domingo, 6 de julho de 2025

Divulgar o nome de quem se aposenta e o valor da respectiva pensão é legal?

Para verbalizar o que pensa acerca da imigração, André Ventura leu na Assembleia da República um conjunto de nomes – apenas o primeiro, sublinhe-se - de alunos estrangeiros que, garantiu, frequentam uma escola de Lisboa que não identificou. O que torna absolutamente impossível de identificar seja quem for. Apesar disso o discurso do cavalheiro provocou, dentro e fora do parlamento, as mais inusitadas reacções. Uma deputada desatou a chorar e sucederam-se acusações absolutamente escabrosas sobre a violação do RGPD por o nome das criancinhas estar a ser publicamente divulgado. Coisa que, disse e escreveu muita gente que tinha por ajuizada, constituirá uma espécie qualquer de crime de divulgação de dados pessoais.


Pouco me importa o que disse o deputado Ventura. Menos ainda o choro da deputada do partido dos tótós. Não quero, igualmente, saber da opinião de ninguém acerca da imigração. Tenho a minha e, mesmo essa, não importa nada para o caso. O que me aborrece neste episódio é a condenação dos “nomes das crianças” como argumento para o combate político quando qualquer jumento percebe que Pulquéria, Hermengarda ou Libório, por si só e dito naquelas circunstâncias, não constitui nenhuma maneira de identificar quem quer que seja.


Contudo nem a deputada chorona nem mais ninguém se importa que, diariamente, sejam identificadas pessoas no Diário da República com o nome completo e respectivo vencimento. Igualmente a Caixa Geral de Aposentações divulga publicamente, no inicio de cada mês, a lista de aposentados e valor da respectiva reforma e ninguém acha que isso é um crime. Desconfio que estes procedimentos são SUBSTANCIALMENTE mais graves e constituem uma violação da privacidade muito maior do que dizer que o Farid, o Kaim e o Mustafá frequentam uma escola em Lisboa. Mas, para a cambada de javardos que insistem em dar um protagonismo desmesurado ao actual líder da oposição, nada disso importa. Afinal eles só se importam com um português. O Ventura. Depois admiram-se que os portugueses também não se importem com eles.

sábado, 5 de julho de 2025

Habitação barata não rima com opções caras

Segundo o insuspeito “Expresso” há doze anos que os preços das casas não baixam. Se aquele pasquim o diz é, de certeza, verdade. Tão verdade que até podia ser eu a dizer. Vou mesmo mais longe, assim de repente não me ocorre nada que esteja hoje mais barato do que há doze anos. Ainda que se olhe para um gráfico onde esse espaço de tempo esteja representado, poucas coisas terão tido uma quebra ao longo do período analisado e, se por acaso tiveram, rapidamente recuperaram o ciclo de subida.


Sendo o imobiliário uma actividade que incorpora um sem número de factores, desde a mão de obra à fiscalidade, seria necessário um “alinhamento astral” absolutamente inusitado para conduzir a uma baixa de preços. Esqueçam lá isso. Não vai acontecer. A economia, já dizia o outro, é feita de expectativas. Daí que ninguém equacione vender a sua casa por um preço inferior ao que a adquiriu nem, sequer, admita transacioná-la por valores abaixo daquilo que os vizinhos vendem. É o mercado. Podem continuar a apelar ao Estado paizinho que faça isto e mais aquilo. Não resulta. Ninguém está disposto a perder dinheiro.


Obviamente que percebo o drama de quem procura casa. Já estive desse lado. Ainda me lembro o que foram os primeiros anos dessa fase da minha vida. Uma altura em que, imagine-se, até se pagavam os livros escolares e, pasme-se, nem havia essa coisa dos apoios sociais. O que também não havia eram necessidades básicas como viagens de férias, refeiçoar fora, automóvel próprio, telemóveis, cabeleireiros, massagistas, unhas de gel, tatuagens, copos e mais uma infindável panóplia de cenas das quais não se pode abdicar. Faziam-se opções, ou lá o que se chama aquilo que fazemos quando escolhemos os nossos objectivos de vida. E, reitero o que já escrevi em inúmeras ocasiões, cada um estabelece os seus. Nada contra, mas depois não se queixem. 

terça-feira, 1 de julho de 2025

Inclusão à base do coice

IMG_20250630_102346.jpg


 


A “equitação como ferramenta de inclusão social”, era a legenda que acompanhava a exibição de uma reportagem televisiva num daqueles programas dos canais generalistas destinados um público que, aquela hora, usa a televisão para fazer ruído de fundo. Desconheço – isto, obviamente, num contexto “social”, e sublinho social, o que exclui outra apreciação doutro âmbito, nomeadamente terapêutico – de que forma montar a cavalo inclui alguém socialmente. Nem, a bem-dizer, estou interessado em saber. Quando muito a convivência com as bestas poderá apenas permitir-nos tolerá-las melhor ou, ao contrário, acentuar o aborrecimento que nos causam. Já montá-las, às bestas, envolverá alguns riscos. Aquilo é coisa que está sempre com os cascos levantados e pronta a mandar os aparelhos ao ar. Por mim, prefiro distância. Das bestas e dos “inclusores” sociais. Passe a repetição.

sábado, 28 de junho de 2025

A lógica da batata

1751123275651.jpg


Uma inusitada falta de batatas, um dos alimentos mais consumidos do país, tem estado a afectar a Bielorrússia. Obviamente que a ausência do popular tubérculo do mercado bielorrusso nada terá tido a ver com a política de controlo de preços adoptada pelo governo local. Aliás, já dizia o outro, a melhor maneira do preço não subir é não permitir que o preço suba. Ou, se não dizia, pode passar a dizer que eu não me importo nem cobro direitos de autor.


A culpa da escassez de batatas só pode ter sido dos capitalistas donos dos supermercados. Os patifes – uns fachos, está bem de ver – não quiseram vender mais barato do que aquilo que os produtores lhes vendiam. Os agricultores, por sua vez, feitos gananciosos mostraram-se relutantes em vender abaixo do custo de produção. Vai daí, uns deixaram de produzir e outros procuraram novos mercados. O russo, por exemplo, que está mesmo ali ao lado e compra ao triplo do preço.


