terça-feira, 15 de outubro de 2013

Investiguem, mas não aborreçam.

Diz que lá para as ilhas britânicas os meios de comunicação social estão surpreendidos com a indiferença dos portugueses perante o reabrir da investigação ao alegado desaparecimento da pequena Maddie. Não sei do que se admiram. O assunto foi tratado por quem tem competência para o fazer, foi-lhe dado o tratamento que entenderam dar e, parece-me, que a existirem motivos de interesse serão só e apenas para as autoridades policiais.
Por mim, surpreende-me é que os nossos opinion makers, sempre tão atentos aos jornais angolanos e prontos a espingardar a propósito dos seus artigos, não digam qualquer coisa em relação ao desplante dos bifes em opinar acerca daquilo que nos deve interessar. Ou que não se indignem com o esbanjamento de recursos públicos a reinvestigar um processo que já nos está demasiado caro. Que essa malta da estranja mande palpites quanto ao funcionamento do tribunal constitucional ainda vá que não vá, agora que queira escolher os assuntos que devem suscitar a nossa atenção é que já me parece demais. Como diria o outro: Eles que vão mazé bardamerda!

domingo, 13 de outubro de 2013

Solidariedade intergeracional?! Não percebo...

Isso da solidariedade inter-geracional é, nomeadamente, o quê? Assim à primeira vista e sem pensar por aí além na coisa supunha eu que era a geração actual a trabalhar para, com os seus descontos, financiar a reforma da geração anterior, esperando que a geração seguinte fizesse o mesmo. Mas, se nos debruçarmos ligeiramente mais sobre o assunto, talvez não seja bem assim. Ou então sou eu que não percebo muito bem essa coisa da solidariedade. É que, por mais voltas que dê, não sei por que raio hei-de ser solidário com o viúvo Constâncio. Quem diz eu, diz, por maioria de razão, um qualquer jovem que só tem acesso a empregos precários a ganhar, se tiver sorte, o salário mínimo nacional.
Reitero, portanto, a minha pouca disponibilidade para me solidarizar com o Constâncio. Gajo que, diga-se, até tem sido muito pouco solidário comigo. Ainda não me esqueci que o fulano se fartou de proclamar a necessidade de baixar salários porque, achava, andávamos a ganhar demais. Que falava da sustentabilidade do sistema de pensões, mas que se pode reformar com menos de 20% do tempo de serviço que eu preciso para poder fazer o mesmo. Solidariedade?! Não percebo...

sábado, 12 de outubro de 2013

Levem lá o ordenado mas não nos tirem a cervejola!

Vão saindo ao ritmo de gota-gotas as noticias sobre os eventuais cortes na despesa pública alegadamente previstas no orçamento de Estado para o próximo ano. Assim a modos que a apalpar o pulso à rapaziada. Anuncia-se o oitenta, depois afinal fica-se pelo oito e a malta acaba toda satisfeita por poder continuar na mesma vidinha. Ou quase. Porque entretanto já esqueceu o que fizeram no orçamento passado. E no outro. E, também, no outro antes desse.
Desta vez, ao que parece, haverá a intenção de ir um bocadinho mais longe e alargar a austeridade para lá do âmbito do funcionalismo público e dos reformados. Diz – e às tantas é apenas para testar reacções – que em 2014 as administrações terão de reduzir em 20% o montante dos subsídios que generosamente distribuem pelas diversas entidades. De toda a natureza. Desde os bombeiros voluntários até ao grupo excursionista dos amigos do garrafão.
Vai ser bonito, vai. Não a redução do subsidio público para sustentar divertimentos privados, porque isso não irá acontecer. Agora a reacção que a ideia desencadeará junto do pessoal que anda a mamar à conta do orçamento – seja do Estado ou dos Municípios – é que será digna de apreciar. Tal como o contorcionismo legislativo dos que asseguram a sua sobrevivência politica através da atribuição de subsídios a tudo o que mexe. Isto na remota e mais que improvável hipótese de uma coisa como esta vir a ser aprovada. O mais certo é ficar tudo na mesma e para compensar cortar mais um bocado aos vencimentos dos funcionários públicos. Antes isso do que acabar com os passeios a Fátima, o porco no espeto, a cervejola ou a sardinha assada.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Devo estar a ficar mouco...

