Nesta
viela quase não entra o sol. Ou, a entrar, os seus raios não
impedirão que a rua tenha sombra durante quase todo o dia. Mas o
quase não chega ao automobilista extremoso e cioso com o conforto do
seu carrinho. Desconfio que um dias destes, se é que não o fez já,
ainda arranja maneira de mesmo em viagem continuar a manter o popó
ao abrigo da inclemência do astro-rei. Com uma sombrinha daquelas
grandes acoplada ao tejadilho, por exemplo. Ou de outra forma
igualmente parva...
domingo, 1 de setembro de 2013
sábado, 31 de agosto de 2013
O contributo dos portugueses para o senhor Carreira já irá em mais de um milhão de euros
A
contratação de espectáculos com o Tony Carreira surge sempre, aqui
pelo Kruzes e não só, como mau exemplo do esbanjamento de dinheiros
públicos. De tal maneira que já por aqui tive leitores – no caso
foram mais leitoras – a insurgirem-se contra aquilo que
classificaram de obsessão da minha parte relativamente aos gastos
com a criatura em questão. Contra os quais nada tenho, como também
já tive ocasião de referir, se forem feitos por agentes privados.
Outros,
nomeadamente gente que se preocupa com isso do esturrar dinheiro público de forma inglória, têm a mesma opinião. Nada que
interesse muito a quem procura angariar votos “entre as fêmeas lusas das classes D e E”. Quem quiser seguir os links pode
confirmá-lo.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
40 horas e um feriado. Pelo menos.
A
vontade de voltar ao assunto não era grande mas a recente publicação
da lei que prolonga o horário de trabalho na função pública para
as oito horas diárias reacendeu a minha indignação acerca do tema.
Continuo a achar esta medida inútil, geradora de maior despesas de
funcionamento e que em nada beneficiará os contribuintes. Mas disso
já dei conta noutros posts pelo que não vou maçar que me lê com a
repetição dos meus argumentos.
Prefiro,
desta vez, dedicar uma palavra para aqueles que rejubilam com a
imposição deste horário aos funcionários públicos. Rejubilem
enquanto podem. Porque também rejubilaram quando perdemos os
subsídios de férias e de Natal, lembram-se? E não se esqueçam
que, adaptando à ocasião o que dizia o outro, nenhum trabalhador é
uma ilha. Não se admirem,
por isso, que as consequências do que agora aplaudem se repercutam,
mais cedo do que tarde, em vossemecêses.
A
propósito e como isto anda tudo ligado, ainda que ninguém –
pelo menos que me tenha apercebido - falasse no assunto mas, se é
que estou a ler bem, a lei agora publicada pode também ter acabado
com o feriado de terça-feira de Carnaval. Diz lá, a páginas
tantas, que “ A observância dos feriados facultativos previstos
no Código do Trabalho, quando não correspondam a
feriados
municipais de localidades estabelecidos nos
termos da lei aplicável,
depende de decisão do Conselho
de Ministros, sendo nulas as
disposições de contrato ou
de instrumento de regulamentação
coletiva de trabalho
que disponham em contrário”. Ora se isto
não se destina a colocar um ponto final nas manigâncias que, um
pouco por todo o lado, iam permitindo contornar a decisão do governo
de não conceder tolerância de ponto pelo Carnaval, então não sei
para que serve.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Chumbo qualificado
A
reacção do PSD, pela voz de um ex-lider e ex-primeiro ministro, ao
chumbo da lei dos despedimentos dos funcionários públicos pelo
Tribunal Constitucional é assaz curiosa. Diz o cavalheiro que “é
preferível despedir funcionários a reduzir prestações sociais”.
Hesito quanto a isso. Dependerá dos funcionários a mandar para o
olho da rua e de quem recebe os apoios do Estado. Mas para o PSD não
será assim. Para os laranjas é melhor correr com trabalhadores, mandriões ou não, do quer deixar de pagar prestações
sociais a reformados ricos que pouco ou nada contribuíram para a
segurança social, a ciganos e a drogados. Escolhas. Cada um fará a
sua. E o PSD, pelos vistos, já escolheu a sua base social de apoio.
Convinha
que quem elabora os programas eleitorais fosse politicamente honesto.
Era igualmente de bom tom, antes de prometer fosse o que fosse,
tentar perceber quanto custaria o cumprimento das suas promessas.
Melhor ainda seria perceber se o Município a que se candidata tem ou
não margem financeira que permita, uma vez eleito, realizar, no todo
ou em parte, o programa com que se apresenta aos eleitores. Ou, em
alternativa, anunciar onde pensa arranjar o dinheiro para financiar a
implantação das suas ideias. Convir, convinha. O pior é que poucos
- e, se calhar, estou a ser optimista - o farão.
É
por isso que, por melhores e mais merecedoras de aplausos que sejam
as intenções dos candidatos, propostas deste tipo não podem ser
levadas a sério. No caso em apreço, de acordo com os documentos de
prestação de contas de 2012, este município arrecada uma receita
anual que não atinge os dezanove milhões de euros. Ostenta, no
mesmo período, uma divida a fornecedores que vai para lá dos vinte
e dois milhões e empréstimos que quase chegam aos dezoito milhões
de euros.