Ninguém diria que o facto do Estado intervir no mercado, nomeadamente ao fixar os preços de bens ou serviços, levaria à sua escassez ou mesmo à rutura quase total da oferta. Bom, ninguém é uma força de expressão. Por cá, hoje há não sei quantas manifestações a exigir a fixação do preço das casas para venda e arrendamento. Fixem, fixem, que vai correr bem.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Cenas que m'atormentam...

Existe uma praga de "criadores de conteúdos digitais" no Facebook. Obviamente que não criam nada. São apenas uns idiotas que assim se auto-intitulam. A maior parte deles não passam de matarruanos que mal sabem ler e escrever. Deve ser moda colocar essa coisa no perfil, naquela parte do trabalho e formação. Outros, menos chatos e igualmente parvos, “trabalham” na Zara e, ainda outros para o bronze. Os mais honestos, estes últimos, pois ao menos não enganam ninguém acerca da pouca apetência para o labor.



Há quem se ria dos iranianos por festejarem nas ruas das suas cidades – com caravanas automóveis e outros festejos mais ou menos ruidosos e efusivos – a alegada vitória na guerra dos doze dias contra Israel e na de dia e meio com os Estados Unidos. Não gozem com as criaturas, pá. Afinal nós, portugueses também somos assim. Ainda me lembro quando, de norte a sul, festejámos a derrota contra a Grécia na final do Europeu de 2004. O que ainda foi mais parvo. Eles, os iranianos, pensam que ganharam, mas nós sabíamos que tínhamos perdido.



Entretanto, por falar em parvoíces, discute-se a eventual relação entre a morte de uma pessoa e a greve do INEM. Assim de repente parece-me que faria muito mais sentido debater se juntar emergência médica e greve na mesma frase é coisa de gente sensata. Desconfio que não, mas isso sou eu que aprecio pessoas ajuizadas e instituições que servem para cuidar da população.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

O PCP vai concorrer às eleições no Irão?

Prioridades cada qual – pessoas ou organizações - estabelece para si as que muito bem entende. Tem, depois, é de conviver com as suas escolhas. A esquerda escolheu as que não importam nada à generalidade dos portugueses e, em consequências delas, teve os resultados eleitorais mais miseráveis de sempre. Contudo continuam a achar que estão certos. Só falta, mas acho que ainda o vão fazer, terem o descaramento de dizer que o povo é que está errado.


O Partido Comunista é disto um bom exemplo. Através da sua organização sindical realizou uma manifestação contra Israel, a Nato e a favor do Irão. Também já fez outras a favor da Palestina e outros assuntos estranhos aos fins para que foi criada e nada relacionados com os interesses daqueles que pagam as quotas sindicais. O que ainda não fizeram – isso, de resto, não são assuntos que interessem aquela gente – foi manifestações contra os impostos que levam parte substancial do ordenado de quem trabalha. Coisa que pouco lhes importa, como despudoradamente reconhecem. Não é de admirar que aos trabalhadores e ao povo – como eles dizem – as prioridades do PCP, da CGTP e das restantes associadas do grupo também não interessem nada. Na última manifestação estiveram escassas dezenas de criaturas. Menos que os corpos gerentes daquilo…

domingo, 22 de junho de 2025

Indignação selectiva

Anda tudo muito sensível. Ou, talvez mais apropriado, intolerante. Seja o que for que se diga - ou escreva – surge sempre alguém a ficar indignado com o que foi dito ou escrito. Proliferam as brigadas da virtude, permanentemente à caça de qualquer dichote que não lhes agrade para derramar ódio e ridicularizar o seu autor. Parece que já nem se pode utilizar a expressão “raça lusitana”, para enaltecer os feitos dos portugueses, sem que isso ofenda uma infinidade pessoas. Bom, infinidade é uma força de expressão. A julgar pela representação parlamentar e eleitoral das famílias políticas dos ofendidos, não serão assim tantos. Uma minoria, bem vistas as coisas. Ruidosa, sim, mas cada vez mais minoritária, irrelevante e, lamentavelmente para a democracia, cada vez mais esquizofrénica.


Os ofendidos, curiosamente, são os mesmos que não se chatearam nadinha quando um grunho qualquer, um racista oriundo do Senegal que se tornou português, falou da “necessidade de matar o homem branco”. Uma metáfora, obviamente. Tal como isso da “raça lusitana”. Por este andar, mais tarde do que cedo, Luís de Camões será considerado um poeta racista, xenófobo, imperialista, quiçá de extrema-direita e acabará por ser cancelado. É só a esquerda, para desgraça de todos nós, regressar ao poleiro. Longe vá o agoiro!

sábado, 21 de junho de 2025

Liberdade para escolher

Tenho dificuldade em perceber a hostilidade que causa a muita gente a intenção do governo liberalizar a maneira como são pagos os subsídios de férias e Natal. A possibilidade do trabalhador escolher se recebe esses montantes em duodécimos ou continua a recebê-los como até aqui, tem suscitado, da parte de muita gente, uma inusitada indignação. Vá lá saber porquê. Vai ser, se o governo levar a ideia por diante, apenas dada a possibilidade de escolha. Ninguém será obrigado a nada.


Num país de ignorantes e de gente que não sabe gerir o dinheiro que ganha, outra coisa não seria de esperar. Que sejam incapazes de estabelecer prioridades e que necessitem que o patrão lhes faça um mealheiro para pagarem as férias, o IMI ou as compras de Natal é lá com eles. É mais ou menos o mesmo com o IRS. Preferem descontar mais todos os meses porque são incapazes de gerir o fluxo monetário que lhes chega à conta ou à carteira. Desde que não me aborreçam, pouco me importam estas opções de vida. Espero é que desta vez, com a esquerda longe do poder, possa ser concedida liberdade de escolha a quem pensa diferente. Por mais que argumentem, nesta matéria, são apenas esses dois conceitos que estão em causa. Liberdade e escolha.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Chamem o Putin...

