
A Misericórdia de Portalegre está a recrutar um licenciado em contabilidade. Com experiência, preferem. Oferecem, como remuneração, o chorudo vencimento de setecentos e sessenta e nove euros e cinquenta e quatro cêntimos. Acrescido, não vão os potenciais candidatos pensar que não têm esse direito, de subsidio de férias e natal. Dependendo da situação familiar do trabalhador é coisa para ficar ali entre os seiscentos e vinte e os seiscentos e cinquenta euros líquidos. Catorze meses por ano, como sublinha a magnânima instituição.
Esta oferta devia causar vergonha a quem a faz. De certeza que nenhum director daquela organização gostaria de ver um filho seu, licenciado e com experiência no ramo, auferir a miséria de ordenado que estão a propor. Mas também devia fazer corar aqueles que andam há anos apenas preocupados com o salário mínimo nacional. É que depois dá nisto. Um licenciado em contabilidade leva para casa mais sessenta euros do que a pessoa das limpezas. Ou, até, receba bastante menos por comparação com alguém que faça a limpeza numa entidade que pague subsidio de refeição.
O mesmo se passa com outras profissões. A policia é, igulamente, um mau exemplo. Depois admiram-se, como faz hoje noticia de capa um pasquim nacional, que não haja candidatos suficientes para preencher todas as vagas na PSP. Mas, por cá, não é coisa que se discuta. O que nos interessa discutir é a política interna americana.



















