriosa

Que a opinião pública é uma coisa e a opinião publicada é outra completamente diferente, não constitui qualquer novidade. Basta estar atento ao que se passa à nossa volta. Daí que, nos debates eleitorais que se vão sucedendo nas televisões, os comentadores que analisam o desempenho dos intervenientes atribuam invariavelmente – no seu conjunto, porque há em cada painel um ou outro que destoa – a vitória ao candidato mais à esquerda. Aquilo chega a ser confrangedor. Ainda que o candidato mais à esquerda leve pancada de criar bicho, acaba sempre por, na opiniões dos paineleiros alegadamente especialistas na especialidade, por dar uma “cabazada” ao candidato da direita. A justificação chega a ser delirante. “Esteve muito melhor porque não respondeu”, ouvi eu, ninguém me contou. Isto apesar de, logo a seguir, aquela cena do verificador de aldrabices o ter apanhado a deturpar a verdade.


Na apreciação daquela malta Montenegro, Rocha ou Ventura nunca ganharão um debate. Desconfio, até, que no próximo frente a frente entre os candidatos da AD e do Chega o ganhador, para aquela gente, vai ser o Pedro Nuno Santos. É que eles nem escondem ao que vão. Uma daquelas criaturas, refletindo acerca desta postura do comentariado, recordava que nas anteriores eleições também atribuíram a derrota ao Ventura em todos os debates e, mesmo assim, ele teve o resultado que todos sabemos. O que o levou a questionar-se, “onde é que falhámos”? A sério que não sabem?

terça-feira, 15 de abril de 2025

Que S. Eleitor nos livre do "Imposto Tavares"

Uma das promessas eleitorais mais escabrosas, apresentada pelo Livre, pretende atribuir cinco mil euros, só porque sim, a todas as crianças que nasçam em território português. Para isso os contribuintes pagariam, anualmente, algo parecido com quinhentos milhões de euros. Tudo financiado, diz o tontinho que manda naquilo, por um novo imposto que incidiria sobre as grandes heranças.


Acredito que a ideia possa colher simpatia entre invejosos, preguiçosos e todos os que acham que tudo lhes é devido apenas por existirem. A explicação para o financiamento do disparate parece ter agradado. Tanto que ninguém, que eu tenha ouvido, a contestou. Por mim, continuo curioso. Sabendo que falecem por ano cerca de cento e vinte mil pessoas, das quais as ricas não serão assim tantas, convinha explicar a partir de que montante é que a herança seria considerada “grande”. A taxa, ao que o sonso do Tavares disse, seria de 28%. A juntar, provavelmente, aos 10% de IS que – excepto ascendentes e descendentes – já pagam. O que nos conduziria a outro problema. A liquidez. Como é que alguém que herdasse património imobiliário pagava o “imposto Tavares”? Assim de repente desconfio que o roubo à propriedade privada e ao dinheiro de cada um, para dar de mão beijada a quem nasça de agora em adiante, só será viável se quinarem muitos velhinhos ricos e, de preferência, daqueles que levaram a vida a juntar dinheiro. Isto se, antes, não tiverem tempo de o esturrar todo.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Imagem da arbitragem portuguesa

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Há muitos anos, numa prova de natação - coisa à séria, integrante do calendário oficial da Federação da modalidade – assisti à desclassificação de um nadador por, conforme foi anunciado na instalação sonora da piscina, “na viragem o atleta ter efectuado uma braçada subterrânea”. O que, obviamente, suscitou a risota geral entre as duas ou três centenas de pessoas presentes no local e o justificável embaraço do árbitro que anunciou a penalização.


Ontem, não ao vivo mas pela televisão, tive ocasião de ouvir uma das maiores bacoradas que alguma vez foram proferidas durante um jogo de futebol. Algo igualmente invulgar, mesmo no âmbito de um evento desportivo e muito pior do que a "braçada" do outro coitado. Pior porque foi premeditado. Não foi daquelas coisas que saem naturalmente. Alguém que está a olhar durante minutos para um monitor, a ver várias vezes a repetição da jogada e depois anuncia, perante sessenta mil pessoas no estádio e vários milhões a assitir através da televisão, que “o jogador rasteirou o adversário com a cabeça” não pode regular lá lá bem da sua. Quem é que, em seu perfeito juízo, rasteira alguém à base da cabeçada? Só um maluco. Quem é que num jogo decisivo para as contas do titulo inventa um penálti daqueles? Só um vidente. Tipo os pastorinhos de Fátima, que também viram coisas que mais ninguém viu. 

domingo, 13 de abril de 2025

Os Observatórios servem para fazer observações parvas?

