segunda-feira, 22 de junho de 2020

Solidarizem-se, porra!

Passou pelos pingos da chuva uma proposta de criação de mais um imposto. Taxa Covid, propõem chamar-lhe e visará taxar os ricaços. Será, segundo a explicação avançada pelos seus proponentes, uma cena fofinha que abrangerá apenas quem tem muito graveto e que nada terá a ver com austeridade. Apenas solidariedade, esclarecem.


Não estivesse eu farto de ser solidário – ando a sê-lo para aí desde 2009 – e ainda era gajo para achar que se tratava de uma ideia simpática. Não soubesse eu que quem ganha pouco mais do que o salário mínimo já é considerado rico, talvez não me parecesse despropositada uma taxazinha qualquer que permitisse minorar o impacto da crise. Se desconhecesse a maneira como o Estado esbanja os recursos que nos saca, era capaz de acreditar que o produto do esbulho proposto não iria parar aos bolsos dos do costume. Fosse eu parvo de todo, talvez acreditasse que isso dos ricos pagarem a crise não acontece apenas no país das maravilhas.


Mas, confesso, essa cena da solidariedade agrada-me. É por isso que via com bons olhos um impostozinho qualquer sobre todos aqueles que se reformaram na casa dos cinquenta anos de idade – ou menos se tiverem sido políticos – e que levaram a reforma completa após trinta e seis anos – ou menos – de serviço. Era capaz de ser justo solidarizarem-se comigo que, após quarenta anos de trabalho, se me aposentar agora ficarei, de acordo com o simulador on-line da CGA, com  uma pensão de quatrocentos e trinta e oito euros e oitenta e um cêntimos. E é porque, parece, não pode ser menos.

domingo, 21 de junho de 2020

De volta à Figueira

Domingo, dia de sol e algum calor pareceram-me motivos mais do que suficientes para justificar uma ida à Figueira. Logo pela manhã – madrugada, quase – que a Figueira não é já ali. Se bem que, confesso, as expectativas não fossem as mais elevadas. Como, após chegado ao local, acabei por confirmar. Diria, até, que a viagem foi debalde. A passarada chegou primeiro e para eles não há cá essa cena do distanciamento social. Aquilo é tudo ao molho. Daí que o balde tenha voltado meio vazio. Ou meio cheio, dependendo do ponto de vista.


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sexta-feira, 19 de junho de 2020

É urgente financiar também a imprensa estrangeira...

Os países que reabrem as suas fronteiras estão a deixar de fora os portugueses. Não nos querem lá. Por causa do vírus chinês que não há maneira de nos largar, alegam. Coisa que, compreensivelmente, está a causar enorme irritabilidade no governo e na sua imensa legião de apaniguados nas redes sociais. De facto não se compreende como é que no estrangeiro não sabem do enorme sucesso que Portugal tem tido no combate à Covid. Um caso de estudo, até, tal é a eficácia que temos demonstrado na aniquilação do bicho. É o que dá esses decisores lá da estranja não verem os telejornais dos canais tugas. Nem, ao menos, lerem o Público.


Mas, por outro lado, não se percebe a irritação governativa. Vendo bem estas restrições até vêm mesmo a calhar. Assim, se ninguém nos quer receber lá fora, mais portugueses ficam cá dentro a gastar os euros que esbanjariam noutras paragens.


Mais parva ainda é a ideia de retaliar. Ou seja, não deixar entrar em Portugal os residentes em países que não deixam entrar portugueses. Parva e estúpida, acrescente-se. Principalmente agora, que andam os estarolas todos – inclusive o estarola-mor - entretidos na caça ao turista...

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Agricultura da crise

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Estamos em plena época de morangos. Estes não têm as dimensões gigantescas dos que se vendem nos supermercados e afins. Cá, na agricultura da crise, não se usam daqueles produtos esquisitos que fazem as coisas aumentar de volume. Nem de outras, a bem dizer. É que nem estrume, ou qualquer outra espécie de fertilizante, os desgraçados dos morangueiros apanham. Culpa do malvado compostor – oferta da empresa de gestão de resíduos da região – que parece ter uma fome absolutamente insaciável. Ando há seis meses a “alimentá-lo” e, para além de nunca mais ficar cheio, produzir um composto capaz de fertilizar o quintal afigura-se como uma realidade ainda distante. Por isso, para plantas que sobrevivem num solo de barro quase compacto, até estão muito bons.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Férias...

