terça-feira, 22 de agosto de 2023

Opções, prioridades e outras endrominações

Contrariando a sabedoria popular, o governo garante--nos que todos podemos morar na praça. Eles estão lá para nos assegurar esse direito. E quando, como é óbvio, a realidade se encarregar de mostrar aos crédulos que tal é impossível, porque a vida é mesmo assim e sempre assim será, a culpa vai ser de todos menos dos pantomineiros que andam a endrominar os mais fracos de sentido que ainda acreditam nas patranhas propaladas por aquela gente. Embora isso não faça diferença nenhuma. O pagode continuará a votar neles, pois está convencido que apenas aquela maralha foi ungida para governar.


Com veto presidencial ou sem veto presidencial, com ou sem alterações ao projecto vetado, o “Mais Habitação” pouco mudará ao panorama actual. Podem pintar aquilo das cores que quiserem, mas fazer uma reforma do sector habitacional hostilizando uma parte dos intervenientes – que, por sinal, até são a maioria – para além de nada resolver, não augura nada de bom. Como o passado já demonstrou e o futuro se encarregará de confirmar.


O envolvimento dos municípios na resolução - previsto e bem, na lei – do problema da habitação devia ser o centro de toda a discussão. Por mais que alguns sustentem o contrário há capacidade na administração local para contribuir de forma decisiva para, pelo menos, minorar o problema. É tudo uma questão de opções, de prioridades e, principalmente, mudar o foco das festas e dos subsídios para algo útil e que melhore a vida dos respectivos munícipes.


 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

A idade da estupidez

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Parece estar em curso, à escala global, uma espécie de concurso de disparates destinado a premiar quem consiga ter a ideia mais parva. A cada dia os concorrentes dando aso à sua idiotice e, com inusitada frequência, chego a admitir que está encontrado o vencedor. Mas não. Logo de seguida surge outro maluco com uma ideia ainda mais maluca do que todas as outras ideias, já suficientemente malucas, que tinham sido dadas a conhecer. A sorte é que, passadas umas horas, já ninguém se lembra destes desgraçados nem das suas infelizes ideias.


Desta vez foi um “perito em sexualidade” que veio defender que os pais devem pedir permissão aos filhos antes de lhes mudar a fralda. Nem desconfio de que tipo de peritagens trata uma criatura - ou criaturo, criature ou lá o que seja com que o vivente se identifique – especialista nesta especialidade, mas se for alguma coisa que envolva crianças já devia estar atrás das grades.Declarações deste teor podem, num primeiro momento, ter piada. Perdem-na toda ao segundo olhar. Isto é gente perigosa que, por motivos de segurança, devia usar açaimo.

sábado, 19 de agosto de 2023

De ir às lágrimas...

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1 – Pois tem. O cultivo da cebola e de tudo o resto. Desde que deixou de ser necessário trabalhar para angariar o sustento e o Estado passou a garantir a subsistência de toda a gente, cultivar seja o que fôr deixou de ser uma actividade interessante do ponto de vista económico. Pelo menos enquanto metade dos portugueses conseguirem alimentar a outra metade.


2 – A discussão sobre os impostos, nomeadamente o IRS, não suscita o interesse da opinião pública. Grande parte não paga e entre os pagantes a maioria não percebe patavina do assunto. Há também os idiotas úteis. Aqueles que garantem que reduzir os impostos colocaria em causa o estado social. Um argumento tão estúpido e risível que até eles desmontam quando repetem vezes sem conta que Passos Coelho foi o autor da maior subida de impostos de todo o sempre e, também, o carrasco do estado social.


3 – Há, ainda, os que reiteradamente enchem a boca com os “mais vulneráveis” que pouco, ou nada, beneficiam de uma redução do IRS. Para esses já nem tenho paciência. Quando, por causa do esbulho fiscal, a esmagadora maioria dos jovens qualificados emigrarem, a economia paralela cresça desmesuradamente e mais gente ponha o dinheiro ao largo talvez percebam que os seus queridos “vulneráveis” sempre ganham alguma coisa se os que contribuem para manter a sua vidinha de vulnerável pagarem  menos.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Agricultura da crise

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Por causa da chamada crise da habitação, a questão da propriedade voltou a suscitar discussões mais ou menos animadas, artigos de opinião e a ser debatida de uma maneira que eu supunha ter ficado enterrada pelos finais da década de setenta do século passado. Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que em democracia esse seria um tema consensualmente aceite. Parece que não. Há quem ache que a propriedade não é para aquilo que os seus legítimos donos entenderem fazer com ela, mas antes para estar ao serviço do país. Sendo isso o que for. Ou, melhor, o que quem assim pensa quiser que seja.