Um pasquim, que noutros tempos foi um jornal à séria, escreve hoje na sua primeira página que a “Europa está preocupada com o discurso de ódio e neonazis em Portugal”. Pode, até, ser verdade. Depende é de que “Europa” se está a falar. Se calhar, nalgum gabinete de Estrasburgo ou Bruxelas, haverá alguém que para se entreter ou justificar o ordenado manifestará este tipo de preocupação. Nas capas da edição deste dia dos jornais mais conhecidos dos principais países europeus não existe a mais pequena referência a Portugal. Nem sobre aquele assunto nem sobre outra coisa qualquer. Como é, de resto, habitual. A Europa não quer saber de nós para nada. E, desconfio, ainda menos de meia-dúzia de idiotas que gostam de brincar aquilo do “Pedro e o lobo”. Aqueles parvos a quem não serviu de lição a multiplicação por sessenta dos deputados daquele partido que têm ajudado a crescer.


Voltando aos jornais, em Espanha as manchetes vão para o escândalo de corrupção a envolver o Primeiro ministro socialista e o PSOE – que faz José Sócrates parecer um menino de coro - e no Reino Unido para o caso das violações de milhares de meninas abafado durante anos pelo governo local. Obviamente, noticias que não interessam nada à comunicação social tuga. Apenas teriam interesse noticioso se as origens dos criminosos, num e noutro caso, fossem aquelas que importam ao activismo jornalistico.


Finalmente, ainda a propósito da overdose das noticias acerca da extrema-direita em geral e nazis em particular com que andamos a ser massacrados, começo a acreditar que estará a ser montada uma tramoia inspirada naquele clube que, aqui há uns anos, ficava sempre nos últimos lugares da classificação, mas nunca descia de divisão. Os jogadores não jogavam nada, mas o departamento jurídico era tão bom que, por mais que a equipa perdesse em campo o clube ganhava sempre na secretaria fazendo com que outro baixasse de divisão em vez dele. Não sei porquê, mas parece-me que alguém está a querer ganhar num tribunal qualquer o que perdeu nas urnas de voto. Com a exasperante lentidão da justiça se calhar é mais rápido chamar o Putin para desnazificar isto.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Mas, afinal, há ou não insegurança? Decidam-se, porra!

Desde há muito que a esquerda e a comunicação social procuram convencer os portugueses da existência de uma realidade que apenas existe nos ecrãs da televisão. Ainda me lembro, até porque não foi assim há tanto tempo, de toda a gente com voz nas Tv’s nos garantir que Portugal é um país seguríssimo, eram apenas “falsas percepções” e “injustificadas sensações de insegurança”. Ambas alimentadas pela extrema-direita, está bem de ver. Três meses depois – ou nem isso – os mesmos repetem agora que estamos no “país do medo”. Para esta drástica mudança de atitude bastou apenas um palerma perdido de bêbado ter dado – se é que deu, porque até agora ninguém viu a alegada vitima com as trombas deitadas abaixo – uns tabefes num actor qualquer. Que, vá lá saber-se porquê, nem se terá defendido do alegado agressor. E sendo verdade essa coisa da bebedeira, era capaz de nem ter sido muito complicado fazê-lo pois indivíduos nessas circunstâncias costumam ter alguns problemas ao nível do equilíbrio.


Terá sido este “medo” que levou a esquerda – que é como quem diz umas dezenas de desocupados, aqui ou ali - a sair à rua. Contra o fascismo, dizem eles. Uma ameaça que, garantem, é real e está ali ao virar da esquina. Por acaso hoje passei a várias esquinas e não me deparei com ninguém a ameaçar fosse o que fosse. Numa estava uma senhora idosa a fazer festas a um gato. Na altura nem a velhota nem o bichano me pareceram fascistas, mas depois de refletir melhor e como nisto do fascismo a esquerda e as televisões é que sabem, acho que a velha tinha um bigode à Hitler e quase ia jurar que a ouvi chamar o cabrão do gato por Adolfo.


Entretanto um comerciante estrangeiro foi assassinado por três “jovens”. O nome fofinho que a comunicação social atribui aos meliantes. Ao que sei ainda não foi marcada nenhuma manifestação contra o racismo, a xenofobia, o medo e restante lengalenga. Nem, tão pouco, a Leitoa, a Mortágua, o Raimundo e os activistas do costume foram distribuir cravos lá pela zona do assassinato. Sou eu que não estou atento às noticias ou é apenas a habitual hipocrisia dessa gente?

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Há dias assim...

O PCP já está naquela fase em que, pela sua insignificância, tem alguma piada. Pode dizer e fazer o que quiser que não suscita outra reacção para além de um encolher de ombros. Esta da “coragem para enfrentar a direita”, vinda de um partido que representa 2,91% dos portugueses, é hilariante. Ou ridícula, para quem tem ainda menos sentido de humor do que o PCP deputados no parlamento. Numa altura em que a direita tem cento e sessenta deputados, um slogan destes faz lembrar aquela coisa do catarro da formiga. O que pode ser mau. Se as autárquicas correrem mal e os comunistas perderem um número significativo das poucas Câmaras que ainda possuem, é capaz de ser uma chatice continuar a arranjar fundos para o tratamento da garganta…



Os discursos da escritora e do senhor Sousa, durante as comemorações do 10 de Junho, têm suscitado enorme entusiasmo entre as criaturas bem-pensantes. A converseta, ao que parece, envolveu a pureza do sangue não sei de quem e isso. Coisa que, vá lá saber-se porquê, desagradou a outros. Por mim, já que era para falar de sangue, tinham convidado o Drácula.