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Este não será um ano como os demais. Pelo menos relativamente aos idos, pois quanto aos vindouros é coisa a ver lá mais para diante. Pela primeira vez em muitos anos, férias, na verdadeira acepção da palavra e não apenas mera pausa laboral, nem vê-las. Mas nem tudo é mau. Já dizia a minha avó que o tempo é o que fazemos dele e tempo, no actual cenário, não será o que mais escasseia. Por mim aproveito o tempo para vivenciar novas experiências e as férias para me dedicar às artes. À pintura, nomeadamente. Ontem foi a sala.


 

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O capital é lixado. Mas a falta dele é pior...

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Desconheço em que tipo de sociedade prefere esta gente levar a sua existência. Não gostam, pelos vistos, do capitalismo. Qual é a alternativa que sugerem? A outra, a única conhecida por grande parte das gerações ainda vivas, revelou ser muito pior. Em todos os sentidos. E, por mencionar isso dos sentidos, basta ver em que direção correram as pessoas quando o muro de Berlim foi abaixo. Ninguém correu para o lado da pátria socialista. Pelo contrário.


Claro que tudo isso dirá pouco aos manifestantes que por estes dias conturbados aderem aos protestos da moda. Seja contra o for. Eles não querem o fim do capitalismo. Seriam incapazes de viver noutra sociedade. A prova disso é que não são conhecidos fluxos migratórios em direção a Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. O que é de estranhar. Não consta que por lá o capitalismo mate, seja racista ou rebente com o ambiente. Mas, provavelmente, só cá estão porque os aeroportos não há maneira de abrirem...

domingo, 14 de junho de 2020

E o nome das ruas, camaradas activistas?!

Ainda bem que cá pelo burgo não há daquelas estátuas susceptiveis de provocar nos delinquentes militantes das causas da moda, um sentimento de manifesto desagrado. Nem sei, ao certo, se por estas bandas haverá muita militância desta. Meia-dúzia deles, talvez. A maioria, acho eu, com idade para ter juízo – o que não significa que o tenham - e, talvez por isso, se limitem a escrever parvoíces no Trombasbook. Até porque pernas e mãos talvez já não possuam a desenvoltura que a tarefa de vandalizar exige.


Ruas com nomes de alegados qualquer coisa actualmente pouco valorizável pela esquerda, é que há umas quantas. Muitíssimas no país inteiro. O que nestes tempos, em que uns quantos alienados resolveram rever a história, constituirá, se calhar, ofensa suficiente para exigir uma revisão da toponímia nacional. Ficam é desde já avisados que se vão meter num sarilho. A começar pelo cartão do cidadão...

sexta-feira, 12 de junho de 2020

E os homens-estatuas, estarão seguros?

Fernando Medina, o “alcaide” de Lisboa, garante que “a melhor resposta aos vândalos é a limpeza”. Não, não é. Isso, quando muito, será um slogan publicitário pouco inspirado para vender um detergente qualquer. A melhor resposta aos indigentes mentais que andam a vandalizar património histórico, é outra. Todos sabemos qual. Algo parecido com uma tatuagem temporária no lombo desenhada à base de vara de marmeleiro, por exemplo. Esta malta não respeita os outros. Nem, menos ainda, o trabalho alheio. Por isso esperar que se sensibilizem por alguém limpar o que eles conspurcaram é simplesmente parvo.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Pássaros do sul

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Os especialistas da especialidade garantem que os pássaros estão a desaparecer dos campos da Europa. Um decréscimo, estimam, de cinquenta e cinco por cento nos últimos trinta anos. Não é que pretenda questionar a sapiência dos entendidos na matéria. Eles é que andaram a contar a passarada e, portanto, devem ter razão. Se calhar foram-se embora dos locais alvo do estudo – quiçá assustados com a presença dos especialistas da especialidade – e migraram para outro lado. Para perto de mim, no caso. É que, lamento contrariar as eminências que tão eminentes estudos elaboram, mas por cá há cada vez mais pássaros. São mais que muitos. O meu quintal, se falasse, não me deixava mentir. E as figueiras lá da fazenda, também não. Nunca, quer num ou noutro destes locais, vi tanto pássaro como nos últimos anos. De tal maneira que cerejas e figos, graças a esses terroristas alados que tudo devoram, poucos consigo colher. Este ano, pela amostra, nem os devo provar. Os sacaninhas nem esperam que fiquem maduros. Por mim, que não sou especialista da especialidade, garanto que essa bicheza não está reduzida a praticamente metade. Contas por alto é capaz é de ter aumentado para o dobro. Isto é como dizia a minha avó quando lhe anunciavam a inexistência de uma coisa qualquer. Retorquía sempre, “não há?! Não os procuram!”