Visivelmente indignado, António José Seguro garantiu que era contra a extinção de freguesias e que, mal chegasse ao governo, trataria de repor tudo como estava antes.
Comovido e à beira de um ataque de choro, o mesmo António José Seguro, proclamou que uma das suas primeiras medidas, logo que tome posse como primeiro-ministro, será voltar a pagar as reformas pelos seus valores actuais caso o governo concretize a intenção de as cortar.
A propósito da anunciada redução de 10% nos vencimentos da função pública ainda não ouvi o aspirante a chefe de governo garantir, proclamar ou sequer prometer que, uma vez empossado, tratará de anular essa medida. Mas, admito, talvez o tenha feito. O problema deve ser meu. Ando de certeza a ouvir mal. Ou estou a ficar esquecido. Coisas da idade, só pode.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Pontapé

A CGTP parece decidida a manifestar-se na Ponte 25 de Abril. Percebo a intenção. Acham, talvez, que a história se repete. Foi ali, com os protestos contra as portagens, que começou a cair o cavaquismo. Recordo ainda como um individuo, que mais tarde teve funções governativas e dirigiu dois dos maiores bancos nacionais, por lá passou todo ufano sem pagar portagem. Para telespectador ver, obviamente. Presumo que o estado calamitoso em que está o país, a banca em geral e em particular o banco onde o senhor trabalhou, nada tenham a ver por gente daquela estirpe ter chegado aos lugares onde o nosso destino é decidido.
Tal como também presumo que o facto de o protesto de então ter sido liderado por pessoas pouco recomendáveis – alguns terão até sido condenados por tráfico de droga – não incomode quem atribui àquela desordem um simbolismo vagamente idêntico ao de uma revolta popular. Que – mas isto sou só eu a presumir – pretende reeditar. Para bem de todos esperemos é que, desta vez, nenhum dos eventuais figurantes chegue ao governo ou a manda chuva na banca.
Continuando em matéria de presunções desconfio que, nesse dia, os transportes públicos não estarão em greve e que, a transportar os manifestantes, não faltarão carrinhas e autocarros de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. O costume, portanto. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tenho más noticias. Vou gastar (ainda) menos.

Diz que vem aí uma nova tabela salarial da função pública. Para reduzir vencimentos, ao que parece. Que a coisa está difícil, o país não tem dinheiro para pagar a essa cambada de calões e, principalmente, para prosseguir o caminho de convergência com os trabalhadores do privado. Que coitados, garantem, auferem muito menos e trabalham muito mais. O que me faz uma certa espécie. É que na entidade pública onde trabalho para aí metade ganha o salário mínimo e trabalha oito horas por dia... Mas é, de certeza, a excepção que confirma a regra. Só pode ser.
Presumo que mais esta quebra nos rendimentos dos funcionários públicos cause uma imensa satisfação em todos os que não trabalham para o Estado. Ou em quase todos. Não me surpreende. Mas tenho más noticias. Alguém se vai lixar. A generalidade dos que trabalham na função pública têm o péssimo hábito de esturrar tudo o que ganham. Normalmente em negócios geridos por privados...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Demagogia feita à maneira...socialista.

Esta história das pensões de sobrevivência está, como muitas outras histórias que vão ocorrendo na politica nacional, muitíssimo mal contada. O que dá, como acontece sempre nestas circunstâncias, origem a declarações demagógicas e, não raras vezes, a verdadeiras bacoradas. Inclusivamente daqueles que aplaudem de forma efusiva de cada vez que o governo ataca os funcionários públicos mas que agora, se calhar porque lhes toca, já não acham assim tão bem.
Cortes, estes ou outros que envolvam rendimentos das pessoas, estão errados, não resolvem nada e servem para degradar, ainda mais, a actividade económica. Escrevo isto desde que o governo do Sócrates me roubou o abono de família. Sim, porque isto de cortar não é de agora nem foi inventado por estes palermas que lá estão. Vem já, embora pareça que uns não se lembram e outros não se querem lembrar, do tempo em que o Partido Socialista era governo. Com o resultado que se tem visto.
E o abono de família constitui um bom termo de comparação com a chamada pensão de sobrevivência. Na altura os socialistas entenderam como justo retirar aquela prestação social, cerca de sessenta euros, a um casal com dois filhos e mil e poucos euros de rendimento. Mantendo, porque assim lhes pareceu acertado, a pensão de sobrevivência – viuvez, ou lá o que seja – a quem, sem ninguém a cargo, aufere os mesmos mil e tal euros de vencimento ou pensão. Justo, certamente, do ponto de vista socialista. Por mim estão os dois errados e um não desculpa o outro, mas que diabo, não sejam demagogos nem digam bacoradas!

sábado, 5 de outubro de 2013

Touradas

Poucas coisas me podiam interessar menos que a tauromaquia. Daí que a recuperação da praça de touros cá do sitio nunca me tenha entusiasmado. Nem, tão pouco, a polémica que se seguiu – e que, estranhamente, ainda se prolonga – me suscite grande interesse. A bem dizer, nem sabia ao certo os motivos que provocaram tamanha celeuma entre os apaixonados da festa brava.
O problema residirá, ao que deduzo, por o município, na qualidade de proprietário do imóvel, ter alegadamente entregue a realização de umas quantas touradas a uma empresa da especialidade. Com todos os custos e proveitos a correrem por conta da mesma. O que, assim de repente, se afigura do mais elementar bom senso. Pois que não, garantem os opositores da ideia. Bom era as corridas serem organizadas por gente da terra e as receitas reverterem a favor de associações locais. Por exemplo os bombeiros ou outras associações igualmente beneméritas.
Também não ficava mal esta última opção. Não fora um pequeno detalhe. E essa coisa das despesas ficava para quem? É que, garantem os entendidos, dada a capacidade do recinto só bilhetes com preços elevados e lotação quase esgotada garantirão algum “conforto” aos organizadores das corridas e, nos tempos que correm, juntar este dois factores é coisa para reunir um alto grau de improbabilidade. Visto assim, quase parece que existe uma corrente de opinião a defender que devem ser os contribuintes a pagar mais estas touradas. Repito, parece. Porque não acredito que possa haver quem sequer se atreva a ter tal pensamento.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

As dividas são para ir pagando. Devagar. Muito devagar.

