Em matéria de inovação tecnológica Portugal está na linha da frente. E nisto, por muito que custe aos liberais mais empedernidos, o Estado dá cartas. Está, digamos, anos-luz à frente dos privados.
Veja-se, para não irmos mais longe, a questão do teletrabalho. Enquanto no sector privado ainda existem inúmeras resistências à sua introdução, na administração pública já se consegue colocar toda a gente, seja qual for a profissão, a trabalhar a partir de casa. Ou do café, se preferirem. Desde pedreiros a canalizadores, jardineiros a varredores, senhoras da limpeza a motoristas, tudo teletrabalha. É a tecnologia. Seja ela – a tecnologia - qual for que permite esse milagre. Deve ser ultra-secreta, por enquanto.
Mas nisto, como sempre, os velhos do Restelo não podiam deixar de se fazer ouvir. Argumentam, veja-se o topete, que a malta quer é teledescanso. Fazem-me lembrar aquele meu tio-avô que, ao ouvir falar pela primeira vez em bebés-proveta, exclamou indignado: “Pode lá ser! Onde já se viu fazer filhos sem f**der!”. O futuro encarregou-se de o desmentir.