quarta-feira, 10 de junho de 2020

A história repete-se. Sempre.

As modas vão e vêm. Agora é moda ser de esquerda. Também já foi pelo idos de 74 e 75 do século passado. Nomeadamente na comunicação social, era a porta-voz do PCP e demais grupelhos à sua esquerda, na rua, onde se sucediam manifestações, ocupações e arruaças diversas, ou nos cafés e outros sítios públicos, que eram as redes sociais da época. Os padres foram na altura, nomeadamente nas missas, dos poucos que ousaram levantar a voz contra a corrente que nos conduzia rumo ao glorioso socialismo. Uns reaças, os padrecas.


Recordo-me especialmente das manifestações. Aquilo era um mar de gente. Comboios, camionetas da carreira – sim, que autocarro era cena de lisboeta – e tractores das cooperativas da reforma agrária acarretavam manifestantes de todo o lado. Como na altura ainda não havia sondagens, existia a convicção – até mesmo entre os democratas - que o Partido Comunista teria uma fortíssima votação nas eleições para a constituinte. Só que não. Aquela chatice do povo fazer a cruzinha no boletim estragou tudo e reduziu o PCP à insignificância de doze por cento dos votos.


Por estes dias a história parece repetir-se. Mesmo que as causas sejam outras, a manipulação jornalística, as manifestações de rua e o domínio no campo da opinião expressa nas redes sociais são preocupantemente parecidas. Mas desenganem-se os manipuladores, os arruaceiros e outros que tais. Quando o povo for chamado às mesas de voto o resultado vai ser o mesmo de então. Serão reduzidos à insignificância. Habituem-se.

terça-feira, 9 de junho de 2020

A gorjeta

Nunca hei-de entender o conceito de gorjeta. Não me faz sentido. Escusado será escrever que não dou gorjeta a ninguém. Em nenhuma circunstância. Acho a ideia paternalista, por um lado – assim, tipo, ganhas pouco deixa cá compensar-te porque até foste um gajo porreiro - e, por outro, profundamente discriminatória. Que é, como estou farto de escrever, dos comportamentos que mais me irritam.


Diria, até, que no âmbito da gorjeta a discriminação está institucionalizada e é socialmente aceite. O que, obviamente, me parece mal. Muito mal. Dar gorjeta a um barbeiro ou a um empregado de mesa é comummente aceite. Toda a gente o faz. Mesmo que o cliente saia da barbearia com um corte de cabelo de meter medo ao susto ou a refeição provoque daí por umas horas uma realíssima caganeira. Já à senhora que nos renova o cartão do cidadão ou ao funcionário que nos trata da licença do canito, por mais simpáticos que se revelem, nem pensar em dar gorjeta. E ainda bem. Fazê-lo seria até considerado crime, ou coisa parecida. Mesmo que, se calhar, estes últimos aufiram um vencimento mensal muito próximo daquele que recebem os primeiros.


Cada um ganha o que negociou com o patrão, ou seja lá o que for. Se está mal muda-se, como diria a minha avó. Mas a sociedade aceitar de bom grado arredondar o vencimento de uns e achar que outros, apesar de igualmente pobres, são uns mandriões e “já têm muita sorte em estar ali” é, digo eu, de uma profunda hipocrisia. Deve ter algo a ver com aquele conceito, geralmente detestável, da pobreza engravatada…

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Agricultura da crise

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Este fim de semana foi tempo de arrancar os alhos. Uma colheita, digamos, bastante razoável. Quer em quantidade quer em qualidade. Face, evidentemente, ao reduzido espaço disponível para a sementeira e ao número de dentes semeados. Dará para umas quantas açordas, penso eu de que.

domingo, 7 de junho de 2020

Quem defende o desconfinamento é fascista? Bom, depende...