Perante este números parece difícil alguém acreditar na
concretização daquelas propostas. Dá mesmo para desconfiar que
aqueles que as fazem não conhecem a realidade financeira da
instituição que pretendem governar. Ou então acham que podem,
impunemente, não pagar a divida. Mas se acham isso é por que são
ignorantes. É que o mundo mudou, ainda que alguns não tenham dado
conta.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Confusões que ninguém acha útil explicar
A
noticia que ontem ocupou grande parte dos noticiários e esteve em
destaque em toda a imprensa é mais um exemplo da forma enviesada de
comunicar do executivo, da ainda pior qualidade da informação que
por cá se pratica e do oportunismo politico que se faz em torno de
um qualquer não assunto. Tudo junto.
Dizia-se
que o governo teria impedido as universidades de se financiarem com
receitas próprias. O que, está bem de ver, seria uma estupidez que
a ninguém ocorreria por mais desmiolado que seja. E nesse âmbito
estamos bem servidos em termos governativos.
Afinal
o que estava em causa era que previsão da receita própria a
inscrever no orçamento para 2014 não podia ser superior à receita
cobrada em 2012. O que indiscutivelmente é uma medida do mais
elementar bom senso e uma regra fundamental para evitar que a sobre
orçamentação conduza ao aumento do endividamento. Podiam ter
explicado, nem sei por que ninguém o fez, que uma coisa é o que se
prevê cobrar e outra, raramente coincidente, o que efectivamente se
cobra. Um previsão de 100 nada impede uma cobrança de 200. Ou o
contrário. Parece, até para um jornalista, não ser uma coisa muito
difícil de entender.
Quanto
a mim – mas isso deve ser da minha visão distorcida destas
matérias – o que estará em causa será algo completamente
diferente. O governo pretende, com este tipo de restrição
orçamental, forçar as entidades públicas a despedir funcionários.
Obrigar, do lado da receita, a um orçamento igual a 2012 quando, na
despesa, é necessário acomodar mais dois meses de vencimentos e o
aumento de 18,75% nas contribuições para a CGA é um exercício de
quase impossível resolução que outro objectivo não pode ter que a
redução de efectivos. Mas isso não convém que se saiba.
Principalmente em vésperas de eleições.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Que nem uns nem outros cheguem ao céu...
Ao
que consta esta magnifica avenida, recentemente construída onde
antes passava a linha do caminho de ferro, será o paraíso dos
aceleras locais. Diz que se faz por ali, de quando em vez, um ou
outro teste à potência dos motores e à sua capacidade de aceleração. Coisas de malta extremamente inteligente que, aproveitando os mais de mil metros do percurso, gosta de pôr à prova a sua viatura e a capacidade de a conduzir a elevada velocidade. Dizem, repito,
porque dessas aventuras nada sei. O que sei, relativamente a este
espaço, é que será uma pena se algumas vozes que “exigem” a
colocação de bandas sonoras ao longo da via “chegarem ao céu”.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Quando dar a cara não significa ter coragem
A
morte de António Borges suscitou, entre os amigos, correlegionários,
compangnons de route e políticos em geral, as reacções
habituais nestas circunstâncias. O elogio do carácter, competência,
a inteligência e a frontalidade com que se exprimia, são realçados
unanimemente.
Nunca
gostei das ideias que o falecido não se cansava de considerar como
imprescindíveis para solucionar os problemas do país. O que,
obviamente, não exclui o reconhecimento pelas qualidades que
eventualmente o senhor possa ter tido em vida. Até porque outros, de
certeza tão inteligentes, competentes e de igual verticalidade de
carácter têm, sobre os mesmos assuntos, ideias completamente
diferentes.
O
que acho de todo deplorável são os comentários abjectos, nojentos
e reveladores do baixo nível intelectual de muitos utilizadores das
redes sociais. Nomeadamente nas caixas de comentários de blogues e
nessa parede de casa de banho pública dos tempos modernos que dá
pelo nome de facebook.
Não
apreciar as ideias do economista e manifestar o desacordo em relação
a elas é legitimo, mas escrever o que muita gente com idade para ter
juízo anda por aí a publicar acerca da morte do homem é para lá de lamentável. Alguns são
os mesmos que não se coíbem de criticar “os que não têm coragem
de dar a cara e se escondem cobardemente atrás do anonimato”. Por
mim hesito na escolha. Não sei se é pior um anónimo cobarde se um
cobarde sem vergonha de mostrar as suas ventas de javardo.
domingo, 25 de agosto de 2013
Vespas enormes!
Não
gosto do aspecto deste bicho que hoje aterrou no meu quintal. Verdade
que nada percebo de entomologia mas, assim à primeira vista, o
insecto que abati não parece uma vespula vulgaris. Não ouso
afirmar que o ameaçador himenóptero é um exemplar da tão temida
vespa assassina – até porque nunca vi nenhuma - mas que, enquanto
viva, a sua presença era um pouco inquietante lá isso era.
Hoje, em Lisboa, é dia de brincar aos bombeiros
O
país está a arder. Enquanto isso, em Lisboa, assinala-se mais um
aniversário do incêndio do Chiado. Com mobilização de meios de
combate a incêndios, bombeiros e tudo o mais que pareça relacionado
com a efeméride. É a dinâmica do poder local no seu melhor.
