quarta-feira, 31 de março de 2021

O elogio da loucura

Se há gente por quem tenho um enorme apreço e admiração é aquela malta que se entrega de alma e coração à política. Nomeadamente os que, coitados, se sacrificam anos a fio – largas dezenas, até – à causa pública. São os chamados dinossauros. Criaturas que estão tanto tempo à frente das instituições que, às tantas, o lugar já se confunde com a pessoa. Pior. Em muitas circunstâncias é a pessoa que se confunde com o lugar e, qual Salazar após a queda da cadeira, mesmo não mandando nada, continua a pensar que ainda manda alguma coisa. É o que dá, por medo ou outra coisa qualquer, ninguém ter coragem de lhe dizer que o seu tempo de dedicação à causa já pertence ao passado. Mas, confesso, até a estes eu admiro. Quase venero, digamos. A dedicação, o empenho, a magnanimidade com que servem a causa pública e tudo o que fizeram em prol das suas terras e dos seus concidadãos deixam-me prostrado perante a grandeza do seu carácter.   


Lamentavelmente a infinita generosidade de que esta gente é dotada, nem sempre é reconhecida. Por vezes aparece quem sugira que se “amanharam” enquanto lá estiveram ou que “arranjaram uns esquemas manhosos para se continuarem a amanhar agora que já lá não estão”. Atoardas, está bem de ver. Quem tem um coração tão grande – maior do que a barriga, às vezes – nunca trilhará esses caminhos. Garanto eu e até sou capaz de o jurar pela saúde do meu gato.

domingo, 28 de março de 2021

Uma risota, isto.

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Olha-me este. Armado em populista, o senhor. Agora a dizer que há quem entre na política com uma “mão na frente e outra atrás” e saia de lá bem “abotoado”!!! Ná, isso não pode ser. Eu não conheço ninguém assim, não conheço ninguém que conheça alguém assim e, aposto, nenhum dos meus leitores será capaz de, sequer, admitir que conhece alguém nestas circunstâncias. Isso é uma impossibilidade prática. Quando muito, vá, alegadamente abotoado. Ou abotoada.


Sempre achei que, ao ir para a política, quem de repente começa a ganhar dois ou três mil euros líquidos por mês consegue fazer uma vidinha jeitosa. Nomeadamente por manter os hábitos de poupança herdados do tempo em que ganhava bastante menos. Daí as noticias de gente que, assim que se dedicou a servir a causa pública, desatou a comprar casas, viajar ou a trocar de carro não me suscitem motivos para desconfianças e sempre me pareceram manifestamente exageradas. Sim, eram pobretanas e agora, aparentemente, vivem de forma desafogada mas, acredito eu, aquilo dever-se-á a uma rigorosa gestão dos respectivos rendimentos. Assim do tipo comer açorda em casa e caviar quando é a “política” a pagar.


Há sempre quem desconfie que por “baixo da mesa” haverá uns trocos que mudam de conta ou malas cheias deles que mudam de dono. Dessas cenas, obviamente, nada sei. Mas, já dizia a minha avó, para quem não tem vergonha todo o mundo é seu. E o mundo dos contratos públicos, para aqueles que não têm vergonha, pode constituir um manancial de oportunidades para melhorar de vida. Se alguns aproveitam ou não, reitero, desconheço. Mas lá que alguns parecem muito pouco envergonhados isso, alegadamente, parece...

sábado, 27 de março de 2021

De pobres é que nós precisamos...

A propósito daquela conversa demagógica, duma sueca qualquer, acerca dos impostos que os reformados suecos que escolheram o nosso país para viver não pagam, vai por aí uma discussão absolutamente idiota e reveladora da ignorância dos portugueses acerca destas matérias. E, já agora, não consigo deixar de notar um certo discurso de ódio. Se bem que, como todos sabemos, discurso de ódio é o que a esquerda disser que é discurso de ódio.


Vou deixar de lado todas as vantagens inerentes à vinda de estrangeiros ricos, endinheirados ou, simplesmente, com boa capacidade económica e de consumo. Sejam eles reformados, trabalhadores qualificados ou investidores. Elas são evidentes e só as não vê quem não quer ver. Que a ideia do governo, no sentido de limitar ao interior os incentivos à sua vinda, é de elogiar, também me parece que apenas um parvo não entende. Aliás, se as vantagens em termos cá esta gente não fossem mais que muitas não andavam tantos países atrás deles para os convencer a mudarem-se para os seus territórios.


