domingo, 2 de maio de 2021

Frutos vermelhos e politicos da mesma cor

Muito se tem falado e escrito acerca daquela questiúncula de Odemira que envolve migrantes, covid e cenas manhosas. Vai um grande alarido por os tais migrantes, oriundos na sua esmagadora maioria de paises onde devem ter uma qualidade de vida de fazer inveja a qualquer português, viverem amontoados às dezenas em casas alugadas onde pagam cem euros por uma cama. Olha que admiração. Lá por andarem com telemóveis que custam centenas de euros não quer dizer que estejam dispostos a pagar mais de metade do ordenado para morarem sozinhos num T1. 


Depois há a ideia peregrina do governo  proceder à requisição civil - uma espécie de nacionalização provisória -  de um empreendimento turistico, com casas particulares à mistura, para instalar os trabalhadores agricolas que tenham de fazer quarentena. Apesar de ter ao dispor outras soluções, menos incomodas, mais pacificas e quase de certeza muito mais baratas, os socialistas malucos com tiques de comunista que mandam nisto tudo resolveram criar algazarra com uma opção claramente ideologica. Embora com pouca esperança, espero que os portugueses tenham a clarividência suficiente para perceber o que nos acontecerá se esta gente se mantiver no poleiro muito mais tempo. Ficar sem casa pode ser uma delas. E não, não me interessa nada se é a segunda ou a décima quinta habitação. 


Questiona-se - mais do que isso, condena-se - a prática agricola que se verifica naquela zona. Não admira. Não se pode explorar petroleo, impedem-se pesquisas de metais preciosos, proibem-se minas de litio, limita-se a agricultura e, de maneira geral, boicota-se tudo o que envolva geração de riqueza.  Desconheço que solução preconizam. Nem essa imensa horda de inúteis saberá, quase de certeza. Provavelmente pensarão que devemos todos viver sem nada produzir e à conta do Estado. Uns idiotas. Ainda não conseguiram perceber que é o Estado que vive à nossa custa e que se nada produzirmos simplesmente não há Estado que sobreviva. Quanto mais que possa sustentar quem quer que seja.

sábado, 1 de maio de 2021

Já reivindicavam qualquer coisa que valesse a pena...

Gosto do 1º de Maio, nomeadamente por ser feriado. Tenho, também, um enorme apreço por quem se dá ao incómodo de, neste ou noutros dias, ir para a rua reivindicar mais direitos, um salário maior, menos horas de trabalho e mais umas quantas coisas que agora não me ocorrem mas, de certeza, serão muito importantes para quem trabalha. Já por aqueles que, ano após ano, repetem neste dia os mesmos lugares comuns não nutro grande simpatia. O que me aborrece profundamente é nem uns nem outros se lembrarem dos impostos. Principalmente os que nos comem parte significativa do vencimento. Até parece que essa malta não sabe fazer contas. Ou, então, não percebe que pouco importa ter um salário maior se aquilo que verdadeiramente importa é o dinheiro que cada um leva para casa. Bem podiam, por isso, mudar o discurso. Repetem há quase cinquenta anos as mesmas tretas. Está na altura de começar a reivindicar o que é importante. Ou será que esta gente anda toda a fugir ao fisco e recebe o ordenado por baixo da mesa?

sexta-feira, 30 de abril de 2021

É uma casa muito engraçada...é de borla, não custa nada!

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Diz que vão dar casinhas. Daquelas a sério, onde podem morar pessoas e isso. Desconheço quem serão os felizes contemplados com tão generoso presente. Só sei quem vai pagar tanta generosidade. Os do costume. Aqueles que por estes dias estão a receber as cartas das finanças com a continha do IMI e do IRS. Mas não faz mal. No fundo é gente que, assim como assim, já está habituada. Se paga tanta coisa, por que raio não há-de também pagar a casa a um desgraçadinho? E, por outro lado, se já dão tanta coisa ao desgraçadinho, por que raio não lhe hão-de, também, dar uma casa?


Ando há anos a dizer que quem der casas não ganha eleições. Lá mais para a frente saberei se tenho ou não razão. Havendo um estranhíssimo consenso sobre este assunto entre as forças políticas maioritarias, provavelmente a minha profecia não se concretizará. Não terão é o meu voto.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Matar e fuzilar, pode-se. Exterminar é que não.