Entretanto um actor foi malhado à porta da sala onde ia representar uma peça. Tratou-se de um acto condenável e sobre isso nem há discussão possível. Desta vez, ao contrário do que acontece noutras ocasiões em que é exercida violência, foram de imediato conhecidas as conotações políticas, as motivações do agressor e estabelecidas as mais variadas associações a grupos ou ideologias. Da próxima vez em que automóveis atropelem multidões, facas ataquem pessoas aleatoriamente, espingardas desatem a disparar e contentores ou autocarros ardam descontroladamente certamente iremos assistir nas TV’s a igual rigor na apreciação das ocorrências.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Dia de Portugal

semaforo.jpg


Nunca fui muito dado a essa coisa do patriotismo. Deve ser por isso que, ao contrário da esmagadora maioria dos portugueses, os sucessos ou insucessos da equipa da FPF não me suscitam grandes emoções. Faz-me, até, alguma confusão como é que alguém que não faz a mais parva ideia do que é um fora de jogo pode ficar quase histérico quando joga a selecção. Mas ainda bem que assim é. Pelo menos quando o Putin - ou outro maluco qualquer – se lembrar de nos invadir as forças armadas não terão falta de militares para defender o país. Mesmo os que já não tiverem idade, nem condições para se alistarem na tropa, de certeza correrão a voluntariar-se para servir na defesa civil e defender o território que é nosso. Com tanto fervor patriótico como o que tenho visto desde o fim de semana, tenho a certeza que qualquer inimigo bate de imediato em retirada. Ou, na hipótese de serem parvos o suficiente para persistir na tentativa de nos ocupar, atropelamo-los nas passadeiras. Patrioticamente.

domingo, 8 de junho de 2025

Em Gaza, por exemplo, não têm estes problemas...

vvvvvvvv.jpg


Há quem ainda não tenha digerido os resultados das últimas eleições. Três semanas depois já era tempo da azia ter passado. A mim, das muitas vezes que ganha o PS, abala-me mais depressa. Mesmo que continue a achar que quem optou por esse partido fez uma opção que não foi a melhor para o país e que a mesma é prejudicial para os interesses dos portugueses em geral. Mas, sejam quais forem os resultados eleitorais, há que respeitar a vontade do povo e quem não a respeita também não merece ser respeitado. Os eleitores escolhem quem querem e votam em que muito bem lhes apetece. Chama-se democracia, ou lá o que é.

Ocorre-me este arrazoado por causa de uma conversa – na verdade foi mais um monologo, porque a criatura pôs a “espingarda à cara" e ninguém a calava – que tive na semana passada na sala de espera de uma clínica. A boa da senhora – boa é uma força de expressão, obviamente – ainda estava possessa por o Chega ter vencido as eleições aqui no concelho. Perante uma audiência de mais de uma dúzia de pessoas chamou de tudo aos eleitores cá da terra. E nem quando eu – feito parvo, devia era estar calado como os demais – lhe tentei, alarvemente reconheço, lembrar que o sol continuaria a nascer no mesmo lugar e nós a receber o ordenado no mesmo dia a coisa melhorou. Acho até que piorou. A sorte, pelo menos a minha, é que entretanto fui chamado pela enfermeira.

Ou seja, o povo apenas está certo e as pessoas são inteligentes e merecedoras de respeito quando pensam da mesma maneira que nós. Caso contrário são umas bestas. Não tem mal nenhum que uns quantos pensem assim. Nem que o verbalizem. Afinal, há vozes que por mais alto que vociferem não chegam ao céu. Ou, como diria a minha avó a propósito daqueles que exibiam uma alegada superioridade moral em relação aos demais, “gaba-te cesto, que estás todo roto”.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Sensações...

“Isto da insegurança está cada vez pior” é uma frase, com uma ou outra variante, que vou ouvindo cada vez com mais frequência. Verdadeira, se calhar. Ainda esta semana tivemos ocasião de assistir, pela televisão, a dois momentos que nos podem levar a dar razão a quem manifesta este sentimento. Num deles um velhote atirou-se ao cachaço de uma chalupa que guinchava coisas acerca de um alegado genocídio. Noutro, um grupo de meliantes estrangeiros – embora não haja indícios que existam patifes de outras nacionalidades entre nós – assaltou um banco no Alentejo.


Há, por outro lado, quem insista em argumentar que não há cá nada insegurança nenhuma. Tudo não passa de sensações alimentadas pela extrema-direita fascista, racista, machista, populista, misógina, xenófoba e o que mais vier à cabeça dos alucinados de turno. Gente que, admito, pode ter toda a razão quanto a essa cena da segurança. É que, no primeiro caso, a gaja mal apessoada conseguiu vender as tretas delas e sair dali com as carnes intactas. Sem, sequer, dando oportunidade a que alguém lhe atirasse com um dicionário a cima. Na segunda situação, creio, existirá um equivoco. Os cavalheiros vindos da estranja para salvar a segurança social apenas quiseram apressar as coisas fazendo uma contribuição mais avultada. Acelerar o salvamento, no caso. E quanto aos alentejanos desocupados que filmaram a cena toda, que se ponham a pau com essa patetice da protecção de dados ou lá o que é.

terça-feira, 3 de junho de 2025

O paposseco gourmet

IMG_20250602_075424.jpg


Chamem-lhe carcaça, casqueiro ou pãozinho na versão moderna e amaricada para mim será sempre um paposseco. Mas se o nome pelo qual é conhecido varia em função da região, o tamanho vai diminuindo à medida que o preço cresce. Este, comprado numa padaria tradicional, tem as dimensões que se podem apreciar tendo por comparação um cartão de fidelização de um supermercado. É o pão perfeito para dietas radicais. Daquelas que se fazem, por esta altura do ano, na tentativa desesperada de voltar a ver os dedos dos pés quando se caminha à beira-mar. Um nano-panito, quase. Deve ser um produto inovador da moderna industria da panificação concebido a pensar naquelas pessoas que não têm tempo para mastigar. Dá-se uma dentada e já acabou. Nem dá para saborear. O que, convenhamos, também não constitui nenhum drama dado que o sabor, a existir, apenas pode ser apurado em laboratório. Embora, com o marketing adequado, possa ser vendido como um produto gourmet ou lá o que chamam aquelas cenas de aspecto duvidoso que servem aos parolos como “experiência”.

domingo, 1 de junho de 2025

Histórias da velha à soalheira

Um trabalho de investigação jornalística permitiu concluir que uns quantos médicos terão ganho uma pipa de massa - umas centenas de milhares de euros, no caso – num espaço de poucas semanas. Tudo, ao que parece ter concluído a tal investigação, graças a um esquema manhoso qualquer. Uma coisa, alegadamente, assim do tipo “marquem lá essa operação para o dia em que eu estou de folga, que assim ganho mais uns trocos”. Isso ou algo parecido. Vai dar ao mesmo.