Se há coisa que me deixa completamente fora de mim e com os níveis de irritabilidade capazes de estourem a escala de qualquer “irritometro” é alguém, fora da minha área profissional, colocar sistematicamente em causa o meu trabalho ou a maneira como o organizo. Daí que as medidas preconizadas pelos técnicos de saúde e implementadas pelos políticos no combate ao vírus chinês, não me tenham suscitado grandes reservas. Eles lá saberão. Foi para isso que estudaram, ocorreu-me na altura.


Hoje continuo a pensar assim. Algum bom motivo haverá para cafés, restaurantes, esplanadas e afins terem sido encerradas ou, como agora, abrirem com fortíssimas restrições. Mesmo que não aglomerem mais do que vinte ou trinta gatos pingados. Para não falar de gente mandada para casa durante semanas, só porque trabalhava num espaço onde se aglomerava uma multidão de mais duas ou três pessoas. Um perigo, parece. Percebo, também, que jogos de futebol ou de outra modalidade qualquer representem uma ameaça inusitada à saúde pública. Tal como ir à praia. Diz que se juntar muita gente na areia aquilo é do piorio. Acredito, igualmente, na perigosidade que seria para o bem estar – nomeadamente do boi – se fosse autorizada a realização de touradas.


É por tudo isso que percebo o incomodo por causa das aglomerações de gente autorizadas noutros países. Refiro-me, naturalmente, ao Brasil e aos EUA cujos presidentes devem, segundo alguns, ser acusados de crime contra a humanidade por rejeitarem a política de confinamento. Surpreende-me, até, que ainda não tenham convocado uma manifestação a exigir a condenação desses dois tratantes. Sim, que isto não se pode ser complacente com gente que promove, permite ou tolera ajuntamentos. Dizem os especialistas da especialidade e eu, obviamente, acredito.

sábado, 6 de junho de 2020

O lixo dos finórios

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Na zona servida por este conjunto de contentores e ecopontos residem - para além de uns quantos energúmenos como eu - doutores, engenheiros, professores e outra malta relativamente distinta. Mas não parece. Será tudo muito instruído, culto, viajado e o que mais quiserem em matéria de evolução humana mas, mesmo assim, não conseguem fazer aquilo que desde há muito tempo, segundo a publicidade da época, até um macaco conseguia. Separar o lixo e depositá-lo no sitio certo. Das duas uma. Ou são mais parvos do que um símio ou mais preguiçosos. Ou ambas. Voto na terceira.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Por andavam os "colectivos" quando mataram o ucraniano?

Estão convocadas para este fim de semana diversas manifestações em vários pontos do país. Contra o racismo, alegam os seus mentores. Na maioria “colectivos” , associações e gente mal parecida em geral. Não que ache mal que esta malta manifeste a indignação que lhe assiste por causa do assassínio de um homem às mãos da polícia, num país do outro lado do mar. Nada disso, acho até muito bem que exerça esse seu direito. O que me desagrada é a selectividade do aborrecimento. Ainda um dia destes aconteceu um caso idêntico, pelo menos no desfecho, em território nacional sem que o caso suscitasse este regabofe. A diferença estava apenas na cor da pele. Para mim um detalhe absolutamente irrelevante, mas, se calhar, para esta gentinha, é mais importante do que as vidas que se perdem. Uma questão de agenda, certamente.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Pobretes, alegretes e outros desconfinados.

Esta cena do vírus chinês está a dar a volta à mioleira de muito boa gente. Desde o pacato cidadão, que antes até parecia uma criatura normal, à classe política. É cada um pior que o outro. Mesmo o primeiro-ministro, que me parecia dos poucos com juízo no meio disto tudo, começa a dar mostras de já estar a variar. Hoje, no parlamento, rejeitou liminarmente a criação de um cerco sanitário na zona de Lisboa. Seria, acrescentou, uma medida discriminatória. Não consta que tenha tido esse tipo de preocupação quando impôs idêntica medida em Ovar e num concelho da Madeira. Se calhar, para resolver o problema da discriminação, o melhor será declarar um cordão sanitário ao resto do país. Assim como assim é só paisagem.