A indignação selectiva é das coisas que mais me aborrece. Hoje o alvo é a candidata do PSD à Câmara da Amadora por esta ter manifestado o desejo de ver o Bloco de Esquerda exterminado. Presumo que a senhora, tal como o Dr. Mamadou – criatura com conhecidas ligações, presentes ou passadas, ao BE – quando pretendia matar o homem branco, tenha falado metaforicamente. Como, de resto, parecerá óbvio a qualquer pessoa razoavelmente inteligente. Grupo de onde muito pessoal de esquerda parece fazer questão de se excluir.


A berraria dos esquerdistas e da muita comunicação social que lhe lambe as botas não me surpreende. É gente, como se tem visto ultimamente, que se consideram os novos donos disto tudo. Até o direito à metáfora lhes está reservado, acham eles. Continuem assim e, mais cedo do que tarde, vão ter um lindo enterro. Metaforicamente. 


Já agora, se mal pergunto, quando a UDP - um grupelho de onde saiu o Bloco de Esquerda - apelava ao fuzilamento de alguns portugueses também estaria a usar uma metáfora? 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Valores de Abril... demagogia mil!

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Já se calavam com essa treta dos “valores de Abril”. Aquilo que muita gente repete até mais não mas que ninguém, ao certo, sabe o que é. Mais ou menos como a ética republicana. Outra treta que de vez em quando se ouve sem que se desconfie o que seja. Uma e outra servem para tudo e mais um par de botas. Esses supostos valores e essa alegada ética qualquer um os defenderá e todos a seguirão. Pelo menos da boca para fora. Do bolso para dentro já é outra conversa.


É maioritariamente à esquerda que se apregoam estas balelas. Pena que quando são atiradas para o ar ninguém os questione acerca do que, efectivamente, querem dizer. Por mim interrogo-me se entre esses tão propalados valores, alegada ética e, até, uma auto-proclamada superioridade moral – não raras vezes, também, intelectual – estarão incluídos os valores defendidos por uma organização que, embora com outro nome, anda agora pelos corredores do poder de mão dada com o partido socialista.   

terça-feira, 27 de abril de 2021

E(ra) - Toupeira

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Como ontem dei conta, no post abaixo, as toupeiras atacaram a horta e, hoje, os estragos já são visíveis. Parece que, ainda assim, a melhor solução é afugentá-las com umas cenas que emitem um sinal sonoro que, diz, é extremamente desagradável para o bicho. Diz, pois até agora não há noticia de queixas por parte dos presumíveis incomodados. Outros esquemas, desde iscos a plantas de odor irritante, parece que não surtirão grande efeito.


Menos mal que há pouco, ao chegar ao local, deparei-me com a primeira baixa. Pode ter-se desorientado com o tal bip-bip irritante e falecido em consequência disso ou, mais provável, foi abatida por um dos muitos gatos que por ali cirandam. Capazes disso são eles. Alguns ainda são gatos à séria. Daqueles que não alinham em mariquices de fazer amizade com pássaros ou roedores. Se continuarem assim sou gajo para lhes perdoar uma ou outra cagadela num sitio menos adequado. Desde que não abusem, claro.




segunda-feira, 26 de abril de 2021

Toupeiras, lagartas e outras apoquentações

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A agricultura da crise está, como já aqui dei conta em inúmeras ocasiões, sob constante ameaça. De toda a espécie. Lesmas, caracóis, lagartas, pássaros, gatos e outra bicheza não identificada tudo invade o meu quintal. Até uma cobra – a tal víbora cornuda – já aqui me apareceu. Quase parece a reforma agrária da bicharada. Mas, de uma ou outra maneira, os atacantes vão sendo escorraçados e a coisa resolve-se.


Desta vez é pior. O caso é sério. Envolve toupeiras e se não me conseguir livrar das bichas a outra agricultura da crise – a tal 2.0 – está seriamente ameaçada. A ideia não é apenas afugentá-las. Para isso existem umas traquitanas que emitem um som alegadamente incomodativo que, supostamente, as afastará. O pior é que, mais cedo do que tarde, acabarão por voltar. Daí que prefira uma solução que resulte no falecimento dos invasores. Estão em causa os tomates, pimentos e tudo o mais que por lá está plantado. Quem souber de uma “mézinha” suficientemente boa para matar os atacantes, avise.

sábado, 24 de abril de 2021

O Alentejo não tem direito ao desenvolvimento?