Não consegui evitar um sorriso quando ouvi a noticia. Lembrei-me da minha avó. Nomeadamente das histórias que ela inventava para me entreter. Ocorreu-me uma em que, de acordo com a sua mente delirante, os funcionários das autarquias de um país longínquo eram tão mal pagos, mas tão mal pagos, que para terem um ordenado decente "trabalhavam" muito para além do horário. Um deles terá até, em certa ocasião, "trabalhado" vinte seis horas num só dia. Contava-me ela – calculo que tenha inventado, mas não interessa nada – que, apesar de quase todos ganharem apenas o salário mínimo, recebiam sempre o dobro disso no final do mês. Graças, tal como agora acontecerá com os médicos, a um conjunto de esquemas manhosos. Alegadamente, como sempre acrescentava.


Por mim, nada sei destas cenas. Nem dos médicos de cá nem dos trabalhadores das câmaras de países distantes. Sei apenas que, a ser verdade, o dinheiro que foi parar aos bolsos de uns e outros – muito ou pouco – saiu do bolso de quem paga impostos. Não espero que essa malta se envergonhe do que, a ser verdade, tenha feito ou continue a fazer. Nem eles nem quem – a acontecer - permite essas mahosices. 

sábado, 31 de maio de 2025

É a democracia, estúpidos!

Eleições, em democracia, nunca são um problema. Os resultados, por mais que nos desagradem, também não. Tudo é transitório e, na pior das hipóteses, os governos apenas duram quatro anos. Depois, se o povo não estiver satisfeito com a experiência, escolhe outros.


Cinquenta anos depois já devíamos estar habituados. Mas não. Há quem ainda não perceba que a democracia também funciona quando os outros ganham e não apenas quando os eleitores votam “como deve ser”. Ou seja, de acordo com as nossas escolhas. Não vale a pena chamar fascistas a vinte e não sei quantos por cento dos portugueses, guinchar “não passarão” ou proclamar que vem aí o fim dos tempos. Não adianta. O mundo vai continuar a girar, o sol a nascer no mesmo lugar, passará quem tiver de passar e a minoria ruidosa continuará cheia de azia se – muito legitimamente, como é óbvio – continuar indignada.


Recordo-me de há relativamente pouco tempo, no tempo da famigerada Geringonça, existir gente visivelmente entusiasmada com o rumo que o país estava a levar e garantiam a quem não concordava que o melhor era habituarmos à ideia da coisa ser para perdurar no tempo. Eram, apesar de terem perdido as eleições, a maioria parlamentar. Hoje constituem uma minoria sem qualquer relevância, mas, mesmo assim, mantêm a arrogância de sempre. Para eles são outros que estão errados. São os donos da razão. Os supra sumos da inteligência e os demais uns pobres diabos. Até gente com evidentes problemas cognitivos, fruto da consanguinidade resultante do casamento entre primos, faz proclamações inflamadas acerca dos perigosos avanços da direita. Coitados.


Por mim prefiro os que dizem, seja em que circunstância for, “Há governo?! Sou contra!”. Pelo menos são mais coerentes.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Artezinha da boa...

IMG_20250522_203048.jpg


Também nesta fotografia, à semelhança da que ilustra o post anterior, podemos observar uma intervenção artística em meio urbano. Parece, até, obra do Bordalo II. Mas não será. Deve ser coisa de outro artista qualquer. Menos afamado, por certo. Por mim, que de artes pouco percebo, chamaria a esta criação “a aparência da desarrumação”. Os objectos, dispostos de forma aparentemente aleatória em torno de uma fonte, podem dar uma aparente ilusão de caos. Só que não. Tudo aquilo gira – na verdade estão quietos, mas isso para o caso não interessa nada – em torno do fontanário. Seco, tal como todos os “bazaréus” espalhados em seu redor. O autor tenta transmitir-nos a ideia de vazio, de indiferença e de aridez enquanto mescla com sucesso o antigo e o contemporâneo. A embalagem de cartão virada ao contrário pode levar o espectador menos atento a pensar que ficou ali por esquecimento. Pois que se desengane. Ela remete-nos para a transitoriedade da desarrumação e para a efemeridade da arrumação. Ou como quase sempre acontece nisto da cultura, para iludências que aparudem.

sábado, 24 de maio de 2025

Arte...

IMG_20250515_120757.jpg


Nesta foto, obtida no norte do país, podemos observar um amontoado de sacos de serapilheira, provavelmente cheios de terra, de onde nasceu toda aquela erva. Esta obra de arte – não se riam, estou em condições de garantir que é mesmo arte – pode ser apreciada ao vivo em frente ao edifício da Câmara Municipal lá do sitio. Diz quem percebe destas coisas da cultura, que se trata de uma intervenção artística que convida à reflexão sobre a identidade cultural da vila, a importância do vinho da região e a relação entre o ambiente natural e o espaço urbano. Talvez. Eu, gajo pouco dado às divagações alucinadas propostas pelos "Sempre em Festa"*, por mais que tentasse não consegui refletir acerca dos temas sugeridos. Só me apeteceu, confesso, arrancar as ervas.


* ”Sempre em Festa” é a forma carinhosa pela qual são conhecidos, entre o pessoal da área financeira das autarquias, os colegas que trabalham nas actividades culturais. Não sei quem foi o “padrinho”, mas ouvi-a pela primeira vez, já lá vão muito mais de trinta anos, a um brilhante economista e comunista da velha guarda que se arrepiava com estas coisas. 