Mas, nisto da maluqueira, os portugueses não estão melhores. Diz que são festas do desconfinamento até mais não. Parece que há até quem faça centenas de quilómetros para ir a uma dessas festanças. E depois, naturalmente, fique “covidado”. O estranho desses festejos é que, muitos deles, ocorrem em bairros ou zonas usualmente designadas como “socialmente desfavorecidas”. Onde, garantem os especialistas da especialidade, há desemprego, miséria e fome. Tudo em simultâneo, presumo. Não vou, naturalmente, discordar quanto aos fracos recursos desses pândegos. Só me questiono, se vivendo na penúria fazem festarolas de arromba, o que seria se estivessem cheios de guito.




domingo, 31 de maio de 2020

Coisas da "covida"...

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(Imagem escolhida aleatoriamente para ilustrar o texo e que nada tem a ver com o mesmo)


Com o confinamento o país descobriu o teledescanso. Nalguns sectores – públicos, está bem de ver – foi um fartote. Bom, fartote é uma maneira de dizer. Muitos daqueles – e daquelas que eu não sou de discriminações – que estiveram largas semanas de boa-vida não estarão especialmente fartos. Nem, se calhar, reconhecidos aos que tiverem de continuar a bulir para que, entre outras coisas, o vencimento lhes continuasse a cair na continha no final de cada mês.


O resultado da mandriice colectiva é o que hoje, numa passeata qualquer, podemos observar. Até os gajos que cortam ervas estiveram, alegadamente, a trabalhar à distancia. A partir de casa, provavelmente. Outros – há quem garanta, mas eu disso nada sei – terão estado a teledescansar “teletrabalhar” nas suas profissões, mas terão feito as “horinhas extra do costume”, num “trabalho” presencial fora da sua especialidade, para arredondar o ordenado. O mesmo ordenado que, apesar de não bulirem uma palha, nunca lhes foi cortado. Nem num cêntimo.

sábado, 30 de maio de 2020

Pobreza bloquista

Haverá, certamente, muitas formas de pobreza. Tantas quantas quisermos, a bem dizer. O BE descobriu – ou inventou – mais uma. A pobreza menstrual. Seja lá isso o que fôr. Vai daí, propôs na AR que os produtos de saúde menstrual sejam distribuídos gratuitamente.


Não me vou pôr para aqui a divagar acerca da pertinência do assunto. Nem, tão-pouco, quanto à parte do gratuito. Não vale a pena. Até o meu gato imaginário percebe que nada daquilo que o Estado faculta aos cidadãos é à borla. Alguém o paga. Só gente ignorante ou intelectualmente manhosa pensará o contrario.


O meu desacordo é, mais uma vez, em relação à discriminação. E esta ideia do Bloco é manifestamente discriminatória em relação a outros tipos de pobreza. E, assim de repente, ocorrem-me vários. A começar pela pobreza fiscal, sem que o BE proponha a redução do IRS sobre os trabalho; A pobreza auditiva, não consta que o SNS distribua aparelhos para melhorar a audição; A pobreza oftalmológica, a comparticipação nos óculos é ridícula; A pobreza dentária, num país de gente desdentada próteses ou implantes dentários são quase inacessíveis a quem tem menos posses. Entre muitas outras pobrezas que agora não me ocorrem. Nem ao BE.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Dantes chamava-se censura. Exame prévio, ou lá o que era...

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Em nome do combate às noticias falsas, da defesa da democracia e do que mais calha têm sido muitos os cartilheiros, maioritariamente de esquerda que pululam pelos meios de comunicação social, a insurgirem-se pela falta de controlo das redes sociais. A liberdade de expressão é muito bonita mas cada um escrever o que pensa, nomeadamente quando não concordamos, é uma chatice. Mata os regimes democráticos, dizem. Parece que até alimenta monstros que todos gostaríamos estivessem definitivamente enterrados, também já ouvi dizer.


Donald Trump, na sequência de uma birra com o Twitter, acaba de assinar um decreto que permite às agências federais norte-americanas regularem o conteúdo publicado em plataformas das redes sociais. Em defesa da liberdade de expressão, conforme garantiu. Não espero que os notáveis comentadores das nossas televisões venham a público manifestar o seu entusiasmo por esta iniciativa. Hão-de arranjar um argumento qualquer para se contradizerem. Já estamos habituados a isso. Afinal, como sempre escrevi, a diferença entre eles e Donald Trump é muito pouca. Está apenas no poder, no dinheiro e, concedo relativamente a alguns, na educação. No resto são iguais. 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Algibeiras rotas e marmitas vazias

Esta pode ser um crise diferente da anterior. Para pior, provavelmente. Por muitas razões. Na outra, pelo menos, havia para onde emigrar. Bazar daqui para fora não será, desta vez, opção com muita viabilidade.