Desde há uns anos a esta parte ouço e leio gente extremamente aborrecida com a nova agricultura que se pratica no Alentejo. Tudo, garantem, está mal. Desde a paisagem em mudança até a uma espécie de tragédia ambiental que não se cansam de profetizar. De caminho lamentam a invasão de migrantes – eles podem lamentar, já eu se o fizer sou racista – que, alegadamente, serão explorados por patrões sem escrúpulos e senhorios gananciosos.


Tenho manifesta dificuldade em perceber o que pretende este pagode ou, sequer, a alternativa que sugerem. Se é que sugerem alguma. Provavelmente desejarão que fique tudo na mesma. Como sempre esteve. Seco, desértico e entregue aos bichos. Preferirão, com certeza, um Alentejo sem pessoas e improdutivo. Por mim prefiro o caminho que está a ser seguido. De preferência percorrido em passo mais acelerado, que já nos chegam as décadas de atraso. Venham mais “culturas intensivas”, venham mais migrantes, venham mais turistas e aqueles que não se sentem cá bem “desamparem a loja”.


Um dos argumentos muito em uso é que este tipo de agricultura não cria postos de trabalho. Para além da evidente contradição, quando lamentam o recurso a mão de obra estrangeira, há que ter em conta a riqueza indirecta que tudo isto gera. A começar nas casas que voltam a ser habitadas por estes trabalhadores e a acabar nos profissionais do activismo, que têm aqui um apreciável nicho de mercado. Que habilmente já estão a explorar, diga-se.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Sei em quem votaste nas eleições passadas...

Dizia hoje um humorista qualquer, a propósito da eventual criminalização do enriquecimento ilícito, que é muito mais fácil enriquecer de forma ilícita do que de maneira licita. Tem, obviamente, toda a razão. Mas, para a piadola ter mesmo graça, faltou acrescentar uma coisa. Uma coisinha de nada, digamos. Ficou por dizer que o enriquecimento licito, ao contrário do outro, já é severamente punido. E, veja-se a desfaçatez e hipocrisia de muita gente, são poucos os que não concordam com essa punição. Há até quem, sob o aplauso quase geral, ache que se deve ainda punir mais.


A muitos dos que rasgam as vestes exigindo a criminalização do enriquecimento ilícito – embora concorde o mais possível com a causa - apetece-me chamar-lhes uns quantos nomes. Daqueles nada bonitos, esclareço. É que isto convém ter memória. Nomeadamente para lembrar, a uns, em quem votaram durante anos a fio e, a outros, os paus das bandeiras que andaram por aí agitar.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Agricultura da crise

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No quintal cá de casa todos os anos há um espaço para a sementeira de pisum sativum. Ervilhas, vá. Hoje foi dia da primeira colheita. A julgar pelo aspecto e pela quantidade de vagens, calculo que esta seja uma safra bastante profícua, tanto em quantidade como em qualidade. E depois ainda há as outras. As da outra agricultura da crise. A agricultura da crise 2.0. Mas dessa outras noticias surgirão lá mais para a frente. Ou até antes, quiçá.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Quem é amigo, quem é?


 


Nunca como agora faz tanto sentido afirmar que os impostos levam uma parte de leão ao nosso ordenado. Mas, descansa-nos o governo – aquela instituição que só quer o nosso bem se for de esquerda ou apenas pensa em nos tramar quando é de direita – não vai aumentar ainda mais o saque fiscal que faz aos nossos rendimentos. O roubo perpetrado no tempo do ministro Gaspar – que, antes como o seu enorme aumento de impostos, condenava os portugueses à fome – é agora uma cena boa e para manter.


Nada disto, obviamente, constitui grande novidade. A máquina precisa de dinheiro para se alimentar. As “fotocópias” ou lá o que cada um chama “aquela coisa”, têm de ser pagas. Até porque – imagino eu – não será só o Sócrates a viver graças ao financiamento dos amigos. Coisa que, diga-se, não me faz grande espécie nem suscita preocupação por aí além. Chato, mas mesmo chato, é sermos nós a financiar os gajos que financiam os amigos...