De certa forma esta gente diverte-me. Cobiçam as casas dos outros e manifestam uma imensa vontade de nelas habitar – provavelmente de borla ou, quando muito, ao preço que determinarem como justo – mas não invejam, por exemplo, as terras que há por aí ao abandono. Bem que podiam aplicar o mesmo principio aos terrenos abandonados e, até, reivindicarem o direito a utiliza-los para produzirem os seus próprios alimentos. Podiam, sei lá, plantar cebolas, pimentão e tomate. Já dava para as saladas e isso. A chatice é que dá trabalho, coisa de que a maioria desse pagode não é especialmente apreciador. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Há que tratar da elevação na politica

Não percebo a surpresa por um município dos arredores da capital gastar para cima de um dinheirão em almoços de trabalho. É sinal que se trabalha muito, que se pagam as contas e apoia a restauração. Tudo bons indicadores, portanto. O que tenho mais dificuldade em entender é que os eleitores do concelho com maior índice de literacia do país insistam em votar no Isaltino. Deve ser por actualmente de qualquer burro se fazer um doutor.


Também em relação à ementa que, alegadamente, é servida aos comensais a quem o município paga a refeição, não se me afigura que existam motivos para as criticas que têm sido feitas. Diz que o menu incluirá - entre outras iguarias - lagosta, lavagante, ostras, sapateira e leitão. Tudo em abundância e regado com pinga caríssima, ao que se relata. E daí? Não vão querer que um autarca decida sobre os destinos do seu concelho malnutrido ou com a barriga a dar horas, pois não? Até porque, toda a gente sabe, as grandes decisões politicas deste país são tomadas após almoços ou jantares abundantemente regados. Ou, pelo menos, parece.


O que não me parece muito bem é que estes manjares tenham incluído, ao que foi divulgado, aquela coisa do saké afrodisíaco, ou lá o que é. Admito que um politico até possa decidir melhor com um grãozinho na asa, mas de pau feito o nível decisório será seguramente menos elevado.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Engordar gulosos

1 - Diz que há restaurantes que cobram uma taxa quando os comensais partilham a sobremesa. Não conhecia esta prática, mas sendo por mais conhecido o espírito empreendedor da maioria dos tasqueiros não me surpreende que o façam. Qualquer dia vão também cobrar pela utilização da cadeira, pelo açúcar do café ou pelo número de vezes que o empregado se desloca à mesa. Mais, mas isso já fazem, a sugestão da gorjeta. Tudo sujeito à taxa legal de iva, suponho. O tal imposto que eles alegam pagar, mas que sai do nosso bolso.


2 – Leio que alguém do PS terá declarado – provavelmente depois de almoço – que “o governo de António Costa já baixou e vai continuar a baixar os impostos”. Por mais piadolas que se possam fazer acerca desta declaração, convenhamos, nenhuma teria tanta graça...


3 – Não fossem as redes sociais e nunca imaginaríamos a quantidade de malucos que andam por aí. Hoje um saiu-se com esta: “Impressionante como o capitalismo financeiro consegue produzir mais desigualdade que o esclavagismo, feudalismo e colonialismo respectivamente”. Impressionante, de facto. Fiquei visivelmente impressionado com tanta desigualdade. Já o comunismo foi o que criou mais igualdade. Milhões e milhões de pobres. Mortos, muitos deles. Mas iguais.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Poltrões, camarões e outros aldrabões

1 –O facto de não ser de esquerda não me impede de reconhecer a genialidade, magnificência e importância das suas causas. Provoca-me um orgulho imenso ver que não são a fome – de que se morre em Lisboa, ao que se diz – a educação, os transportes, a saúde, a desertificação do interior ou os impostos brutais a que os trabalhadores estão sujeitos. Nada disso. Para a esquerda o problema é o nome de uma ponte para peões e bicicletas nos arrabaldes de Lisboa. Isso sim, é que é uma causa nobre e de evidente relevância para os portugueses.


2 – Os consumidores, segundo o que está a ser amplamente noticiado, estarão a comprar mais camarão e cerveja do que antes. Não admira. Nunca como agora o Estado – incluindo as autarquias locais distribuiu tantos apoios sociais. Isto anda tudo ligado.


3 – Diz que o preço médio, para arrendamento, de um T1 em Lisboa é de 2500 euros. Uma busca naquele que é considerado o maior portal imobiliário, devolve o resultado de 508 T1’s para arrendar na capital. Dos quais 33 até 1000 euros, 421 até 2000 e apenas 46 por 2500 euros ou mais. A média, como é óbvio, ficará significativamente abaixo do valor anunciado. Ainda assim é muito caro? É, mas lá por isso não precisam de ser aldabrões.

domingo, 13 de agosto de 2023

Transmalucofóbicos

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1 – Perante a dificuldade em encontrar vaga para deixar os pirralhos numa creche, a extrema-direita quer que os casais que trabalham tenham prioridade na atribuição dessas vagas em detrimento dos subsidio-dependentes ou daqueles que, por razões culturais, não são apreciadores de actividades que envolvam essa coisa de trabalhar. Um vergonha! Há que combater este discurso de ódio, racista, fascista, xenófobo, homofóbico, transfóbico e claustrofóbico que discrimina os mais vulneráveis e que visa privilegiar descaradamente uma determinada classe. A dos trabalhadores, no caso. Esses traidores que colaboram com o sistema capitalista e heteropatriarcal que pretende perpetuar a opressão do povo através do trabalho.