Isto de achar que as dividas não são para pagar é uma ideia que parece fazer escola. Não falta quem pense assim. Alguns ainda condescendem que, vá lá, se vão pagando. Aos poucos, para não ir aborrecendo nem prejudicando a carteira do devedor. Num país de caloteiros como o nosso não é de admirar que este tipo de pensamento tenha tantos seguidores. Afinal basta olhar para os processos que entopem os tribunais, para a carteira de clientes dos agentes de execução ou falar com um qualquer comerciante para perceber o quanto, cá pelo rectângulo, esta prática se encontra enraizada.
Vem isto a propósito – mas nem precisava – de um texto que li um destes dias, em que a autora, sob forma de conselho a um presidente de câmara recém eleito e que pela primeira vez vai dirigir os destinos de um concelho altamente endividado, dava sugestões quanto à melhor maneira de pagar a divida. Que sim senhor, deve ser paga. Mas devagar. Aí tipo 4% ao ano. Ou seja, os últimos credores receberiam daqui por 25 anos. E é para quem quer que isto, diz ela, a câmara não pode parar nem estar obcecada com o pagamentos de dividas e entre os primeiros estão, na sua douta opinião, os agentes desportivos e culturais.
É por estas e por outras que nunca chegaremos a lado nenhum. Com este tipo de pensamento o país continuará a afundar-se, a rebentar com as empresas a quem não paga, a mandar gente para o desemprego, jovens para o estrangeiro e a tornar-se cada vez mais insustentável. Pena que esta gente não seja tão magnânima quando em causa está o seu bolso. Sempre gostava de saber se, entre os muitos que defendem este tipo de tese, haverá alguém disposto a emprestar-me mil euros. Garanto que não vou ficar obcecado quanto à parte do pagamento. Pago-vos quarenta euros por ano e não se fala mais nisso.   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O resort tem uma vedação toda catita

Obras ao pé da porta são uma chatice. Um transtorno, por assim dizer. Que o digam os habitantes do resort das Quintinhas. Há meses que suportam estoicamente a construção do quartel da GNR mesmo paredes meias com o condomínio fechado. Agora, como se isso não constituísse já arrelia suficiente, vão ter de suportar os incómodos causados pelas obras do lar dos combatentes. Decididamente, um mal nunca vem só. Por este andar a tranquilidade do lugar vai demorar a chegar e o repouso dos residentes também.
Menos mal que alguém pensou na segurança e na privacidade dos moradores do resort. Antes desprotegidos e entregues à sua sorte – sim, porque as forças policiais não frequentam muito o local, ao contrário que que acontece com outros espaços congéneres noutros locais do país – os residentes podem agora dormir mais descansados. Uma sólida vedação protege-os de ameaças externas e a tela branca que a envolve deixa-os a coberto de olhares indiscretos. Foi, sem dúvida, uma boa ideia. Um sinal destinado a fomentar a boa vizinhança dos gajos que vão construir aquilo, porventura. Mau mesmo é o raio das obras. A malta não vai conseguir pregar olho o dia inteiro. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Autárquicas 2013 - O balanço impossível.

Discordo da generalidade dos balanços que, nas rádios e televisões, têm vindo a ser feitos das últimas autárquicas. Até porque se foram trezentas e oito eleições, teriam de ser fazer outros tantos balanços. E consolidar todas essas contas de certeza não dá grande resultado. Pode, quando muito, dizer-se umas quantas generalidades. Assim tipo, ah e tal o PS ganhou porque teve mais votos e venceu em mais Câmaras. Pois sim. Vão dizer isso aos socialistas de Braga, Guarda ou Évora que eles vão ficar entusiasmados com a estrondosa vitória que insistem em proclamar. O mesmo para os comunistas de Niza, Crato ou Vendas Novas que, certamente, erguerão felizes as suas vozes perante a tão propalada vitória da CDU.
Pretender tirar conclusões nacionais em resultado de um conjunto de eleições locais não me parece, portanto, boa ideia. Em cada terra os eleitores fizeram as suas escolhas em função da simpatia - ou falta dela – que nutriam por cada candidato e o resto é conversa de pateta. Ou do Seguro. O que, basicamente, é a mesma coisa.
A entender-se o resultado das eleições como um cartão amarelo – ou vermelho, depende das interpretações mais ou menos fundamentalistas – que os eleitores mostraram ao governo, então como qualificar as intenções do eleitorado dos concelhos que deram a vitória a movimentos de cidadãos? Será que, para não ir mais longe, alguém acredita que a intenção dos 5.590 cidadãos dos concelhos de Estremoz e Borba que elegeram Presidentes independentes, em detrimento dos candidatos do PSD, o que queriam mesmo era penalizar o governo?! Se alguém achar que sim o melhor é ir ao médico! 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Contas manhosas