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Impasse

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A definição de beco é, segundo a generalidade dos dicionários on-line de língua portuguesa, “rua escura, estreita e curta, e às vezes sem saída”. A última é a única condição que este arruamento preenche para ser enquadrado na categoria dos becos. Não obstante isso, foi essa a classificação atribuída. Coisa que, presumo, não terá suscitado grande apreço entre os moradores, como aparentemente mostra a ausência de tinta das letras. Menos mal que assim, graças ao coeficiente de localização, se calhar até pagam menos IMI. Bem que podiam, digo eu, ter-lhe chamado “Impasse da Fonte do Imperador”. Sempre era mais adequado. À rua e ao resto.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Passadiços...a obra da moda!

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Esta coisa dos passadiços está na moda. Qualquer dia, por este andar, são mais do que os centros culturais e quase tantos como as rotundas. Mas o pessoal gosta. Até eu, feito alarve, me dei ao trabalho de caminhar uma hora e tal numa destas modernices. Eu e mais umas centenas de pessoas, que aquilo – apesar de ainda não estar pronto – já constitui um atrativo para o pagode ansioso por desconfinar.


Pode, isto, ser uma oportunidade de negócio para a aldeia. Ou, se calhar, não. Provavelmente chegou demasiado tarde. Os habitantes foram-se quase todos embora e os poucos que ficaram já não têm idade para aventuras. Esses, os que ainda restam, até se admiram de haver tanta gente interessada em ver ervas.

sábado, 10 de abril de 2021

São muitos números...

Desde ontem tenho visto muita gente indignada com a decisão judicial acerca do caso que envolve José Sócrates. Também, confesso, estou ligeiramente aborrecido. Obviamente não tive paciência para ouvir o juiz ler aquela treta toda. Fiquei-me, portanto, pelo resumo da coisa feito pela comunicação social. Ao que leio o homem terá atirado sobre tudo o que mexe e concluído que são todos burros menos ele. Isto, reitero, ao que leio por aí nos resumos e conclusões disponíveis na Internet.


Não me surpreende que assim seja. Aquilo envolve números – muitos e grandes – transações financeiras mais ou menos complexas e artimanhas a atirar para o esquisito. Esperar que alguém da área do direito, ou de outras ciências parecidas, perceba essas negociatas não difere muito de acreditar que com a geringonça tivemos o melhor governo desde que vivemos em democracia e, parvamente, não falta por aí quem esteja convencido disso.


Ouvi contar – não sei se verdade – que em determinado tribunal um cavalheiro terá sido condenado a pagar uma pensão de alimentos no valor de um quarto do salário. Inconformado com o montante, terá recorrido da sentença. A decisão do recurso, a ser a história verdadeira, ter-lhe-á sido favorável. O tribunal, sensível aos argumentos da criatura, terá entendido reduzir a pensão a pagar para um terço do ordenado...Desconheço, reitero, se a história tem ou não algum fundo de verdade. Do que tenho a certeza é que, salvo raríssimas excepções, quem sabe muito de “letras” tem muito pouca sensibilidade para números. No caso presente não se podia esperar algo muito diferente.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Já agora fiquem com tudo...

Impostos, impostos e mais impostos. Agora é o FMI a sugerir um aumento de impostos sobre os ricos, as empresas, as heranças, a propriedade e o que mais calhar. A ideia parece reunir um consenso bastante alargado entre os especialistas da especialidade, os invejosos e todos aqueles que procuram meter a mão na massa alheia. Basta ver as reacções, em artigos de opinião ou nas redes sociais, para se perceber o entusiasmo que a ideia suscitou. Por mim estou contra. E não me importo nada se for o único a pensar assim. Primeiro porque impostos para além do razoável – como é o caso português – causam-me brotoeja, depois porque o conceito de rico é, por cá, muito elástico e, finalmente, faz-me confusão que poucos percebam que aumentar impostos não é garantia de crescimento da receita fiscal. Nisto nada melhor do que lembrar a novela que envolveu a falhada contratação do Cavani pelo Benfica. O homem não veio para o glorioso por não ser do seu agrado que as finanças lhe roubassem metade do ordenado. Se o furto se ficasse “apenas”, vá, por dez ou vinte por cento talvez o gajo por cá andasse aos chutos à bola. Assim, como quem tudo quer tudo perde, nem o Benfica é campeão nem o fisco recebe um tostão.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Ao menos podiam ter feito uma cábula...