A principal critica têm a ver com os benefícios fiscais que lhes são oferecidos. Os exemplos para justificar essa critica deixam-me boquiaberto. Então aquela do português e do reformado sueco lado a lado no hospital, a beneficiarem do mesmo SNS que um paga e outro não, constitui uma pérola que merece ser guardada para memória futura. Nomeadamente para quando alguém se lembrar de substituir “reformado sueco” por “indivíduo que não paga impostos, vive à conta dos subsídios do Estado, ostenta diversas peças em ouro e deixou a viatura topo de gama à porta do hospital”.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Ataque químico

 


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O que a imagem documenta, embora possa não parecer, é mesmo merda de gato. De algum bichano paneleiro, certamente, que a julgar pelo diâmetro da coisa deve ter o cu todo devassado. Cenas dos tempos modernos, é o que é.  Mas, para o caso, a desorientação sexual do bicho interesssa pouco. Nada, mesmo. O que me chateia é que cague no meu quintal. Claro que posso sempre seguir as soluções mais ou menos engenhosas que me sugerem e que, invariavelmente, envolvem o falecimento do invasor. Mas não quero. A morte do filho da puta do gato pouco resolveria, dado que o mais certo era os cabrões dos donos arranjarem outro. Prefiro alternativas mais fofinhas. Como, por exemplo, a via fiscal. Um imposto à séria sobre os chamados animais de companhia seria certamente muito mais eficaz, para além de civilizacionalmente mais adequado. Mesmo que esta tributação possa para uns quantos totós parecer uma ideia parva, de certeza que ainda assim é socialmente muito mais justa do que os impostos sobre a burguesia do teletrabalho ou sobre as heranças, que aquela economistazinha da treta anda por aí a defender.

terça-feira, 23 de março de 2021

A verdade é o que um grupo de malucos quiser

Anda por aí uma minoria ruidosa empenhada em reescrever a história. A recente e a antiga. A primeira já está praticamente reescrita. Hoje é um dado quase consensual que Cavaco Silva foi o pior político desde o 25 do A, que a bancarrota foi obra do Passos e que o Partido Comunista lutou bravamente pela implementação da democracia. Nem, diga-se, foi necessário um esforço por aí além dos novos historiadores para convencer o povo – ou a pova, sei lá – destas e doutras novas verdades. Deve ser coisa que tem a ver com a memória de curto prazo, ou lá o que chamam aquela cena da malta se esquecer rapidamente do que aconteceu no passado recente.


Esta reinvenção da história é, digamos, uma moda que corre por todo o chamado mundo civilizado. Em Espanha, por exemplo, os níveis de parvoíce estão em patamares superiores no que toca a esta ânsia de apagar todo e qualquer vestígio da história que não corresponda aos padrões de uma minoria qualquer. Numa localidade espanhola lembraram-se de substituir o nome de três almirantes que davam o nome a outras tantas ruas lá da parvónia sob o pretexto de terem sido uns franquistas, os malvados. Esqueceram-se – ou melhor, nunca souberam – que os tais almirantes morreram antes de Franco ter nascido...

segunda-feira, 22 de março de 2021

A troika, o virus...e o Sócrates.

Segundo a imprensa de hoje foram mais de cinquenta mil as crianças e jovens que deixaram de receber abono de família. A maior queda desde a troika, garantem. Não sei se é, ou não, assim. Mas desconfio das contas. Que isto o entendimento que os jornalistas revelam em relação aos números é inversamente proporcional à vontade que manifestam em reescrever a história. Não me recordo se o triunvirato de entidades que tratou de nos tirar da bancarrota provocada pela governação do Partido Socialista cortou na atribuição deste apoio social. Provavelmente terá cortado. Do que ainda não me esqueci é que foi no tempo de um governo chefiado por um tal José Sócrates, talvez ali pelos idos de 2009 ou 2010, que perdi o direito a receber o abono de família dos meus filhos. Tudo graças a uns ajustamentos manhosos na fórmula de cálculo que, tanto julgo saber, mais tarde terão sido corrigidos. Não confundir com cortes. Isso foi uma cena do Passos, como sabemos. Com o PS não há cá dessas coisas. E se houver jamais teremos noticias delas…

sábado, 20 de março de 2021

Arre, que é burra...

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Aquela senhora que pretende ver a “burguesia do teletrabalho” a pagar a crise, voltou à carga. Insiste na imperiosa necessidade de sacar mais dinheiro dos nossos bolsos. Para dar aos que mais precisam, coitadinhos. Entre os quais, presumo, se encontrarão aqueles que vejo ali no Continente com os carrinhos das compras repletos de cerveja e a quem, parece, vão dar uma casinha.