O novo horário de trabalho da função pública entrou hoje em vigor. Para alguns. Poucos, ao que parece. É que isto de cumprir as leis que vão sendo publicadas é uma coisa que não assiste à maioria, sempre pronta para arranjar um – às vezes mais - estratagema manhoso que dê a volta ao que é determinado. O habitual, portanto.
Diz que agora é preciso ouvir os sindicatos. Mesmo com a lei publicada há mais de um mês e, supostamente, a produzir efeitos. Ora, se assim é, espero que os sindicatos se pronunciem quanto antes. De acordo com a lei, de preferência. Isto para não prejudicar quem ainda tem férias para gozar. Entre os quais me incluo. De que maneira posso ser prejudicado? Fácil. Se tirar dois dias de férias quando trabalho sete horas por dia, tenho catorze horas de férias. Se tirar os mesmo dois dias com o horário das oito horas, então, já gozo dezasseis. Dahhhh!!!

domingo, 29 de setembro de 2013

Lágrimas de crocodilo

Corre um vídeo na Internet onde uma alegada professora aposentada chora as suas desditas no ombro do líder do PS que, lavado em lágrimas, procura reconfortar a senhora. A cidadã que assim se expõe estará, segundo as suas palavras, a passar sérias dificuldades. Por culpa do governo, claro. Terá tido um corte de mil euros na sua pensão e isso, como é bom de ver, causou-lhe um assinalável transtorno. Ao ponto de se prestar a fazer aquela triste figura. Quase tão triste como a de Seguro.
A larguíssima maioria da população terá razões de queixa da actual politica. Uns mais que outros, é certo. Só um idiota não concordará que entre as vitimas preferenciais da camarilha que substituiu a corja anterior no governo, estão os reformados e os funcionários públicos. Há, no entanto, que ter noção do mundo que nos rodeia.
Por mais injusto que seja tudo o que estão a fazer a este conjunto de portugueses o espectáculo protagonizado pela senhora do vídeo e principalmente pelo secretário geral do PS, vai muito para lá do razoável. Ver o rendimento mensal reduzido em mil euros por mês é, de facto, mau. Mas, ainda assim, parece pranto a mais. Nomeadamente por comparação com as centenas de milhar de desempregados sem qualquer tipo de rendimentos ou os reformados com pensões abaixo do limiar de pobreza.
Se a senhora tem razão para estar revoltada? Obviamente que sim. Se era motivo para aquele espectáculo? É evidente que não. Se devia ter dito quanto ficou a receber, para que todos chorássemos com ela? Se calhar sim. Quanto ao outro interveniente, o Seguro, demonstrou mais uma vez que não passa de um demagogo execrável. E é o que de mais simpático me ocorre. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Hoje tive muitos motivos para reflectir


Andava eu a reflectir ali pelo Rossio quando dou de trombas com a gravação de uma cena da novela da TVI. Daquela que a acção se passa em Estremoz apesar de ter nome de uma terra da Beira interior.
Por causa disso fiquei com mais um motivo de reflexão. Isto de ser actor, realizador ou exercer outra actividade ligada à produção de filmagens no exterior não é vida fácil. Pelo menos hoje não foi. A complicar a acção estiveram a chuva, frio e o raio de um sino, com os decibéis a um nível de fazer inveja a qualquer avião supersónico, a tocar ali mesmo ao lado a anunciar mais uma das muitas mortes que por cá têm ocorrido nos últimos tempos. O que me proporcionou mais dois motivos para reflectir: Está a morrer demasiada gente num curto período de tempo e os sinos devem estar a debitar mais decibéis do que a lei permite. 

Não há margem para mais cortes?! De certeza?

Número de eleitores

Número de habitantes


O que ganhou o país com a recente reforma administrativa e a extinção, agregação ou lá o que lhe queiram chamar, de mais de mil freguesias? Nada, provavelmente. Os fluxos financeiros transferidos para estas entidades não são, no imediato, reduzidos e, em muitos casos, os custos de funcionamento sofrerão um agravamento que dificilmente irão compensar os proveitos obtidos com a diminuição destes organismos.
Estremoz tinha catorze freguesias. Tem agora nove. Não será dos exemplos piores. Duas morreram de morte natural – não tinham gente – outra, na cidade, não tinha razão para existir e ninguém dará pela falta dela. Já o mesmo não acontece quanto aos “Ameixiais”. Neste caso todos ficamos a perder. Os habitantes primeiro e os contribuintes depois. Por razões óbvias e facilmente entendíveis para quem conhece esta realidade.
Desconfio que, caso houvesse realmente intenção de promover a poupança, o recenseamento eleitoral seria um “território” capaz de gerar uma economia de meios substancialmente maior. Mas isso sou eu, que não consigo entender como é que um país com menos de dez milhões de habitantes tem quase nove milhões e meio de eleitores. Esta situação pode ser explicada por alguns concelhos conseguirem a extraordinária proeza de ter mais gente a votar do que a morar lá. Algo que no meu fraco entendimento se afigura a um qualquer tipo de falcatrua.
A actualização destes dados conduziria a uma significativa redução do número de eleitos e, por consequência, de lugares de nomeação politica. E, para os que ficavam, a uma importante redução dos vencimentos. É só fazer a conta, como diria o outro. Assim a olho nú era coisa para valer por duas ou três “reformas administrativas”. O que, como é óbvio, não interessa nada a essa malta da politica. No governo ou na oposição. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Uma cidade sem cães?! Bastava sem donos javardolas.