2 – Por falar em transfóbicos. No caso se “orientarem” com uma gaja que depois de uma análise mais detalhada vierem a confirmar que é um gajo, não podem voltar atrás. Desenrasquem-se como puderem, mas têm de ir até ao fim. Caso contrário, diz que a criatura terá fundamentadas razões para vos acusar de transfobia e, aí, estão lixados. Está tudo maluco? Ná...é só o novo normal.


3 – A propósito de malucos. A vaga de calor – igualmente conhecida por Verão – constitui, segundo os especialistas na especialidade, um dos factores para o encarecimento da gasóleo e da gasolina. Menos mal que, lá para Outubro, o arrefecimento irá contribui para a queda de preço.

sábado, 12 de agosto de 2023

Vergonha...

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Há quarenta e oito anos a edição da revista Time ostentava esta capa que nos devia fazer corar de vergonha. Todo este tempo depois ainda há quem tenha saudade desses tempos. Embora poucos, que a maior parte já quinou e dos que restam quase todos perceberam o logro em que estiveram prestes a cair. Um ou outro mais pateta continua a acreditar que aquele teria sido o caminho. Não os censuro. O obscurantismo era enorme e a propaganda comunista maior ainda. De lamentar é que, apesar de tudo o que aquela tríade representava ter falhado redondamente em todo o lado, de ter destruído o tecido produtivo do país e de quase ter provocado uma guerra civil sejam hoje cada vez mais os que se revêem em princípios parecidos aos que aqueles três tristes idiotas nos tentaram impingir. Felizmente, nessa altura, no Partido Socialista primavam os valores da liberdade e da democracia. Hoje apenas os do oportunismo. Daí que não me surpreenda muito se, daqui por meia-dúzia de anos, aquela revista nos volte a dedicar uma capa parecida. Desta vez com a fotografia do próximo líder do PS.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

"Se o povo tudo produz, ao povo tudo pertence"

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Outra vez?! Porra, pá que estes gajos são chatos. Mas o dinheiro é do Estado? Tirou como, se nunca lá esteve? Podiam, quanto muito, dizer “que o trabalho não declarado retira ao Estado a possibilidade de arrecadar três mil e quinhentos milhões de euros em impostos anuais”. E, mesmo assim, podia nem ser verdade. Quanto de todo esse trabalho não declarado seria realizado se estivesse sujeito à gula do Estado? Algum, provavelmente, não seria. Que isto nem toda a gente está disposta a trabalhar apenas para aquecer.


Não me canso de repetir que, perante tamanha voracidade fiscal, fugir aos impostos é perfeitamente legitimo. Tanto como resistir a quem nos quer roubar a carteira ou nos assalta a casa. O assalto, ainda que legitimado pela lei, não deixa de ser imoral. Claro que há sempre aqueles, cegos pela ideologia ou pelo amor ao governo, que acham que os impostos são baixos, que existe margem para os aumentar e que insultam – ou tentam, coitados – quem pensa o contrário. Criaturas a quem, por norma, o dinheiro não custa a ganhar ou que são beneficiários líquidos do sistema.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Rufias e figurões

1 - Sérgio Conceição, o macambuzio que orienta um clube de futebol sedeado no Porto, foi expulso durante a futebolada de ontem. O que, como sabe toda a gente que se interessa pelo assunto, não constitui novidade. Novidade é quando ele consegue não ser mandado embora. Mas desta vez foi diferente. O homem não quis sair. “Não saio”, dizia ele com os habituais bons modos. Fez-me lembrar aqueles inquilinos a quem os senhorios querem pôr na rua e os gajos acham que lhes foi atribuído um qualquer direito divino a estar ali.


2 – Por falar em figuras tristes. Luís Montenegro garantiu que não formará governo caso não ganhe as eleições. Ou seja, não alinha em geringonças de direita. Prefere entregar o país a um tipo com Pedro Nuno Santos. Por mim está apresentado. Nem vou estar com divagações acerca de alianças ou de perigos imaginários. Limito-me a recordar a quem me lê que Itália é capaz de ser lugar muito melhor para morar do que a Venezuela.