Desta vez a criatura sugere que o fisco ataque as heranças. Um imposto sobre as ditas, ocorreu-lhe. Ou seja para aquela gente bem instalada na vida e que nunca produziu nada de jeito  – para além de uns estuduzecos idiotas sem qualquer espécie de utilidade – até os mortos devem pagar impostos. Ora bolas. Para economista brilhante é muito poucochinho. Parvoíces destas também eu sou capaz de propor. Mas eu tenho desculpa. Sou um quase iletrado. Já de um génio da economia espera-se mais.  Ou em tantos anos de estudo só aprenderam a aumentar impostos? Não há outra solução? Propostas destas qualquer analfabeto sabe fazer. 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Verde que te quero verde

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O verde está na moda. Por diversas razões. Algumas das quais, diga-se, me desagradam profundamente. A ecologia é, também, uma causa toda modernaça. De tal maneira que, nos dias de hoje, mais depressa se corta um pintelho do que uma erva.


Não sei como vai a coisa em termos de pilosidades púbicas cá pelo meu bairro. Nem isso me interessa ou tem qualquer espécie de relevância. Já das ervas que crescem livremente pelo passeio não posso dizer o mesmo. São interessantes, ficam bem na fotografia e evidenciam a paixão que o verde, a ecologia e, já agora, aquela cena do dolce far niente suscitam à malta que decide acerca do ervançum. Por mim é deixá-las estar. Às ervas.

segunda-feira, 15 de março de 2021

E um palavrão inclusivo, arranja-se?

Vai por aí uma poluição de planos, manuais e parvoíces diversas acerca de inclusão, cidadania e outras idiotices que até aborrece. Quase todas, como não podia deixar de ocorrer, oriundas do sector público. O que, naturalmente, não admira. No privado trabalha-se.


Gosto daqueles planos municipais acerca destes assuntos onde, ao longo de largas dezenas de páginas, se consegue dizer nada. É uma arte, reconheço. Mas, na verdade, o que me diverte são os manuais de linguagem inclusiva que muitos organismos públicos – lá está, têm de se entreter com alguma coisa – adoptaram para uso nos respectivos serviços. A malta que escreveu aquelas baboseiras merece o meu respeito. E admiração, também. Inventar que os gestores são “pessoas em cargos de gestão”, ainda vá. Disso até eu era capaz. Já substituir o tradicional obrigado por “agradeço” é que é uma cena muito à frente. Coisa, até, para deixar os estrangeiros que nos visitam um bocado baralhados. Mas arrojada mesmo é propor a substituição de trabalhadores por “população que trabalha”. Duvido que o PCP concorde.


Há, ainda assim, uma falha nesses manuais modernaços. Apesar de ter procurado afincadamente, não localizei em nenhum deles a maneira inclusiva de mandar essa malta para o car%&#o.

domingo, 14 de março de 2021

Rigor terminológico, precisa-se...

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Isto há muitas maneiras de dar uma noticia. A que o “Correio da manhã” escolheu para a primeira página da edição dominical deixa-me confuso. Baralhado, até. “Mulher mata ex-mulher em divórcio”. Estou com notória dificuldade, assim só pelo titulo, em perceber o que se terá passado. A assassinada trata-se de uma gaja que mudou de sexo e agora – pelo menos até falecer – é um gajo, que se está a divorciar da esposa, abatido sumariamente por uma mulher? A dúvida parece-me legitima. Nem, assim de repente, me ocorre nada diferente. Pois, ao que sei, “ex” é uma coisa que actualmente já não é. Ou seja, estaremos, a acreditar na noticia, perante uma vitima que, antes de ser vitimada, mudou de sexo.


Deram-me, confesso, outra explicação para a ocorrência. Mas essa ainda a percebo menos. Envolve cenas esquisitas e é muita modernice junta. Além disso, por mais que o queiram, uma parelha nunca fará um casal.

sábado, 13 de março de 2021

Bazuka de oportunidade

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Parece que Bruxelas não manifesta grande apreço pelo tal Plano de Recuperação e Resiliência de que andamos a ouvir falar há mais de quanto tempo. Diz que a “bazuca” – é o nome que a nomenclatura dá ao financiamento europeu – não pode servir para financiar estradas, pontes e barragens. Uma chatice. Logo essas e outras obras públicas que dão imenso jeito a tanto figurão. Nomeadamente para mudar de carro, de casa ou, até, de mulher. Tudo cenas que, como toda a gente sabe, contribuem para dinamizar a economia e, assim, desta forma resiliente, melhorar as finanças. Deles.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Agricultura da crise

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A inauguração deste sofisticado sistema de rega gota a gota dá inicio a uma nova era na agricultura da crise. Diria que será uma pequena gota para um morangueiro e um dilúvio para o quintal. Ou algo parecido, vá.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Mais bandeiras do que comunistas...mas muito menos do que as suas vitimas!