Assim, de repente, passaram dez anos desde que o país faliu e teve de ser intervencionado por entidades externas. O “que ganhámos com isso” é a questão que mais vezes tenho visto suscitada. Tirando aquela parte de ninguém ter ficado sem vencimento ou reforma, não lucrámos nada. Mas, obviamente, a pergunta devia ser antes “o que aprendemos com isso”. Infelizmente a resposta é a mesma. Nada. Não aprendemos nada. Continuamos, enquanto cidadãos, os mesmos ignorantes e, enquanto políticos, os mesmos irresponsáveis. Mantemos o pensamento de um burgesso que há mais de vinte anos teve responsabilidades na gestão de dinheiros públicos e que, quando tocava a gastar, não se cansava de me garantir que “isto não pode parar e quem vier atrás que feche a porta”. De facto não parou. O azar é que levámos com a porta nas trombas. Mas, pelos vistos, nem isso nos serviu de lição.

domingo, 4 de abril de 2021

Ervanarium...

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Cá pelo meu bairro qualquer recanto apresenta este aspecto. Um verde luxuriante, a natureza no seu estado mais puro, capaz de fazer roer de inveja todos os que têm o azar de residir em locais onde fazem aquelas cenas das intervenções de requalificação paisagística, ou lá o que é. Má sorte a deles, que não moram deste lado da cidade. Por mim, prefiro assim. Até porque já estou habituado.

sábado, 3 de abril de 2021

Melros, chineses e Extraterrestres.

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Isto das autárquicas promete. Coisa absolutamente normal, diga-se, que estas como as demais eleições são sempre pródigas em promessas. Embora, neste caso, com especiais particularidades. A começar nos candidatos e a acabar no que se promete. Quanto aos primeiros, é o PSD quem mais tem contribuído para a animação que as escolhas para os lugares a ocupar sempre proporcionam. Aquilo é quase cada tiro cada melro. Desde “Andrés Venturas” de saias e peito avantajado a devoradores de papéis e ex-presidiários, os nomes apontados a putativos candidatos têm-se revelado bastante apelativos. Digamos assim, vá.


Por cá, quanto à escolha dos nomes, o cenário é muito menos divertido. Pode ser que a coisa anime quando se começar a falar de promessas. Por mim, programa que não inclua a construção de um teleférico a ligar o Rossio ao Castelo ou um Centro de acolhimento a investidores oriundos de outros planetas é dececionante. Promessas de fábricas de preservativos ou de investidores chineses já tivemos que cheguem. Ao menos que arranjem pantominices novas. Para isso, convenhamos, capacidade não falta.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Agricultura da crise

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Este é um dos nabos da crise produzidos cá no quintal. Não é grande nabo, convenhamos. Há espécimes seus congéneres muito maiores. Mas, independentemente do tamanho, não sou especial apreciador. Mesmo que estes constituam, ao que garantem os especialistas da especialidade, uma fonte de benefícios para a saúde. Diz que, desde a tosse às hemorroidas, faz bem a tudo. A julgar pela merda resultante das conversas de certos e determinados nabos, talvez tenham razão. É que isto anda mesmo tudo ligado.

quarta-feira, 31 de março de 2021

O elogio da loucura

Se há gente por quem tenho um enorme apreço e admiração é aquela malta que se entrega de alma e coração à política. Nomeadamente os que, coitados, se sacrificam anos a fio – largas dezenas, até – à causa pública. São os chamados dinossauros. Criaturas que estão tanto tempo à frente das instituições que, às tantas, o lugar já se confunde com a pessoa. Pior. Em muitas circunstâncias é a pessoa que se confunde com o lugar e, qual Salazar após a queda da cadeira, mesmo não mandando nada, continua a pensar que ainda manda alguma coisa. É o que dá, por medo ou outra coisa qualquer, ninguém ter coragem de lhe dizer que o seu tempo de dedicação à causa já pertence ao passado. Mas, confesso, até a estes eu admiro. Quase venero, digamos. A dedicação, o empenho, a magnanimidade com que servem a causa pública e tudo o que fizeram em prol das suas terras e dos seus concidadãos deixam-me prostrado perante a grandeza do seu carácter.   