3 – Um homem que passeava um cão foi vítima de uma tentativa de assalto. O canito, em defesa do dono, mordeu o assaltante. Que, entretanto, foi buscar reforços. Mais uns dez da sua laia. Todos juntos, os valentes, malharam o bicho e esfaquearam o homem. Parece que o assaltante – um não europeu, que é uma espécie que agora anda muito por aí – terá ficado em prisão preventiva. Desconfio que se a história não envolvesse a agressão a um animal, quem tinha chatices era o assaltado…

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Deixa arder

A estratégia do Partido Socialista para o combate aos incêndios faz lembrar aquele gajo que nem f*** nem sai de cima. Não apaga o fogo nem deixa apagar. E, pior, ainda transforma os bombeiros em mirones.
Não discuto a genialidade desta inovadora e sui generis maneira de enfrentar o problema. Nem irei recalcitrar tão sábia decisão se, por azar, estiver um dia na posição dos desgraçados que são ameaçados de prisão por defenderem do lume aquilo que lhes custou a ganhar. Nessas circunstâncias lutaria na justiça, até ao último cêntimo ou derradeiro folego, para ser muitissimo bem indemnizado por aquilo que o Estado não defendeu nem deixou defender.
Desconheço como eventualmente se processarão essas eventuais indemnizações. Mas muito mau será se calcularem os estragos apenas pelo valor patrimonial. Parece-me óbvio que terá de ser pelo custo de reposição. No mínimo, já que do valor sentimental não quer saber quem se limita a deixar a arder.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Larica e aromas refrescantes

1 - Um auto proclamado humorista garantia um dia destes que havia gente a morrer de fome em Lisboa. Instado a indicar o local exacto onde estavam pessoas a falecer por inaninação, preferiu divagar sobre generalidades. No que, diga-se, foi acompanhado por outro tipo que também tem a mania que tem graça. Não existindo apoios sociais, o falecimento por falta de ingestão de alimentos seria o destino destes e de muitos outros humoristas do regime se tivessem de viver das suas piadolas.


2 – O desemprego jovem continua a constituir uma preocupação para o governo. Tanto que até inventa cenas destinadas a promover o regresso daqueles que emigraram, incentivos à contratação e outras ideias igualmente geniais. Se a esquerda, fofinha e bem cheirosa, revertesse aquela medida do tempo do governo da direita bafienta, que aumentou a idade da reforma, desconfio que a dimensão do problema diminuía substancialmente. Com os velhos a trabalhar, como é que querem que haja empregos para os jovens?!


3 – Tenho visto muita gente a contestar o número de pessoas presentes no espaço à beira rio onde esteve o Papa. Não sei, nem me interessa nada, se lá esteve ou não o tal milhão e meio. Mas olhando para o milhão que esteve presente numa manifestação no Terreiro do Paço ou para os duzentos mil que já estiveram na pracinha em frente ao Parlamento, acredito que até possam ter estado no local da dita missa para aí uns vinte milhões…

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Linguagem inconclusiva

1 - Os especialistas especializados em linguística já explicaram vezes sem conta que usar – com alegadas intenções inclusivas - o todos e todas, quando alguém comunica com um grupo de pessoas, constitui um valente pontapé na gramática. Ainda assim não falta quem insista no erro. Deixem-se mas é de parvoíces e digam como o Papa Xico. Todos, todos e todos, porra! Esta última é por minha conta.


2 – Diz que na semana passada para os lados do Martim Moniz, em Lisboa, andaram umas quantas criaturas a manifestar a sua indignação pela realização do encontro de católicos na capital. Nada contra, que isto cada um manifesta-se contra o que quiser. Lamento é a falta de coragem para fazer o mesmo, em iguais preparos, quando os islamitas por lá estão de rabo para o ar a rezar ao Alá.


3 - Está quentinho, por cá. Uns simpáticos quarenta e dois graus. Tal como há um ano. Ou dez. Ou quarenta. A diferença é que o pessoal agora queixa-se de tudo. Uns mariquinhas. Vejam-lá, é Verão. Aquela coisa que acontece todos os anos, mais ou menos por esta altura.

domingo, 6 de agosto de 2023

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

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Sou pouco dado a estas cenas da fé. Daí que esta coisa da JMJ não conste da minha lista de interesses. O que me levava a crer que o manifesto desinteresse que nutro por este evento fosse dos poucos assuntos em que coincidia com a malta de esquerda. Só que não. Por qualquer razão que me escapa, aquele pessoal ficou ainda mais tresloucado do que o habitual. Talvez seja inveja por nenhuma organização daquela área – nem todas juntas, sequer – conseguirem reunir tanta gente. Ou, então, é uma qualquer espécie de doença que não lhes permite ver outras pessoas felizes a fazerem o que gostam. Como se isso estivesse reservado aos participantes em eventos organizados pelo esquerdume.


