

Por causa da chamada crise da habitação, a questão da propriedade voltou a suscitar discussões mais ou menos animadas, artigos de opinião e a ser debatida de uma maneira que eu supunha ter ficado enterrada pelos finais da década de setenta do século passado. Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que em democracia esse seria um tema consensualmente aceite. Parece que não. Há quem ache que a propriedade não é para aquilo que os seus legítimos donos entenderem fazer com ela, mas antes para estar ao serviço do país. Sendo isso o que for. Ou, melhor, o que quem assim pensa quiser que seja.
De certa forma esta gente diverte-me. Cobiçam as casas dos outros e manifestam uma imensa vontade de nelas habitar – provavelmente de borla ou, quando muito, ao preço que determinarem como justo – mas não invejam, por exemplo, as terras que há por aí ao abandono. Bem que podiam aplicar o mesmo principio aos terrenos abandonados e, até, reivindicarem o direito a utiliza-los para produzirem os seus próprios alimentos. Podiam, sei lá, plantar cebolas, pimentão e tomate. Já dava para as saladas e isso. A chatice é que dá trabalho, coisa de que a maioria desse pagode não é especialmente apreciador.