Lamentavelmente a infinita generosidade de que esta gente é dotada, nem sempre é reconhecida. Por vezes aparece quem sugira que se “amanharam” enquanto lá estiveram ou que “arranjaram uns esquemas manhosos para se continuarem a amanhar agora que já lá não estão”. Atoardas, está bem de ver. Quem tem um coração tão grande – maior do que a barriga, às vezes – nunca trilhará esses caminhos. Garanto eu e até sou capaz de o jurar pela saúde do meu gato.

domingo, 28 de março de 2021

Uma risota, isto.

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Olha-me este. Armado em populista, o senhor. Agora a dizer que há quem entre na política com uma “mão na frente e outra atrás” e saia de lá bem “abotoado”!!! Ná, isso não pode ser. Eu não conheço ninguém assim, não conheço ninguém que conheça alguém assim e, aposto, nenhum dos meus leitores será capaz de, sequer, admitir que conhece alguém nestas circunstâncias. Isso é uma impossibilidade prática. Quando muito, vá, alegadamente abotoado. Ou abotoada.


Sempre achei que, ao ir para a política, quem de repente começa a ganhar dois ou três mil euros líquidos por mês consegue fazer uma vidinha jeitosa. Nomeadamente por manter os hábitos de poupança herdados do tempo em que ganhava bastante menos. Daí as noticias de gente que, assim que se dedicou a servir a causa pública, desatou a comprar casas, viajar ou a trocar de carro não me suscitem motivos para desconfianças e sempre me pareceram manifestamente exageradas. Sim, eram pobretanas e agora, aparentemente, vivem de forma desafogada mas, acredito eu, aquilo dever-se-á a uma rigorosa gestão dos respectivos rendimentos. Assim do tipo comer açorda em casa e caviar quando é a “política” a pagar.


Há sempre quem desconfie que por “baixo da mesa” haverá uns trocos que mudam de conta ou malas cheias deles que mudam de dono. Dessas cenas, obviamente, nada sei. Mas, já dizia a minha avó, para quem não tem vergonha todo o mundo é seu. E o mundo dos contratos públicos, para aqueles que não têm vergonha, pode constituir um manancial de oportunidades para melhorar de vida. Se alguns aproveitam ou não, reitero, desconheço. Mas lá que alguns parecem muito pouco envergonhados isso, alegadamente, parece...

sábado, 27 de março de 2021

De pobres é que nós precisamos...

A propósito daquela conversa demagógica, duma sueca qualquer, acerca dos impostos que os reformados suecos que escolheram o nosso país para viver não pagam, vai por aí uma discussão absolutamente idiota e reveladora da ignorância dos portugueses acerca destas matérias. E, já agora, não consigo deixar de notar um certo discurso de ódio. Se bem que, como todos sabemos, discurso de ódio é o que a esquerda disser que é discurso de ódio.


Vou deixar de lado todas as vantagens inerentes à vinda de estrangeiros ricos, endinheirados ou, simplesmente, com boa capacidade económica e de consumo. Sejam eles reformados, trabalhadores qualificados ou investidores. Elas são evidentes e só as não vê quem não quer ver. Que a ideia do governo, no sentido de limitar ao interior os incentivos à sua vinda, é de elogiar, também me parece que apenas um parvo não entende. Aliás, se as vantagens em termos cá esta gente não fossem mais que muitas não andavam tantos países atrás deles para os convencer a mudarem-se para os seus territórios.


A principal critica têm a ver com os benefícios fiscais que lhes são oferecidos. Os exemplos para justificar essa critica deixam-me boquiaberto. Então aquela do português e do reformado sueco lado a lado no hospital, a beneficiarem do mesmo SNS que um paga e outro não, constitui uma pérola que merece ser guardada para memória futura. Nomeadamente para quando alguém se lembrar de substituir “reformado sueco” por “indivíduo que não paga impostos, vive à conta dos subsídios do Estado, ostenta diversas peças em ouro e deixou a viatura topo de gama à porta do hospital”.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Ataque químico

 