Indignam-se também por causa dos gastos do Estado com a realização do certame. O que constitui uma novidade no discurso de quem só vê virtudes na despesa pública, mas que é outro ponto com potencial para merecer a minha concordância. Convém é ter memória. Eu sei que a esquerda tem uma capacidade natural para reescrever a história – os malucos são quase todos assim – mas, recordo, quem se candidatou a receber este encontro foi o governo da geringonça e a Câmara do Medina. Ou seja esta gentinha, em relação às decisões dos guias espirituais, está sempre de acordo e, se fôr preciso, simultaneamente de opinião contrária.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Estado Ladrão

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Já a minha avó garantia que lavar a cabeça a burros é gastador de sabão. Lamentavelmente nem sempre sigo este ensinamento à risca e, de quando em vez, dou por mim a desperdiçar sabão com jericos. A propósito da minha permanente indignação com a brutal carga fiscal a que estamos sujeitos perguntava-me um cavalheiro, numa outra rede social, se eu acho mal que alguém que aufere dez mil euros por mês contribua para a sociedade com trinta por cento do seu ordenado. Acrescentado que, por ele, achava muito justo que assim fosse, pois apenas graças a isso podíamos usufruir da escola pública, do SNS e demais maravilhas para que, no seu entender, servem os nossos impostos. Concluía que, face ao exposto, a minha indignação é própria de um parvo.


Sim, acho mal que alguém se veja espoliado de quase um terço do seu vencimento. Mesmo que ganhe dez mil euros por mês. O pior é que quem ganha esse valor não desconta trinta por cento. A esses o Estado apropria-se de quase quarenta e nove por cento. Metade, em números redondos. Se alguém não vê nisto um roubo, das duas uma. Ou é completamente burro ou potencialmente esquerdista. O que, convenhamos, não é muito diferente.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Coirões...

1 - A Dinamarca vai restringir o direito de manifestação quando em causa estiverem protestos que possam levar à profanação do Corão. Nem vou dizer que é o primeiro passo para a submissão do Ocidente ao Islão. Esse já foi dado lá atrás, há muito tempo. O caminho que nos falta percorrer até à islamização é muito mais curto do que aquele que já foi percorrido. O problema, no entanto, é a extrema-direita. Os fascistas islâmicos, esses, devem ser respeitados.


2 – Criticam-se – e bem - os lucros obscenos das “grandes empresas” e da banca em particular. Condenáveis, concordo, na parte em que são obtidos em resultado da cartelização e dos preços abusivos que cobram aos clientes. Lamentável é a passividade com que aceitamos os resultados orçamentais do Estado, resultantes da cobrança fiscal. Ambos são condenáveis. Com duas diferenças. O Estado pode intervir relativamente aos primeiros e tem o poder de reduzir os impostos. Não faz nem uma nem outra coisa. Ou seja, rouba e deixa roubar.


3 – As Câmaras do norte são danadas para as festarolas. Aquilo é um vê se te avias. Estão permanentemente em festa ou, por outras palavras, são uma festa permanente. Lamentavelmente cá pelo Alentejo não é assim. Se fosse, eu era gajo para sugerir que por cada festa plantassem uma árvore. Só para ver se salvávamos o planeta e isso…

segunda-feira, 31 de julho de 2023

A resiliência da alface

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Diz que uma alface demora vinte anos a decompor-se. No meu frigorífico não costumam aguentar tanto. Nomeadamente as que se compram nos supermercados. Essas, ao fim de dois ou três dias estão capazes de ir para o lixo onde, ao que garantem os entendidos em questões ambientais, resistem estoicamente durante duas décadas.


Longe de mim pretender contrariar as criaturas que queimaram as pestanas a estudar estas coisas. Ainda assim permito-me duvidar da resiliência da alface. No meu compostor ao fim de seis meses estão transformadas em fertilizante. Mesmo que em aterro as condições para a deterioração dos vegetais sejam outras, a diferença temporal parece demasiado exagerada. A ser assim é de equacionar a possibilidade de passarmos a guardar as alfaces no balde do lixo. Poupa-se na electricidade, ganha-se no período de vida dos alimentos e o ambiente agradece.


Estas teorias costumam aparecer sempre que no horizonte está a criação de mais um tributo verde. O pessoal aceita e acredita que, pagando, está a contribuir para salvar o planeta. Deve estar a resultar. Tantos impostos, taxas e taxinhas depois - tudo do mais verdinho que há – estamos a ter um Verão absolutamente normal em termos climatéricos. À noite até tem estado fresquinho.

domingo, 30 de julho de 2023

O direito à mesada colonial

Não tem mal nenhum que grupos de patetas se reúnam para reivindicar coisas. Mesmo que essas reivindicações apenas façam sentido para eles e que, na maioria das circunstâncias, não resultem de acontecimentos ou problemas reais, mas apenas de vozes que ecoam nas respectivas cabeças.


Num manifesto conhecido como “Declaração do Porto” um desses grupos reivindica a alteração do hino nacional. Não gostam da letra, argumentam. Estão no seu direito. Eu, por acaso, também não gosto. Aquela parte de marchar contra os canhões parece-me um claro incentivo à carnificina sem que daí se vislumbre qualquer vantagem para a nação.