Anda por aí uma turba imensa a malhar no autor deste artigo. Não admira. O país está cheio de gente que se acha no direito de incomodar os outros e que estes têm o dever de aturar as suas javardices. Sim, porque a porcaria é deles e não dos seus apêndices. Que é como quem diz dos cães que passeiam ou que soltam deliberadamente para ir cagar nas ruas, parques e jardins por onde todos temos o direito de passear sem pisar merda.
Nada tenho contra os que optaram por viver num canil. É lá com eles. O que não aceito de bom grado é que os que fizeram essa opção prolonguem na rua o seu estilo de vida. Nem, menos ainda, que os poderes públicos nada façam contra esta praga que, para além de nos sair muito cara, devia envergonhar a todos.
Nesta, como noutras situações, sou claramente a favor da repressão. Que é a única forma de fazer cumprir as leis. Isso da sensibilização e outras tangas não passa de coisas de meninos. Umas multazitas aos prevaricadores, taxas municipais mais elevadas e uma fiscalização competente à legalidade dos animais que circulam nas ruas, é o mínimo que se pode exigir aos que desempenham - ou vão desempenhar – cargos públicos. Afinal é para isso que os contribuintes lhes pagam.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"Papão"?! Se calhar é mais o "homem do saco"...

Há quem considere que falar da divida é uma espécie de “papão” com que se pretende assustar o eleitorado. Principalmente quando, dizem, ela – a divida – resulta de investimentos que consideram importantes. Embora, se calhar, quase todos passassem bem sem eles. Os tais sorvedouros de dinheiro que alguns, pomposamente, intitulam de investimentos.
Não me surpreende que os discípulos pensem assim. Seguem apenas a linha de pensamento do mestre. Daquele que depois de arruinar o país se mudou para França. Para onde, diga-se, devia ter ido muita da tralha que, de norte a sul, seguidores ou não, rebentaram com isto e que, em vez de terem seguido o líder, ainda andam por aí a cantar loas à bondade da politica do betão que nos arrasou financeiramente e hipotecou o futuro das gerações mais novas.
Dizer, como acabo de ler, que é normal ter uma divida elevada porque se investiu – logo não virá daí nenhum mal ao mundo - revela uma absoluta falta senso de quem assim fala. Diria mesmo próprio de alguém que devia ser proibido de se aproximar de dinheiros públicos. Para além de se afigurar como desculpa de mau pagador. 
Seguindo este raciocínio quem ganha o salário mínimo terá toda a legitimidade em aspirar possuir uma mansão de dez quartos, com piscina, jardim e outras comodidades. Basta construí-la e posteriormente, quando lhe pedirem contas, argumentar com os credores que o facto de lhes dever uma pipa de massa não constitui qualquer espécie de problema. E, do ponto de vista de alguns, de facto não. Afinal ele apenas tem uma divida porque investiu em algo que considera importante para o seu bem estar...  

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Eu também procuro voluntários para me cavarem o quintal...e, como sou um mãos largas, pago uma bejeca!


Se estás disponível - que é como quem diz, se não tens nada para fazer – és uma pessoa dinâmica, possuidor de uma imensa vontade de ajudar e, a juntar a todas essas qualidades, és suficientemente parvo para trabalhar à borla, não percas esta oportunidade. Que, curiosamente, não é proposta por nenhum capitalista nojento ávido de explorar o seu semelhante. Tão pouco envolve um empresário armado em porco fascista desejoso de se encher de dinheiro à custa de trabalho escravo. Nada disso. Quem pretende obter o serviço destes “voluntários” - também podiam ser estagiários – é uma empresa municipal. Essa fantástica invenção daquilo a que alguns insistem em chamar, vá lá saber-se porquê, poder local democrático. Uma entidade integrante do Estado. De direito. Pois.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A mim parece-me mais o inferno...mas, se calhar, é porque sou ateu.

"Se houvesse eleições todas os meses, este país seria um paraíso...
Por todos os lados há obras..."


