
Actualmente cada um identifica-se como muito bem lhe apetece. Há homens que se sentem mulheres, mulheres que se identificam como homens, pessoas que se sentem animais e toda uma panóplia de situações cujo limite é apenas o da imaginação. Todos exigem que as suas escolhas sejam respeitadas e o legislador a todos tem feito a vontade. E, naturalmente, muito bem que isto o que importa é que cada qual se sinta feliz. Se, por exemplo, o meu vizinho me garantir que é um balde de merda e exigir ser tratado como tal, é óbvio que terei todo o gosto em lhe fazer a vontade, que eu cá não sou de desrespeitar ninguém.
Tenho, reitero, o maior respeito por toda esta gente. Eu próprio, confesso, não me sinto identificado com o que insistem em identificar-me. Sinto-me um funcionário público com setenta anos, mas, ao contrário de todos os outros malucos, ninguém me leva a sério. A começar pela Caixa Geral de Aposentações. Para já não falar dos gajos do cartão do cidadão. Por mais que lhes garanta que me sinto um septuagenário, insistem em não reconhecer essa minha condição. Já se fosse para mudar de sexo ai deles que me contrariassem... e depois ainda dizem que não há discriminação. Ai não, que não há.






