Outra exigência é a isenção de propinas para alunos provenientes dos países e territórios colonizados por Portugal. Ou seja, que os contribuintes portugueses paguem, através dos seus impostos os estudos daquele pagode. Apesar de enaltecer a evidente paixão das criaturas pela educação e de apreciar que norteiem a sua vida pela busca da valorização permanente e generalizada das populações daqueles países, desconfio que não estão a ver bem a coisa. É que, se bem me recordo, o colonialismo acabou há quase cinquenta anos. Com estas reivindicações só fazem lembrar aqueles filhos que saem de casa dos pais, para ser independentes, mas que não abdicam da mesada...

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Vulnerabilidades e outras habilidades

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Graças ao fantástico, maravilhoso, brilhante, espectacular e melhor governo de todos os tempos – tirando o da geringonça, vá – os contribuintes portugueses vão pagar “o acesso a consultas e tratamentos médico-veterinários como, entre outros, a identificação, vacinação, desparasitação e esterilização prestados a animais de companhia cujos detentores sejam pessoas em situação de insuficiência económica, em situação de sem abrigo ou pessoas idosas com dificuldades de locomoção”. E, se as autarquias fizerem não sei mais o quê, a alimentação dos bichinhos será também à pala. Felizmente a Senhora Dona Gata não é uma bicha carenciada. Ou vulnerável, como os idiotas da linguagem alegadamente inclusiva agora dizem. Não terá, graças à sua condição de bichana privilegiada, direito a todas essas mordomias. Vai continuar a comer ossos, restos de peixe e outras iguarias pelas quais nutre uma especial predilecção.


Trata-se, tão-somente, de alargar à bicharada a política assistencialista e de subsídio dependência que já se aplica aos pobrezinhos de duas patas. Estes ainda que ganhando pouco, graças à imensa panóplia de apoios sociais, conseguem obter um rendimento bastante superior aos que ganham ligeiramente mais e aos quais o Estado furta uma parte significativa do produto do seu trabalho. E se esses ditos vulneráveis forem amigos das pessoas certas, então a coisa ainda melhora substancialmente. Dizem, porque eu tirando o que vejo no meu recibo de vencimento nada sei dessas alegadas engenharias caritativas.


O país está a cair aos bocados, mas é nisto que a governação socialista esturra o que nos tira do bolso. Ao contrário do que muitos dizem, os chalupas não são eles. Somos nós, que permitimos este nível de chalupice. Eles apenas estão a tratar da sua perpetuação no poder.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Nacionalize-se tudo. Até a mãezinha que os pariu.

Longe de mim pretender questionar essa coisa das alterações climáticas. Era o que mais faltava ousar pôr em causa as opiniões especializadas dos especialistas especializados na especialidade. Ainda assim tenho o direito – inalienável, convém reforçar – a desconfiar que o combate às tais alterações está a servir de pretexto para aumentar impostos e taxar tudo o que até agora achávamos ter direito.


No Público de hoje – um pântano onde a intelectualidade gosta de chafurdar na sua autoproclamada superioridade moral – há quem sugira que “Portugal deve avaliar se águas subterrâneas devem ser pagas”. Ou seja, criar mais uma taxa para quem usa a água do poço para, por exemplo, regar os tomates. Do ponto de vista de um urbanita, nomeadamente daqueles esquerdalhos que acham que tudo pertence ao Estado e permanentemente suspiram por mais e mais impostos para os outros pagarem, deve ser uma coisa do mais lógico que há. Aquilo é gente que acredita que tudo o que comemos nasce por geração espontânea nas prateleiras dos supermercados e que o custo que daí adviria não teria nenhuma repercussão no acesso da população aos alimentos. É, ao ler coisas destas, que sinto uma imensa saudade do tempo em que os animais não escreviam.


Por mim, faz-me uma certa confusão a ideia de, eventualmente, ter de pagar a água que nasce no meu poço ao Estado.Aliás já acontece, ainda que vagamente, o mesmo com a produção de energia solar e eólica. Ou seja, o Sol, o vento e a água são do Estado? O que se segue? O ar que respiramos? Se calhar sim, já que ao respirar estamos a usar um recurso que, tal como a água, não é nosso. Faz sentido. Ou não fosse isto a quinta onde os porcos triunfaram.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Os tomates da crise

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Reconheço que isto de expor publicamente os meus tomates pode não ser a melhor ideia que já tive. Nunca se sabe se alguém fica com inveja e se quer apropriar dos ditos. O que, convenhamos, seria profundamente desagradável, pois tê-los assim dá muito trabalho. No entanto, de tão jeitosos que são merecem ser admirados em todo o seu esplendor.