Parte do país acordou este fim de semana como se estivesse em Pequim ou Pyongyang. O centro das principais cidades foi poluído por centenas de bandeirolas encarnadas com foices e marretas amarelas. Foi a maneira imbecil que os comunistas portugueses encontraram para dar nas vistas a propósito do centenário do partido que os representa. Por cá, felizmente, não tive o desprazer de me deparar com tal coisa. É a vantagem de morar numa cidade pequena e, principalmente, quase não haver comunistas. Pouco mais do que um por cada ano que o dito partido está a celebrar, com azar.


Também os jornais e as televisões se desfizeram em elogios ao PCP. Estão no seu direito. O mesmo direito que comunistas e outros anti-democratas têm a expressar as suas ideias. Por mais erradas e criminosas que a história demonstre que são. Fazer-nos acreditar que os portugueses devem alguma coisa ao partido comunista, é que já é um bocadinho demais. Eles, de facto, foram os principais lutadores contra a ditadura salazarista. Lá isso ninguém nega. Mas não lutavam, como depois do 25 de Abril se viu, nem pela democracia nem pela liberdade. Lutavam por outra ditadura. Como aquela que vigorou em inúmeros países que ainda hoje admiram e onde os mortos que esses regimes causaram se contam em muitos milhões. Pode argumentar-se que isso são coisas do passado. Talvez. O pior é que a história tende a repetir-se. E a histeria, às vezes, também.

domingo, 7 de março de 2021

Amiguinhos do ambiente?! Tá bem, tá...

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Naquilo a que chamamos factura da água pagamos uma quantidade de taxas, taxinhas e roubalheira diversas. Água é, por assim dizer, o menor dos males. Uma das componentes com um peso cada vez maior nessa “dolorosa” é a taxa de resíduos sólidos. Ainda que, valha a verdade, não esteja a ser inteiramente suportada pelo consumidor. Pelo menos de forma directa. Que isto, se não há almoços grátis, os restos também se pagam. Muitas autarquias, embora legalmente não o devam fazer, estão a assumir uma parte dos custos. Mas, a bem dizer, não havia necessidade. O pior é que ninguém se importa. Parece que somos todos ricos, pouco nos importamos com o dinheiro e do ambiente só queremos saber porque é uma cena bué de modernaça.


A compostagem doméstica – ou em pontos públicos, como já acontece em algumas autarquias que levam o ambiente e a gestão dos recursos à séria – iria tirar milhares de toneladas de lixo dos aterros sanitários e poupar milhões de euros aos cofres públicos e às algibeiras privadas. Para tanto nem é preciso um compostor, desses todos pipis que por aí se vendem. Basta um balde. Ou, até, algo mais rudimentar no caso de um quintal com alguma dimensão. Depois é só aproveitar o composto, misturar na terra e plantar umas alfaces.


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sábado, 6 de março de 2021

Racismo fiscal

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Disparates cada um diz – ou escreve – todos os que lhe dê na realíssima gana. Eu digo e escrevo muitos. Ainda bem que, até ver, todos temos liberdade para isso. Embora, parece-me, a discriminação já esteja a chegar ao direito ao disparate. Ou seja, uns têm direito a disparatar e outros nem por isso.


O cavalheiro que escreveu a mensagem acima publicada tem todo o direito a defender que os impostos sejam cobrados em função da cor da pele. A ele, enquanto negro, ninguém o aborrece por estas idiotices. Nem a ele nem a outros que, noutras paragens, sugerem este tipo de coisas há largos anos. Já a mim, um branco que no Verão fico um bocadinho a atirar para o escuro, se me atrever a sugerir que em Portugal não existe essa cena de discriminação em função da “raça” – seja lá isso de raça o que for – aparecem logo as gajas das causas, os idiotas úteis e outros parvos a apelidarem-me de racista.


Igualmente quando, mesmo sustentado em dados irrefutáveis – pode não se concordar com o principio, mas isso é outra conversa – defendo a aplicação da “taxa plana de irs”, tenho logo umas alminhas indignadas a tecer considerações pouco abonatórias. As mesmas que, curiosamente ou talvez não, não abrem o bico em relação a dichotes como o deste senhor. Para além da ignorância, alguma razão haverá. Desconfio que a cor do homem é capaz de ter alguma coisa a ver. Nos dias de hoje convém não discordar de um negro...

quinta-feira, 4 de março de 2021

Os fura-filas da vacinação

Há quem garanta que as dificuldades colectivas despertam sentimentos de solidariedade entre as pessoas. Não acredito. Acho que a coisa, nessas circunstâncias, é mais pelo salve-se quem puder ou pelo primeiro eu e depois os outros logo se vê.