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Cada qual sabe dos seus precisos...

De acordo com um estudo divulgado por estes dias, três em cada cinco portugueses não têm dinheiro para as necessidades básicas. Assim de repente, a primeira coisa que me ocorreu foi culpar as políticas socialistas dos últimos trinta anos. Mas, após um segundo olhar para as conclusões dos estudiosos, deu-me para desconfiar. Se calhar não é bem assim. Ou, como diria o camarada Raimundo, o problema não esse, concluindo que as necessidades básicas do povo têm que ser satisfeitas pelo Estado.


Por mim, reitero, desconfio destes estudos manhosos e, principalmente, das manhosices de quem os faz. A começar por essa coisa das “necessidades básicas”. O que constitui uma necessidade para uns, não constituirá para outros. Acredito que emborcar cervejas, meter cenas para a veia ou viajar para destinos exóticos possa ser uma necessidade do mais básico que há. Até para muitos falidos.


Depois o dinheiro. Ou a falta dele. Nunca existiu tanto dinheiro em depósitos a prazo e em certificados de aforro como agora. E isto não não estudos nem opinião, são dados mensuráveis. Ora estes métodos de poupança não são opção para gente rica. Esses investem noutras coisas. Ou, se calhar, põem-no ao largo. Logo, se calhar, não haverá assim tanta dificuldade em poupar, porque o dinheiro depositado nos bancos ou emprestado ao Estado tem de pertencer a alguém.


Que há pessoas a viver com dificuldade em matéria de graveto, há. Sempre houve e sempre haverá. Mas, felizmente e apesar das mal-feitorias que têm feito aos portugueses, não estamos tão mal como nos querem fazer crer. As pastelarias, os cafés, as manicuras, as lojas de tatuagens, as agências de viagens, os pontos de venda das raspadinhas não me deixam mentir.Esses e outros.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Uma chatice, essa coisa do povo votar...

Não há nenhum animal que tropece duas vezes na mesma pedra. Ou melhor, há um. O homem. Ou a mulher, tanto faz. Este principio pode muito bem ser aplicado aos activistas disfarçados de humoristas e demais paineleiros televisivos, radiofónicos e dos restantes meios de difusão da opinião. Aquela gente não aprende. Andam há anos a fazer propaganda descarada, inclusivamente na comunicação social gerida pelo Estado, visando por todos os meios evitar que os eleitores votem no Chega. Ainda não perceberam que apenas conseguem produzir – como os resultados eleitorais têm demonstrado eleição após eleição – exactamente o efeito contrário. Até eu, casmurro que nem uma porta e que posso ser tudo menos influenciável, tive de deixar de ver o programa do RAP e mudar de canal quando alguns comentadores vomitavam as suas opiniões. É que, se continuasse a ouvir aquelas avantesmas, ainda corria o risco de me convencerem a votar no partido do Ventura.


Também entre os partidos é total a falta de noção acerca do sentimento generalizado entre a população. Usar a causa palestiniana ou pretender baixar o preço das casas, num país onde a esmagadora maioria das pessoas se está a marimbar para o que se passa em Gaza e mais de setenta por cento é proprietária de imóveis, só podia dar o resultado que deu ao BE. Ou, no caso do PCP, promover mais uma greve nos transportes mesmo em véspera de eleições afigura-se uma atitude pouco inteligente. Quanto ao PS o caso é ainda pior. Ou arrepiam o caminho em direcção à bloquização e voltam a ser o partido de “Mário Soares” ou o futuro não lhes reserva nada de bom. Mas isso é lá com eles. Por mim podem continuar assim.


Por último, outra metáfora a envolver a bicharada. Poucos gostamos de lobos. Menos ainda de tê-los por perto. No entanto todos compreendemos que são fundamentais ao equilíbrio do eco-sistema. Nomeadamente no controlo das espécies que, pela sua multiplicação descontrolada, representam uma ameaça. Como, por exemplo, os javalis. 

domingo, 18 de maio de 2025

Quem vier atrás que pague a dívida

As maiores Câmaras do país estarão, ao que tem sido noticiado, cada vez mais endividadas. As outras, salvo uma ou outra excepção, deverão estar a seguir o mesmo caminho. Ou seja, os autarcas portugueses não aprenderam nada com a tragédia que culminou em dois mil e onze com a intervenção da troika a pedido do governo do partido socialista.


Se, então, o comportamento de quem governava as autarquias era criticável, desta vez é muito pior. Naquela época parte significativa da divida acumulada era resultante de empreitadas de obras públicas. A maior parte de utilidade duvidosa – estádios do euro 2004, centros culturais e outros delírios megalómanos – mas, pelo menos, havia algo tangível. Hoje, desconfio embora admita que possa estar equivocado, a responsabilidade pela dificuldade em manter as contas equilibradas dever-se-á às despesas em futilidades, vaidades pessoais e às políticas absolutamente desvairadas no âmbito da gestão de pessoal e de subsidiação de tudo o que pode garantir votos. Até porque este comportamento pouco parcimonioso na gestão do dinheiro dos contribuintes goza, estranhamente, de um forte apoio popular. É o que eleitos e eleitores têm tendência a pensar. Se calhar, tal como o passado já mostrou, é apenas uma percepção.


Reconheço que os números, quando torturados, dizem aquilo que nós quisermos. Os credores, aqueles que ficam meses ou anos à espera de receber “o deles”, costumam dizer sempre o mesmo. E, por norma, não é bonito de ouvir.

sábado, 17 de maio de 2025

Apedeutas alarves

A ofensa da moda – nas redes sociais, pois ao vivo e a cores a coisa fia mais fino - é chamar acéfalo a qualquer um a propósito de tudo e, principalmente, de nada. Basta um scroll apressado e lá estão eles, empunhando o teclado como espada, prontos a defender a honra da sua opinião — quase sempre copiada de um meme mal traduzido — com a subtileza de um rinoceronte numa loja de cristais.