Entretanto a paisagem que vá ardendo...
sábado, 24 de agosto de 2013
O homem é um santo!
Luís Filipe Meneses terá dado dinheiro a uma velhinha.
Nada de especial. A intenção terá sido, segundo os apaniguados que já vieram em
defesa do homem, auxiliar a idosa a pagar as rendas em atraso. Um coração de
manteiga, este LFM. Um poço de generosidade. Um filantropo incapaz de resistir
às dificuldades evidenciadas pelos eleitores. Tudo o que um autarca deve ser,
portanto.
Este tipo de atitude não é novo. É mesmo muito comum em
período eleitoral. Tanto que não suscita entre a generalidade dos portugueses uma
reacção demasiado crítica. Pelo contrário, não falta gente, dentro e fora da
classe política, a considerar que o candidato não fez nada de mal e que se
tratou apenas de um acto de carácter humanitário. Eu também manifesto a minha
compreensão para com este comportamento. Ou para com outro qualquer. Em lugar
da velhinha até podia ter investido o dinheiro a comprar o voto de uma
prostituta auxiliado uma prestadora de serviços de carácter sexual com
manifesta falta de clientes e notória dificuldade em regularizar as contas.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Já não há propaganda como havia antigamente...
A
Comissão Nacional de Eleições estará a colocar diversas
restrições ao uso das novas formas de comunicação, para fins de divulgação de propaganda eleitoral. A ideia
pode, até, consubstanciar um conjunto de boas intenções. O pior é
que este organismo do Estado – que, se calhar, nem se
justificará muito que continue a existir – parece não ter ainda
reparado que o mundo mudou. Seja nos meios à disposição dos
partidos para fazer chegar a sua mensagem junto do eleitorado ou na
quantidade de dinheiro considerada aceitável para gastar nestas
actividades.
Verdade
que telefonemas, e-mail ou sms não constituem um meio especialmente
eficaz para aproximar o candidato ao eleitor. Mas isso não é
problema nosso. Nem da CNE. É lá com eles, os que propõem servir o
povo. Até porque podem sempre fazer como, alegadamente, terá feito
aquele candidato – eleito Presidente e desde há muitos anos a
usufruir de uma generosa reforma – que segundo reza a lenda, porque
isto já lá vai um quarto de século, terá calcorreado sozinho o
concelho onde se candidatava. Não terá havido velhinha com quem não
tivesse comido uma cachola ou umas migas – as eleições nessa
altura eram no inverno – nem velhote com quem não tivesse apanhado
um pifo. Isso sim é que eram campanhas à séria.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Estratégia: Em grego: strategía, em latim: estrategia, em francês: stratégie, em inglês: strategy, em alemão: strategie, em italiano: strategia, em espanhol: estrategia…
Vêm
aí mais milhões. Daqueles que a Europa nos envia para a malta
fazer coisas. Desta vez a ideia, tão disparatada como qualquer outra
onde já enterraram “charters” de euros, é esturrar o dinheiro a
integrar os cidadãos de etnia cigana. Para isso conta-se realizar um
investimento a rondar os trezentos e cinquenta milhões de euros,
financiados em oitenta por cento pelos fundos comunitários. Os
restantes vinte por cento – uns trocos, praticamente – são por
conta do orçamento nacional.
A
maior parte do dinheiro terá como destino a qualificação dos
alojamentos. Que é como quem diz, dar-lhes uma casa. Nisto os
municípios terão um papel preponderante. De tal forma que o
programa tem como objectivo a sensibilização de 90% das autarquias
com população cigana para as especificidades da sua cultura e para
o seu realojamento.
Ora,
em altura de preparação de programas eleitorais e de inicio de
campanha, seria bom que quem se candidata às autarquias esclareça
os eleitores acerca do que pretende fazer a este respeito.
Nomeadamente que diga claramente se é sensível às especificidades
da cultura cigana. Em todas as suas vertentes, de preferência. Se
tolera os comportamentos anti-sociais que os elementos daquelas
comunidades evidenciam nos espaços públicos, por exemplo. Ou que
assuma perante os contribuintes e eleitores do respectivo concelho
que vai construir casinhas para os ciganos. Os contribuintes e
eleitores que já perderam as suas casas e os que estão vias de as
perder por incapacidade de cumprir com os pagamentos ao banco vão,
de certeza, perceber a estratégia. E aqueles que trabalham uma vida
inteira para as pagar, também.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Esclareçam lá o Tozé sobre isso do IVA
Já
por diversas ocasiões aqui expressei o quanto me aborrece a
lengalenga em torno do iva da restauração. Posso, até, admitir que
a taxa aplicável à restauração seja desajustada. Constato, como
qualquer um que ande por aí, que as coisas não correm especialmente
bem a este sector. Mas estou em total desacordo com os que culpam a
elevada carga fiscal pelo encerramento de alguns estabelecimentos e o
consequente aumento do desemprego no ramo.