Quanto à necessidade de imigrantes que venham para o país fazer o que os portugueses não querem, nomeadamente trabalhar e ter filhos, nem vale a pena perder tempo a dissertar. É um facto e tudo o que divirja daqui são meras opiniões. 


Que a vinda massiva de mais de milhão e meio destas pessoas, num período de tempo relativamente curto, constitui um problema – mais do que um, a bem dizer – é outro facto que apenas a esquerda e mais uns quantos tótós, passe o pleonasmo, insistem em negar.


O que se dispensa é o esforço que certas criaturas fazem para complicar ainda mais o que de si já não é fácil. Declarações como as alegadamente proferidas por um responsável qualquer do Observatório das Migrações – uma adiposidade do Estado que os inimigos da redução do IRS nunca se lembram de citar quando perguntam onde se pode cortar a despesa – só contribuem para piorar os sentimentos anti-imigração cada vez mais evidentes. Aquela alminha terá sugerido que os serviços e o mercado de trabalho se adaptem ao dia de descanso, sexta-feira, “daquela” população. Mas não ficou por aqui. Terá ainda sugerido que alguns portugueses prescindam do médico de família e que os jovens fiquem mais uns anos em casa dos pais para que os imigrantes possam ter acesso a assistência médica e à habitação.


A indigência mental de quem, alegadamente, terá proferido estas alarvidades nem merece que me alongue em considerações. Até porque as desconsidero profundamente. E, por outro lado, nem é o homem que tem a culpa. Essa é de quem o nomeou e de quem ainda não o demitiu.


PS. Sou gajo para apostar com quem quiser que, apesar de sempre atento à actualidade, esta entrevista não vai passar logo à noite no programa do RAP nem, tão-pouco, suscitará grande interesse à comunicação social.


PSD. O “Correio da Manhã” ainda é um esgoto a céu aberto ou já o podemos considerar um jornal de referência?

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Agricultura da crise

Aquela ideia parva de colocar cascas de ovos nas couves, para evitar que as borboletas realizem a oviposição, revelou-se um fracasso. Não funciona. É o que dá fazer caso das cenas que outros tótós publicam na Internet. O melhor é fazer vistorias regulares às folhas ou, preferencialmente, matar as borboletas que esvoacem nas imediações das plantas. Por fim, se os passos anteriores não forem suficientes, esborrachar as lagartas.


Mesmo sujeita aos ataques constantes da mais variada bicharada – via área, terrestre e subterrânea - a agricultura da crise, agora num formato bastante mais limitado, continua em pleno cá pelo quintal da maison. Especialmente dedicado a uma leitora muito especial, a Fatyly, segue-se uma “reportagem” fotográfica mais ou menos detalhada da “agrária”.


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E, por fim, uma espécie de homenagem à verdadeira "alma mater" da agricultura da crise. As flores da minha Maria.


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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Incompreensões

Há quem se declare incompreendido pela sociedade. Eu, que gosto de ser do contra, não compreendo a sociedade. Será, decerto, um defeito meu. Uma coisa que irá comigo para o crematório. Por um lado já sou demasiado velho para mudar e, por outro, as razões para a minha incompreensão não cessam de aumentar. Vejamos algumas:


- Quando os bancos apresentam prejuízos é mau. Quando apresentam lucros, também. Fica, numa ou noutra circunstância, toda a gente indignada. É melhor decidirem-se. Não é por mim. É para levar a resposta ao homem, como dizia a minha a avó quando se estava nas tintas para conclusões alheias.


- As grandes fortunas constituem um enorme problema. São, ao que ouço amiúde, a causa das desigualdades sociais que provocam todos os males da humanidade. Talvez sejam. Desse ponto de vista, desde a semana passada e depois dos maiores ricaços do planeta terem perdido larguíssimos milhares de milhões de euros graças a estas cenas das tarifas, hoje o mundo é um lugar muito melhor para os pobres. Não se esqueçam de agradecer ao Trump.


- Costumo dizer que pagar e morrer, não necessariamente por esta ordem, são as últimas coisas que se fazem na vida. Não serei o único, mas poucos pensarão como eu. A generalidade das criaturas gostam de pagar adiantado. Deve ser por isso que anda por aí uma indignação que só visto por causa do IRS. As pessoas estão chateadas por não lhes ter sido cobrado no ano passado um imposto que apenas têm obrigação de pagar no fim do próximo mês de Agosto. Como diria aquele antigo líder do PS e putativo candidato a Presidente da República, qual é a pressa?