Não são os primeiros do ano. Nem, tão-pouco, os maiores. O destaque é merecido apenas pela quantidade. Afinal é o primeiro dia em que a colheita foi no plural.

domingo, 23 de julho de 2023

A ganância, o aroma e o exemplo que jamais seguiremos

1 – De acordo com a imprensa o lucro da Caixa Geral de Depósitos subiu vinte cinco por cento face ao obtido no primeiro semestre do ano anterior. O banco público, ao serviço dos portugueses e que jamais poderá ser privatizado para permitir ao Estado regular o mercado, apresenta lucros superiores a seiscentos milhões de euros em resultado, nomeadamente, da subida das taxas de juros. É a isto que chamamos lucros gananciosos da banca em resultado da exploração dos clientes pelos filhos da puta dos banqueiros, não é?


2 – No “Público” – um esgoto a céu aberto onde desaguam todas as ideias de merda – uma chalupa qualquer disserta acerca do “aroma neocolonial” que emana do apelido escolhido para a selecção nacional de futebol feminino. Coitada, nem vou gozar que aquilo pode ser doença. É por causa de meninas como esta escriba que todos os anos compro o pirilampo mágico.


3 – Diz que uma cidade francesa vai fazer análises à saliva e criar um passaporte animal que permitirá identificar os cães. A finalidade é descobrir a que animais pertence a merda espalhada pelos passeios e, assim, multar os donos. Excelente ideia, esta. Ao contrário do que acontece por cá, onde nem sequer fazem um esforço para ter todos os canitos devidamente registados. Não devem ter tempo. No âmbito da bicharada andam muito ocupados com parques caninos e outras chalupices.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Como é que ficou aquilo do PCP com a Segurança Social?

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1 - Muito bem o governo com essa ideia de arrendar casas para subarrendar a preços que as pessoas possam pagar. Excelente, reitero. Só não percebo por que raio não aplicam a medida a tudo o resto. Para combater a inflação comprava os bens alimentares e depois vendia-os substancialmente mais baratos aos consumidores. Por exemplo, o Estado adquiria toda a produção do gajo das alfaces e de seguida vendia-as a um preço significativamente mais em conta. Isso é era!


2 – Entretanto em Espanha, na campanha eleitoral, a esquerda preocupa-se com coisas realmente importantes. Minorias, feminismo, machismo, extrema-direita no poder ou herança universal garantida. O cidadão comum, essa espécie esquisita e que urge extinguir, que pague e não bufe.


3 – Cenas que possam comprometer o PCP nunca suscitam grande curiosidade à comunicação social. É isso e os “Panamá papers”, que alguns garantiram que iam divulgar publicamente...

terça-feira, 18 de julho de 2023

Activistas fofinhos

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1 – As redes sociais são as paredes das casas de banho públicas dos tempos modernos. Mensagens destas são “aos molhos”. Esta não constitui nenhum perigo, nem pode ser encarada como discurso de ódio, pois não? Qualquer “cantante”, ainda que por outras palavras, dirá mais ou menos o mesmo...


2 - A exposição evocativa dos cinquenta anos do “Expresso”, a que ainda um dia destes aqui fiz referencia, foi toda grafitada. Um deplorável acto de vandalismo, lamenta-se o jornal em questão. Ai agora já não é activismo? Olha-me estes...


3 – Na sequência de uma espécie de geringonça à espanhola, a extrema-direita vai fazer parte do governo da Extremadura. Deverei preocupar-me quando for a Badajoz? Talvez não, que isso é assunto dos espanhóis. O que me inquieta mais é o lado de cá. Nomeadamente se eles começarem a apertar com aqueles indivíduos, cuja etnia não podemos mencionar, que vivem entre cá e lá usufruindo das maravilhas do Estado social...

domingo, 16 de julho de 2023

Decidam-se, porra!

Um destes dias houve quem se indignasse por causa de uma caricatura do primeiro-ministro, exibida nas manifestações de professores. Chegou-se ao ponto do próprio, na falta de melhores argumentos, considerar aquilo um acto racista. Para outros, oportunisticamente mais tolerantes, tratou-se apenas do exercício da liberdade de expressão.


Na semana que passou voltámos ao mesmo. Desta vez por causa de um cartoon, exibido na RTP, em que a pontaria de um policia melhora significativamente à medida que a cor do alvo vai escurecendo. Aqui d’el que estão a faltar ao respeito aos policias e mais não sei quê, reclamaram os que no caso anterior defendiam estarmos perante a liberdade de criação do artista e a liberdade de expressão de quem se manifestava. Por sua vez os que acharam ofensiva e que reprovaram a caricatura do Costa, dizem agora que não senhor, o cartoon não é ofensivo coisa nenhuma e, mais, até acham muito bem que os policias se sintam ofendidos que é para ver se deixam de ser racistas.