Atentem-se nisto das vacinas contra a Covid-19. Todos fazem o que podem para serem vacinados o mais depressa  possivel. Toda a gente se considera prioritária e argumentos, mais ou menos delirantes, para defender esse seu inalienável estatuto não lhes escasseiam. Depois de algumas “picadelas” alegadamente questionáveis de que todos já ouvimos falar, professores, alunos e pessoal de educação parece que são agora os novos prioritários. Mas, atendendo ao risco, os gordos e deficientes já se perfilam como sendo quem se seguirá na fila das prioridades. Quiçá taxistas, cabeleireiros, empregados do comércio, prostitutas ou criadas de servir reivindiquem também a sua inclusão no grupo dos fura-filas. Ou, de caminho, os funcionários públicos. É que se por acaso o vírus chinês se mete lá onde os gajos fazem os pagamentos das reformas, do RSI ou do subsidio de desemprego é capaz de se dar uma grande chatice. E a esses, parece-me, ainda ninguém se lembrou de dar prioridade.


Se isto é solidariedade, vou ali e já volto. É apenas cada um a tentar ser mais esperto do que os demais. Por mim dispenso essas guerras. No dia em que me quiserem vacinar, lá estarei. Posso, até, ser o último. Só para ver se, por causa disso, apareço na televisão...

quarta-feira, 3 de março de 2021

Patifes tecnológicos

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Nos últimos dias recebi para cima de meia-dúzia de avisos destes. Deve ser a consequência da massificação do acesso à Internet e da distribuição gratuita de computadores como se de amendoins se tratassem. Depois dá nisto. Qualquer “compadre” ali de Campo Maior aprende a fazer estas cenas, ensina ao “primo” de Estremoz e, eles mais uns quantos “corrécios”, desatam a burlar qualquer incauto.


Presumo que muita gente considere esta actividade bastante valorizável. Nomeadamente aqueles para quem os piratas informáticos são uma espécie de heróis, justiceiros do teclado ou algo assim. A esses deixo o meu incentivo a que respondam as estas mensagens. Eu, lamento, mas não posso. Não uso o MB WAY.

terça-feira, 2 de março de 2021

Trastes

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Esta gente aborrece-me. São uns porcos javardos de merda. Como diz alguém cujo nome não será aqui mencionado, quando quer ofender outrem mesmo à séria. Alternativas não faltam a quem deseja ver-se livre dos monos que lhe atrapalham a sala. Podiam, sei lá, deixá-los num local ermo ou, até, vendê-los por bom dinheiro no Facebook. Quiçá, mesmo, chamar os serviços competentes – que neste caso são mesmo isso – para tratar do assunto. À borla e tudo. Mas não. Preferiram gastar tempo, combustível e energia para os abandonar à beirinha da estrada. São uns trastes. Os sofás e as bestas que aqui os largaram.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

O xadrez é racista!

O racismo, a discriminação e afins estão por todo o lado. Há que estar atento e acabar com tudo o que é discriminatório. Queimem-se livros, destruam-se filmes, censurem-se obras de arte e faça-se o que for preciso para acabar com este flagelo. É nossa obrigação combate-lo e todos somos poucos para ganhar este combate. É por isso que o Kruzes, imbuído de um inusitado espírito de luta contra tudo o que é discriminatório, se junta a esta causa. Nobre, claro cor neutra está.


Nada melhor do que começar esta guerra na própria casa. Tudo o que por cá existia susceptível de representar cenas preconceituosas – de todo o tipo – teve o lixo como destino. Na verdade não foi muita coisa. A bem dizer só mandei fora o tabuleiro de xadrez e as respectivas peças. Nunca mais me dedico à prática desse jogo racista, em que as brancas têm o estranho privilegio de fazer sempre a primeira jogada. Pelo menos enquanto não mudarem as regras e as pretas não brancas continuarem a ser discriminadas na abertura das partidas.


Vá, toma, Mamadou, desta nem tu te lembraste. Embrulha e vai buscar!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Burgueses, maltezes e... burros doutores. Ou doutoras.

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Nos primeiros anos de trabalho integrava um restrito grupo de jovens trabalhadores extremamente mal pagos. Ninguém, na organização, ganhava menos do que nós. Situação que, obviamente, me desagradava e contra a qual manifestava de forma mais ou menos veemente o meu protesto. Recordo-me de um ou outro episódio em que a coisa só não foi a pior porque os “camaradas” me aconselharam, digamos assim, a não fazer muitas ondas. Até porque, fizeram questão de me recordar, eu era um burguês e que não podia estar para ali a comparar o meu com os vencimentos significativamente superiores dos colegas operários. Estes, coitados, trabalhavam sob as agruras do clima enquanto eu, um privilegiado do sistema, passava o dia num gabinete, sentado a uma secretária e ao abrigo das intempéries, borrascas, do sol abrasador e demais devaneios climatéricos. Ou seja, ganhava pouco – aquilo pouco passava do salário mínimo – mas estivesse caladinho.