A
ganância de muitos empresários – se calhar a maioria – que os
leva a praticar preços que mais se assemelham a um assalto ao
consumidor terá, provavelmente, um efeito bastante mais nocivo do
que a taxa de imposto. Até porque este, ao contrário do que é
constantemente afirmado, é pago pelo cliente e não pelo
comerciante. Daí que a expressão “não ganho para pagar o IVA”
não faça, quando proferida pelos taberneiros e correlativos,
qualquer sentido e não passe de um enorme disparate. O IVA já foi
pago por quem consumiu. Previamente. Eles apenas têm de entregar ao
fisco algo que já cobraram e que não lhes pertence.
Achava
eu que quando as vendas caiem a solução, para voltar a vender mais,
é diminuir a margem de lucro e praticar um preço mais baixo. A
julgar pela amostra não é assim. Ou, então, crise é uma coisa que
não assiste a todos. Já nem digo o resto, mas café a um euro numa
espelunca manhosa pode não ser um roubo, mas um furto é de certeza
absoluta.
sábado, 17 de agosto de 2013
Tuga(i)mobil
Escritório,
armazém ou pocilga. Isso ou outra coisa qualquer - contentor, por
exemplo - é no que está transformado este carrinho. Triste fim para
quem já conheceu melhores dias.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Das profundezas do Alentejo
Quando
ouço a referência a um tal Alentejo profundo dá-me vontade de
bater em alguém. Seja no gajo que primeiro a mencionou – um
individuo que, consta, residirá para os lados de Belém – ou em
todos os que, por uma qualquer razão a que não consigo atribuir
nenhuma espécie de lógica, a utilizam para se referir a esta região
do país. O último a quem me apeteceu ir às trombas foi o pivot do
jornal da noite da TVI quando ontem, a propósito da novela da
estação que está a ser gravada por estas bandas, o cavalheiro deu
a noticia das gravações que por estes dias estão por a decorrer
“em Estremoz, no Alentejo profundo”. Como fez questão de frisar.
Consultando
o dicionário on-line Priberan fica-se a saber que profundo significa
“cujo
fundo está distante da superfície, da entrada ou da frente”.
Ora as filmagens objecto da reportagem decorreram ao nível do solo.
Parece que existirão outras numa pedreira mas, ainda assim, a
distância até à superfície não será nada de especial. Se o
critério para medir isso da profundidade foi o da distância
relativamente à entrada no Alentejo, então o jornalista é
geograficamente ignorante. Que saiba nunca disse, nem ele nem os
outros, que as comemorações do dia de Portugal decorreram em
“Elvas, no Alentejo profundo”.
Ainda
segundo o mesmo dicionário, em sentido figurado profundo poderá
significar “medonho,
escuro, que inspira terror”.
Mas, presumo, não deve ter sido com essa intenção. É
que se formos por aí a Estremadura profunda não será muito longe
dos estúdios da TVI.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
O que será que eles queimam?
O
fumo do costume, vindo do mesmo local de sempre e com origem nos
fogaréus habituais. Trata-se, portanto, de um hábito ali para as
bandas do resort. A porra é que eles podem. Como podem quase tudo
sem que ninguém os aborreça por isso. A lei que proíbe atear
fogueiras por esta época do ano, tal como todas as que implicam
deveres, não aplicam a esta rapaziada. Outros cidadãos, por muito
menos, teriam a GNR e mais uma quantidade de instituições à perna.
Assim não faz mal. É deixar arder. Talvez tenham esperança que
eles ardam junto.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Retoma?! Vamos lá acabar com essa parvoíce!
Os
indicadores divulgados hoje relativamente ao desempenho da economia
nacional constituem, aparentemente, boas noticias. Ainda que alguns,
os da oposição as não apreciem nesta fase do campeonato e os da
situação se preparem para apagar qualquer luz que pareça estar a
acender no fundo do túnel.
Dizer,
como ouvi a alguns opositores ao governo, que a retoma se deve ao
chumbo dos cortes dos subsídios pelo Tribunal Constitucional é,
para não escrever outra coisa, assim a atirar para o parvo. Os
valores repostos aos funcionários públicos foram comidos pelos
impostos e os outros, os do sector privado, viram os ordenados
reduzidos por causa do enorme aumento da tributação fiscal de que
poucos parecem lembrar-se.
Já
do lado do governo a vontade de continuar a escavar – nunca pensei
citar o outro – mantém-se. Se a coisa está a recuperar então é
sinal de que podemos carregar ainda mais na austeridade. Deve ser,
presumo, a ideia que percorre as mentes iluminadas de governantes e
conselheiros especialistas que os rodeiam. Só isso pode explicar as
mais recentes intenções da peste laranja que assola o país.
Por
mim não sei se isto se assemelha a alguma espécie de retoma. O mais
certo é termos caído tanto que começa já a ser difícil ir mais
para baixo. Mas talvez consigamos, ainda, ir mais fundo. Vontade que
isso aconteça não falta a uns e ausência de jeito para nos trazer
à tona sobeja a outros.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Coisas de fazer inveja ao Bob. O construtor.
Claro
que não andámos a viver acima das nossas possibilidades. Obviamente
que toda a obra construída ao longo do país, pelos poderes central
e local, era absolutamente necessária. Naturalmente que havia
dinheiro para a pagar. Ou se não havia ficava-se a dever e
continuava-se a fazer mais, e mais e mais obra. Até que chegámos
aqui. Graças aos muitos "autarcas-construtores" que se fartaram de obrar. E a nós,
também, que rejubilámos com tanto desenvolvimento e que os
aplaudimos de cada vez que obravam. É por isso que estamos na merda.