Esta citação é um comentário escrito num blogue da região – de Beja, parece-me - a propósito de um post onde a sua autora escreveu qualquer coisa acerca das autárquicas e das obras que estarão a decorrer ou que irão ser feitas em virtude da proximidade das eleições. O comentador tem, convenhamos, um conceito um bocadinho estranho do que será o paraíso. Assim como assim prefiro o paraíso dos muçulmanos. Esse, ao que eles garantem, envolverá virgens e isso. Bastante melhor, portanto.
Outra hipótese é que o leitor do tal blogue seja um empresário do ramo da construção e obras públicas. Daqueles que estiveram nas últimas dezenas de anos sentados à mesa do orçamento e a quem as revisões de preços, os trabalhos a mais e outras manigâncias, encheram os bolsos de dinheiro e deixaram o país abarrotar de dividas. Se for esse o caso, até posso perceber que para ele um estaleiro constitua um cenário paradisíaco. Gostos. E esses nem ouso discuti-los.
Poderá ser, também, um eleitor comum. Dos que há por aí aos encontrões. Adoram obras - mesmo que não sirvam para nada a não ser dividas e encargos futuros - e baseiam as suas escolhas em função do número de metros cúbicos de betão gastos pelo politico da sua eleição. É uma opção de vida. Respeitável, como todas as outras. Não venham é depois aborrecer com os impostos que são um escândalo, o malandro do Coelho que só sabe roubar nos ordenados e nas reformas ou essa chata da Merkel que não gosta de nós. É que alguém tem que pagar o vosso paraíso, sabiam?

domingo, 22 de setembro de 2013

Perguntar não ofende. Digo eu...mas não tenho a certeza!

(Foto do Blasfémias)
Não tenho seguido com particular atenção ou interesse os muitos debates e entrevistas aos candidatos autárquicos que têm sido transmitidos pelas rádios e televisões. No entanto, daqueles que ouvi, ficou sempre uma pergunta – fundamental, do meu ponto de vista – por fazer aos intervenientes. Provavelmente por os entrevistadores não estarem muito sensibilizados para o tema ou – prefiro nem acreditar na segunda hipótese – entenderem que tal pergunta pode deixar os entrevistados ou participantes nos debates pouco à vontade.
Seja por alguma das razões acima apontadas ou por outra qualquer, a verdade é ainda não ouvi perguntar a quem promete obras, apoios da mais variada ordem e outras actividades que inevitavelmente envolvem aumento de despesa, onde é que vai arranjar o dinheiro para as concretizar. O mesmo se aplica àqueles que prometem baixar impostos. O que conduziria à perda de receita e, consequentemente, produziria o mesmo efeito nas contas municipais que o aumento da despesa.
Sabendo-se, como julgo que toda a gente sabe, que as autarquias não podem aumentar o seu endividamento – caso o façam sofrerão as sanções previstas na lei e que não são nada meigas - impõe-se que os eleitores sejam esclarecidos sobre as consequências das promessas eleitorais. Quem promete aumentar a despesa ou diminuir a receita que diga onde vai cortar ou, em alternativa, que impostos pretende  subir. E que se lhes pergunte, já agora.

sábado, 21 de setembro de 2013

Coisas aparentemente relacionadas...


Anda por aí um bando de virgens ofendidas com o resultado de um inquérito aos juízes em que estes, na sua esmagadora maioria, terão respondido que o povo não saber votar. Se com isso querem dizer que o povo não sabe colocar a cruz dentro do respectivo quadrado, dobrar o boletim e introduzi-lo na urna, se for isso, não concordo. Acho que, excepto um ou outro caso, toda a gente saber como a coisa funciona.
Já se este resultado quer dizer que os magistrados entendem que os portugueses estão perfeitamente a leste da situação do país, não fazem a mais parva ideia da desgraça financeira em que a nação está mergulhada e que vão atrás de quem promete dar o que não tem condições para oferecer e que, se o fizer, nos está a lixar a todos, então, estou plenamente de acordo. Mas, nessa ignorância, incluo também os juízes. Ou não fossem eles portugueses como nós.
A segunda imagem, partilhada por milhares de pessoas no fuçasbook, retrata, se isso fosse preciso, a dimensão do nosso desfasamento face à realidade. E o pior é que quem o faz nem sequer estará nos últimos lugares da escala da indigência mental. Sabe, pelo menos, ler e escrever e terá acesso a um nível de informação relativamente aceitável. Mas se, ainda assim, acha que aquela mensagem tem alguma aproximação à realidade, estamos conversados quando ao acerto do entendimento dos juízes...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Se for assaltado seja simpático com o ladrão.