Estes novos paladinos da razão têm um insulto favorito: “acéfalo”. É a sua palavra mágica. A Excalibur do ignorante militante. Usam-na com uma frequência tal que, por momentos, somos levados a pensar que o termo perdeu todo o seu significado original. Coisa que, se calhar, desconhecem. Aliás, é de crer que muitos deles julgam que "acéfalo" é uma espécie de detergente ou suplemento alimentar.


Com uma ortografia claudicante e uma sintaxe que faria corar um tradutor automático, lá estão eles, a despejar sentenças com a solenidade de um juiz, mas com a profundidade analítica de um piropo atirado de cima de um andaime por um qualquer trolha em dia de pouca inspiração. Não discutem, sentenciam. Não dialogam, decretam. E se alguém ousa discordar, o veredicto é fulminante: “acéfalo”.


São as maravilhas da era digital. Gente que mal domina o próprio idioma, mas se sente intelectualmente autorizada a distribuir certificados de inteligência. Pessoas que mal conseguem conjugar um verbo, mas que se sentem investidas da autoridade moral de chamar ignorante ao mundo inteiro. São  semianalfabetos com delírios de Sócrates. O filósofo, não o outro, embora as semelhanças sejam irónicas.


Esses cruzados da opinião alheia não querem diálogo, querem catequese. Quem não comunga da sua fé política, desportiva ou do que mais calhar está automaticamente excomungado da inteligência, por decreto de alguém que escreve “noço” e confunde “haver” com “a ver”. E assim seguimos, navegando num mar de sapiência de rodapé, onde cada analfabeto funcional é também um pequeno inquisidor das ideias. Porque, no fim de contas, pensar dá trabalho e repetir insultos dá muito mais likes.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Papas e tolos

IMG_20250424_102543.jpg


O público dos canais generalistas, nomeadamente o da manhã, não será particularmente exigente. Digo eu, que para além de gostar de dizer coisas – a maioria das quais para não levar a sério – raramente tenho ocasião de desfrutar dos momentos televisivos de inusitada idiotice que a programação televisiva daquele horário nos proporciona. É o que dá um gajo, ao contrário de outros que se andam para aí a lamuriar, ter de trabalhar muito para além da idade a que esses lamurientos se retiraram do mercado de trabalho.


Ainda assim, enquanto beberrico o meu cafezinho do meio da manhã, lá vou assistindo a uns minutos daquilo. Velhas aos pinotes, criaturas a confecionar o almoço e outros temas de inaudita relevância como unhas encravadas, má-língua e mexericos diversos, problemas relacionados com as partes pudibundas ou outras questões de elevada pertinência vão animando a malta. O que é bom. Se estiverem contentinhos é menos provável que aborreçam os demais.


Dado o ruído de fundo, não ouvi a dissertação acerca do assunto abordado na conversa que a imagem ilustra. Não devo ter perdido grande coisa. Até porque isto já foi tudo muito mais católico e mesmo os que ainda são católicos já não são o que foram.

sábado, 10 de maio de 2025

Acham pouco? Aguardem até ver a vossa...

Velhota indignada: - Tenho uma reforma de trezentos e oitenta euros…


Luís Montenegro: - É o reflexo da sua carreira contributiva!


Esquerda em geral, comentadores e outros idiotas: - Que falta de empatia, de vergonha e de respeito!


A sério?! Mas o que queriam que o homem dissesse à senhora? Bem ou mal, a pensão que cada um recebe corresponde a uma parte daquilo que era o vencimento sobre o qual descontou. E, no futuro, essa parcela tenderá a ser cada vez menor. Por mim estou mais do que ciente que, quando me aposentar, a minha pensão irá padecer do mesmo mal. Ficará bastante longe do vencimento que tenho hoje e sobre o qual o Estado me confisca uma parte bastante significativa. Mas, disso, ainda não ouvi a esquerda em geral, comentadores e outros idiotas falar de falta de empatia, de vergonha e de respeito. Nem uma indignaçãozinha, ainda que ligeira, isso lhes suscita. Dizem até, que eu bem os ouço, que a culpa é da demografia e só vou ter reforma porque os imigrantes vieram tratar de ma pagar. É mesmo isso, que eu sei. Conheço uma que passa os dias sentada à porta de casa, a apanhar sol aos cascos, que já deve estar cansada de tanto contribuir.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Dar colinho ao passarão

A esquerda está a ser levada ao colo pela comunicação social. Se não vencer as eleições será apenas por uma questão de inépcia dos seus lideres. Que, diga-se, não se cansam de dar tiros nos pés. São uns atrás dos outros. Mesmo que os jornalistas não os macem com perguntas difíceis, eles tratam de apontar directamente aos seus próprios cascos e puxar o gatilho sem dó nem piedade. PNS foi ontem, a propósito da greve dos comboios, um exímio praticante dessa arte. Aquilo, a bem dizer, mais pareceu uma bazucada. Colocar-se contra as centenas de milhares de pessoas – pobres, com baixos salários e que se não trabalharem não recebem ordenado – que dependem daquele meio de transporte, não é de gente inteligente. Nem decente. Para concluir o momento de desnorte, referindo-se à necessidade de rever a lei da greve, soltou um vigoroso “não passarão!”, palavra de ordem muito apreciada pelo esquerdume. Só faltou o punho erguido. Mas, de alguma forma, tinha razão. Não passaram, não passam e provavelmente continuarão a não passar. Os comboios, claro. Os socialistas e todos os que anseiam por uma frente popular que conduza o país ao caminho para o socialismo e à miséria - passe o pleonasmo – esses, passarão à vontade. Pelo menos no que depender dos jornais, rádios e televisões. Não admira que, quase todos, estejam na falência.

terça-feira, 6 de maio de 2025

De Espanha nem bom vento...