Mas gostamos.
Segue-se a transcrição de um excerto da newsletter do IFPM, onde são dados alguns exemplos - poucos - do que tem sido o desbaratar do nosso dinheiro.
Autarquias
endividadas e desertificadas
Endividadas
e desertificadas, mas com obra feita. As câmaras construíram
equipamentos nos últimos anos sem que isso tenha servido, sequer,
para fixar a população.
Fomos
de Algodres, concelho com menos de cinco mil habitantes, liderava em
2009 o 'ranking' das câmaras mais endividadas do País e nos últimos
dez anos perdeu quase 700 moradores. Mas a fuga de população não
terá acontecido por falta de investimento público: nos últimos
anos, a pequena vila ganhou um novo Palácio da Justiça, um centro
de saúde, uma central de camionagem, um novo quartel da GNR, um
estádio de futebol, um quartel dos bombeiros e, mais recentemente,
um centro escolar.
Além
de todas estas infraestruturas, o concelho ainda se pode orgulhar de
ter não um, mas dois espaços destinados à cultura. Até já
existia um cine-auditório, construído para uma associação local,
mas mesmo assim a câmara mandou fazer um novo centro cultural,
inaugurado há cerca de cinco anos e que tem servido apenas para
albergar um espaço internet.
Mas
exemplos destes espalham-se por todo o território Nacional. Os dez
municípios mais endividados do país perderam, nos últimos dez
anos, segundo os resultados dos últimos censos, quase sete mil
habitantes. Foram construídos centenas de edifícios com ajuda de
Fundos comunitários sem que ninguém se tenha lembrado de que a
manutenção dos mesmos iria sair do bolso dos munícipes. Em
Alfândega da Fé, município que está em quarto lugar no 'ranking'
do endividamento, há pelo menos um exemplo. Em 2008 foi inaugurado
um Centro de Formação Desportiva que custou 1,7 milhões de euros.
Obra possivelmente Seria necessária, mas muito provavelmente não
seria prioritária.
Em
Ourique, o Cine-teatro Sousa Telles, inaugurado em 2009, representou
um investimento de mais de 1,5 milhões de euros. Quase quatro anos
depois, só passa cinema de 15 em 15 dias. Além do cine-teatro, a
câmara, que é sexta na lista do endividamento, também construiu um
centro de convívio que teve um custo de 1,2 milhões e uma
biblioteca em que se gastou perto de um milhão de euros. Já o
pavilhão municipal, que é usado apenas seis vezes por ano, custou
581 mil euros.
Fundos "a dar com um pau"
Bruxelas
atribui fundos e mais fundos e as autarquias vão aproveitando para
fazer obra. Em muitos dos casos, as câmaras só têm de
comparticipar a obra em 20 por cento, mas esquecem-se de que mesmo
essa fatia tem de ter retomo.
O
concelho do Sardoal, no distrito de Santarém, perdeu quase 200
habitantes na última década e está em 16.° lugar no 'ranking' do
endividamento. A autarquia mandou erguer o Centro Cultural Gil
Vicente, uma obra que custou três milhões de euros, comparticipada
em 75 por cento. O espaço foi inaugurado em 2004 (no mesmo dia em
que abriu uma piscina coberta que custou mais de meio milhão de
euros), mas em 2011 só tinha projectado 13 filmes.
Em Penamacor, onde já só restam menos de seis mil habitantes, construíram-se umas piscinas aquecidas, orçadas em 1,35 milhões, que encerram ao fim-de-semana.
Em Penamacor, onde já só restam menos de seis mil habitantes, construíram-se umas piscinas aquecidas, orçadas em 1,35 milhões, que encerram ao fim-de-semana.
No
Alentejo, Portalegre - que é capital de distrito -, perdeu mais de
mil habitantes, apesar dos avultados investimentos realizados . nos
últimos anos. O novo edifício da câmara, que também é centro de
congressos, custou 7,4 milhões de euros. O museu da cidade implicou
um investimento de 1,7 milhões e o centro de espectáculos 8,7
milhões, segundo o gabinete de imprensa da autarquia.
Em Seia, que pertence à NUT da Serra da Estrela (a região do País que mais habitantes perdeu entre 2001 e 2010), construíram-se dois museus e um centro de interpretação. No mesmo município, na freguesia de São Romão, um gimnodesportivo custou 1,9 milhões de euros.
Em Seia, que pertence à NUT da Serra da Estrela (a região do País que mais habitantes perdeu entre 2001 e 2010), construíram-se dois museus e um centro de interpretação. No mesmo município, na freguesia de São Romão, um gimnodesportivo custou 1,9 milhões de euros.
Obras para ninguém
Já
em Torre de Moncorvo gastaram-se 1,3 milhões de euros numa eco-pista
para "amantes de caminhadas", segundo o gabinete de
imprensa da câmara. Na sede do município transmontano ainda há
cinema uma vez por semana, no cine-teatro inaugurado em 2005 e que
custou cerca de 700 mil euros. Mas a média de assistência é
bastante reduzida.