O caso do assaltante que processou as vitimas que, por terem ficado desagradadas com o assalto, alegadamente o terão sovado e detido até à chegada das autoridades policiais, não é apenas ridículo. É muito pior do que isso. Pode constituir – se é que não constitui já – um precedente de consequências imprevisíveis. Que, ao pedir a condenação das vitimas do assalto, o Ministério Público não terá tido em conta.
Andar no gamanço é uma actividade de risco. Quem a pratica deve estar preparado para os riscos daí decorrentes. Nomeadamente ser apanhado com a boca na botija por alguém que não fique entusiasmado pelo facto de ser roubado e resolva dar um enxerto de porrada ao assaltante. Sempre foi assim. Não andarei longe da verdade se afirmar que sempre assim será. O que pode mudar é que nunca mais ninguém siga o procedimento dos cidadãos agora processados pelo ladrão. Provavelmente daqui por diante, sempre que seja possível dar uma coça ao gatuno, qualquer um pensará sempre duas vezes antes de chamar a policia. E o meliante, por mais desfigurado que o tenham deixado, de certo pensará outras tantas antes de se queixar. O que significa que, caso surja a oportunidade, é malhar à vontade. Desde que ninguém morra não haverá problema. Ou então é capaz de haver. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tenham medo...

Esta preocupação da Comissão Nacional de Eleições com o cumprimento do chamado período de reflexão é bem reveladora da fraca velocidade a que as leis evoluem relativamente ao mundo que procuram regular. Tentar censurar as redes sociais é tarefa impossível. E – valha-nos ao menos isso – os senhores da dita comissão reconhecem-no. Tanto que, a acreditar no seu porta-voz, apenas actuarão se houver queixas. O que também não deixa de ser curioso porque, se bem percebo o funcionamento destas coisas, se o prevaricador tiver o mínimo de cuidado jamais será identificado. Basta criar um perfil falso numa rede social qualquer e aceder numa rede pública. E se quiser ser ainda mais cuidadoso, fazê-lo de chapéu na cabeça, com óculos escuros, uma gabardina e onde não existam câmaras de vigilância. Nestas circunstâncias sempre quero ver a quem é que vão passar a multa.
Parece até que os tipos da CNE não sabem que o tempo em que pretendem aplicar a lei eleitoral – por mais razoável que isso possa parecer - já nada tem a ver com o tempo em que esta foi feita. É, de certa forma, uma atitude comparável à dos juízes do Tribunal Constitucional e à interpretação que estes fazem da Constituição. O que, para manter um certo nível de coerência, deverá ser do agrado da rapaziada que tem andado por aí a aplaudir as decisões dos homens de negro lá do Ratton...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Todos os animais são iguais. Uns têm é mais sorte.

O Natal é uma época lixada para os perus. Por essa altura do ano são dizimados aos milhares. Bêbados, alguns. Outros, coitados, nem isso.
A Pascoa não traz melhor sorte aos borregos. Os desgraçados são chacinados em larga escala e, ao contrário das aves que devoramos na quadra natalícia, nem sequer têm direito a apanhar uma bebedeira de caixão à cova.
Os porcos têm mais sorte. Não por estarem a salvo da gula dos humanos mas apenas porque as eleições autárquicas são apenas de quatro em quatro anos. Digamos que elas estão para os suínos como o natal e a pascoa estão para os perus e os borregos.
Mas se o peru e o borrego estão associados a festas de cariz religioso o porco, aparentemente, não está. Ou melhor, não estava. Agora já não sei ao certo. Diz que por esta altura do ano, a par de ter disparado o número de porcos sacrificados para satisfação do potencial eleitorado, as excursões a Fátima são mais que muitas. O que se compreende. Há que tratar adequadamente do estômago e do espírito ao eleitor. Isto, como diz o outro, anda mesmo tudo ligado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Taxas para pagar tachos

As eleições autárquicas são, dada a sua natureza, propicias ao aparecimento de propostas parvas. O que tirando aquela parte de, caso postas em prática, nos arruinarem a carteira não teria nada de mal. Pelo contrário, podiam até contribuir para melhorar os índices de boa disposição dos eleitores.
Desta vez não é o caso. Até porque a proposta parva do dia não se parece com uma promessa. Afigura-se antes uma ameaça e chegou pela voz de um dos cabecilhas do bloco de esquerda, simultaneamente candidato à Câmara de Lisboa. O homem considera necessário que a autarquia crie uma taxa que penalize os proprietários de prédios devolutos que não sejam colocados no mercado, seja para venda ou arrendamento. Quero acreditar que as restantes forças politicas terão o bom senso de ignorar liminarmente esta ideia. Embora, no ponto a que as coisas chegaram, não tenha assim tanta certeza.
A voracidade da máquina parece não conhecer limites quando se trata de sacar dinheiro. Não lhes chega o IMI, que pode ser agravado em determinadas circunstâncias, como querem esmifrar mais ainda os bolsos dos cidadãos. Alguém avise o cabeçudo que estamos no meio de uma crise, casas à venda é o que não falta – a menos que as placas das imobiliárias sejam só a fingir – e que a maioria dos proprietários com as casas devolutas gostaria de, por um ou outro meio, se livrar delas. Presumo que seja tarefa difícil convence-lo. É que para um gajo alegadamente de esquerda não deve ser fácil perceber que proprietário não é sinónimo de rico. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Eles prometem esturrar ainda mais...