O que me parece exactamente igual é a inconsciência de muita gente. De algumas vitimas da crise, nomeadamente. Percebo que perder o emprego é um drama. Tal como é dramático, assim de repente, ver os rendimentos mensais diminuírem ou deixarem de existir de todo. Mas, c’um caraças, assim de um momento para o outro, só pela falta de um terço do ordenado, já não haver dinheiro para comer parece-me um bocadinho de mau governo.


Ao fim de menos de um mês – que isto não é de agora - já havia gente a garantir que passava fome. Das mais variadas profissões. Desde artistas sem poder exercer a sua arte a gente que nem desempregada está. Apenas em lay off. Compreendo que, para o nível de vencimentos praticados por cá, fazer poupanças não é fácil. Mas, que diabo, para quem passou há tão pouco tempo por uma crise, não era para ser ligeiramente mais precavido? Menos viagens, menos comida encomendada ou menos tecnologia de última geração eram capazes de ter dado uma ajuda.


Compreendo e lamento, reitero, todos os azares e dificuldades que muitos portugueses estão a passar. Mas, como também escrevi na outra crise, um pacote de massa custa vinte e dois cêntimos e um frango mal chegará a dois euros. Tomara eu, aqui há cinquenta anos, apanhá-los.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Afinal... o tamanho importa!

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Em matéria de Covid – e nas outras também - os especialistas da especialidade são gajos para dizerem uma coisa agora e o seu contrário daqui a bocado. Por isso o melhor é aproveitar já, antes que outro estudo venha desmentir este ou provar exactamente o oposto.


Parece que isto dos dedos é uma cena muito importante. Nomeadamente no que diz respeito ao tamanho. Diz que, no caso do vírus chinês, importa. Mas, apenas, relativamente aos homens. Estaremos, se calhar, na presença de um vírus sexista. Seja como for, neste ponto, cumpro o requisito. Aguardemos, ansiosamente, o desenvolvimento de novos estudos que analisem a relação entre o risco e outras características físicas...


 

terça-feira, 26 de maio de 2020

Calosidades populistas

Tenho pouco apreço por populistas. Detesto, igualmente, práticas discriminatórias. Mesmo quando esta manigância da discriminação é praticada em relação aos populistas. Por estas e por outras, de tanto manejar o comando para mudar de canal televisivo, estou prestes a ficar com o polegar mais calejado do que o cú de um macaco velho. Aquilo não se aguenta. Populistas como Trump, Bolsonaro e Marcelo dominam os noticiários. Nenhum deles pode largar um peido sem que as televisões gastem incontáveis minutos a analisar o traque. Concluindo, inevitavelmente, pelo odor insuportável dos primeiros e o aroma refrescante do último.


Também a procura de noticias provenientes de outras paragens está a contribuir para a dita calosidade. Não é por nada em especial, mas tenho alguma curiosidade em saber como está aquilo na Bélgica. Onde, diz, a mortalidade devido ao covid, por milhão de habitante, bate todos os recordes e, ao contrário do que dos querem fazer crer, supera largamente os EUA e Brasil juntos. Tal como me sinto levemente curioso em relação a Espanha. Que, embora não pareça, é aqui mesmo ao lado e não do outro lado do mar. Até porque, parece, há cada vez mais gente com vontade de ver o governo socialista/comunista pelas costas. A menos que os detentores da verdade que interessa tenham decretado que tudo isso não passa de fakenews.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O ecoporco

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Disse um dia um homem sábio – eu, hoje pela hora de almoço – que nenhum porco é feliz sozinho. Precisa de outros porcos. Daí que o melhor é ter atitudes a atirar para o javardote, para que outros o imitem e contribuam para aumentar a porcaria. Nem que sejam forçados a isso.