É nestas ocasiões que me apetece partir para a violência. Assim tipo estrafegar alguém, ou isso. Não é que a opinião destes sabujos me importe. A irritação que me provoca deriva apenas de uma parte deles integrarem a trupe que nos governa e de todos esses incoerentes terem direito a votar. Tirando isso têm, como é óbvio, toda a liberdade de serem idiotas.

sábado, 15 de julho de 2023

Agricultura da crise

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Na agricultura da crise, nesta época do ano, todos os dias se colhe qualquer coisa. Esta semana foi colhido o primeiro pimentão. O primeiro de muitos, espero, porque ao contrário de anos anteriores as plantas estão com bom aspecto. Quanto aos pepinos... Ando a tentar testar se assustam mesmo os gatos ou se aquilo é apenas uma cena para divertir o pagode que gosta de assistir aos vídeos de gatinhos que proliferam na Internet. No entanto a Senhora Dona Gata não me dá hipótese. É que nem me deixa aproximar para lhe deixar o pepino por perto. Está sempre atenta a todas movimentações e mesmo a comer não baixa a guarda. Mas calculo que não se assuste, até porque está habituada a vê-los no quintal. Isso deve ser coisa dos gatos maricas da cidade.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Verde que te quero castanho

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Reclamei vezes sem conta da bosta de cão na relva que circundava três dos quatro lados do Rossio cá da terra. Uma porcaria. Uma imundície, digamos. Até mesmo para os jardineiros, que ao cortar a relva projectavam merda de cão em todas as direcções. É pois com imensa satisfação que constato estar o problema prestes a ser resolvido. Merda de cão a infestar a relva é agora coisa rara. Acertar numa área relvada exige um nível de precisão ao nível da cagada muito difícil de concretizar para qualquer rafeiro. Porreiro, pá.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

É que nem um croquete, pá!!!

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Deparei-me hoje, no jardim municipal de Évora, com a exposição alusiva aos cinquenta anos do semanário “Expresso”. Acabadinha de inaugurar. São cinquenta primeiras páginas, uma por cada ano, que podem ser apreciadas pela primeira vez ou recordadas pelos visitantes.


Estas cenas de exposições e actividades culturais em geral não são a minha especialidade. Mas, calculo eu, os responsáveis pelo conteúdo e pela cerimonia de abertura do evento serão certamente especialistas do mais especializado que há nesta especialidade. Daí admitir humildemente que as minhas expectativas em relação ao acontecimento, para além de manifestamente exageradas, foram notoriamente parvas. Relativamente às capas expostas esperava - vá lá saber-se porquê – que tendo havido, no período de tempo abrangido, três bancarrotas e outros tantos resgates pedidos pelo PS as capas escolhidas referentes aos anos em causa tivessem alguma menção a esses factos. O mais parecido com isso é a primeira página da foto...referente ao ano de 2010! Depois a cerimónia de inauguração. Estranhei a ausência de comes e bebes, mas quero acreditar que, de seguida, terá havido um beberete em local mais recatado. Agora o que me deixou mesmo escandalizado foi a falta de animação artística associada à exposição. É que nem havia um grupo de dança ou uma academia sénior a abrilhantar aquilo. Ou, vá, um grupo de cavaquinhos ou pandeiretas. Uma miséria franciscana, foi o que foi.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Devem ter feito voto de pobreza...

Portugal é um país onde a esmagadora maioria da população, praticante ou não, professa uma qualquer religião. Ora, cuidava eu, que o objectivo de todos os crente seria alcançar o paraíso e que só a ideia de passar a eternidade no inferno era coisa para lhes provocar pesadelos. Mas, afinal, não. O pessoal odeia os que conseguem chegar ao paraíso e não se importa nada de viver no inferno. Se é assim em termos fiscais, se calhar também é no resto.


A divulgação, dias atrás, de um relatório a apontar para o crescimento das transferências para os chamados paraísos fiscais trouxe ao de cima, nomeadamente nas redes sociais e nalguns comentários na comunicação social, aquilo que de pior existe em cada um. A inveja, a maldade, a ignorância e a parvoíce. Entre outros. A generalidade ignora que esse dinheiro não é do Estado, que se trata de uma prática legal e que grande parte desse dinheiro foi transferido para países – a Suíça, por exemplo – cujo sistema bancário tem fama de ser bem mais fiável do que o nosso.


Acho inacreditável como é tolerada a apropriação pelo Estado da riqueza gerada pelas pessoas. O rendimento de qualquer investimento financeiro – sejam depósitos, certificados ou outros - é taxado em vinte e oito por cento. Isto, apesar de quase toda a gente ter depósitos a prazo que hão-de gerar um retorno qualquer, não indigna ninguém. As poupanças são, afinal, de quem? Com que legitimidade se apropria o Estado de uma parte significativa do proveito gerado por capital que já foi escandalosamente tributado quando ganho como rendimento do trabalho? Mas, claro, isto sou eu que não passo de um herege e não gosto de viver em permanente penitência.