A
câmara de Nisa, que perdeu mais de 1.100 habitantes, também está
na lista dos municípios mais endividados. Culpa, disse a presidente
ao jornal "i", da construção de um complexo termal que
custou 10 milhões de euros, comparticipados em 25 por cento pela
autarquia, e que obrigou à contracção de um empréstimo. Quase
quatro anos depois da inauguração, Maria Tsukamoto admite que o
retomo não tem sido "o esperado", essencialmente por causa
da "crise que o País atravessa".
Já
a câmara do Fundão, nona no ranking do endividamento,-perdeu mais
de dois mil habitantes na última década. Em 2005, segundo o
gabinete de imprensa municipal, a autarquia inaugurou uma biblioteca
que custou 2,5 milhões de euros. No ano seguinte, ficou concluído o
espaço cultural "A Moagem", que custou cinco milhões. Em
2007, apareceu um novo museu que custou 750 mil euros. Em 2009 foi
recuperado o Palácio do Picadeiro, cujas obras estavam orçadas em
2,1 milhões de euros.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Calamidades turisticas
Parece
de propósito. Estava tudo a correr tão bem, com o sector do turismo
a obter resultados como há muito se não viam por estas paragens e,
só para aborrecer, desatam a aparecer as más noticias. Ele é
melgas aos milhões em Armação de Pêra, ele é merda a jorrar para
a praia em Quarteira... Cum caraças, pá! Isso não podia esperar
mais um bocadinho? Sei lá, deixar acabar o Verão, ou isso.
Verdade
que as melgas têm uma tendência lixada para dar sinal de si quando
o tempo aquece e, de preferência, há água estagnada por perto.
Pode ser igualmente certo que as infraestruturas, numa como noutra
localidade, estejam mais do que saturadas e tenham acabado por dar de
si. Se calhar, digo eu, esturrar menos dinheiro nos Tonys Carreiras e
apostar um pouco mais na manutenção de equipamentos era capaz de
ser uma aposta mais rentável. Pelo menos quando se pensa em criação
de emprego e de riqueza. Mas isso, por esta altura, é o que menos
interessa. A reeleiçãozinha é muito mais importante.
Espera-se
é que a coisa, em termos de calamidades turísticas, não vá a
pior. Mas duvido. Diz que anda por aí um peixe maricas que se atira
aos tomates dos banhistas. Garantem os especialistas que é de água
doce, mas nunca fiando.
domingo, 11 de agosto de 2013
Passarões
Chavez
andará a esvoaçar por aí – lá, pela Venezuela – em forma de
pássaro. É o que garante o seu herdeiro politico. O mesmo herdeiro
que, para melhor se concentrar, dorme de vez em quando junto ao
mausoléu do amado e defunto líder. O que, assim de repente, me
suscita uma série de questões. Desde logo que Chavez apenas
reencarnará em pássaro durante o dia e ao cair da noite regressará
ao conforto do seu túmulo. Não será, portanto, uma ave nocturna.
Embora a espécie ainda ainda não tenha sido devidamente
identificada sabe-se que chilreia que se farta. O estranho da coisa
é Maduro não optado por recolher o tal passaroco em figura de
Chavez – ou o contrário, sei lá – numa gaiola. Sempre podia
levar o conselheiro para todo o lado. Mas, vendo bem, se calhar é
melhor não. Ainda alguém ia pensar que o homem não batia bem...
Apesar
de também não regularem lá muito bem, deve ser este tipo de
sentimento que falta aos nossos governantes. Os vivos não se vão
aconselhar junto dos túmulos de quem antes nos governou e os mortos,
esses, não se transformam em aves canoras. Também era difícil para
quem em vida sempre foi ave de rapina.
sábado, 10 de agosto de 2013
Por falar em baixa politica
Cortes?
Sou contra. Não admira. Contra até podia ser o meu nome do meio.
Nomeadamente quando isso dos cortes envolve pensões e salários.
Ando a escrever há não sei quantos anos que diminuir o orçamento
ao pagode não resulta em nada de bom, que não é por aí que lá
vamos, mas, como vozes de burro não chegam ao céu, ninguém me
liga. E os que ligam, na sua maioria, é para me lembrarem que não
percebo nada disto e que o caminho tem de ser este. Pois. Tá-se
mesmo a ver que sim. O burro devo mesmo ser eu.
Ainda
assim, reconheço, há cortes e cortes. Não é o mesmo cortar
quinhentos ou trezentos euros a quem aufere, de ordenado ou de
pensão, cinco ou três mil euros ou tirar cem ou setenta euros a
quem ganha setecentos ou mil. Os mesmos dez por cento produzem efeitos
completamente diferentes. Para os primeiros a quebra de rendimentos
representará apenas um transtorno e, quando muito, colocará em
causa a realização de uma viagem ou umas quantas idas ao
restaurante. No caso dos segundos poderá fazer toda a diferença e
representar a ruptura orçamental do agregado familiar.
O
líder do PS também é contra os cortes. Mas enquanto eu posso ser
tão irresponsável quanto me apetecer, o suposto cabecilha da
oposição não pode. Nem pode apregoar que abomina a baixa politica
e, de seguida, garantir que se vierem a se aprovados os cortes nas
pensões, assim que chegar ao poder trata de repor tudo como antes.
