Ou
muito me engano ou o “ultimato” dado pela Câmara de Almeirim aos
ciganos, instalados há vários anos num acampamento perto da zona
industrial da cidade para que no prazo de trinta dias procedam à
demolição das barracas que por ali foram erigindo, vai exasperar
muita gente. A maioria da qual, quase de certeza, só viu ciganos na
televisão ou quando vai à feira e mal sabe onde fica aquela cidade
ribatejana.
Os
ciganos gozam actualmente de um estatuto à parte na sociedade
portuguesa. Fazem o que muito bem lhes apetece, ninguém os incomoda,
nem pede lhes são pedidas responsabilidades pelas tropelias que
praticam. Mesmo as autoridades policiais estão praticamente
impedidas de fazer seja o que for para impor a esse grupo de cidadãos
as leis do país. Aquelas que envolvem obrigações, bem entendido,
porque as outras, as dos direitos, essas eles sabem-nas todas e
aproveitam-se delas como poucos.
Molestam,
incomodam – por sorte ficam só por aí – e se alguém reage está
feito ao bife. O melhor é mesmo ficar caladinho e fingir que não é
nada com ele. É por isso que posições como a desta autarquia são
dignas de registo. Quer pela coragem de enfrentar aquela comunidade
como, pior ainda, as reacções dos auto denominados defensores
destas causas que, certamente, não deixarão de manifestar a sua
indignação.
Claro
que pode haver quem veja nesta medida uma mera acção para eleitor
ver. Que isto de afastar gente incómoda é sempre popular entre o
eleitorado. E não me custa a acreditar que assim seja. Mas ainda
assim, a ir em frente, que sirva de exemplo.