Este discurso patético está de volta. Hoje é esta criatura que opina nos jornais. Esta senhora pode ser doutorada naquilo que quiser mas, por mais livros que carregue ou cursos que tire, uma besta será sempre uma besta. Defender uma barbaridade destas está ao mesmo nível do argumentário daqueles que achavam que o gajo que varria a rua devia ganhar bastante mais do que o tipo que lhe fazia o ordenado. Mas aqueles, infelizmente, eram praticamente iletrados e desta realidade pouco mais conheciam do que lhes ensinavam no partido. O que esta “economista” propõe é ainda pior. Não se limita a discriminar o trabalhador em função do seu local de trabalho como -  independentemente do vencimento e alguns ganham pouco mais que o SMN -  quer que sejam penalizados fiscalmente por isso.


A falta de vergonha desta gentinha de esquerda não me espanta. Tenho, como referi, uma vasta experiência a lidar com ela. O que ainda me surpreende é ver tantas pessoas inteligentes, ponderadas e de bom senso, acharem que o caminho é seguir estas ideias.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Há que matar o gajo da flauta

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Tempos houve em que para trabalhar na administração pública era necessário declarar que se era avesso a ideais comunistas. A democracia pôs – e bem – fim a essa parvoíce. Até porque o potencial candidato a ganhar um vencimento miserável no Estado podia não ser comunista na altura em que se candidatasse e vir a sê-lo mais tarde. Ou, ao contrário, também podia dar-se o caso de, sendo comuna, um tempo depois deixar de ser parvo.


Esse tempo está de volta. Parece que para ingressar nas polícias há quem proponha algo parecido. Os novos fascistas, tal como os anteriores, também não querem lá quem pense de maneira diferente daquilo que nos é permitido pensar. Desta vez não se contentam com declarações. Vão mais longe. Propõem um comité de psicólogos para efectuar testes aos candidatos e outro para monitorizar o que estes escrevem nas redes sociais. Em nome da liberdade, dizem eles.


Este é um caminho que não iniciámos hoje. É apenas mais um passo numa caminhada que não sabemos onde nos leva. Mas que, a julgar pelas sondagens, os portugueses querem percorrer. Um dia destes vai ser tarde para voltar atrás. Ou matamos o maluco da flauta ou estamos lixados.


P.S – A parte da matança é metafórica, obviamente.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Os fascistas-leninistas

Não é hábito aqui no Kruzes. Mas isto, já dizia a minha avó, nem sempre nem nunca. E este texto, da autoria de Leonardo Santana-Maia publicado no Mirante, merece a excepção. Com a devida vénia, claro.


"Enquanto, em Espanha, um rapper é condenado a pena de prisão por ter criticado, de forma ofensiva, a monarquia e as instituições espanholas, em Portugal é o presidente do Tribunal Constitucional que tem de engolir à pressa o que escreveu há uns anos para não perder o cargo.


Pelos vistos, nem os portugueses, nem os espanhóis, perceberam ainda, apesar das condenações sucessivas pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que não há democracia liberal sem liberdade de expressão e que o direito à liberdade de expressão, como muito bem explicou um juiz numa célebre sentença americana, “não protege o direito a ter razão, mas o direito a não a ter».


O direito à liberdade de expressão, como ensinou Karl Popper, o pai das sociedades abertas, é a trave-mestra das democracias liberais: “A liberdade de expressão deve ter primazia sobre o nosso desejo de não ofender”; “Quando evitar ofensas constitui a nossa principal preocupação, rapidamente se torna impossível dizermos livremente seja o que for.”


Em todo o caso, basta ouvir a cantiga do rapper para constatar que a sua letra é de uma violência extrema, quer contra a monarquia espanhola, quer contra os juízes, quer contra regime constitucional, fazendo apelo, inclusive, ao terrorismo, muito para além das expressões usadas por André Ventura contra o regime constitucional português. Com efeito, André Ventura ainda não teve a coragem de chamar a Marcelo e aos juízes “ladrões”, “mafiosos” e “corruptos”, nem sequer de fazer apelo ao terrorismo para atacar a nossa Constituição. Não deixa, no entanto, de ser curioso que as mesmas pessoas que defendem o direito à liberdade de expressão do rapper, sejam as mesmas que queiram silenciar e, inclusive, ilegalizar aqueles que se manifestam contra o regime constitucional português. Vamos lá a ver se nos entendemos. O direito à liberdade de expressão vale para todos e não é sujeito à censura prévia das elites bem-pensantes que querem controlar o que se pode dizer no espaço público. Como cantava Manuel Freire, “Não há machado que corte a raiz ao pensamento/ não há morte para o vento/ não há morte.”


Quanto ao escândalo público criado pelo texto do actual Presidente do Tribunal Constitucional, ainda é mais revelador do mundo às avessas em que vivemos.