Sem, pelo menos, dizer a quem é que tira o montante equivalente.
Isso, parece-me, é capaz de ser politica rasteira. Subterrânea,
até.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O Alentejo não é para jovens
No
distrito de Évora são, segundo dados recentemente divulgados, os
concelhos de Mora, Alandroal e Estremoz os que apresentam um maior
índice de envelhecimento da população. Mora, em primeiro lugar,
com trezentos e vinte e oito idosos por cada cem jovens, Alandroal em
segundo com duzentos e sessenta e sete e, no último lugar do pódio,
Estremoz com duzentos e quarenta e cinco idosos por cada centena de
jovens.
Estes
números, apesar de não surpreenderem por aí além, não deixam de
suscitar algumas inquietações. Veja-se, por exemplo, o caso de
Mora. É o único concelho do distrito que tem incentivos à
natalidade e ainda assim os resultados são o que se vê. Furar
preservativos, distribuir viagra ou deitar qualquer coisinha na água
é capaz de ser mais eficaz. Pode, dado o grande número de idosos,
não resultar mas, pelo menos, mal não faz e de certeza contribuiria
para animar a malta.
Já
quanto a Estremoz estes dados suscitam apenas duas questões
pertinentes mas com que ninguém se parece importar. A primeira foi a
enigmática decisão, do Estado português, de enterrar – não
encontro palavra mais adequada às circunstâncias – vinte milhões
de euros na recuperação de escolas no concelho quando, os números
assim o demonstram, não existem crianças para tanta sala de aula. A
segunda, não menos enigmática, que a misericórdia de Estremoz,
apesar da elevada quantidade de velhotes, seja a única do distrito
que, até à data, não possui um lar para idosos.
A
longevidade que se verifica nestes concelhos em particular e no
Alentejo em geral pode ter, além de outras, uma explicação mais ou
menos razoável. A de que o “investimento” municipal –
nomeadamente em Mora e Alandroal - na saúde destes eleitores está a
dar resultado.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Substituir a caixa das esmolas por um balde com água talvez fosse boa ideia...
Faz-me
confusão esta mania de atirar dinheiro para dentro de água. Um
lago, uma fonte, mesmo um poço decorativo no meio de uma rua de uma
vila em festa, parecem constituir locais privilegiados para o
transeunte de ocasião se livrar das moedas que traz na algibeira.
Verdade que elas não valem grande coisa. A bem-dizer nem sei se com
os “pretos”, só por si, se compra seja o que for. Mas, acho eu,
não havia necessidade. E nem vale a pena argumentar, como às vezes
ouço dizer, que é na brincadeira. Ensinamentos ancestrais garantem
que há certas coisas com que não se deve brincar. E o dinheiro é uma delas.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Nunca pensei dizer isto: O Alberto João tem razão.
Desde
há muito que tenho opinião formada acerca do alargamento do horário
de trabalho da função pública, já a manifestei aqui em diversas
ocasiões e ela não é coincidente com a que o Alberto João da
Madeira expressou acerca do assunto. Reconheço, contudo, que o homem
tem razão naquilo que diz. Aprecio, por isso, a coerência com que
assume não aplicar a medida lá no seu reino.
De
facto, parece assim um bocado a atirar para o parvo colocar os
funcionários públicos a trabalhar mais uma hora por dia quando, em
simultâneo, pretendem despedir uns quantos milhares de
trabalhadores. Se é para despedir é porque não fazem falta. Se não
fazem falta é porque não há trabalho. Se não há trabalho não se
prolonga o horário. Raciocínio mais lógico parece-me difícil. Por
norma, ainda que possam existir umas excepções mais ou menos
manhosas, é assim que as coisas funcionam onde impera o bom-senso.
Mas isso é coisa que não se pode exigir aos rapazes do governo. Nem
aos seus conselheiros especialistas que ainda mal largaram os
cueiros.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Cuidado com o que prometes, ó Rosalino!
O
tema dos últimos dias, no âmbito das patifarias governativas, tem
sido o assalto às pensões dos aposentados da função pública.
Parece, segundo as declarações daquele secretário de estado de
penteado esquisito, que o corte no valor da pensão não irá além
dos dez por cento. E, mesmo assim, será temporário. Logo que que a
economia nacional registar um crescimento de 3% em dois anos
consecutivos e o défice ficar em 0,5% do PIB, acaba-se esse
aborrecimento dos cortes voltando tudo ao normal. Podem, portanto,
sossegar os funcionários públicos aposentados. A coisa será
passageira. Preocupante seria se ele tivesse prometido que as pensões
só voltam ao normal quando o Benfica for campeão.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Mostrem estas contas à troika...
Ciclicamente
aparecem uns senhores, munidos de um argumentário que rende junto da
opinião pública, a reclamar contra o escandaloso privilégio que
constitui o sub-sistema de saúde da função pública – a ADSE –
e o quanto isso sai caro aos contribuintes. Têm, quase sempre,
grande destaque na comunicação social e a sua mensagem passa
facilmente para a população em geral que, pouco esclarecida acerca
destes assuntos, come a palha toda que esses indivíduos bem falantes
lhes põe na gamela.