É o caso da foto. O eco-ponto está praticamente vazio mas, ainda assim, há quem insista em colocar o lixo no chão. Pior, bloqueando o acesso ao contentor e forçando a que outros tenham de, também eles, deixar os resíduos fora do dito.


A criatura que tem este comportamento – reiterado, já não é a primeira vez – manifesta ainda uma total desconsideração pelas pessoas que fazem a recolha dos resíduos. Deve pensar que são criados dele e que têm obrigação de aturar as suas javardices pseudo-ecologicas.

sábado, 23 de maio de 2020

É o bicho, é o bicho...

Estudos há muitos e inquéritos também. Sobre assuntos sem interesse nenhum, a maioria e que não servem para coisa nenhuma, quase todos. A não ser, como um publicado um dia destes, que conclui serem os portugueses um povo com notória carência de juízo. Embora isso não constitua novidade. A popularidade do professor Marcelo já é sintoma mais do que evidente que gente ajuizada não abunda por estas bandas.


Segundo o tal estudo – inquérito, ou lá o que era – mais de sessenta por cento dos inquiridos – portugueses, com capacidade eleitoral e tudo – entendem que matar uma borboleta ou uma cobra é motivo suficiente para ir parar à prisão. Quanto a uma mosca ou uma minhoca, não sei qual a douta opinião manifestada pelos auscultados. O que sei é que, neste ponto, essa gentinha não difere muito de um tal Ventura. O que me faz espécie é que estas conclusões não causem nenhum nível de preocupação. Nomeadamente entre os que se preocupam com o radicalismo e a intolerância do discurso do outro espécime.


Longe vai o tempo em que um determinado partido – o PS, de Guterres - tinha por slogan “as pessoas primeiro”. Hoje, repeti-lo, seria condenável. Depois queixem-se.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Teletrabalho, o limite é a imaginação. Ou talvez mais além...

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Longe mim – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus cruzes canhoto, t’arrenego Belzebu – estar para aqui a congratular-me com o surgimento do Covid-19. Era o que mais faltava. Isso é coisa para malucos como Lula da Silva e, se calhar, para a sua vasta legião de seguidores. Admito, no entanto, que desta pandemia sairão inúmeras inovações, oportunidades e soluções que poderão constituir motivo para nos congratularmos. Nomeadamente no sector tecnológico e no modo como nos relacionamos com o trabalho.


Se calhar serei demasiado optimista mas, acredito piamente, o número de trabalhadores em teletrabalho terá um aumento exponencial. Com os ganhos daí resultantes. Para todos. Pode ser, embora aí o meu nível de optimismo seja ligeiramente inferior, o principio da recuperação dos territórios do interior. Muitos não terão necessidade de viver nas mega-aglomerações do litoral e poderão rumar a outras paragens. Menos caras, nuns casos, e com mais qualidade de vida, noutros.


Os cépticos não partilharão do meu entusiasmo com a possibilidade de colocar meio mundo em teletrabalho. Terão as suas razões. Muitas e todas legitimas, concedo. Mas concordo com poucas. Se a administração pública, durante esta pandemia, até conseguiu colocar jardineiros, canalizadores, eletricistas, empregadas de limpeza, pedreiros e mais um sem fim de outros misteres em teletrabalho, melhor conseguirá qualquer outra instituição que utilize a tecnologia como ferramenta de trabalho.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Que mal tem um ordenado chorudo?

Tendo a apreciar aumentos salariais. É cá uma mania minha. E se a melhoria for significativa então, por maioria de razão, ainda gosto mais. Se chegar a valores como, por exemplo, setenta e cinco por cento, aí, é o delírio. O êxtase, até.


Daí ter imensa dificuldade em assimilar o motivo que leva tanta gente a indignar-se com o vencimento dos gestores do Novo Banco e, nomeadamente, o acréscimo de que terão beneficiado nos últimos anos. Ainda bem que os cavalheiros têm um ordenado jeitoso. Pena que não haja mais gente a ganhar o que eles ganham ou, pelo menos, a beneficiar de idêntica generosidade da entidade patronal na hora de decidir os aumentos.


