quarta-feira, 10 de junho de 2020

A história repete-se. Sempre.

As modas vão e vêm. Agora é moda ser de esquerda. Também já foi pelo idos de 74 e 75 do século passado. Nomeadamente na comunicação social, era a porta-voz do PCP e demais grupelhos à sua esquerda, na rua, onde se sucediam manifestações, ocupações e arruaças diversas, ou nos cafés e outros sítios públicos, que eram as redes sociais da época. Os padres foram na altura, nomeadamente nas missas, dos poucos que ousaram levantar a voz contra a corrente que nos conduzia rumo ao glorioso socialismo. Uns reaças, os padrecas.


Recordo-me especialmente das manifestações. Aquilo era um mar de gente. Comboios, camionetas da carreira – sim, que autocarro era cena de lisboeta – e tractores das cooperativas da reforma agrária acarretavam manifestantes de todo o lado. Como na altura ainda não havia sondagens, existia a convicção – até mesmo entre os democratas - que o Partido Comunista teria uma fortíssima votação nas eleições para a constituinte. Só que não. Aquela chatice do povo fazer a cruzinha no boletim estragou tudo e reduziu o PCP à insignificância de doze por cento dos votos.


Por estes dias a história parece repetir-se. Mesmo que as causas sejam outras, a manipulação jornalística, as manifestações de rua e o domínio no campo da opinião expressa nas redes sociais são preocupantemente parecidas. Mas desenganem-se os manipuladores, os arruaceiros e outros que tais. Quando o povo for chamado às mesas de voto o resultado vai ser o mesmo de então. Serão reduzidos à insignificância. Habituem-se.

8 comentários:

  1. Nem mais
    Aqui é igual ... estão em todo o lado a defender os pobres e oprimidos.
    Nos votos é o que se sabe!


    Beijinhos Kruzes
    Feliz Dia

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  2. Anónimo2:26 p.m.

    Sinto que o PCP irá ter o pior resultado da sua história.
    Culpas próprias, principalmente, virtudes alheias, algumas.

    Cumprimentos, caro KK.
    Ass: O António

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  3. Uma chatice, essa coisa de ser o povo a escolher...

    Bom feriado, Luísa!

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  4. Acredito que sim. Mas, quando escrevi o texto, estava mais a pensar nos grupelhos que cavalgam sempre a causa da moda. Seja o racismo, a ocupação de casas ou o que mais calhar. Como, por exemplo, o Bloco de Esquerda. O PCP, nesse aspecto, aprendeu a lição...É que depois dos ajuntamentos do fim de semana passado desconfio que o número de admiradores do discurso do Ventura subiu exponencialmente...

    Cumprimentos, caro António.

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  5. " o número de admiradores do discurso do Ventura subiu exponencialmente..."

    Disto tenho eu receio,também.

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  6. Sobre esta juventude [que vai até aos quarentas], vi no blog Corta-Fitas uma opinião de Caetano Veloso, em 15 de Setembro de 1968.
    Vale a pena.

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  7. "Matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem". Tenho pena de não ter sido eu a dizer...

    Cumprimentos

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