Já os estudos e as análises onde é evidenciado que o custo por doente tratado através da ADSE é mais baixo do que no SNS não merece por
parte das televisões grande relevância. Se calhar porque não
vende, não suscita junto da audiência o mesmo sentimento de
indignação ou, sabe-se lá, a sua divulgação não agradará a
certos interesses instalados. Tanto no poder e na oposição. Sim,
porque convém não esquecer que ainda no principio do ano Álvaro
Beleza, coordenador do partido socialista para a saúde, defendeu a
extinção daquele organismo.
O
que não se percebe muito bem é que não se discuta o alargamento do
conceito em que funciona a ADSE aos restantes cidadãos. Pelo menos
aos que assim o desejassem. Para a esquerda seria colocar em causa
uns quantos dogmas que lhe são caros e que a nós não saem
baratos. Para a direita, provavelmente, será a defesa dos interesses
de alguns lobbies que não permite a discussão do assunto. Já o
comum do cidadão, atendendo à inveja que evidencia perante os
privilegiados da ADSE, com certeza que não se importaria mesmo nada
de passar a descontar 2,5% do salário para aceder ao sistema...
domingo, 4 de agosto de 2013
Paga o que deves e depois publica o que fazes!
De
vez em quando lembro-me da cigana que se revoltava por “eles”,
com os computadores, saberem tudo acerca da sua vida. Da dela e dos
outros ciganos. “Eles” eram, no caso, os gajos da segurança
social que através do sistema informático cruzavam informação e
estavam, à época, a impedir que o Rendimento Mínimo ou outros
apoios sociais fossem pagos à mesma pessoa duas, três ou mais vezes
consoante o número de localidades em que teria residência ou os
diferentes documentos de identificação que apresentasse.
De
facto isto com os computadores sabe-se tudo. Ou quase. Mas se a tal
cigana não apreciava que a sua vida estivesse disponível para ser
consultada pelos técnicos que decidiam quanto aos apoios que o
Estado lhe devia ou não disponibilizar, já o mesmo não se pode
dizer daqueles que praticamente relatam a sua vida em directo nas
redes sociais. Esses têm especial gozo em que “eles” - os outros
– saibam de tudo. Do lado que podem mostrar, claro.
E
é por aí que ficamos a saber que gente que não tem onde cair
morta, com calotes em todo o lado, especialista a fugir ou a não
pagar o que deve ao fisco e, por vezes, até em “cenas” um
bocadinho mais complicadas, não falta a uma festa, não prescinde de
umas férias à beira-mar ou num local exótico e anda sempre em
“comícios” e “bebícios”. Não tenho nada a ver com isso,
dirão. Errado. Tenho. É que é, também, por causa desta gente e do
seu comportamento extravagante que andamos todos a penar. Ah e tal o
BNP ou as PPP's são piores. Certo. Pois são. Tão piores quanto o
serial killer que matou dez ou vinte é pior que o bandido que apenas
esturrou um ou dois.
sábado, 3 de agosto de 2013
Dos jornais...
Desde
muito pequeno – aí pelo metro e vinte, mais coisa menos coisa –
que sou leitor assíduo de jornais. Recordo, como uma das primeiras
leituras jornalísticas, as “lendas de Portugal” publicadas no há
muito extinto “O Século”. Ou, mais tarde, o Jornal “A Bola”,
na época trissemanário, que só chegava a Estremoz por volta da
uma e tal da tarde e às segundas-feiras se tornava impossível de
comprar sem corromper os funcionários do quiosque. Nomeadamente
quando o Benfica ganhava. Naquela altura quase sempre, diga-se.
Hoje
o acesso à imprensa é diferente. E ainda bem. Mas continuo a ser um
incondicional dos jornais. Na net leio todos os diários nacionais,
muitos jornais regionais e um ou outro estrangeiro. São eles, salvo
uma ou outra excepção a fonte inspiradora do Kruzes Kanhoto. Nas
primeiras páginas dos jornais publicados este sábado teria, mais
uma vez, uma vasta panóplia de temas para divagar. Mas não me
apetece. Ficam, apenas, os exemplos.
Correio
da manhã - “Tiro acidental – Maço de notas
salva idoso”. Depois queixam-se das baixas reformas, dos
cortes e tal...(Lendo a noticia a coisa ganha outros contornos que
estragam a piada inicial, por isso é melhor ignorá-los...)
Jornal
de Noticias – “Pagou 250 mil euros por 2 milhões
em notas falsas”. Burro! Burro! Burro!
Diário
de Noticias – “Escolas podem deixar alunos do
vocacional fazer três anos em um – Projecto piloto para alunos com
mais dificuldades vai ser alargado...”. Com mais
dificuldades?! Três anos em um?! Olha se não tivessem
dificuldades...Vamos ter novos Relvas aos milhares, portanto. E
depois diziam coisas das novas oportunidades. Tá bem, tá.
Jornal
i – “Voltaram a abrir-se garrafas de champanhe
na EDP com a nomeação de Moreira da Silva”. Vão-se
preparando para abrir a carteira. Espanha é mesmo aqui ao lado e o
sol que gera energia lá faz o mesmo cá...
O
Jogo - “Benfica agarra Bruma”. Eh pá,
não! Até fiquei mal-disposto. A sério. É o que dá guardar as más
noticias para o fim. Deslarguem-no, porra!
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