Se calhar o que falta neste caso, atendendo ao que a opinião pública julga saber, é a penalização adequada. Mas resolver isso até está nas mãos de alguns que se indignam com os valores que aqueles senhores auferem. Não me parece que seja difícil incluir, em sede de IRS, uma taxa – de noventa por cento, vá, que hoje estou bem disposto – a incidir sobre prémios, aumentos de ordenado ou outras liberalidades atribuídas a gestores de empresas beneficiadas, directa ou indirectamente, por apoios do Estado. Há anos que o deviam ter feito. Nunca houve, nem há agora, é vontade para isso. É que isto ora se é governante, ora se é gestor...

segunda-feira, 18 de maio de 2020

No melhor cartaz cai a nódoa...negra!

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São raras as circunstâncias em que concordo com aquela tropa fandanga. Mas, desta vez, tem o Bloco de Esquerda toda a razão naquilo propala num dos seus mais recentes cartazes. Ninguém pode ficar para trás. A menos, claro, que não tenha grande vontade de seguir em frente.


Só há naquele cartaz uma coisa que me incomoda. Uma coisinha de nada, diria, mas que me está cá a moer. Não aprecio nadinha o facto da figura que, aparentemente, será uma técnica de limpeza ser representada por uma mulher negra. Não havia necessidade de contribuir para a perpetuação do estigma. Fosse aquilo um cartaz do Chega e quase me cheirava a racismo, discriminação, machismo e outros odores a atirar para o pestilento.

domingo, 17 de maio de 2020

São impostos fofinhos, de certeza...

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Manifestações a exigir a demissão de governos apoiados por partidos de esquerda nunca constituem noticia na comunicação social lusitana. Excepto, mas isso é por outras razões, se ocorrerem na Venezuela. Tirando essa excepção, para os jornaleiros portugueses o povo pretender deitar abaixo um governo de esquerda é uma impossibilidade prática.


Esta ausência de noticias já foi assim em relação à Grécia e é agora relativamente a Espanha. As manifestações populares – acho que é assim que se designam usualmente – de protesto contra o governo socialista/comunista espanhol sucedem-se, mas, por cá, nem um pio. Tal como se multiplicam os actos de protesto da população contra o confinamento. Sem que, deste lado da fronteira, isso seja noticiado. Nem, sequer, ridicularizado. Já as manifestações dos que exigem o mesmo no Brasil e nos States, essas sim, é que não passa telejornal sem que nos sejam exibidas. Critérios. De alto rigor jornalístico, presumo.

sábado, 16 de maio de 2020

O sábado do nosso contentamento

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Diz que o primeiro ministro andou hoje pelas ruas de Lisboa a incentivar os portugueses a sair de casa. Fez bem, o homem. Há que voltar rapidamente e em força à normalidade antes que seja a cura a matar-nos. É que, a não ser assim, ainda nos arriscamos ouvir ao Costa algo parecido àquela frase do ditador Oliveira, nos tempos que se seguiram à segunda guerra mundial. “Livrei-vos da guerra, mas não vos posso livrar da fome”, garantia, nessa época, o Botas. No caso presente, do vírus chinês.


Por cá foi o segundo sábado de relativa normalidade, com parte do mercado reaberto. Por enquanto ainda não é o mesmo. Estão lá as frutas, os legumes e tudo o resto. Faltam os visitantes que transformavam a manhã deste dia no mais movimentado da semana. E as rotinas, também. Ir ao mercado e não beberricar o costumeiro cafezinho é mais doloroso do que uma semana de confinamento. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Hipocondríacos seletivos

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Acho piada aquela malta que faz cenas esquisitas com os bichos. Entenda-se - por cenas esquisitas – dormir com eles, dar-lhes beijos, partilhar comida e outras patetices modernas. Gente que, ao mesmo tempo, manifesta um pavor de morte – próximo da paranoia, diria – com o vírus chinês que anda por aí. O medo é tanto que, pasme-se, algumas dessas criaturas se acham no direito de ficar em casa, sem trabalhar, mas mantendo o direito ao ordenado. Nomeadamente funcionários públicos, que aos privados o patronato capitalista e explorador trata de acertar o passo a quem se dá a esses devaneios.


Mas, escrevia, há quem passe o tempo a desinfetar-se, só retire a máscara para comer e mude de passeio ao vislumbrar outro transeunte. Depois, se calhar, dorme com o bichano que passou o dia a escarafunchar no caixote do lixo. Que é, de certeza, um sitio onde vírus e outras cenas igualmente maléficas não entram.