Com efeito, independentemente de se concordar ou discordar com o teor ou a forma do texto, a verdade é que aquele texto representa o que uma larga maioria de portugueses espontaneamente pensa. Ora, a reacção das nossas elites bem-pensantes, exigindo a retratação pública do juiz e pondo em causa a sua independência para o exercício das funções, só vem demonstrar que existe um clima de intimidação cultural contra aquilo que o homem comum espontaneamente pensa. Isto é a prova provada da revolução cultural fascista-leninista que tomou conta do espaço público e que pretende impor à maioria das pessoas uma mundovisão cultural contrária àquela que a maioria das pessoas tem.


Além disso, o fanatismo ideológico dos fascistas-leninistas impede-os de conseguir compreender uma coisa óbvia para o homem comum: a competência profissional é independente das convicções ideológicas. Ou seja, o facto de um médico, advogado, juiz ou pedreiro ser católico, budista, socialista, benfiquista ou homossexual não faz com que trate melhor um cliente que partilhe as mesmas convicções do que um que tenha convicções radicalmente opostas".


 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

E se fossem demolir os cornos do paizinho?

A generalidade dos portugueses não percebeu a ideia daquele deputado de terceira linha – mas com evidente vontade de se chegar à frente – do Partido Socialista. Deste partido socialista 2.0, sublinhe-se, que o outro, o verdadeiro, tinha por lá alguma gente séria.


Mas, escrevia, quando o homem manifestou vontade de deitar abaixo o padrão dos descobrimentos todos levaram aquelas declarações para a lado revolucionário, esquerdalho e, sobretudo, bandalho que vai por aquelas paragens políticas. Até pode ser que, em parte, seja isso. Desconfio, contudo, das intenções da criatura. Mais depressa acredito que na “família” exista alguém com interesses numa empresa de demolições.


Já a outra parte das declarações, aquela que lamentava a quase ausência de falecimentos na sequência do 25 do A, pouco me surpreendem. Cresci a ouvir idênticos lamentos. A ele, até por ser da minha geração, deve ter acontecido o mesmo. Pelos vistos aquilo ficou-lhe. É pena. Mas é, também, a prova que os burros – mesmo que doutores - não mudam de ideias. Serão sempre parvos.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Raspar é um direito que não pode ser cofinado!

Ciclicamente vemos noticias que nos dão conta das verdadeiras fortunas que os portugueses gastam em jogo. Na “raspadinha”, nomeadamente. Diz que, apenas nessa lotaria, são esturrados perto de 4,5 milhões de euros por dia. Um problema, para alguns. Embora, como sempre, para outros seja uma maravilha. Um volume de vendas desta ordem é excelente para a Santa Casa, Estado e revendedores. E, já agora, para um ou outro sortudo que teve o bambúrrio de ganhar uma massas jeitosas.


A bem-dizer, não me surpreende nada que tanta gente gaste tanto dinheiro nesse e noutros jogos. Mas, em relação a esta temática, há uma cena que me intriga. Uma coisinha de nada - com a qual nada tenho a ver, diga-se – mas a que ninguém é capaz de responder de forma objectiva. Por que raio é que há tanto comunista e outras pessoas que odeiam o capital e tudo o que se lhe está relacionado, a raspar todos os dias e a toda a hora? Eu bem os questiono mas, lamentavelmente, não articulam uma resposta coerente. Dado o ódio visceral que manifestam a gente endinheirada, calculo que joguem apenas para ajudar o Estado, essa entidade que tanto endeusam. Ou, se calhar, são comunas não praticantes.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Agricultura da crise

 


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Cavar é das actividades que mais detesto. Manobrar uma enxada, picareta ou qualquer outro objecto destinado a revolver a terra desprovido de motor é das coisas que mais me desagrada e aborrece. Em simultâneo. Daí que estas maquinetas, mecânicas ou eléctricas, constituam uma inovação que muito me apraz. A melhor invenção desde a roda, quase.


Esta podia ser uma nova frente da agricultura da crise. Mas não. A praga de gatos que existe na zona desaconselha vivamente qualquer investimento nesse sentido. E agora, que aquilo está praticamente livre de ervas, é que vai ser cagar à vontadinha. Bem que os amiguinhos dessa bicheza os podiam levar para casa!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

À esquerda tudo se permite...

O André Ventura – um Mamadou Ba de sinal contrário – é frequentemente contestado por defender penas mais pesadas para determinado tipo de crimes. É até, embora o homem não se canse de desmentir, acusado de defender a reimplantação da pena de morte. O que para a maioria das alminhas – eu incluindo – constituiria uma espécie de retorno à barbárie.