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O que a imagem documenta, embora possa não parecer, é mesmo merda de gato. De algum bichano paneleiro, certamente, que a julgar pelo diâmetro da coisa deve ter o cu todo devassado. Cenas dos tempos modernos, é o que é.  Mas, para o caso, a desorientação sexual do bicho interesssa pouco. Nada, mesmo. O que me chateia é que cague no meu quintal. Claro que posso sempre seguir as soluções mais ou menos engenhosas que me sugerem e que, invariavelmente, envolvem o falecimento do invasor. Mas não quero. A morte do filho da puta do gato pouco resolveria, dado que o mais certo era os cabrões dos donos arranjarem outro. Prefiro alternativas mais fofinhas. Como, por exemplo, a via fiscal. Um imposto à séria sobre os chamados animais de companhia seria certamente muito mais eficaz, para além de civilizacionalmente mais adequado. Mesmo que esta tributação possa para uns quantos totós parecer uma ideia parva, de certeza que ainda assim é socialmente muito mais justa do que os impostos sobre a burguesia do teletrabalho ou sobre as heranças, que aquela economistazinha da treta anda por aí a defender.

terça-feira, 23 de março de 2021

A verdade é o que um grupo de malucos quiser

Anda por aí uma minoria ruidosa empenhada em reescrever a história. A recente e a antiga. A primeira já está praticamente reescrita. Hoje é um dado quase consensual que Cavaco Silva foi o pior político desde o 25 do A, que a bancarrota foi obra do Passos e que o Partido Comunista lutou bravamente pela implementação da democracia. Nem, diga-se, foi necessário um esforço por aí além dos novos historiadores para convencer o povo – ou a pova, sei lá – destas e doutras novas verdades. Deve ser coisa que tem a ver com a memória de curto prazo, ou lá o que chamam aquela cena da malta se esquecer rapidamente do que aconteceu no passado recente.


Esta reinvenção da história é, digamos, uma moda que corre por todo o chamado mundo civilizado. Em Espanha, por exemplo, os níveis de parvoíce estão em patamares superiores no que toca a esta ânsia de apagar todo e qualquer vestígio da história que não corresponda aos padrões de uma minoria qualquer. Numa localidade espanhola lembraram-se de substituir o nome de três almirantes que davam o nome a outras tantas ruas lá da parvónia sob o pretexto de terem sido uns franquistas, os malvados. Esqueceram-se – ou melhor, nunca souberam – que os tais almirantes morreram antes de Franco ter nascido...

segunda-feira, 22 de março de 2021

A troika, o virus...e o Sócrates.

Segundo a imprensa de hoje foram mais de cinquenta mil as crianças e jovens que deixaram de receber abono de família. A maior queda desde a troika, garantem. Não sei se é, ou não, assim. Mas desconfio das contas. Que isto o entendimento que os jornalistas revelam em relação aos números é inversamente proporcional à vontade que manifestam em reescrever a história. Não me recordo se o triunvirato de entidades que tratou de nos tirar da bancarrota provocada pela governação do Partido Socialista cortou na atribuição deste apoio social. Provavelmente terá cortado. Do que ainda não me esqueci é que foi no tempo de um governo chefiado por um tal José Sócrates, talvez ali pelos idos de 2009 ou 2010, que perdi o direito a receber o abono de família dos meus filhos. Tudo graças a uns ajustamentos manhosos na fórmula de cálculo que, tanto julgo saber, mais tarde terão sido corrigidos. Não confundir com cortes. Isso foi uma cena do Passos, como sabemos. Com o PS não há cá dessas coisas. E se houver jamais teremos noticias delas…

sábado, 20 de março de 2021

Arre, que é burra...

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Aquela senhora que pretende ver a “burguesia do teletrabalho” a pagar a crise, voltou à carga. Insiste na imperiosa necessidade de sacar mais dinheiro dos nossos bolsos. Para dar aos que mais precisam, coitadinhos. Entre os quais, presumo, se encontrarão aqueles que vejo ali no Continente com os carrinhos das compras repletos de cerveja e a quem, parece, vão dar uma casinha.