Diz que, desde o apagão, o país deixou de importar energia produzida em Espanha. Agora, parece, estamos a consumir eletricidade quatro vezes mais cara. Que um dia destes, obviamente, acabaremos por pagar. É, reconheço, uma boa medida. É mais cara, mas é nossa. Da boa. Que isto, toda a gente sabe, nada do que vem de Espanha presta para alguma coisa. Enquanto a eletricidade portuguesa carrega a bateria de um automóvel elétrico, a espanhola, por exemplo, mal dá para fazer uma torrada. E o mesmo acontece com tudo o resto. A gasolina é outro caso. A malta enche o depósito no “Carrefour” de Badajoz e quando chega a Elvas já a luz da reserva está acessa. Ainda não há muito tempo comprei, na dita superfície comercial, uma tablete de chocolate, daquelas de quase meio metro, e ao passar a fronteira já a tinha acabado. Também o gás espanhol - de que tanto se fala pela barateza por comparação com o nosso - é bastante mais barato, mas uma botija mal dá para aquecer um gaspacho. Pior ainda são os preservativos. Não vale a pena comprar do lado de lá. Ainda que mais em conta, são significativamente mais pequenos que os que se compram por cá. Vá lá saber-se porquê.


Depois de todos estes exemplos nem vale a pena referir que, por maioria de razão, o nosso Sol e o nosso vento também são muito melhores. Não é por acaso que a sabedoria popular garante que de Espanha não vem bom vento. O Sol espanhol nem sequer provoca um escaldão – quanto mais aquecer um painel – e se o vento nem desmancha um penteado, muito menos faz mexer as pás de uma eólica.

domingo, 4 de maio de 2025

Spinum quê?

A comunicação social, a esquerda em geral e a direita trauliteira têm-se esforçado por fazer da “Spinumviva” o tema central da campanha. Não estão a conseguir. A bem dizer, ninguém na rua quer saber disso. O eleitor comum não sabe a que se referem, não quer saber e, quando se insiste no assunto, costuma rematar com um “são todos iguais”. A mim, o que me faz mais confusão é existir um leque tão grande de aspectos onde se pode questionar a actuação do governo e apertar com as criaturas e a oposição vai logo buscar um tema que, está mais que visto, apenas importa a uma pretensa elite que vive longe dos eleitores e notoriamente desfasada da realidade.


O PCP, já escrevi isto vezes sem conta, tentou o mesmo em 1979. Até fotocópias de cheques e de outras alegadas evidências contra Sá Carneiro publicou no seu, então, jornal oficial. O pasquim “O Diário”, de má memória. O resultado foi, para os que não sabem, a maioria absoluta da AD nas eleições para as quais os comunistas prepararam essa campanha. Nenhum animal, nem os burros, tropeça duas vezes na mesma pedra. Esperar o mesmo dos socialistas, esquerdistas e outros extremistas é ter demasiada fé na humanidade. Esta gente já deu sobejas provas que insistirá sempre na mesma receita, esperando que acabe por dar um resultado diferente. Nem os burros acreditam nisso. Mas esses são inteligentes.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Prioridades. Cada um tem as suas...

Cada qual gasta o dinheiro que tem – ou, até mesmo, o que não tem – naquilo que muito bem lhe apetecer. Não tenho nada a ver com isso, desde que não me peçam emprestado. Nem tenho eu nem tem ninguém. O que acho verdadeiramente extraordinário é haver gente que esturra – muito legitimamente, reitero – os seus proveitos em coisas supérfluas ou futilidades e depois se queixe das dificuldades da vida, atirando quase sempre a culpa para terceiros. Seja o governo, o patrão ou outros malandros quaisquer que os impedem de ter aquilo que ambicionam.


Por estes dia, no maior evento que se realiza cá no sitio, não há tasca, tasquinha, roullote, restaurante ou o que seja que venda comes e bebes de qualquer natureza que não esteja a abarrotar. E são incontáveis os espaços desse tipo de negócio em todo o recinto. Ainda bem que é assim e nem é isso que está em causa. Lamentável é que, provavelmente, muita dessa malta, enquanto emborca uns canecos e degusta uma qualquer iguaria, queixa-se da dificuldade em pagar as contas e indigna-se com os especuladores que exigem mundos e fundos pelas casas que vendem ou arrendam.


São muito engraçados, eles. Esturram o seu dinheiro como muito bem querem, mas criticam os outros pela forma como o ganham. Ouvir algumas conversas trouxe-me à memória um autocolante, do tempo do PREC, que ostentava uma frase que dizia algo deste género: “Tens inveja? Trabalha, malandro!”. Continua a fazer sentido.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Estudos, poupanças e analfabetismo em geral

Um estudo qualquer revelou hoje, entre outras coisas acerca da realidade actual do país, que a maioria dos trabalhadores são mais qualificados que os patrões. Adianta ainda o mesmo estudo que Portugal lidera na União Europeia o ranking de empregadores sem escolaridade. Ambas as coisas, ao que fui ouvindo ao longo do dia, são más. Ao que dizem os especialistas especialmente especializados na análise de estudos acerca de coisas que não interessam para nada. Até porque se trata de algo de fácil resolução. Basta que os trabalhadores – mesmo que apenas uma pequena minoria – abram a sua própria empresa e passem à condição de patrão. Se até alguém sem escolaridade consegue, uma criatura com um “canudo” não é capaz? Ou será que a parte do estudo acerca da capacidade de iniciativa dos portugueses ficou por divulgar?


Entretanto acabo de ver na TV a sugestão de um guru da poupança acerca da maneira de aumentar o reembolso do IRS do próximo ano e, confesso, ia caindo do espanto abaixo. O homem sugeriu que peçam à empresa para, mensalmente, fazer uma retenção maior. Eu sei que vivemos um processo de infantilização da sociedade, mas pedir ao Estado que me vá guardando todos os meses dinheiro para depois, lá mais para a frente, voltar a dar-mo todo junto porque eu não tenho capacidade para gerir o meu ordenado, já é um bocadinho demais. É coisa para gente mesmo muito poucochinho. Mas que, apesar de não saberem governar a própria vida, conhecem todas as soluções para todos os males do mundo. Lamentavelmente também votam.