Lamentavelmente esta indignação transforma-se em tolerância quando são outros a defender a pena de morte. É aquela cena da indignaçãozinha selectiva que tanto me aborrece e me faz desprezar profundamente quem a pratica. Um destes dias, a propósito da morte de um dos militares portugueses mais condecorados, um conhecido militante do Bloco de Esquerda que anda sempre pelas televisões, quando confrontado com os fuzilamentos de ex-soldados africanos que combateram por Portugal na guerra das colónias, saiu-se com esta tirada: “Acho mal os fuzilamentos se não tiveram um julgamento justo”. Permito-me, assim, concluir que para a criatura, desde que na sequência de um julgamento justo, não haverá problema nenhum em ser aplicada a pena de morte. Aguardo, desde então, que o país se indigne e as redes sociais se incendeiem…

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Idiotas úteis e inúteis

O meu apreço por petições – os abaixo-assinados dos tempos modernos – é diminuto. Menor ainda quando os peticionários têm como alvo as opiniões de alguém. Sejam elas, as opiniões, quais forem e o opinador quem quer que seja. Mesmo que umas e outro envolvam um tal Mamadou Ba, de sua graça.


O homem, por mais que digam dele o que Maomé não disse do toucinho, assimilou nestes anos de permanência entre nós quase todas as características de um verdadeiro tuga. É benfiquista, fura-vidas, tem tiques racistas e demonstra uma elevada propensão para a parvoíce. Daí que me pareça uma idiotice pensar em mandar a criatura de volta para a terra que o viu nascer. Ele, embora não nos faça cá falta nenhuma, afinal é um de nós. Pode ser parvo, mas é o nosso parvo. Já não é o parvo dos senegaleses.


É, também, um idiota útil. Isto do Marcelino da Mata é só mais um exemplo. Quando as criticas deviam estar a ser orientadas para as televisões, que fizeram o possível por censurar a morte do ex-comando, surgiu o senhor Ba a mandar postas de pescada. Alarvemente os idiotas inúteis foram a reboque. Como se as opiniões desse cavalheiro tivessem alguma relevância e a  doutrinação que os canais televisivos fazem aos portugueses não tivesse importância nenhuma. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Objecto não indentificado

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Não sei se esta traquitana, ainda embrulhada e com aspecto de estar quase pronta a estrear, é ou não o que eu penso que é. Mas - reitero - no caso de ser o que eu penso que seja, não se deve fazer velha naquele local. Nem, sequer, ganhar ferrugem. O sitio, de certeza, terá sido escolhido após um aturado estudo. Elaborado por renomados especialistas na especialidade de instalar coisas destinadas a fazer cenas, quase aposto. Sou, no entanto, céptico relativamente à escolha. Apesar de dentro da cidade é, à noite, um sitio ermo. Daqueles que os amigos do alheio apreciam para desenvolver as suas actividades. Daí que, até a mim na minha imensa ignorância, me pareça uma “provocação” à malta do gamanço a instalação daquela coisa, naquele sitio. Seja lá para o que for que seja ou para que sirva.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Lá vai água!

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Estava assim o regato – uma ribeira, na verdade - que corre lá pela propriedade. Pode não parecer grande caudal mas convém esclarecer, para melhor apreciação da coisa, que a nascente fica poucas centenas de metros a montante. Toda esta água vai parar a uma barragem ali para os lados do Alandroal. Que os espanhóis façam bom uso dela!

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Sim, prefiro fugir com o dito à seringa.

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Quando, em gaiato, era atormentado pelas maleitas próprias dessa condição – aquelas doenças que todos apanhamos em inicio de vida – e a minha mãe sugeria a necessidade de recorrer ao médico, a primeira pergunta que me ocorria era, invariavelmente, se o tratamento ia incluir injecções. A segunda, nas ocasiões em que não ouvia um não perentório à primeira, era se o padecimento que me afligia podia levar ao meu falecimento. Sendo a resposta convictamente negativa, o caso complicava-se e a minha resistência em recorrer aos serviços de um clínico aumentava consideravelmente. A lógica era simples. Não existindo o perigo de quinar, não valia a pena correr o risco de o médico receitar qualquer coisa injectável. Um terror, para mim, naquela altura. Tanto, que pouco me importava penar mais um bocado, com os sintomas das maleitas de ocasião, só para não ser picado.


Com o tempo o pânico às agulhas foi-se desvanecendo. Mas, confesso, a inquietação está a voltar. Deve ser por cada vez que ligo a porra da televisão para ver um noticiário, aparecer alguém a ser espetado num ombro. Aquilo repete-se em todo o lado a toda a hora. Sem necessidade, digo eu. Que isto de ver braços a serem trespassados por agulhas, é daquelas cenas que deviam ser anunciadas como podendo ferir a sensibilidade dos espectadores mais sensíveis. Assim tipo eu. Nomeadamente agora, que ninguém me garante a impossibilidade de falecer em consequência da maleita.