Continuamos a não perceber o que nos está a acontecer. Parece que ainda não entendemos que estamos a viver uma tragédia e que ou mudamos radicalmente de rumo ou isto ainda vai piorar mais. Muito mais. Olhar para os cartazes que se vão vendo por esse país fora, assistir aos poucos debates que se vão realizando ou ler as propostas eleitorais dos candidatos a governar as autarquias não nos permite concluir outra coisa.
De facto, praticamente todas as propostas apresentadas ao eleitorado – ou melhor, aos trezentos e oito eleitorados – envolvem aumento da despesa pública. Gastar mais do nosso dinheiro, portanto. Construir coisas, sejam elas quais forem e que utilidade tenham, continua na vanguarda em matéria de prometimento. Segue-se - está muito em moda, diga-se – essa coisa do social. A ideia será apoiar os mais desfavorecidos, ao que garantem.
Ainda que uma ou outra ideia até possa aparentar um nível de coerência vagamente aceitável falta, quase sempre, um pequeno dado. Uma minudência, a bem dizer. Esquecem-se invariavelmente de nos esclarecer onde vão desencantar o dinheiro para assegurar a realização dessas propostas. Isto porque, para lá dos chavões habituais a envolver os automóveis ao serviço das presidências, nunca é feita qualquer referência a eventuais cortes na despesa que permitam enquadrar no orçamento autárquico o valor daquilo que se pretenderá gastar a mais.
Mais preocupante ainda é que, por norma, a estas intenções seguem-se mais umas quantas no sentido de reduzir o IMI, a participação municipal no IRS, a Derrama, as taxas municipais ou o preço dos bens e serviços fornecidos pelas autarquias. Quer isto dizer que os candidatos autárquicos conseguem fazer a quadratura do circulo. Ou não sabem do que estão a falar. Ou, mais provável, querem enganar-nos. A menos que achem que isto da crise, das dividas e da necessidade de ter as contas equilibradas é tudo conversa fiada e que as dividas não são para pagar, como dizia o outro. Os que chegarem ao poder com este pensamento e graças a este tipo de promessas pode ser que, mais cedo do que tarde, tenham uma surpresa... 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vão vender velhinhos, é?

Algumas Câmaras Municipais parecem verdadeiras agências de organização de eventos e os seus presidentes autênticos mestres de cerimónias. A identificada na imagem e o seu autarca-mor, a julgar pelo que se vai vendo, encaixam na perfeição nesse estereótipo. A terra, a acreditar nos relatos que nos vão chegando, estará quase permanentemente em festa. Cabe, desta vez, aos velhotes aguentarem a fúria festiva do mestre-sala lá do sitio. Haja coragem. E paciência. E já agora dinheiro nos bolsos dos portugueses para pagarem todo este dinamismo lúdico-festivo.
Em terra de velhos um evento dedicado aos idosos até parece ter alguma lógica. Mas chamar-lhe “Feira” afigura-se assim um bocadinho esquisito. É que, no meu dicionário, “feira” é um grande mercado que se efectua em épocas determinadas. E mercado, ao que acredito saber, é um lugar público onde se compram mercadorias colocadas à venda. Por exemplo: Na feira de artesanato transacciona-se artesanato, na feira do gado compra-se e vende-se gado e assim por diante.
A julgar pela denominação será, portanto, um certame destinado a vender idosos. Percebo a ideia. Como têm muitos quererão ver se alguém lhes compra uns quantos. Para renovar o stock, provavelmente. E se o preço estiver em conta até pode ser que tenham saída. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ora aí está uma mensagem que fará todo o sentido.


Grandes Cenas


Cá pela cidade e seus arredores estão a ser gravadas cenas de uma telenovela a exibir proximamente pela TVI. O que, diz-se, vai ser bom para o concelho. Talvez seja. Para já está a ser óptimo para jovens estudantes em férias, desempregados e reformados que foram escolhidos para figurantes. Mesmo que apanhem uma grande seca pelo tempo que aquilo demora a filmar, como o cachet é simpático a coisa compensa. E para aquele pessoal que tem a sorte de ter um patrão daqueles mesmo fixes é melhor ainda. Ir “figurar” na hora de serviço, não descontar no ordenado e receber vinte cinco euros é, só por si, um espectáculo! Isto, obviamente, se houver alguém entre os figurantes que tenha a sorte de ter um patrão tão espectacularmente porreiro.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Não importa sol ou sombra...


Estaciono em qualquer sitio. Desde que, claro, estejam reunidos determinados requisitos. Nomeadamente ser permitido, não haver arrumadores por perto, o acto de estacionar não envolva o pagamento de nenhuma tarifa à câmara ou outra entidade qualquer, não implique deixar o carro em cima do passeio e ao lado, atrás ou à frente não se encontrar já estacionada uma carrinha de caixa aberta ou um mata-velhos. Fora isso não sou esquisito. Não procuro sombras nem um local que me deixe a meia dúzia de passos do local onde me pretendo dirigir. Daí que, às vezes, quando dou à chave o termómetro assinale esta simpática temperatura. É o resultado de uma manhã inteirinha ao sol e encostado a uma parede branca...