Desta vez a criatura sugere que o fisco ataque as heranças. Um imposto sobre as ditas, ocorreu-lhe. Ou seja para aquela gente bem instalada na vida e que nunca produziu nada de jeito  – para além de uns estuduzecos idiotas sem qualquer espécie de utilidade – até os mortos devem pagar impostos. Ora bolas. Para economista brilhante é muito poucochinho. Parvoíces destas também eu sou capaz de propor. Mas eu tenho desculpa. Sou um quase iletrado. Já de um génio da economia espera-se mais.  Ou em tantos anos de estudo só aprenderam a aumentar impostos? Não há outra solução? Propostas destas qualquer analfabeto sabe fazer. 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Verde que te quero verde

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O verde está na moda. Por diversas razões. Algumas das quais, diga-se, me desagradam profundamente. A ecologia é, também, uma causa toda modernaça. De tal maneira que, nos dias de hoje, mais depressa se corta um pintelho do que uma erva.


Não sei como vai a coisa em termos de pilosidades púbicas cá pelo meu bairro. Nem isso me interessa ou tem qualquer espécie de relevância. Já das ervas que crescem livremente pelo passeio não posso dizer o mesmo. São interessantes, ficam bem na fotografia e evidenciam a paixão que o verde, a ecologia e, já agora, aquela cena do dolce far niente suscitam à malta que decide acerca do ervançum. Por mim é deixá-las estar. Às ervas.

segunda-feira, 15 de março de 2021

E um palavrão inclusivo, arranja-se?

Vai por aí uma poluição de planos, manuais e parvoíces diversas acerca de inclusão, cidadania e outras idiotices que até aborrece. Quase todas, como não podia deixar de ocorrer, oriundas do sector público. O que, naturalmente, não admira. No privado trabalha-se.


Gosto daqueles planos municipais acerca destes assuntos onde, ao longo de largas dezenas de páginas, se consegue dizer nada. É uma arte, reconheço. Mas, na verdade, o que me diverte são os manuais de linguagem inclusiva que muitos organismos públicos – lá está, têm de se entreter com alguma coisa – adoptaram para uso nos respectivos serviços. A malta que escreveu aquelas baboseiras merece o meu respeito. E admiração, também. Inventar que os gestores são “pessoas em cargos de gestão”, ainda vá. Disso até eu era capaz. Já substituir o tradicional obrigado por “agradeço” é que é uma cena muito à frente. Coisa, até, para deixar os estrangeiros que nos visitam um bocado baralhados. Mas arrojada mesmo é propor a substituição de trabalhadores por “população que trabalha”. Duvido que o PCP concorde.


Há, ainda assim, uma falha nesses manuais modernaços. Apesar de ter procurado afincadamente, não localizei em nenhum deles a maneira inclusiva de mandar essa malta para o car%&#o.

domingo, 14 de março de 2021

Rigor terminológico, precisa-se...

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Isto há muitas maneiras de dar uma noticia. A que o “Correio da manhã” escolheu para a primeira página da edição dominical deixa-me confuso. Baralhado, até. “Mulher mata ex-mulher em divórcio”. Estou com notória dificuldade, assim só pelo titulo, em perceber o que se terá passado. A assassinada trata-se de uma gaja que mudou de sexo e agora – pelo menos até falecer – é um gajo, que se está a divorciar da esposa, abatido sumariamente por uma mulher? A dúvida parece-me legitima. Nem, assim de repente, me ocorre nada diferente. Pois, ao que sei, “ex” é uma coisa que actualmente já não é. Ou seja, estaremos, a acreditar na noticia, perante uma vitima que, antes de ser vitimada, mudou de sexo.


Deram-me, confesso, outra explicação para a ocorrência. Mas essa ainda a percebo menos. Envolve cenas esquisitas e é muita modernice junta. Além disso, por mais que o queiram, uma parelha nunca fará um casal.

sábado, 13 de março de 2021

Bazuka de oportunidade

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Parece que Bruxelas não manifesta grande apreço pelo tal Plano de Recuperação e Resiliência de que andamos a ouvir falar há mais de quanto tempo. Diz que a “bazuca” – é o nome que a nomenclatura dá ao financiamento europeu – não pode servir para financiar estradas, pontes e barragens. Uma chatice. Logo essas e outras obras públicas que dão imenso jeito a tanto figurão. Nomeadamente para mudar de carro, de casa ou, até, de mulher. Tudo cenas que, como toda a gente sabe, contribuem para dinamizar a economia e, assim, desta forma resiliente, melhorar as finanças. Deles.